A Floresta além do Mundo - Capítulo XXXIII Relativo ao Costume de Criação de Rei em Muralha-forte

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[233]ENTREMENTES o Rei falou com o ancião, e disse: ‘Agora conta-me de que eu torno-me rei, e qual é o costume e a causa da criação de rei; pois maravilhoso é para mim, considerando que eu sou apenas um estrangeiro em meio a homens poderosos.

Senhor,’ disse o ancião, ‘tu tornaste-te rei de uma poderosa cidade, a qual tem sob si muitas cidades e amplas terras, e portos à beira-mar, e que não carece de riqueza que os homens desejam. Muitos homens sábios habitam esse lugar, e, quanto aos tolos, não muito mais que em outras terras. Uma tropa valente deverá seguir-te em batalha quando tu necessitares dirigir-se ao campo [de batalha]; uma tropa a não ser resistida, salvo pelo antigo povo-Deus, se algum deles foi deixado sobre a terra, como talvez nenhum foi. E quanto ao nome de nossa dita cidade, é chamada de Cidade de [234]Muralha-forte ou, mais brevemente, de Muralha-forte. Agora, quanto ao costume de nossa criação de rei: se nosso rei morre e deixa um herdeiro homem, gerado de seu corpo, então é ele rei depois dele; mas se ele morre e não deixa herdeiro, então nós despachamos nosso grande senhor, com cavaleiros e sargentos, para aquela passagem na montanha pela qual vós viestes ontem; e o primeiro homem que venha até ela, ele tomam e levam à cidade, como eles fizeram contigo, senhor. Pois nós acreditamos e cremos que, no tempo antigo, nossos antepassados desceram das montanhas pela mesma passagem, pobres e rudes, mas cheios de valentia, antes que eles conquistassem essas terras, e construíssem Muralha-forte. Mas agora, além disso, quando nós temos pego o dito viajante, e trazido-o para casa em nossa cidade, nós observamo-lo nu como recém-nascido, todos os grandes homens de nós, ambos sábios e guerreiros; então, se nós consideramo-lo mau formado e falso de corpo, nós enrolamo-lo em um grande carpete até que ele morra; ou algumas vezes, se ele for apenas um homem simples, e sem culpa, nós liberamo-lo como escravo para algum artífice entre nós, como um sapateiro, um construtor, ou algo do tipo, e assim o esquecemos. Mas, em qualquer caso, nós fazemos como se nenhum homem semelhante tivesse vindo a nós, e nós enviamos novamente o senhor e seus cavaleiros para vigiar a passagem; [235]pois nós dizemos que um semelhante alguém nossos pais do tempo antigo não nos enviaram. Mas novamente, quando nós vimos do recém-chegado que ele é bem formado de seu corpo, não está tudo terminado; pois nós julgamos que nunca os Pais enviar-nos-iam um pateta ou um covarde para ser nosso rei. Portanto, nós ordenamos ao nu tomar para si o que ele desejar dessas vestes, seja a armadura antiga, que agora tu portas, senhor, ou esta veste dourada aqui; e se ele toma a roupa de guerra, como tu tomaste, Rei, está bem; mas se ele toma a veste de paz, então ele tem a escolha de, ou ser escravo de algum bom homem da cidade, ou ser provado quão sábio ele pode ser, e assim passar através da extremidade estreita entre morte e dignidade real; pois, se ele for inadequado quanto a sua sabedoria, então ele deverá morrer a morte. Dessa maneira está tua questão respondida, Rei, e louvados sejam os Pais que eles enviaram-nos alguém de quem ninguém pode duvidar, seja por sabedoria ou valentia.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The wood beyond the world. London: Lawrence and bullen, 1895. pp.233-235. Disponível em: https://archive.org/details/woodbeyondworld00morriala/page/233/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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