A Floresta além do Mundo - Capítulo XXXIV Agora a Donzela vem ao Rei

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[236]Em seguida, todos eles curvam-se diante do Rei, e ele falou novamente: ‘Que barulho é esse que eu ouço lá fora, como se fosse a subida do mar em uma costa arenosa, quando o vento sudoeste está soprando.’

Então o ancião abriu a boca para responder; mas antes que ele pudesse dizer uma palavra, houve um rebuliço do lado de fora da porta, e a multidão separou-se, e oh! Em meio a eles vinha a Donzela, e ela ainda envolta em nada salvo no agasalho branco com o qual ela vencera através da região selvagem, salvo que sobre a cabeça dela estava uma guirlanda de rosas vermelhas, e a cintura dela estava rodeada com o mesmo. Fresca e bela ela estava, como o amanhecer de junho; a face dela, brilhante, de lábios vermelhos e olhos claros, e as bochechas dela coradas com esperança e amor. Ela foi diretamente a Walter onde ele sentava-se, e levemente colocou de lado com sua mão o ancião [237]que a guiaria ao trono de marfim ao lado do Rei; mas ela ajoelhou-se diante dele, e colocou a mão dela no joelho envolto em aço dele, e disse: ‘Oh meu senhor, agora eu vejo que tu iludiste-me, e que tu sempre fostes um homem nascido rei, vindo ao lar em teu reino. Ao mesmo tempo, tão justos e tão claros, e tão gentis teus olhos brilham sobre mim sob o elmo de guerra cinzento, que eu imploro-te para que não me jogues fora completamente, mas tolera-me ser tua serva e empregada por um tempo. Não desejas?’

Mas o Rei curvou-se para ela e ergueu-a, e colocou-se de pé, e tomou as mãos dela e beijou-as, e sentou-a ao lado dele, e disse a ela: ‘Amada, este é agora teu lugar até que a noite chegue, exatamente ao meu lado.’

Assim ela sentou-se lá, branda e valente, as mãos no colo, e os pés um sobre o outro; enquanto o Rei dizia: ‘Senhores, está é minha amada, e minha esposa. Agora, portanto, se vós me terão por Rei, vós precisais adorá-la por Rainha e Senhora; ou senão, suportar-nos seguir em nossos caminhos em paz.’

Então todos eles que estavam na câmara bradaram em voz alta: ‘A Rainha, a Senhora! A amada de nosso senhor!’

[238]E esse brado veio dos corações deles, e não apenas de seus lábios; pois, conforme eles olhavam para ela, e para o brilho da beleza dela, eles também via a brandura do comportamento dela, e o alto coração dela, e todos eles começaram imediatamente a amá-la. Mas os jovens deles, as bochechas deles ruborizaram conforme eles contemplavam-na, e os corações deles recederam por ela, e eles sacaram as espadas e brandiram-nas alto, e bradaram por ela como homens subitamente tornados bêbados com amor: ‘A Rainha, a Senhora, a Amável!’


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The wood beyond the world. London: Lawrence and bullen, 1895. pp.236-238. Disponível em: https://archive.org/details/woodbeyondworld00morriala/page/236/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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