[210]A MANHÃ chegou, e eles ergueram-se e seguiram em seus caminhos, e prosseguiram durante todo o dia até que o sol estivesse próximo de se pôr, e eles entraram na passagem mesma; e nas entradas de lá ficava uma pequena colina térrea. Ali a Donzela ordenou-lhes permanecer, e ela subiu à colina, lá se colocou de pé e falou para eles, e disse: ‘Oh homens do Urso, eu dou-vos obrigado por seu acompanhamento, e eu abençôo-vos, e prometo-vos o crescimento da terra. Mas agora vós deveis retornar, e deixar-me para seguir em meus caminhos; e meu homem com a espada de ferro deverá seguir-me. Agora, talvez eu deverei vir novamente entre o povo do Urso antes que se passe muito tempo e, ainda novamente, ensinar-lhe sabedoria; mas por esta vez é suficiente. E eu devo contar-vos que vós deveis apressar-vos para vossas casas nas terras [211]baixas do vale imediatamente, pois o clima que eu mandei-vos está agora mesmo avançando da forja de tempestades no coração das montanhas. Agora, esta última palavra eu dou-vos, que os tempos mudaram desde que eu usei a última forma de Deus que vós vistes, portanto uma mudança eu ordeno-vos. Se estrangeiros vierem entre vos, eu não desejo que vós enviai-os para mim pelo sílex e o fogo; em vez disso, a menos que eles sejam perniciosos para vós, e dignos de uma morte miserável, vós deveis permiti-los permanecer convosco; vós devei fazê-los tornarem-se filhos dos Ursos, se eles forem admiráveis o suficiente e dignos, e eles deverão ser meus filhos como vós sóis; de outra maneira, se eles forem desavergonhados e fracos, que eles vivam e sejam vossos escravos, mas não juntos a vós, homem para mulher. Agora, parti vós com minha benção.’
Após o que ela desceu da colina, e seguiu em seus caminhos até a passagem, tão ligeiramente que foi para Walter, de pé em meio aos Ursos, como se ela desaparecesse. Mas os homens daquele povo permaneceram de pé e adorando o Deus deles por um pouco mais, e isso enquanto ele não se atrevia a se separar da companhia deles. Mas, quando eles exaltaram-no e retornaram em seus caminhos, ocorreu a ele seguir a Donzela com presa, pensando [212]encontrá-la aguardando-o em algum canto da passagem.
Seja como for, agora era o crepúsculo ou mais, e, por toda a pressa dele, a noite escura alcançou-o, de modo que forçosamente ele demorou-se em meio ao emaranhado dos caminhos da montanha. E, além disso, antes que a noite envelhecesse, o clima chegou sobre ele nas costas de um grande vento sul, de maneira que os recantos da montanha chocalharam e rugiram, e houve chuva e granizo, com trovão e relâmpago monstruosos e terríveis, e a inteira imensa ordem de uma tempestade de verão. Assim, finalmente, ele foi levado a agachar-se sob uma grande rocha e a aguardar o dia.
Mas não assim estavam os problemas dele no fim. Pois, sob a dita rocha, ele adormeceu e quando ele acordou era dia de fato. Mas quanto à passagem, o caminho perto dali estava sem saída com a chuva forte e elevação sombria; de modo que, embora ele se esforçasse tanto quanto podia contra a tempestade e o emaranhado dos caminhos, ele progrediu pouco.
E agora uma vez mais lhe vinha o pensamento de que a Donzela era uma das fadas, ou de alguma raça mesmo mais poderosa. Isso veio a ele agora não como outrora, com parte medo e inteiro desejo, mas com uma opressão amarga de temor, de perda e miséria; de modo que ele começou [213]a temer que ela apenas ganhara seu amor para o deixar e esquecer dele por um recém-chegado, segundo o costume das mulheres das fadas, como as antigas histórias contam.
Dois dias ele batalhou dessa maneira com tempestade e cegueira, e desesperou-se de sua vida; pois ele estava enfraquecendo e abandonado. Mas na terceira manhã a tempestade mitigou-se, embora a chuva ainda caísse pesadamente, e ele podia ver um pouco de seu caminho, assim como ele podia senti-lo; além disso, ele descobriu que agora seu caminho estava conduzindo-o para baixo. Conforme escurecia-se, ele descia a um vale coberto de grama com um riacho correndo através dele em direção ao sul, e a chuva agora era somente pouca, descendo apenas em salpicos de água de tempos em tempos. Assim, ele engatinhou para o lado do riacho e deitou-se em meio aos arbustos de lá, e disse a si mesmo que, no dia seguinte, ele conseguiria mantimentos, de modo que ele poderia viver para procurar sua Donzela no vasto mundo. Ele estava com o coração um pouco melhor: mas agora que ele estava deitado quieto, e não tinha mais nada no presente para o preocupar sobre o caminho, a angústia de sua perda caiu sobre ele mais aguçadamente, e ele não pode deter-se de se lamentar em voz alta por sua querida Donzela, como alguém que se considerava na região selvagem vazia. Dessa maneira ele lamentou por sua doçura e seu [214]encanto, e a gentileza de sua voz e sua fala, e sua alegria. Então ele começou a gritar sobre a beleza da forma dela, elogiando as partes do corpo dela, como a face dela, e as mãos dela, e os ombos dela e os pés dela, e amaldiçoando o destino maligno que o separara da afabilidade dela, e da inigualável forma dela.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The wood beyond the world. London: Lawrence and bullen, 1895. pp.210-214. Disponível em: https://archive.org/details/woodbeyondworld00morriala/page/210/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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