[228]Quando ele acordou, novamente o sol estava brilhando intensamente naquela câmara, e ele olhou, e contemplou que ela era inigualável em beleza e riquezas, em meio a tudo que ele alguma vez vira: a cúpula do teto trabalhada com ouro e azul ultramarino; as paredes penduradas com tapeçarias das mais belas, embora ele não pudesse contar qual estava história representada ali. As cadeiras e assentos eram de trabalho entalhado bem pintado, e no meio ficava uma grande cadeira de marfim sobre um tecido de estado, de baldaquim de ouro e verde, muito perolado; e todo o piso era de fino trabalho alexandrino.
Ele olhou para tudo isso, perguntando-se o que havia acontecido-lhe, quando, oh! Lá entrava gente na câmara, a saber, dois servos bem ornamentados, e três anciãos envoltos em ricas togas de seda. Esses vêm a ele e (ainda por [229]sinais, sem falar) ordenam-lhe levantar e vir com eles; e quando ele mandou-os olhar e ver que ele estava nu, e riu duvidosamente, eles nem riram em resposta, nem lhe ofereceram nenhuma vestimenta, mas ainda o mandariam erguer-se, e assim ele fez, forçosamente. Eles conduziram-no com eles para fora da câmara, e através de certas passagens colunadas e vistosas, até que eles chegaram a um banho tão belo quanto qualquer um poderia ser; e lá os servos banharam-no cuidadosa e gentilmente, o ancião olhando por um tempo. Quando estava terminado, eles ainda não lhe ofereceram roupas, mas conduziram-no para fora, e através das passagens novamente, de volta à câmara. Somente que, desta vez, ele precisou passar em meio a uma dupla barreira de homens, alguns armados, alguns em vestimenta pacífica, mas todos vestidos gloriosamente, e inteiramente semelhante a chefes de aspecto, seja por valentia ou sabedoria.
Na câmara mesma havia agora uma multidão de homens, de grande condição, julgando pela vestimenta deles; mas todos eles estavam de pé ordenadamente em um círculo em volta da cadeira de marfim supracitada. Agora disse Walter a si mesmo: ‘Certamente tudo isso divisa a direção da faca e do altar para mim;’ mas ele manteve um semblante resoluto a despeito de tudo.
Assim, eles conduziram-no à cadeira de mármore, e ele observou em cada lado daquele lugar um assento, e [230]em cada um estava estendido um conjunto de vestes, da camisa para cima; mas havia muita diversidade entre essas vestimentas. Pois uma era toda de robes de paz, gloriosos e com gemas, impróprios para qualquer um salvo um grande rei; enquanto a outra era roupa de guerra, decentemente bem-talhada, mas pouco adornada; não preferencialmente, gasta e manchada com o clima e a saraivada do ataque de lanças.
Agora, aqueles anciões fizeram sinal para Walter pegar qual daquelas vestimentas ele desejasse, e vestisse-a. Ele olhou para a direita e para a esquerda e, quando ele tinha olhado para a veste de guerra, o coração ergueu-se nele, e ele chamou à mente a veste dos Goldings na vanguarda de batalha, e deu um passo na direção das armas, e colocou a mão ali. Em seguida, correu um murmúrio feliz através daquela multidão, e os anciões arranjaram-se em torno dele sorrindo e alegres, e ajudaram-no a colocá-las; e, enquanto ele tomava o elmo, ele notou que sobre seu amplo ferro marrom, colocava-se uma coroa dourada.
Então, quando ele estava vestido e armado, com uma espada à cintura, e um machado de aço em mão, os anciões mostraram-lhe o trono de marfim, e ele deitou o machado no braço da cadeira, e desembainhou sua espada da bainha, e sentou-se, e deitou a antiga lâmina [231]em seus joelhos; em seguida ele olhou em volta para aqueles grandes homens, e falou: ‘Por quanto tempo nós devemos não falar palavra alguma um para o outro, ou é assim por que Deus atingiu-os mudos?’
Em seguida, todos bradaram em uma voz: ‘Todos saúdam o Rei, o Rei de Batalha!’
Falou Walter: ‘Se eu sou rei, vós fareis minha vontade como eu ordeno-vos?’
Respondeu o ancião: ‘Nós não temos vontade a fazer, senhor, salvo como tu ordenaste.’
Disse Walter: ‘Tu então, tu responderás a uma questão em toda verdade?’
‘Sim, senhor,’ disse o ancião, ‘se eu puder viver depois.’
Então disse Walter: ‘A mulher que veio comigo ao vosso Campo da Montanha, o que aconteceu a ela?’
O ancião respondeu: ‘Nada aconteceu a ela, quer de bom ou de mal, salvo que ela dormiu e comeu e banhou-se. Qual é, então o desejo do Rei concernente a ela?’
‘Que vós trazei-a para cá, para mim, imediatamente,’ disse Walter.
‘Sim,’ disse o ancião; ‘e em que vestuário nós devemos trazê-la para cá? Deverá ela estar vestida como uma serva, ou como uma grande Senhora?’
Em seguida Walter ponderou por um tempo, e finalmente falou: ‘Pergunta-a qual é o desejo dela quanto a isso e, [232]como ela desejar tê-lo, assim ela o terá. Mas colocai vós outra cadeira ao lado da minha, e conduzi-a a ela. Tu ancião sábio, envia um ou dois para a trazer aqui, mas permanece tu, pois eu ainda tenho uma questão ou para vos perguntar. E vós, lordes, esperai aqui a chegada de minha companheira, se isso não vos cansar.’
Então o ancião falou para os três mais honoráveis dos senhores, e eles seguiram em seus caminhos para trazer a Donzela.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The wood beyond the world. London: Lawrence and bullen, 1895. pp.228-232. Disponível em: https://archive.org/details/woodbeyondworld00morriala/page/228/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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