A Floresta além do Mundo - Capítulo XXXVI Sobre Walter e a Criada nos Dias de Realeza – Final

Capítulo anterior


[245]Muito tempo passou-se, de fato, até que as mulheres, pelo comando do Rei, trouxeram a Donzela à câmara do Rei; e ele encontrou-a, e tomou-a pelos ombros e beijou-a, e disse: ‘Tu não estás cansada, coração? A cidade, o povo aglomerado, e os olhos observadores dos grandes … não se colocam pesados sobre ti, como eles fazem sobre mim?’

Ela disse: ‘E onde está a cidade agora? Não é está a região selvagem novamente, e tu e eu juntos sozinhos naquele lugar?

Ele encarou-a avidamente, e ela ruborizou, de modo que os olhos dela reluziram luz em meio à sombra do rubor das bochechas dela.

Ele falou trêmulo e suavemente, e disse: ‘Não é isto melhor em uma coisa do que a região selvagem? Não se foi o medo, sim, cada bocado dele?

[246]O rubor escuro deixara a face dela, e ela olhou para ele de maneira excessivamente doce, e falou regular e claramente: ‘Assim mesmo é, amado.Após o que ela colocou a mão no cinto que envolvia seus quadris, e tirou-o, e segurou-o na direção dele, e disse: ‘Aqui está o símbolo; este é um cinto de donzela, e a mulher está livre do cinto.’

Assim ele tomou o cinto e ao mesmo tempo a mão dela, e lançou os braços em volta dela: e em meio ao amor e segurança deles, e seguros de muitos dias de alegria, eles conversaram juntos sobre as horas que ele viajaram sobre o fio da navalha entre culpa e miséria e morte, e o mais doce ainda cresceu neles por causa disso; e muitas coisas ela contou-lhe antes do amanhecer, dos maus dias passados, e das condutas da Senhora com ela, até que o dia cinzento infiltrou-se na câmara para tornar manifesta a beleza dela; a qual, verdadeiramente, era melhor até que o julgamento daquele homem em meio à multidão cujo coração fora atraído em direção a ela. Assim eles alegraram-se junto no novo dia.

Mas quando era pleno dia, e Walter levantou-se, ele chamou seus barões e homens sábios para o conselho; e primeiro ele ordenou abrir as portas de prisão, e alimentar os necessitados e vesti-los [247]e fazer bem a todos os homens, altos e baixos, ricos e não ricos; e subsequentemente ele aconselhou-se com eles sobre muitos assuntos, e ele maravilharam-se com a sabedoria dele e a agudeza de sua inteligência; e assim foi que alguns ficaram apenas meio satisfeitos por isso, considerando que eles viram que a vontade deles era provável de ceder perante a dele em todos os assuntos. Mas os mais sábios dentre eles alegraram-se com ele, e ansiaram por bons dias enquanto a vida dele durasse.

Agora, dos feitos que ele realizou, e suas alegrias e dores, o conto não deverá contar mais nada; nem de como ele viu Langton novamente, e seus negócios lá.

Em Muralha-forte ele residiu, e reinou um Rei, bem-amado por seu povo, e dolorosamente temido por seus inimigos. Com contenda ele teve de lidar, em casa e fora de casa; mas naquele lugar ele não era dominado, até que ele adormecia justa e suavemente, quando o mundo dele não tinha mais feitos para ele realizar. Nem pode ser dito que os necessitados lamentavam-no; pois nenhum necessitado ele deixara em sua própria tera. E poucos inimigos ele deixou para trás para o odiar.

Quanto à Donzela, ela foi tão crescida em amabilidade e doçura, que era um ano de alegria para qualquer um lançasse os olhos sobre ela na rua ou no campo. Toda feitiçaria deixou-a desde o dia de [248]seu casamento; contudo, de inteligência e sabedoria ela tinha o bastante restante, e para dispensar; pois ela não necessitava de rodeios, e de malícia, não mais do que de comandos duros, para ter sua vontade realizada. Tão amada ela era por todo o povo, verdadeiramente, que era uma mera alegria para qualquer um tratar das incumbências dela. Para ser breve, ela era o crescimento da terra, e a salvaguarda da cidade e a alegria do povo.

De alguma forma, conforme os dias passavam-se, inspiraram-na receios de que ela iludira o povo do Urso para a considerar o Deus deles; e ela considerou e pensou em como ela poderia reparar isso.

Assim, durante o segundo ano após eles terem chegado à Muralha-forte, ela foi com certa gente para a entrada da passagem que levava até os Ursos; e lá ela deteve os homens de armas, e prosseguiu com duas vintenas de fazendeiros que ela resgatara da servidão em Muralha-forte; e quando eles estavam inquestionavelmente nos valos dos Ursos, ela deixou-os lá em um certo pequeno vale, com suas carroças e cavalos, e sementes de milho, e ferramentas de ferro, e desceu, completamente pássaro solitário, à habitação daqueles homens imensos, desprotegida por feitiçaria e não confiando em nada, salvo na amabilidade e doçura dela. Vestida ela estava agora, como quando ela fugiu da Floresta além do [249]Mundo, apenas em um curto casaco branco, com pés descalços e braços nus; mas o dito casaco estava agora bordado com imagens de flores em prata e ouro, e gemas, visto que agora a feitiçaria dela partira dela.

Assim ela veio até os Ursos, e eles conheceram-na imediatamente, e adoraram-na e exaltaram-na, e temeram-na. Mas ela contou-lhes que ela tinha um presente para eles, e que vinha para lhes entregar; e com isso ela contou-lhes da arte da lavoura, e ordenou-os aprendê-la; e quando eles perguntaram-na como eles deveriam fazê-lo, ela contou-lhes sobre os homens que os estavam aguardando no vale da montanha, e ordenou aos Ursos tomá-los como seus irmãos e filhos dos Pais antigos e, em seguida, eles deveriam ser ensinados deles. Isso eles juraram-na fazer, e ela conduziu-os para onde os homens livres estavam, a quem os Ursos receberam com toda alegria e gentileza, e levaram-nos para o povo deles.

Assim eles retornaram a seus vales juntos; mas a Donzela seguiu em seus caminhos de volta para seus homens de armas e a cidade de Muralha-forte.

Depois disso, ele enviou mais presentes e mensagens aos Ursos, mas nunca foi ela mesma os ver novamente; pois tão boa a face como ela pôs naquela última vez, contudo o coração dela esfriou [250]de medo, e quase parecia a ela que a Senhora dela estava viva novamente, e que ela estava escapando dela, e conspirando contra ela uma vez mais.

Quanto aos Ursos, eles floresceram e multiplicaram-se; até que, finalmente, conflito surgiu grande e cruel entre eles e outros povos; pois eles tornaram-se poderosos em batalha; sim, uma e outra vez eles encontraram a tropa de Muralha-forte em batalha, e derrotaram-na e foram derrotados. Mas isso foi muito tempo depois que a Donzela falecera.

Agora, quanto a Walter e à Donzela, não há nada mais a ser contado, salvo que eles geraram entre eles vistosos filhos e belas filhas; dos quais veio uma grande linhagem em Muralha-forte; linhagem a qual era tão forte, e perdurou por tanto tempo, que, até que ela tivesse esgotado-se, o povo claramente esquecera-se de seu costume ancestral de criação de rei; de maneira que, após Walter de Langton, nunca houve outro rei que desceu-lhes pobre e solitário das Montanhas dos Ursos.


FIM


ORIGINAL:

MORRIS, W. The wood beyond the world. London: Lawrence and bullen, 1895. pp.245-250. Disponível em: https://archive.org/details/woodbeyondworld00morriala/page/245/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

A Floresta além do Mundo - Capítulo XXXV Sobre o Rei da Muralha-forte e sua Rainha

Capítulo anterior


[239]Mas enquanto isso acontecia, aquele murmúrio do lado de fora, o qual se mencionou acima, ficou mais alto; e ele atingiu o ouvido do Rei, e ele disse novamente ao ancião: ‘Conta-nos agora desse barulho do lado de fora, o que é?’

Disse o ancião: ‘Se tu, Rei, e a Rainha, desejardes apenas levantar-se e colocar-se de pé à janela, e ides em frente na galeria suspensa de lá, então vós deveis saber imediatamente o que é esse rumor, e com isso vós deveis ver uma visão adequada para alegrar o coração de um novo rei chegado à dignidade real.

Assim o Rei levantou-se e tomou a Donzela pela mão, e caminhou até a janela e olhou adiante; e oh! A grande praça do lugar aglomerada de gente, tão densa quanto eles podiam ficar de pé, e a maior parte dos camponeses com uma arma em mãos, e muito armados reta e galantemente. Então ele saiu para a [240]galeria com sua Rainha, ainda segurando a mão dela, e seus senhores e homens sábios de pé atrás dele. Imediatamente então se ergueu um brado, e um grito de alegria e boas vindas que tomou os céus mesmos, e o grande lugar estava todo cintilando e surpreendente com o arremesso para cima de lanças e o brandir de espadas, e o estender de mãos.

Mas a Donzela falou suavemente com o Rei Walter e disse: ‘Então aqui está a região selvagem deixada para trás em um longo caminho, e aqui está guarda e proteção contra os inimigos de nossa vida e alma. Oh, abençoado sê tu e teu coração valente!’

Mas Walter nada falou, apenas permaneceu de pé como alguém em um sonho; e ainda, se isso podia ser, seu anseio por ela aumentou muitas vezes.

Mas abaixo, em meio a multidão, erguiam-se dois vizinhos um pouco perto da janela; e um disse ao outro: ‘ tu! O novo homem na antiga armadura da Batalha da Águas, portando a espada que matou o rei inimigo no Dia da Investida Duvidosa! Certamente isso é um sinal de boa sorte para nós todos.’

Sim,’ disse o segundo, ‘ele porta bem a armadura dele, os olhos são brilhantes na cabeça dele; mas tu contemplaste bem a companheira dele, e como ela é?

[241]‘Eu vejo-a,’ disse o outro, ‘que ela é uma bela mulher; contudo, um pouco pior vestida do que simplesmente. Ela está na bata dela, homem, e, não fosse pelas balaustradas, eu consideraria que tu deverias vê-la descalça. O que está de errado com ela?

Tu não a vês,’ disse o segundo vizinho, ‘que ela não é apenas uma bela mulher, mas ainda mais, uma daquelas amáveis que desacanham o coração de um homem do corpo dele, alguém escassamente pode dizer o por quê? Certamente Muralha-forte deve ter lançado uma rede de sorte desta vez. E quanto à vestimenta dela, eu vejo dela que ela está envolta em branco e coberta por rosas, mas que o corpo dela é tão inteiramente puro e doce que ele torna todo o traje dela apenas uma parte de seu corpo, e consagra-o, de maneira que tem a aparência de gemas. Ai de mim, meu amigo! Esperemos que essa Rainha viajará fora de casa comumente em meio ao povo.

Dessa maneira, então, eles conversavam. Mas, após um tempo, o Rei e sua companheira retornaram para dentro da câmara, e ele deu o comando para que as mulheres da Rainha deveriam vir e levá-la, para a vestir em vestimenta real. E para lá vieram as mais belas das donzelas honoráveis, e estavam inclinadas a serem suas acompanhantes. Com isso o Rei estava [242]desarmado, e vestido o mais gloriosamente, mas ainda ele portava a Espada da Morte do Rei. Logo a seguir, o Rei e a Rainha foram trazidos a um grande salão do palácio, e eles encontraram-se no estrado, e beijaram-se diante dos senhores e das outras pessoas que enchiam o salão. Ali eles comeram um bocado e beberam juntos um cálice, enquanto todos os observavam. Em seguida, eles foram conduzidos para fora, e um cavalo branco dos mais vistosos, bem equipado, trazido para cada um deles. Depois disso eles montaram, e seguiram juntos em seus caminhos, através da passagem estreita que a imensa multidão fez para eles, à grande igreja, para a consagração e a coroação. Eles foram conduzidos por um escudeiro apenas, e ele desarmado, pois tal era o costume em Muralha-forte quando um novo rei deveria ser consagrado. Assim eles chegaram à grande igreja (pois aquele povo não era herético, por assim dizer), e entraram nela, os dois sozinhos, e foram ao coro e, quando eles estavam de pé naquele lugar por um tempo, enquanto se maravilhando com sua sorte, eles ouviram como os sinos começaram a badalar afortunadamente sobre as cabeças deles. Em seguida, aproximou-se o som de muitos trompetes soprando juntos, e depois disso a voz de muitas pessoas cantando; então as grandes portas abriram-se, e o bispo e seus sacerdotes [243]entraram na igreja com canto e menestréis. Depois disso, veio a inteira multidão do povo, e logo a nave da igreja estava cheia dele, como quando a água segue o corte da barragem, e enche o dique. Depois, vieram o bispo e seus companheiros ao coral, e subiram ao Rei, e deram-lhe e à Rainha o beijo de paz. Em seguida, uma missa foi cantada gloriosamente; e subsequentemente foi o Rei ungido e coroado, e grande alegria estabeleceu-se em toda parte da igreja. Depois eles retornaram a pé para o palácio, eles dois juntos e sozinhos, com ninguém salvo o escudeiro indo diante dele para lhes mostrar o caminho. E conforme eles prosseguiam, eles passaram bem perto daqueles dois vizinhos, cuja conversa foi contada antes, e o primeiro, ele quem elogiara a veste de guerra do Rei, falou e disse: ‘Verdadeiramente, vizinho, tu estás no direito disso; e agora a rainha está devidamente arrumada, e tem a coroa em sua cabeça, e está envolta em samito branco todo feito com pérolas, e vejo-a ser de excessiva beleza; tão vistosa, pode ser, quanto o Senhor Rei.’

Disse o outro: ‘Para mim ela parece como ela parecia agora mesmo; ela está envolta em branco, como então ela estava, e é em razão do puro [244]e doce corpo dela que as pérolas brilham e resplandecem, e pela santidade do corpo dela a sua rica vestimenta é consagrada; mas, verdadeiramente, parecia-me que, conforme ela passava, como se o paraíso aproximara-se de nossa cidade, e que todo o ar exalava-o. Assim eu digo, abençoados sejam Deus e Seus Santos que a aceitam residir em meio a nós!

Disse o primeiro homem: ‘Verdadeiramente, isso está bem; mas tu sabes em absoluto de onde ela vem, e de que linhagem ela pode ser?’

Não,’ disse o outro, ‘eu não sei de onde ela é; mas isto eu sei com toda certeza, que quando ela se for, aqueles que ela conduzir deverão ficar bem assistidos. Novamente, da linhagem dela nada conheço eu; mas isto eu sei, que aqueles que vêm com ela, até a vigésima geração, deverão abençoar e louvar o nome dela, e reverenciar o nome dela não menos do que eles reverenciam o nome da Mãe de Deus.

Assim conversavam os dois; mas o Rei e a Rainha retornaram ao palácio, e sentaram-se em meio aos senhores e no banquete que foi realizado depois disso, e longo foi o tempo de glória deles, até que a noite estava muito gasta e todos os homens precisavam procurar suas camas.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. The wood beyond the world. London: Lawrence and bullen, 1895. pp.239-244. Disponível em: https://archive.org/details/woodbeyondworld00morriala/page/239/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

A Floresta além do Mundo - Capítulo XXXIV Agora a Donzela vem ao Rei

Capítulo anterior


[236]Em seguida, todos eles curvam-se diante do Rei, e ele falou novamente: ‘Que barulho é esse que eu ouço lá fora, como se fosse a subida do mar em uma costa arenosa, quando o vento sudoeste está soprando.’

Então o ancião abriu a boca para responder; mas antes que ele pudesse dizer uma palavra, houve um rebuliço do lado de fora da porta, e a multidão separou-se, e oh! Em meio a eles vinha a Donzela, e ela ainda envolta em nada salvo no agasalho branco com o qual ela vencera através da região selvagem, salvo que sobre a cabeça dela estava uma guirlanda de rosas vermelhas, e a cintura dela estava rodeada com o mesmo. Fresca e bela ela estava, como o amanhecer de junho; a face dela, brilhante, de lábios vermelhos e olhos claros, e as bochechas dela coradas com esperança e amor. Ela foi diretamente a Walter onde ele sentava-se, e levemente colocou de lado com sua mão o ancião [237]que a guiaria ao trono de marfim ao lado do Rei; mas ela ajoelhou-se diante dele, e colocou a mão dela no joelho envolto em aço dele, e disse: ‘Oh meu senhor, agora eu vejo que tu iludiste-me, e que tu sempre fostes um homem nascido rei, vindo ao lar em teu reino. Ao mesmo tempo, tão justos e tão claros, e tão gentis teus olhos brilham sobre mim sob o elmo de guerra cinzento, que eu imploro-te para que não me jogues fora completamente, mas tolera-me ser tua serva e empregada por um tempo. Não desejas?’

Mas o Rei curvou-se para ela e ergueu-a, e colocou-se de pé, e tomou as mãos dela e beijou-as, e sentou-a ao lado dele, e disse a ela: ‘Amada, este é agora teu lugar até que a noite chegue, exatamente ao meu lado.’

Assim ela sentou-se lá, branda e valente, as mãos no colo, e os pés um sobre o outro; enquanto o Rei dizia: ‘Senhores, está é minha amada, e minha esposa. Agora, portanto, se vós me terão por Rei, vós precisais adorá-la por Rainha e Senhora; ou senão, suportar-nos seguir em nossos caminhos em paz.’

Então todos eles que estavam na câmara bradaram em voz alta: ‘A Rainha, a Senhora! A amada de nosso senhor!’

[238]E esse brado veio dos corações deles, e não apenas de seus lábios; pois, conforme eles olhavam para ela, e para o brilho da beleza dela, eles também via a brandura do comportamento dela, e o alto coração dela, e todos eles começaram imediatamente a amá-la. Mas os jovens deles, as bochechas deles ruborizaram conforme eles contemplavam-na, e os corações deles recederam por ela, e eles sacaram as espadas e brandiram-nas alto, e bradaram por ela como homens subitamente tornados bêbados com amor: ‘A Rainha, a Senhora, a Amável!’


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. The wood beyond the world. London: Lawrence and bullen, 1895. pp.236-238. Disponível em: https://archive.org/details/woodbeyondworld00morriala/page/236/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

A Floresta além do Mundo - Capítulo XXXIII Relativo ao Costume de Criação de Rei em Muralha-forte

Capítulo anterior


[233]ENTREMENTES o Rei falou com o ancião, e disse: ‘Agora conta-me de que eu torno-me rei, e qual é o costume e a causa da criação de rei; pois maravilhoso é para mim, considerando que eu sou apenas um estrangeiro em meio a homens poderosos.

Senhor,’ disse o ancião, ‘tu tornaste-te rei de uma poderosa cidade, a qual tem sob si muitas cidades e amplas terras, e portos à beira-mar, e que não carece de riqueza que os homens desejam. Muitos homens sábios habitam esse lugar, e, quanto aos tolos, não muito mais que em outras terras. Uma tropa valente deverá seguir-te em batalha quando tu necessitares dirigir-se ao campo [de batalha]; uma tropa a não ser resistida, salvo pelo antigo povo-Deus, se algum deles foi deixado sobre a terra, como talvez nenhum foi. E quanto ao nome de nossa dita cidade, é chamada de Cidade de [234]Muralha-forte ou, mais brevemente, de Muralha-forte. Agora, quanto ao costume de nossa criação de rei: se nosso rei morre e deixa um herdeiro homem, gerado de seu corpo, então é ele rei depois dele; mas se ele morre e não deixa herdeiro, então nós despachamos nosso grande senhor, com cavaleiros e sargentos, para aquela passagem na montanha pela qual vós viestes ontem; e o primeiro homem que venha até ela, ele tomam e levam à cidade, como eles fizeram contigo, senhor. Pois nós acreditamos e cremos que, no tempo antigo, nossos antepassados desceram das montanhas pela mesma passagem, pobres e rudes, mas cheios de valentia, antes que eles conquistassem essas terras, e construíssem Muralha-forte. Mas agora, além disso, quando nós temos pego o dito viajante, e trazido-o para casa em nossa cidade, nós observamo-lo nu como recém-nascido, todos os grandes homens de nós, ambos sábios e guerreiros; então, se nós consideramo-lo mau formado e falso de corpo, nós enrolamo-lo em um grande carpete até que ele morra; ou algumas vezes, se ele for apenas um homem simples, e sem culpa, nós liberamo-lo como escravo para algum artífice entre nós, como um sapateiro, um construtor, ou algo do tipo, e assim o esquecemos. Mas, em qualquer caso, nós fazemos como se nenhum homem semelhante tivesse vindo a nós, e nós enviamos novamente o senhor e seus cavaleiros para vigiar a passagem; [235]pois nós dizemos que um semelhante alguém nossos pais do tempo antigo não nos enviaram. Mas novamente, quando nós vimos do recém-chegado que ele é bem formado de seu corpo, não está tudo terminado; pois nós julgamos que nunca os Pais enviar-nos-iam um pateta ou um covarde para ser nosso rei. Portanto, nós ordenamos ao nu tomar para si o que ele desejar dessas vestes, seja a armadura antiga, que agora tu portas, senhor, ou esta veste dourada aqui; e se ele toma a roupa de guerra, como tu tomaste, Rei, está bem; mas se ele toma a veste de paz, então ele tem a escolha de, ou ser escravo de algum bom homem da cidade, ou ser provado quão sábio ele pode ser, e assim passar através da extremidade estreita entre morte e dignidade real; pois, se ele for inadequado quanto a sua sabedoria, então ele deverá morrer a morte. Dessa maneira está tua questão respondida, Rei, e louvados sejam os Pais que eles enviaram-nos alguém de quem ninguém pode duvidar, seja por sabedoria ou valentia.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. The wood beyond the world. London: Lawrence and bullen, 1895. pp.233-235. Disponível em: https://archive.org/details/woodbeyondworld00morriala/page/233/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

A Floresta além do Mundo - Capítulo XXXII Sobre o Novo Rei da Cidade e Terra de Muralha-forte

Capítulo anterior


[228]Quando ele acordou, novamente o sol estava brilhando intensamente naquela câmara, e ele olhou, e contemplou que ela era inigualável em beleza e riquezas, em meio a tudo que ele alguma vez vira: a cúpula do teto trabalhada com ouro e azul ultramarino; as paredes penduradas com tapeçarias das mais belas, embora ele não pudesse contar qual estava história representada ali. As cadeiras e assentos eram de trabalho entalhado bem pintado, e no meio ficava uma grande cadeira de marfim sobre um tecido de estado, de baldaquim de ouro e verde, muito perolado; e todo o piso era de fino trabalho alexandrino.

Ele olhou para tudo isso, perguntando-se o que havia acontecido-lhe, quando, oh! Lá entrava gente na câmara, a saber, dois servos bem ornamentados, e três anciãos envoltos em ricas togas de seda. Esses vêm a ele e (ainda por [229]sinais, sem falar) ordenam-lhe levantar e vir com eles; e quando ele mandou-os olhar e ver que ele estava nu, e riu duvidosamente, eles nem riram em resposta, nem lhe ofereceram nenhuma vestimenta, mas ainda o mandariam erguer-se, e assim ele fez, forçosamente. Eles conduziram-no com eles para fora da câmara, e através de certas passagens colunadas e vistosas, até que eles chegaram a um banho tão belo quanto qualquer um poderia ser; e lá os servos banharam-no cuidadosa e gentilmente, o ancião olhando por um tempo. Quando estava terminado, eles ainda não lhe ofereceram roupas, mas conduziram-no para fora, e através das passagens novamente, de volta à câmara. Somente que, desta vez, ele precisou passar em meio a uma dupla barreira de homens, alguns armados, alguns em vestimenta pacífica, mas todos vestidos gloriosamente, e inteiramente semelhante a chefes de aspecto, seja por valentia ou sabedoria.

Na câmara mesma havia agora uma multidão de homens, de grande condição, julgando pela vestimenta deles; mas todos eles estavam de pé ordenadamente em um círculo em volta da cadeira de marfim supracitada. Agora disse Walter a si mesmo: ‘Certamente tudo isso divisa a direção da faca e do altar para mim;’ mas ele manteve um semblante resoluto a despeito de tudo.

Assim, eles conduziram-no à cadeira de mármore, e ele observou em cada lado daquele lugar um assento, e [230]em cada um estava estendido um conjunto de vestes, da camisa para cima; mas havia muita diversidade entre essas vestimentas. Pois uma era toda de robes de paz, gloriosos e com gemas, impróprios para qualquer um salvo um grande rei; enquanto a outra era roupa de guerra, decentemente bem-talhada, mas pouco adornada; não preferencialmente, gasta e manchada com o clima e a saraivada do ataque de lanças.

Agora, aqueles anciões fizeram sinal para Walter pegar qual daquelas vestimentas ele desejasse, e vestisse-a. Ele olhou para a direita e para a esquerda e, quando ele tinha olhado para a veste de guerra, o coração ergueu-se nele, e ele chamou à mente a veste dos Goldings na vanguarda de batalha, e deu um passo na direção das armas, e colocou a mão ali. Em seguida, correu um murmúrio feliz através daquela multidão, e os anciões arranjaram-se em torno dele sorrindo e alegres, e ajudaram-no a colocá-las; e, enquanto ele tomava o elmo, ele notou que sobre seu amplo ferro marrom, colocava-se uma coroa dourada.

Então, quando ele estava vestido e armado, com uma espada à cintura, e um machado de aço em mão, os anciões mostraram-lhe o trono de marfim, e ele deitou o machado no braço da cadeira, e desembainhou sua espada da bainha, e sentou-se, e deitou a antiga lâmina [231]em seus joelhos; em seguida ele olhou em volta para aqueles grandes homens, e falou: ‘Por quanto tempo nós devemos não falar palavra alguma um para o outro, ou é assim por que Deus atingiu-os mudos?

Em seguida, todos bradaram em uma voz: ‘Todos saúdam o Rei, o Rei de Batalha!’

Falou Walter: ‘Se eu sou rei, vós fareis minha vontade como eu ordeno-vos?’

Respondeu o ancião:Nós não temos vontade a fazer, senhor, salvo como tu ordenaste.’

Disse Walter: ‘Tu então, tu responderás a uma questão em toda verdade?’

Sim, senhor,’ disse o ancião, ‘se eu puder viver depois.’

Então disse Walter: ‘A mulher que veio comigo ao vosso Campo da Montanha, o que aconteceu a ela?’

O ancião respondeu: ‘Nada aconteceu a ela, quer de bom ou de mal, salvo que ela dormiu e comeu e banhou-se. Qual é, então o desejo do Rei concernente a ela?’

Que vós trazei-a para cá, para mim, imediatamente,’ disse Walter.

Sim,’ disse o ancião; ‘e em que vestuário nós devemos trazê-la para cá? Deverá ela estar vestida como uma serva, ou como uma grande Senhora?’

Em seguida Walter ponderou por um tempo, e finalmente falou: ‘Pergunta-a qual é o desejo dela quanto a isso e, [232]como ela desejar tê-lo, assim ela o terá. Mas colocai vós outra cadeira ao lado da minha, e conduzi-a a ela. Tu ancião sábio, envia um ou dois para a trazer aqui, mas permanece tu, pois eu ainda tenho uma questão ou para vos perguntar. E vós, lordes, esperai aqui a chegada de minha companheira, se isso não vos cansar.’

Então o ancião falou para os três mais honoráveis dos senhores, e eles seguiram em seus caminhos para trazer a Donzela.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. The wood beyond the world. London: Lawrence and bullen, 1895. pp.228-232. Disponível em: https://archive.org/details/woodbeyondworld00morriala/page/228/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

A Raça Vindoura - Capítulo XXIV

Capítulo anterior


[228]Na aterrissagem do bote aéreo, uma criança abordou Aph-Lin no salão com um pedido para que ele estivesse presente às exéquias fúnebres de um parente que recentemente partira deste mundo inferior.

Agora, eu nunca vira um local de enterro ou cemitério em meio a essa gente, e, feliz em aproveitar mesmo uma ocasião tão melancólica para adiar um encontro com Zee, eu perguntei a Aph-Lin se eu poderia ser permitido testemunhar com ele o enterro de seu parente; a menos que, de fato, isso fosse considerado uma daquelas cerimônias sagradas às quais um estranho à raça deles não poderia ser admitido.

A partida de um An para um mundo mais feliz,” respondeu meu anfitrião, “quando, como no caso de meu parente, ele viveu por tanto tempo neste quanto a ter perdido o prazer nele, é antes um alegre embora [229]tranquilo festival do que uma cerimônia sagrada, e você pode acompanhar-me se você desejar.

Precedidos por uma criança mensageira, nós andamos a rua principal acima até uma casa a uma pouca distância, e, entrando no salão, fomos conduzidos a uma sala no térreo, onde nós encontrarmos várias pessoas reunidas em volta de um sofá no qual estava deitado o falecido. Era um homem velho, quem vivera, como me foi contado, além de seu 130º ano. A julgar pelo sorriso calmo de seu semblante, ele falecera sem sofrimento. Um dos filhos, quem agora era o chefe da família, e quem parecia em uma vigorosa meia idade, embora ele fosse consideravelmente mais velho do que setenta, deu um passo à frente com uma face feliz e contou a Aph-Lin “que o dia antes de ele morrer ele vira em um sonho sua falecida Gy, e estava ansioso por ser reunido com ela, e restaurado à juventude sob o sorriso mais próximo do Todo-Bom.”

Enquanto esses dois estavam conversando, minha atenção foi atraída por uma substância metálica negra na extremidade mais distante da sala. Era aproximadamente de vinte pés de comprimento, estreita em proporção, e toda redonda fechada, salvo, próximo ao teto, havia pequenos [230]orifícios circulares através dos quais se podia ver uma luz vermelha. A partir do interior emanava um rico e doce perfume; e, enquanto eu estava conjecturando a qual o propósito dessa máquina devia servir, todos os relógios na cidade atingiram a hora com sua harmonia musical solene; e conforme aquele som cessava, música de um temperamento mais alegre, mas ainda de uma alegria dominada e tranquila, circundou pela câmara e a partir das paredes além, em um repique de coral. Sinfônico com a melódia, aqueles presentes elevaram as vozes em canto. As palavras desse hino eram simples. Elas não expressavam nenhum arrependimento, nenhum adeus, mas antes uma saudação ao mundo no qual o falecido precedera ao vivo. De fato, na língua deles, o hino funerário é chamado de ‘Canção de Nascimento’. Em seguida, o corpo, coberto por uma longa mortalha, foi ternamente erguido por seis dos parentes mais próximos e transportado em direção à coisa negra que eu descrevi. Eu avancei para ver o que acontecia. Uma porta ou painel corrediço em uma extremidade foi erguido – o corpo depositado no interior, em uma prateleira – a porta fechada novamente - uma mola ao lado tocada – um súbito som sibilante, som suspirante ouvido do interior; e [231]oh! Na outra extremidade da máquina a tampa caiu, e um pequeno punhado de poeira ardente caiu dentro de uma pátera colocada para a receber. O filho tomou a pátera e disse (no que eu entendi depois era a forma usual das palavras), “Contemplai quão grande é o Criador! A este pequeno Ele dá forma e vida e alma. Não é necessário este pequeno para Ele renovar forma e vida e alma ao amado que logo nós devemos ver novamente.”

Cada um presente curvou a cabeça e pressionou a mão contra o peito. Então uma menina abriu uma pequena porta no interior do salão, e eu percebi, no recesso, prateleiras nas quais foram colocadas muitas páteras como aquela que o filho segurava, salvo que todas elas tinham tampas. Com uma tampa semelhante, uma Gy agora se aproximada do filho, e colocava-a sobre o copo, sobre o qual era fechada com uma mola. Sobre a tampa foram gravados o nome do falecido, e estas palavras: - “Emprestado a nós ”(aqui a data de nascimento). “Revocado de nós” (aqui a data de falecimento).

A porta fechada encerrou-se com um som musical, e tudo estava terminado.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

BULWER-LYTTON, E. The Coming Race. Edinburgh and London: William Blackwood and Sons, 1871. p.228-231. Disponível: <https://archive.org/details/comingrace00lytt/page/228/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

A Floresta além do Mundo - Capítulo XXXI Eles encontram Novo Povo

Capítulo anterior


[223]Com isso eles desceram novamente da inclinação, e foram para onde a passagem estreitava-se tanto que eles passaram entre uma íngreme parede de rochas em cada lado. Mas após uma hora avançando, a dita parede recuou subitamente e, quando não eles estavam quase acautelados, eles chegaram a outro vale semelhante àquele que eles deixaram, mas não tão belo, embora fosse coberto por grama e bem regado, e não tão grande. Mas aqui, de fato, ocorreu uma mudança a eles; pois oh! Tendas e pavilhões levantavam-se no dito vale e, no meio dele, uma multidão de homens, a maior parte das vezes armados, e com cavalos prontamente selados à mão. Então eles detiveram seus pés, e o coração de Walter falhou, pois ele disse a si mesmo: ‘Quem sabe o que esses homens podem ser, salvo que eles são estrangeiros? É mais provável que nós devamos ser apanhados como escravos e então, no melhor [dos casos], nós [224]devamos ser separados; e isso é mesmo que o pior.’

Mas a Donzela, quando ela viu os cavalos, e as tendas alegres, e as bandeirolas tremulando, e o resplendor de lanças, e o reflexo de armadura branca, bateu palmas de alegria, e bradou: ‘Aqui chega a povo da cidade para nossa acolhida, e belo e encantador ele é, e muitas coisas eles devem estar pensando, e muitas coisas eles devem fazer, e nós devemos ser participantes nelas. Vem então, e encontremo-los, bom amigo!’

Mas Walter disse: ‘Ai de mim! Tu não sabes de nada: gostaria que pudéssemos fugir! Mas agora é muito tarde; assim, coloquemos uma boa face nisso e vamos a eles quietamente, como algum tempo atrás nós fizemos na região dos Ursos.

Assim eles fizeram; e lá se separaram seis dos homens de armas e vieram àqueles dois, e fizeram humilde reverência a Walter, mas não falaram palavra alguma. Então eles fizeram como se eles fossem conduzi-los aos outros, e os dois prosseguiram com eles curiosos, e chegaram a um círculo de homens de armas, todos armados, salvo pelo líder deles, com a mais vistosa das armaduras, e ele também se curvou diante de Walter, mas não falou [225]palavra alguma. Em seguida, eles levaram-nos ao mestre do pavilhão, e fizeram sinais para eles sentarem-se, e eles trouxeram-lhes comida saborosa e bom vinho. E o durante o tempo de sua alimentação ergueu-se um rebuliço em torno deles e, quando eles terminaram com a comida, o cavaleiro ancião veio a eles, ainda se curvando de maneira cortês, e representou-lhes por sinais para saber que eles deveriam partir. Quando eles estavam fora, eles viram todas as outras tendas desmontadas, homens começando a ocupar-se com o desmantelar do pavilhão, e os outros montados e enfileirados em boa ordem para a estrada; e havia duas liteiras a cavalo diante deles, onde eles foram ordenados a montar, Walter em uma, e a Donzela em outra, e de nenhuma outra maneira poderiam eles fazê-lo. Então, logo um chifre foi soprado, e todos juntos tomaram a estrada; e Walter viu, entre as cortinas da liteira, que os homens de armas cavalgavam em cada lado dele, não obstante eles tivessem deixado-lhe sua espada a seu lado.

Assim eles desceram as passagens da montanha e, antes do pôr do sol, alcançaram a planície; mas eles não se demoraram devido ao anoitecer, salvo para comer um bocado e beber um gole, prosseguindo durante a noite como homens que conheciam seus caminhos muito bem. Conforme eles seguiam, Walter perguntava-se [226]o que aconteceria, e se talvez eles também estariam oferecendo-os aos Deuses deles; considerando que eles eram estrangeiros por certo, e talvez sarracenos. Além disso havia um medo gélido em seu coração de que ele deveria ser separado da Donzela, visto que seus mestres agora eram poderosos homens de guerra, possuindo em suas mãos aquilo que todos os homens desejam, a saber, a beleza manifesta de uma mulher. Contudo, ele esforçou-se para pensar o melhor que poderia disso. E assim, finalmente, quando a noite estava muito gasta, e o amanhecer estava à mão, eles pararam diante de um portão grande e poderoso em uma muralha imensa. Ali eles sopraram o chifre ruidosamente três vezes, e depois disso os portões foram abertos, e todos eles passaram através dele para uma rua, a qual parecia a Walter, no vislumbre, ser grande e vistosa em meio às moradas dos homens. Em seguida, passou-se pouco tempo antes que eles chegassem a uma praça, bastante ampla, um lado da qual Walter tomou por ser a frente de uma casa mais vistosa. Ali as portas do pátio abriram-se para eles ou a qualquer momento o chifre poderia soprar, embora, verdadeiramente, sopraram-no ruidosamente três vezes; todos eles entraram ali, e homens vieram a Walter e sinalizaram a ele para desmontar. Assim ele fez, e teria demorado a olhar para a Donzela, mas eles [227]não toleraram isso, apenas conduziram-no, subindo uma imensa escada, a uma câmara, muito grande, e apenas vagamente iluminada por causa de sua grandiosidade. Então eles conduziram-no a uma cama equipada tão belamente quando poderia ser, e fizeram sinais para que ele despisse-se e deitasse-se lá. Forçosamente ele assim fez, e então eles levaram suas vestes e deixaram-no deitado lá. Assim ele deitou-se quietamente, considerando de nenhuma valia para ele, um homem nu como quando nascido, buscar escapar daquele lugar; mas muito demorou antes que ele pudesse dormir, por causa de sua mente aflita. Finalmente, puro cansaço venceu suas esperanças e medos, e ele caiu no sono exatamente enquanto o amanhecer estava tornando-se o dia.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. The wood beyond the world. London: Lawrence and bullen, 1895. pp.223-227. Disponível em: https://archive.org/details/woodbeyondworld00morriala/page/223/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

O Último Homem - Volume I - Capítulo IV-II

O Último Homem Por Mary Shelley Volume I Capítulo anterior [121] Capítulo IV-II Há um sentimento tal como amor à primei...