[245]Muito tempo passou-se, de fato, até que as mulheres, pelo comando do Rei, trouxeram a Donzela à câmara do Rei; e ele encontrou-a, e tomou-a pelos ombros e beijou-a, e disse: ‘Tu não estás cansada, coração? A cidade, o povo aglomerado, e os olhos observadores dos grandes … não se colocam pesados sobre ti, como eles fazem sobre mim?’
Ela disse: ‘E onde está a cidade agora? Não é está a região selvagem novamente, e tu e eu juntos sozinhos naquele lugar?’
Ele encarou-a avidamente, e ela ruborizou, de modo que os olhos dela reluziram luz em meio à sombra do rubor das bochechas dela.
Ele falou trêmulo e suavemente, e disse: ‘Não é isto melhor em uma coisa do que a região selvagem? Não se foi o medo, sim, cada bocado dele?’
[246]O rubor escuro deixara a face dela, e ela olhou para ele de maneira excessivamente doce, e falou regular e claramente: ‘Assim mesmo é, amado.’ Após o que ela colocou a mão no cinto que envolvia seus quadris, e tirou-o, e segurou-o na direção dele, e disse: ‘Aqui está o símbolo; este é um cinto de donzela, e a mulher está livre do cinto.’
Assim ele tomou o cinto e ao mesmo tempo a mão dela, e lançou os braços em volta dela: e em meio ao amor e segurança deles, e seguros de muitos dias de alegria, eles conversaram juntos sobre as horas que ele viajaram sobre o fio da navalha entre culpa e miséria e morte, e o mais doce ainda cresceu neles por causa disso; e muitas coisas ela contou-lhe antes do amanhecer, dos maus dias passados, e das condutas da Senhora com ela, até que o dia cinzento infiltrou-se na câmara para tornar manifesta a beleza dela; a qual, verdadeiramente, era melhor até que o julgamento daquele homem em meio à multidão cujo coração fora atraído em direção a ela. Assim eles alegraram-se junto no novo dia.
Mas quando era pleno dia, e Walter levantou-se, ele chamou seus barões e homens sábios para o conselho; e primeiro ele ordenou abrir as portas de prisão, e alimentar os necessitados e vesti-los [247]e fazer bem a todos os homens, altos e baixos, ricos e não ricos; e subsequentemente ele aconselhou-se com eles sobre muitos assuntos, e ele maravilharam-se com a sabedoria dele e a agudeza de sua inteligência; e assim foi que alguns ficaram apenas meio satisfeitos por isso, considerando que eles viram que a vontade deles era provável de ceder perante a dele em todos os assuntos. Mas os mais sábios dentre eles alegraram-se com ele, e ansiaram por bons dias enquanto a vida dele durasse.
Agora, dos feitos que ele realizou, e suas alegrias e dores, o conto não deverá contar mais nada; nem de como ele viu Langton novamente, e seus negócios lá.
Em Muralha-forte ele residiu, e reinou um Rei, bem-amado por seu povo, e dolorosamente temido por seus inimigos. Com contenda ele teve de lidar, em casa e fora de casa; mas naquele lugar ele não era dominado, até que ele adormecia justa e suavemente, quando o mundo dele não tinha mais feitos para ele realizar. Nem pode ser dito que os necessitados lamentavam-no; pois nenhum necessitado ele deixara em sua própria tera. E poucos inimigos ele deixou para trás para o odiar.
Quanto à Donzela, ela foi tão crescida em amabilidade e doçura, que era um ano de alegria para qualquer um lançasse os olhos sobre ela na rua ou no campo. Toda feitiçaria deixou-a desde o dia de [248]seu casamento; contudo, de inteligência e sabedoria ela tinha o bastante restante, e para dispensar; pois ela não necessitava de rodeios, e de malícia, não mais do que de comandos duros, para ter sua vontade realizada. Tão amada ela era por todo o povo, verdadeiramente, que era uma mera alegria para qualquer um tratar das incumbências dela. Para ser breve, ela era o crescimento da terra, e a salvaguarda da cidade e a alegria do povo.
De alguma forma, conforme os dias passavam-se, inspiraram-na receios de que ela iludira o povo do Urso para a considerar o Deus deles; e ela considerou e pensou em como ela poderia reparar isso.
Assim, durante o segundo ano após eles terem chegado à Muralha-forte, ela foi com certa gente para a entrada da passagem que levava até os Ursos; e lá ela deteve os homens de armas, e prosseguiu com duas vintenas de fazendeiros que ela resgatara da servidão em Muralha-forte; e quando eles estavam inquestionavelmente nos valos dos Ursos, ela deixou-os lá em um certo pequeno vale, com suas carroças e cavalos, e sementes de milho, e ferramentas de ferro, e desceu, completamente pássaro solitário, à habitação daqueles homens imensos, desprotegida por feitiçaria e não confiando em nada, salvo na amabilidade e doçura dela. Vestida ela estava agora, como quando ela fugiu da Floresta além do [249]Mundo, apenas em um curto casaco branco, com pés descalços e braços nus; mas o dito casaco estava agora bordado com imagens de flores em prata e ouro, e gemas, visto que agora a feitiçaria dela partira dela.
Assim ela veio até os Ursos, e eles conheceram-na imediatamente, e adoraram-na e exaltaram-na, e temeram-na. Mas ela contou-lhes que ela tinha um presente para eles, e que vinha para lhes entregar; e com isso ela contou-lhes da arte da lavoura, e ordenou-os aprendê-la; e quando eles perguntaram-na como eles deveriam fazê-lo, ela contou-lhes sobre os homens que os estavam aguardando no vale da montanha, e ordenou aos Ursos tomá-los como seus irmãos e filhos dos Pais antigos e, em seguida, eles deveriam ser ensinados deles. Isso eles juraram-na fazer, e ela conduziu-os para onde os homens livres estavam, a quem os Ursos receberam com toda alegria e gentileza, e levaram-nos para o povo deles.
Assim eles retornaram a seus vales juntos; mas a Donzela seguiu em seus caminhos de volta para seus homens de armas e a cidade de Muralha-forte.
Depois disso, ele enviou mais presentes e mensagens aos Ursos, mas nunca foi ela mesma os ver novamente; pois tão boa a face como ela pôs naquela última vez, contudo o coração dela esfriou [250]de medo, e quase parecia a ela que a Senhora dela estava viva novamente, e que ela estava escapando dela, e conspirando contra ela uma vez mais.
Quanto aos Ursos, eles floresceram e multiplicaram-se; até que, finalmente, conflito surgiu grande e cruel entre eles e outros povos; pois eles tornaram-se poderosos em batalha; sim, uma e outra vez eles encontraram a tropa de Muralha-forte em batalha, e derrotaram-na e foram derrotados. Mas isso foi muito tempo depois que a Donzela falecera.
Agora, quanto a Walter e à Donzela, não há nada mais a ser contado, salvo que eles geraram entre eles vistosos filhos e belas filhas; dos quais veio uma grande linhagem em Muralha-forte; linhagem a qual era tão forte, e perdurou por tanto tempo, que, até que ela tivesse esgotado-se, o povo claramente esquecera-se de seu costume ancestral de criação de rei; de maneira que, após Walter de Langton, nunca houve outro rei que desceu-lhes pobre e solitário das Montanhas dos Ursos.
FIM
ORIGINAL:
MORRIS, W. The wood beyond the world. London: Lawrence and bullen, 1895. pp.245-250. Disponível em: https://archive.org/details/woodbeyondworld00morriala/page/245/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0