[57]Mas, conforme ele prosseguia através da bela e doce terra tão brilhante e iluminada pelo sol, e agora descansado e alimentado, o terror e o medo escoaram-se dele e perambulava alegremente. Nem qualquer coisa aconteceu-lhe, salvo a vinda da noite, quando ele deitou a si mesmo debaixo de um grande carvalho estendido, com sua espada desembainhada pronta à mão, adormecera de uma vez e não despertou até que o sol estivesse alto.
Então ele ergueu-se e prosseguiu em seu caminho novamente e a terra não estava pior do que ontem; mas até melhor, podia ser: o relvado mais florido, os carvalhos e castanheiras maiores. Gamos de diversos tipos ele viu e podia facilmente ter conseguido sua refeição dali; mas não interferiu com eles uma vez que tinha seu pão e estava receoso da iluminação de um fogo. Além disso ele duvidava pouco de ter algum entretenimento [58]e isso não podia ser nada mal, desde que mesmo aquele terrível anão fora cortês com ele, segundo seu tipo, e fizera-lhe bem e não dano. Mas, do caso sobre o Desgraçado e a Coisa, dos quais o anão falou, ele estava ainda um pouco receoso.
Depois que ele prosseguira por um tempo, e quando a manhã de verão estava em seu [momento] mais brilhante, ele viu um pouco à frente uma rocha cinza erguendo-se do meio de um círculo de carvalhos. Então ele voltou-se para lá imediatamente, pois nesta planície não vira nenhuma rocha até agora; e conforme ia viu que havia uma fonte jorrando de baixo da rocha, a qual daí corria em um belo pequeno riacho. E quando ele tinha a rocha, a fonte e o riacho claramente diante dele, oh! Um filho de Adão sentando-se junto à fonte, debaixo da sombra da rocha. Ele aproximou-se um pouco mais e em seguida viu que era uma mulher, envolta em verde como o relvado no qual ela assenta-se. Ela estava brincando com o jorro da água e amarrara suas mangas no ombro de modo que podia empurrar os braços nus ali. Seus sapatos de couro negro, lançados sobre a grama atrás dela, e seus pés e pernas ainda brilhavam com o riacho.
Provavelmente, em meio ao esparrinhar e ao barulho da [59]água, ela não o ouviu aproximando-se, de modo que ele estava próximo a ela antes que erguesse sua face e o visse, e ele contemplou-a, que era a donzela do cortejo três vezes visto. Ela ruborizou quando o viu, rapidamente cobriu suas pernas com a saia do vestido e baixou as mangas sobre os braços, mas de outra forma não se mexeu. Quanto a ele, permaneceu parado, esforçando-se para falar com ela; mas nenhuma palavra pôde trazer para fora e o coração dele bateu intensamente.
Mas a donzela falou-lhe numa voz clara e doce, na qual agora não havia problema: ‘Tu és um estrangeiro, não és? Pois eu nunca te vi antes.’
‘Sim, ele disse, eu sou um estrangeiro; tu serás boa para mim?’
Ela disse: ‘E por que não? Eu estava assustada no princípio, pois eu pensei que fosse o Filho do Rei. Eu não considerei encontrar mais ninguém, pois, quanto a homens vistosos, ele fora o único aqui na região por tanto tempo, até tua chegada.’
Ele disse: ‘Tu procuraste por minha chegada mais ou menos nesta época?’
‘Oh, não,’ ela disse; ‘como eu podia?’
Disse Walter: ‘Eu não tenho conhecimento; mas o outro homem parecia procurar por mim, sabia de mim e trouxe-me pão para comer.’
[60]Ela olhou para ele ansiosamente e empalideceu um pouco: ‘Qual outro?’
Agora Walter não sabe o que o anão podia ser para ela; companheiro de serviço ou algo assim, então não revelaria sua repugnância por ele, mas respondeu sabiamente: ‘O homenzinho com vestes amarelas.’
Mas quando ela ouviu aquela palavra, tornou-se subitamente muito pálida, reclinou sua cabeça e bateu o ar com as mãos. Mas logo disse em uma voz débil: ‘Eu suplico-te para não falar daquele alguém enquanto eu estiver perto, nem mesmo pensares nele, se tu puderes evitar.’
Ele não falou nada e ela passou um pouco de tempo antes que voltasse a si mesma novamente. Em seguida, ela abriu os olhos, olhou para Walter e sorriu gentilmente para ele, como se para pedir perdão por tê-lo assustado. Depois disso, ela levantou-se em seu lugar e colocou-se de pé diante dele; eles estavam quase juntos, pois o córrego entre eles era pequeno.
Mas ele ainda olhava ansiosamente para ela e disse: ‘Eu feri-te? Eu imploro teu perdão.’
Ela olhou para ele, mais docemente ainda, e disse: ‘Oh não tu; tu não me feriste!’
Em seguida ela corou muito vermelha e ele da mesma forma; mas depois ela tornou-se pálida [61]e colocou a mão no seio. Walter exclamou rapidamente: ‘Oh eu! Eu feri-te novamente. Em que eu fiz errado?’
‘Em nada, em nada,’ ela disse; ‘mas eu estou incomodada e não tenho conhecimento do porque; algum pensamento deve ter tomado posse de mim e eu não sei. Pode ser que em pouco tempo e deva saber o que me incomoda. Agora eu ordeno-te afasta-te de mim um pouco e ficarei aqui. Quando tu retornares, ou será que eu descobri isso ou não e, em qualquer caso, eu contar-te-ei.’
Ela falou sinceramente para ele, mas ele disse: ‘Quanto tempo eu devo permanecer distante?’ A face dela estava perturbada enquanto ela respondia-lhe: ‘Não por muito tempo.’
Ele sorriu para ela, virou-se e foi a uma distância para o outro lado dos carvalhos, de onde ela ainda estava dentro do campo de visão. Lá ele permaneceu até que o tempo pareceu-lhe longo, mas ele instruiu a si mesmo e reprimiu-se, pois disse: ‘Para que ela não me mande embora novamente.’ Então, ele permaneceu até que novamente o tempo pareceu-lhe longo e ela não chamou por ele. Mas uma vez mais ele reprimiu-se de ir. Então, finalmente, ele levantou-se, seu coração bateu e ele tremeu, andou de volta outra vez rapidamente e chegou à donzela, que ainda estava de pé próxima [62]à rocha da fonte; seus braços suspensos e seus olhos abatidos. Ela olhou-lhe enquanto ele aproximava-se e o rosto dela mudou com ansiedade conforme ela dizia: ‘Eu estou feliz que tu estás de volta, embora não seja um longo tempo desde de tua partida (verdade é dizer que mal foi meia hora ao todo).’ Mesmo assim eu estive pensando muitas coisas e disso eu contar-te-ei agora.
Ele disse: ‘Donzela, há um rio entre nós, embora não seja um grande rio. Não deveria eu transpô-lo e chegar a ti, para que nós possamos sentar juntos, lado a lado, na grama verde?’
‘Não,’ ela disse, ‘ainda não. Demora-te um pouco até que eu tenha contado-te das coisas. Agora eu preciso contar-te de meus pensamentos em ordem.’
A cor dela ia e vinha agora e ela franzia as pregas de seu vestido com dedos inquietos. Finalmente ela disse: ‘Agora a primeira coisa é esta: que, embora tu tenha visto-me primeiro somente dentro desta hora, tu firmaste teu coração sobre mim para ter-me por tua amiga de fala e tua querida. E, se não for assim, então é todo meu discurso, sim, e toda minha esperança, chegam a um fim de uma vez só.’
‘Oh sim!’ disse Walter, ‘é assim mesmo. Mas como tu descobriste isso, eu não tenho conhecimento, [63]visto que agora pela primeira vez eu digo isso; que tu és verdadeiramente meu amor, minha querida e minha amada.’
‘Silêncio,’ disse ela, ‘silêncio! Com medo de que o bosque tenha orelhas e tua fala seja alta. Aguente e eu deverei contar-te como sei disso. Se este teu amor deve durar mais que a primeira vez que tu segurares meu corpo em teus braços, eu não tenho conhecimento, nem tu tens. Mas pesarosa é minha esperança de que isso possa ser assim: pois eu também, embora seja somente uma insuficiente hora desde que eu coloquei olhos em ti, lancei os olhos sobre ti para ter-te por meu amor, meu querido e meu amigo de fala. E isto é como eu tenho conhecimento de que tu amas-me, meu amigo. Agora, tudo isto é querido, alegre, e inunda meu coração com doçura. Mas agora devo contar-te do medo e do mal que jaz por trás disso.’
Então Walter estendeu as mãos para ela, e gritou: ‘Sim, sim! Mas tanto faz o mal que nos enrede, agora nós ambos sabemos dessas duas coisas, a saber; que tu amas-me e eu a ti. Tu não viras para cá, para que eu possa lançar meus braços sobre ti e beijar-te? Se não teus lábios amáveis ou tua face amigável, em absoluto, porém, ao menos, tua mão querida; sim, para que eu possa tocar teu corpo de alguma maneira?’
Ela olhou-lhe firmemente e disse suavemente: [64]‘Não, isto acima de todas as coisas não deve ser; e que isso não possa ser é uma parte do mal que nos enreda. Mas ouça com atenção, amigo, mais uma vez eu digo-te que tua voz é muito alta nesta região selvagem fecunda de mal. Agora eu contei-te, de fato, duas coisas das quais nós tínhamos conhecimento; mas em seguida eu preciso contar-te de coisas das quais eu sei e tu não tinhas conhecimento. Contudo, fosse melhor que tu empenhes tua palavra de não tocar tanto quanto uma de minhas mãos e que nós vamos juntos um pouco longe, consequentemente distantes dessas pedras tombadas, e nós sentemos sobre o relvado aberto; visto que aqui é coberto se houver amplamente espionagem.’
Novamente, enquanto ela falava, ela tornou-se muito pálida e Walter disse somente: ‘Já que deve ser assim, empenho-te minha palavra, para ti como eu amo-te.’
E com isso ela ajoelhou-se, ajeitou seu calçado e, em seguida, saltou sobre o riacho. Depois disso, os dois foram, lado a lado, cerca de meio furlong daí e sentaram-se, sombreados por galhos de uma fina sorva crescendo a partir do relvado, no qual, por um bom espaço ao redor, não existia arbusto nem matagal.
Ali começou a donzela a falar sobriamente e disse: ‘Isto é o que eu preciso dizer-te agora, que tu chegaste a uma terra [65]perigosa para qualquer um que ama qualquer coisa de bom; da qual, verdadeiramente, eu estava preparada para que tu fugisse em segurança, mesmo embora eu morresse de saudade de ti. Quanto a mim, meu perigo é, em uma escala, menor do que o teu; eu quero dizer o perigo de morte. Mas oh, tu, este ferro no meu pé é um sinal de que eu sou uma escrava, e tu sabes de que maneira os escravos devem pagar por transgressões. Além disso, sobre o que eu sou e como eu cheguei aqui, o tempo falhar-me-ia para contar; mas, em algum momento, talvez, eu deverei contar a ti. Eu sirvo a um senhora má, de quem eu posso dizer que mal sei se ela é uma mulher ou não; mas, por algumas criaturas, ela é considerada como um deus e, como um deus, é exaltada; certamente nunca deus foi mais cruel ou mais frio do que ela. A mim ela odeia intensamente, embora, se ela me odiasse pouco ou nada, pequeno seria o ganho para mim se fosse o prazer dela lidar severamente junto a mim. Mas conforme as coisas agora são, e são prováveis de ser, não seria para o prazer dela, mas para o pesar dela e perda, terminar-me, assim sendo, como eu disse agora mesmo, minha mera vida não está em perigo com ela; a menos que, por acaso, alguma paixão súbita vença-a, ela mate-me e arrependa-se disso depois. Pois assim é, que é a menos ruim de suas particularidades; que ela é uma devassa, [66]pelo menos uma devassa ela é à perfeição. Muitas vezes ela lançou a rede para a captura de algum vistoso jovem e a última presa dela (salvo seja tu) é o jovem que eu nomeei, quanto primeiro eu vi-te, pelo nome de o Filho do Rei. Ele ainda está conosco e eu temo-o; pois, recentemente, ele cansou-se dela, embora seja pura verdade dizer dela, que ela é a maravilha de todas as Beleza do Mundo. Ele cansou-se dela, eu digo, e lançou os olhos sobre mim e, se eu fosse imprudente, ele trair-me-ia ao extremo da ira de minha senhora. Pois eu preciso dizer dele, embora seja um homem vistoso, e agora caído na escravidão, que ele não tem as emoções de compaixão; mas é um covarde, quem, por uma hora de prazer, destruir-me-ia e, depois disso, estaria a postos sorrindo e cativando o perdão de minha senhora com um bom ânimo, enquanto para mim não existiria perdão. Tu viste, portanto, como eu estou entre esses dois tolos cruéis? E, além disso, há outros dos quais eu não irei nem mesmo falar para ti.’
E, após o que, ela colocou as mãos diante do rosto, chorou e murmurou: ‘Quem deve libertar-me desta morte em vida?’
Mas Walter gritou: ‘Para o que mais eu venho aqui, eu, eu?’
[67]E foi uma coisa mesquinha que ele não a tomou em seus braços, mas lembrou de sua palavra empenhada e recuou dela em terror, já que tinha uma suspeita de porque ela não sofreria por isso, e chorou com ela.
Mas subitamente a Moça parou de chorar e disse em uma voz mudada: ‘Amigo, enquanto que tu falavas em libertar-me, é mais provável que eu deva libertar-te. E agora, eu suplico teu perdão por assim te afligir com minha tristeza e isso, mais especialmente, porque tu não podes confortar teu pesar com beijos e carícias. Mas assim foi que, pela primeira vez, eu fui atingida pelo pensamento da angústia desta terra e pela alegria de todo o mundo além [dela].’
Com isso ela pegou fôlego em um meio soluço, mas conteve-se e prosseguiu: ‘Agora meu caro amigo e amado, preste bem atenção em tudo o que eu deverei dizer-te, visto que tu deves fazer conforme o ensinamento de minhas palavras. E primeiro, eu considero, pelo monstro tendo encontrado-te nos portões da terra e revigorado-te, que a Senhora observava tua vinda; não, através de tua chegada aqui em absoluto, que ela lançou a rede dela e pegou-te. Tu notaste qualquer coisa que possa parecer fazer isto mais provável?’
[68]Disse Walter: ‘Três dias em plena luz do dia eu vi passarem por mim as imagens do monstro, de ti e da senhora gloriosa, mesmo como se vós estivésseis vivos.’
E com isso ele contou-lhe em poucas palavras como fora com ele, desde aquele dia no cais em Langton.
Ela disse: ‘Então não é mais talvez, mas certo, que tu és a última captura dela; e assim mesmo eu considerei desde o início. E, querido amigo, é por isto que eu não sofri para tu beijar-me ou acariciar-me, tão doloroso como eu ansiei por ti. Pois a Senhora ter-te-á para ela somente e atraiu-te para cá para nada mais. Ela é sagaz em feitiçaria (mesmo que alguma parte eu seja) e [acaso] tu tocaste-me com mão ou boca em minha carne nua, sim, ou ficasse isso mesmo em minhas vestes, então ela pressentiria o sabor de teu amor sobre mim e, em seguida, embora possa ser que ela pouparia você, ela não me pouparia.’
Em seguida, ela ficou em silêncio por um tempo e parecia muito abatida, Walter manteve sua tranquilidade diante da dor, da confusão e do desamparo; pois de feitiçaria ele não conhecia nada.
Finalmente a Moça falou de novo e disse: ‘Mesmo assim nós não morreremos sem decisão. Agora tu deves olhar para isto; que, [69]daqui em diante, és tu, e não o Filho do Rei, quem ela deseja e isso mais intensamente quando mais tempo passar sem que ela ponha os olhos em ti. Lembra disto, por mais que a aparência dela possa ser para ti. Agora, portanto, deve o Filho do Rei ser livre, embora ele não saiba disso, para lançar o amor dele a quem ele desejar; e, de um modo, eu também deverei ser livre para dizer-lhe sim. Embora, verdadeiramente, tão realizada é ela com malícia e malevolência, que, mesmo então, ela pode virar-se sobre mim para punir-me por fazer aquilo que ela mandar-me-ia fazer. Agora deixa-me pensar nisso.’
Em seguida, ela ficou em silêncio por um bom tempo e falou finalmente: ‘Sim, todas as coisas são perigosas e num perigoso conselho eu pensei, do qual eu ainda não te contarei; então, não desperdiça o pouco tempo perguntando-me. Pelo menos o pior não será pior do que deve ocorrer se nós não lutarmos contra isso. E agora, meu amigo, entre os riscos que estão tornando-se mais e mais perigosos está esse de que nós dois devamos ficar mais tempo um com ou outro. Mas eu direi uma coisa ainda e talvez outra depois disso. Tu lançaste teu amor sobre alguém que será verdadeira a ti, tudo quanto possa acontecer; contudo ela é uma criatura astuta e pode não ajudar nisso a longa vida dela. Neste momento, para teu próprio bem, [70]tu deves ser mais astuto agora do que nunca antes. E quanto a mim, a astuta, meu amor eu lancei sobre um homem encantador, alguém verdadeiro e simples, e um coração vigoroso; mas sob uma tal pressão ele está, que, se ele suportasse toda a tentação, sua resistência pode provavelmente destruir a ele e a mim. Portanto, juremos nós dois; que nós devemos ser perdoados de toda artimanha e toda queda no dia em que nós devermos ser livres para amarmos um ao outro como nossos corações desejam.’
Walter clamou: ‘Oh amor, eu juro isso verdadeiramente! Tu és minha Venerada e eu jurarei como sobre as relíquias de um Santo; em tuas mãos e teus pés isso eu juro.’
As palavras pareceram a ela um carinho querido. Ela riu, ruborizou e olhou-lhe de um modo inteiramente gentil. Em seguida o rosto dela tornou-se solene e ela disse: ‘Sobre tua vida eu juro isso!’
Então ela disse: ‘Agora não nada para tu fazer, somente ir diretamente daqui para a Casa Dourada, a qual é a cada de minha Senhora, a única casa nesta terra (salvo uma que eu não posso ver), e jaz ao sul não muito longe. Como ela lidará contigo, eu não tenho conhecimento; mas tudo que eu disse dela, de ti e do Filho do Rei é verdadeiro. Portanto, [71]eu digo-te, sê cauteloso e frio de coração, qualquer que seja a imagem exterior que tu possas fazer. Se tu tiveres de se submeter a ela, então te submete tarde em vez de cedo, assim como para ganhar tempo. Todavia, não tão tarde como a parecer envergonhado ao submeter-se por causa do medo. Agarra-te à tua vida, meu amigo, pois ao protegê-la, tu guardou-me de uma dor sem remédio. Tu logo me verás; pode ser amanhã, podem ser alguns dias a contar deste momento. Mas não te esqueças; que o que eu posso fazer, isso eu estou fazendo. Fica atento também para que tu não prestes mais atenção a mim, ou antes menos, do que seu tu estiveste encontrando uma donzela de nenhuma importância nas ruas de tua própria cidade. Oh, meu amor! Árida é esta primeira despedida, como foi nosso primeiro encontro; mas, certamente, deve haver outro encontro melhor do que o primeiro e a última despedida pode estar ainda muito, muito distante.’
Com isso ela pôs-se de pé e ele ajoelhou-se diante dela por um tempo, sem nenhuma palavra. Em seguida, ele levantou-se e prosseguiu por seus caminhos; mas, quando ele fora-se uma distância, virou-se e viu-a ainda de pé no mesmo lugar. Ela permaneceu por um momento quando viu-o virar-se e, em seguida, ela mesma virou-se.
Então ele partiu através da bela terra e seu coração estava cheio de esperança e medo conforme ele prosseguia.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The wood beyond the world. London: Lawrence and bullen, 1895. pp.57-71. Disponível em: https://archive.org/details/woodbeyondworld00morriala/page/57/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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