[12]Lenta e cautelosamente eu desci meu caminho solitário através da estrada iluminada por lâmpadas e em direção ao grande prédio que descrevi. A estrada em si parecia como uma grande passagem alpina, dando voltas em montanhas rochosas com as quais aquela através da qual os abismos eu descera formavam uma ligação. Bem abaixo, à esquerda, jazia um vale imenso, o qual apresentava a meu olho atônito as evidências inequívocas de arte e cultura. Havia campos cobertos com uma vegetação estranha, semelhante a nada que eu vi sobre a terra; a cor dela não é verde, mas sim de uma aborrecida tonalidade de chumbo ou de um vermelho dourado.
Havia lagos e riachos que pareciam ter sido confinados em diques artificiais; alguns de água pura, outros que brilhavam como poços de nafta. À minha mão direita, ravinas e desfiladeiros [13]abriam-se em meio às rochas, com passos no meio, evidentemente construídos por arte e debruados por [detalhes] semelhantes a árvores; pela maior parte, samambaias gigantes, com variedades requintadas de folhagem emplumadas e hastes como aquelas de palmeira. Outras eram mais como a planta de cana; mas mais altas, carregando grandes aglomerados de flores. Outras, novamente, tinham a forma de fungos enormes, com curtos troncos grossos suportando um amplo topo semelhante a uma abóbada, a partir do qual ou subiam ou caiam compridos galhos delgados. A cena inteira, atrás, diante e a meu lado, tão distante quando o olho podia alcançar, estava brilhante com inumeráveis lâmpadas. O mundo sem um sol era brilhante e morno como uma paisagem italiana ao meio-dia, mas o ar menos opressivo e o calor mais suave. Nem estava a cena diante de mim vazia de sinais de habitação. Eu podia distinguir à distância, seja nos diques do lago ou riacho, ou a meio caminhos sobre as alturas, cravadas em meio a vegetação, construções que deviam claramente ser casas de homens. Eu pude mesmo descobrir, embora longe, formas que apareciam para mim humanos movendo-se em meio à paisagem. Enquanto eu parava para olhar, vi à direita, planando rapidamente através [14]do ar, o que parecia um bote pequeno, impulsionado por velas em forma de asas. Logo desapareceu da visão, descendo em meio às sombras da floresta. Bem acima de mim não havia céu, mas apenas um teto cavernoso. Este teto crescia mais e mais alto, à distância, nas paisagens além, até que se tornava imperceptível, como uma atmosfera de bruma que formava a si mesma abaixo.
Continuando minha caminhada, eu provoquei, - a partir de uma moita que se assemelhava a um grande emaranhado de algas marinhas, intercalado com arbustos semelhantes a samambaiais e plantas de grande folhagem com formas parecidas com aquelas do aloés ou figo-do-inferno, - um curioso animal aproximadamente do tamanho e forma de um gamo. Mas como, depois afastar-se uns poucos passos, ele voltou-se e olhou para mim inquisitivamente, eu percebi que não era semelhante a quaisquer espécies de gamo agora existente sobre a terra, todavia isso trouxe instantaneamente a minha lembrança um molde de gesso que eu vira em algum museu de uma variedade de veado, dito ter existido antes do Dilúvio. A criatura parecia domesticada o suficiente, e, após inspecionar-me por um momento ou dois, começou a pastar ao redor na relva singular sem discrição e descuidada.
ORIGINAL:
BULWER-LYTTON, E. The Coming Race. Edinburgh and London: William Blackwood and Sons, 1871. pp. 12-14. Disponível: <https://archive.org/details/comingrace00lytt/page/12/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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