[15]Agora, eu alcancei visão completa do prédio. Sim, fora feito por mãos e escavado parcialmente a partir de uma grande rocha. Eu devia ter suposto isto à primeira vista, ter sido de uma forma inicial de arquitetura egípcia. Era fronteado por colunas imensas, afunilando-se para cima a partir de plintos massivos e com capiteis que, conforme eu chegava mais perto, percebi ser mais ornamentais e mais fantasticamente elegantes do que a arquitetura egípcia permite. Como os capiteis coríntios imitam a folha do acanto, assim os capiteis dessas colunas imitavam a folhagem da vegetação que lhes vizinha; alguns semelhantes aos aloés, outros semelhantes às samambaias. E agora, ali, saiu deste prédio uma forma – humana; - era humana? Ficou de pé na via ampla e olhou ao redor, observou-me e aproximou-se. Chegou a poucas jardas de mim [16]e, à visão e à presença dele, um temor e um tremor indescritíveis capturaram-me, firmando meus pés no solo. Lembrou-me de imagens simbólicas de Gênio ou Demônio, que são vistas em vasos etruscos ou retratadas em paredes de sepulcros orientais – imagens que tomam emprestado os contornos do homem e são, contudo, de outra raça. Era alto, não gigantesco, apenas alto como os homens mais altos, abaixo da altura dos gigantes.
Sua cobertura principal parecia-me ser composta de grandes asas dobradas sobre seu peito e alcançando seus joelhos. O resto de seu vestuário era composto de uma túnica por baixo e perneiras de um fino material fibroso. Usava em sua cabeça um tipo de tiara que brilhava com joias e levava em sua mão direita um fino bastão de metal brilhante como aço pólico. Mas a face! Foi o que inspirou minha admiração e meu terror. Era a face de um homem, mas ainda de um tipo de homem distinto de nossas raças existentes conhecidas. O jeito mais próximo dele, em perfil e expressão, é a face da esfinge esculpida – tão harmoniosa em sua beleza calma, intelectual e misteriosa. Sua cor era peculiar, mais como aquela do homem vermelho do que [17]qualquer outra variedade de nossa espécie e, contudo, diferente dele – uma tonalidade mais rica e mais suave, com largos olhos negros, profundos e brilhantes, e sobrancelhas arqueadas como um semicírculo. A face era sem barba; mas [com] algo sem nome no aspecto. Embora de expressão tranquila e de feições belas, despertou aquele instinto de perigo o qual a visão de um tigre ou de uma serpente provocam. Eu senti que esta imagem semelhante ao homem era dotada com forças hostis ao homem. Conforme eu aproximava-me, um arrepio frio veio sobre mim. Eu cai sobre meus joelhos e cobri o rosto com minhas mãos.
ORIGINAL:
BULWER-LYTTON, E. The Coming Race. Edinburgh and London: William Blackwood and Sons, 1871. pp. 15-17. Disponível: <https://archive.org/details/comingrace00lytt/page/15/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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