O Imperador da Lua - Argumento, Fonte, História Teatral, Dedicatória & Conteúdos

O Imperador da Lua


Por Aphra Behn


[385]Argumento


Doutor Baliardo, um filósofo napolitano, aplicou-se tanto ao estudo da Lua, e ficou extasiado a uma tal extensão pelos mistérios daquele orbe, que ele veio firmemente a acreditar em um mundo lunar, povoado, governado e regulado como a Terra. Isso enche e absorve inteiramente cada pensamento desperto dele, e, em consequência, ele nega sua filha Elaria e sua sobrinha Bellemante aos seus respectivos amantes, os dois sobrinhos do vice-rei, dom Cinthio e dom Charmante, enquanto sendo homens de homens de mera natureza terrestre. Todavia, as garotas são secretamente auxiliadas em suas aventuras amorosas por Scaramouch, o homem do doutor, quem é ele mesmo um rival do Harlequin, criado de Cinthio, pela mão de Mopsophil, ama das jovens damas. Harlequin, esperando encontrar seu caminho para sua amante, chega aos aposentos de Bellemante, mas, quando ela aparece, ele oculta a si mesmo. Contudo, o doutor, quem tinha sido convocado apresadamente para a cabeceira do seu irmão, relatado morrendo, retorna por um momento após ele ter saído em busca de uma chave, a qual ele acidentalmente derrubou do seu monte e encontra Cinthio e Elaria. O galante apenas consegue escapar fingindo ser um lunático trazido para a casa para tratamento médico e cura. Mas, durante a ausência subsequente do doutor, enquanto os dois amantes estão, como eles supõem, seguramente entretendo suas amantes, subitamente ouvem o pai retornar. Pelo momento, eles escapam dele simulando serem figuras em uma rica tapeçaria (seus hábitos de se mascararem ajudando no truque), a qual Scaramouch declara que há pouco tinha comprado. Mas, esse logro sendo descoberto, Scaramouch corre com a velas e todos escapolem na escuridão e confusão, deixando-o para retornar em sua camisa, visto que recém-erguido da cama. O doutor fica berrando por ajuda quando o servo astuto cambaleia bocejando e esfregando seus olhos para explicar todo o caso como como uma ilusão ou uma visão produzida por ação lunar, declarando que tinha havido uma visita do rei do Mundo Lunar e do príncipe da Terra do Trovão, quem tinham descido para cortejarem Elaria e Bellemante. Isso é confirmado pela garotas, quem anteriormente tinham sido instruídas por Mopsophil. Após alguma intriga entre Harlequin e Scaramouch pela mão da ama, no curso da qual o primeiro disfarça a si mesmo em vestimenta feminina e novamente como um rapaz de interior, o segundo como um apotecário instruído, Charmante visita o doutor e, simulando ser um cabalista profundo em conhecimento oculto, recomenda-o preparar aquela noite para receber Irednozor, monarca da Lua, e o princípio da Terra do Trovão, quem aparecerão para se casarem com sua filha e sobrinha. Pouco depois, Harlequin faz sua entrada como um embaixador das esferas celestes para confirmar essas notícias, e enquanto Baliardo, super alegre, está conversando com ele, distensões de música são ouvidas anunciarem a chegada dos potentados lunares. Todos recorrem a uma antiga galeria, há muito sem uso, a partir de onde procede o som, e aqui, de fato, um cortejo suntuoso tinha sido secretamente arranjado. O aposento é descoberto estar ricamente adornado com cortinas e pinturas, flamejante com luzes, e logo, após vários mascarados terem aparecido vestidos como os astrônomos Keplair e [386]Galileus, como diferentes signos do zodíaco, e em outros trajes fantásticos, Cinthio e Charmante são vistos em uma carruagem de prata como uma meia-lua, acompanhados por um séquito de heróis e cúpidos. Não há demora, os amantes são unidos em matrimônio, Baliardo ficando sobrecarregado diante da honra realizada na casa dele. Mas, quando Scaramouch e Harlequin lutam um duelo ridículo, no qual o primeiro vence, através do favor de Mopsophil, o doutor descobre o truque todo, a saber, que os cortesões lunares são na realidade seus próprios amigos e vizinhos. Contudo, ele logo se rende às persuasões dos amantes e ao senso comum do seu médico, quem tinha tomado parte na mascarada, e, compreendendo a loucura das fábulas nas quais por tanto tempo ele tinha implicitamente acreditado, condena seus livros ao fogo e junta-se aos júbilos nupciais com um coração feliz.


Fonte


A farsa da senhora Behn é derivada de Arlequin Empereur dans la Lune, a qual foi representada em Paris por Guiseppe-Domenico Biancolelli, um famoso Arlequim (Harlequin) e o membro líder do teatro italiano ali entre 1660 e 1688. As cenas italianas originais a partir das quais a farsa francesa é tomada pertenceram àquela comédia improvisada, ‘Commedia dell’Arte all’improviso,’ a qual, tão longe de ser impressa, foi apenas raramente até registrada em escrita. ‘O desenvolvimento da intriga através do diálogo e da ação era deixado à inteligência nativa dos vários atores,’ escreve J. A. Symonds em sua introdução excelente e muito erudita prefaciando às Memoirs de Carlo Gozzi. No caso de uma nova peça, ou antes de um novo tema, o corego ou gerente reuniria a companhia, leria o enredo, esboçaria o cenário, explicaria todo o assunto, e deixaria o diálogo para o humor e a esperteza do ator individual. A aptidão deles era surpreendente. Em Spanish Tragedy, por Kyd, nós encontramos Heironymo, quem deseja ter um assunto montado com pressa, dizendo:-


As tragédias italianas eram de inteligência tão afiada

Que, em meditação de uma hora,

Elas representariam qualquer coisa em ação.


E Lorenzo ajunta:-


Eu vi coisa semelhante,

Em Paris, entre os tragediógrafos franceses.


É claro, muito estava destinado a tornar-se estereotipado e fixo, mas muito estava sempre flutuando e novo.

Quando Biancolelli morreu em 2 de agosto de 1688 de pneumonia, contraída através de negligência para mudar roupas úmidas, a perda para o teatro italiano parecia irreparável, mas, no ano seguinte, um arlequim igualmente celebrado, mas fino e mais espirituoso, senão mais popular, do que ele, apareceu na pessoa de Evariste Gherardi. Gherardi era um homem de cultura, e ele coletou e editou um número de cenas, escritas em francês, as quais, nos palcos, foram misturadas e representadas com farsas italianas para elevar o tom de, e dar alguma coisa mais sólida e durável a, esses entretenimentos. Em 1695 três volumes dessas cenas foram publicadas em Amsterdã, ‘na casa de Adrian Braakman,’ sob o título Le Théâtre Italien, ou le Recueil de toutes les Comédies et Scènes Françoises qui ont été jouées sur le Théâtre Italien pa la Troupe des Comediens du Roy de l’Hôtel de Bourogne à Paris.

[387]Arlequin Empereur dans la Lune tinha sido publicada em sua inteireza há onze anos (1684), mas foi suficientemente popular para Gherardi incluir várias cenas dela em sua coleção. Portanto, ele começa o seu primeiro volume fornecendo a ‘Scène de la Fille de Chambre,’ onde Harlequin, disfarçado como uma mulher, finge estar procurando um lugar como serva do Doutor – Emperor of Moon, Ato II, v. No francês, Pierrô, vestido como a esposa do Doutor, entrevista o candidato. Gherardi também fornece uma cena entre Isabella (Elaria) e Colombina (Mopsophil); uma cena onde Harlequin chega fantasiado como apotecário para conquistar Colombina (na da sra. Behn, é Scaramouch quem tenta conquistar dessa maneira Mopsophil); e a cena final, a qual difere consideravelmente da conclusão da farsa inglesa. No vol. II, há dois extratos adicionais ‘obmisses dans le premier Tome,’ um diálogo entre o Doutor e Harlequin, ‘recit que fait Arlequin au Docteur, du Voyage qu’il a fait dans le Monde de la Lune’, e uma curta passagem entre Harlequin e Colombina, ambas as quais pode ser paralelizadas de perto na versão inglesa. É claro, a sra. Behn usou a edição de 1684. A afirmação dela de que apenas pegou ‘uma orientação básica e leve do enredo’ do italiano e, novamente, de que ‘todas as palavras são inteiramente novas, sem uma do original’ não tem de ser enfatizada estritamente demais, embora inegavelmente ela tenha infundido uma nova vida, inteligência e humor novos nas cenas estrangeiras.

Na obra padrão sobre comédia italiana de Maurice Sand, Masques et Bouffons (Paris, 1860), serão encontradas copiosas citações dessa pantomima, a popularidade da qual ele atribui inteiramente a Gherardi. Contudo, foi Biancolelli quem primeiramente a favoreceu e em cuja vida ela foi efetivamente impressa, uma honra rara, embora, sem dúvida, foi devido ao grande Gherardi que ela reteve e renovou seu sucesso. Gherardi morreu em 31 de agosto de 1700.

Como o autor mesmo afirma em seu prefácio, Harlequin roi dans la Lune, uma comédia de três atos de Bodard de Tézay, produzida na Variétés Amusantes, 17 de dezembro de 1785, não tem nada a ver com as antigas cenas italianas. Uma ópera por Settle, intitulada de The World in the Moon, encenada em Drury Lane em 1697, é bastante diferente da farsa da sra. Behn. Settle tinha escrito uma comédia que lida com o ensaio de uma nova ópera, The New World in the Moon. Tom Dawkins, um rapaz de interior há pouco chegou à Londres, é levado ao teatro para ver o ensaio e as cenas cômicas ordinárias misturadas com provisão para cenários elaborados, enquanto a ópera prossegue, formam a confusão mais estranha. A peça toma o seu nome a partir da primeira cena operática, a qual representa uma imensa lua de bronze que gradualmente desaparece, enquanto a canção, ‘Within this happy world above,’ é executada.


História Teatral


The Emperor of the Moon, a qual certamente é como Lowe diz ‘umas das melhores farsas pantomímicas alguma vez vistas’ nos palcos ingleses em qualquer caso, foi produzida com grande sucesso no Duke’s Theatre, Dorset Garden, em 1687. O personagem de Scaramouch era admiravelmente ajustada para Tony Leigh, um comediante inferior ‘do tipo mercurial’, quem ‘no humor… amou levar uma carreira completa’, enquanto que Tom Jevon, jovem, magro e mais gracioso dos [388]dançarinos, provou-se o rei de todos os arlequins, passados, presente e por vir. Lee e Jevon também interpretaram as partes de Scaramouch e Harlequin na extravaganza em três atos de Mountford, Dr. Faustus (Quarto 1697), mas produzida uma década antes, provavelmente em novembro de 1685. Scaramouch é o homem do necromante, e as cenas cômicas, embora os truques de palco sejam antigos, provaram-se pantomima muito boa. Deve ser lembrado que Harlequin e Scaramouch devem ser encontrados em The Rover, parte II. A farsa da sra. Behn tem o seu lugar no repertório e por muito tempo permaneceu uma favorita. Em 18 de setembro de 1702, em Drury Lane, Will Pinkethman, reclamando com o desejo de vários amigos e críticos, ensaiou o Harlequin sem a tradicional máscara negra, ‘mas, ai de mim! em vão: Pinkethman não conseguiu assumir a vergonha do personagem sem estar oculto; ele não era mais o Harlequin; o humor dele estava bastante desconcertado; a consciência dele não conseguiu declarar-se contra a natureza, com o mesmo descaramento, sem a cobertura daquela face imutável, a qual ele estava certo de que nunca ruborizaria por ela; não, o caso era bastante outro; sem aquela armadura, a coragem dele não conseguiu alcançar os esforços ousados que eram necessários para superar o senso comum.’

Entre as representações teatrais mais notáveis de The Emperor of the Moon estão duas no Dorset Garden, em 16 e 21 de novembro de 1796, quanto Estcourt atuou como Scaramouch, e Pinkethman, Harlerquin. Em 3 de setembro de 1708, em Drury Lane, Bulloch foi Scaramouch; Bickerstaffe, Harlequin; Johnson, o velho doutor; Powell, dom Cinthio. Em Licoln’s Inn Fields, 28 de junho de 1717, Bullock novamente sustentou Scaramouch e teve Spiller como seu Harlequin. Quatro anos depois, 6 de fevereiro de 1721, eles estavam interpretando os mesmos papéis nesse mesmo teatro, com o sra. Cross como Bellemante, e Quin, Ryan no elenco. A farsa foi repetida em 25 de outubro do mesmo ano. Bullock e Spiller mantiveram suas partes favoritas, Hall foi Baliardo; Quin, Cinthio, Ryan, Charmante; a sra. Egleton, Mopsophil; a sra. Bullock, Bellemante. The Country Wake, de Doggett, foi interpretada na mesma noite. Dez anos depois, ainda nesse teatro, em 20 de outubro de 1731, Hall foi Baliardo novamente e a sra. Egleton, Mopsphil. Nessa ocasião, Pinkethman interpretou Harlequin; Hippisley, Scaramouch; Milward, Charmante; e Chapman, Cinthio. A farsa foi colocada como uma primeira peça em Covent Garden, 14 de fevereiro de 1739. Pinkethman foi Harlequim; Rosco, Scaramouch; Arthur, o doutor; Hallam, Charmante; Hall, Cinthio; o sr. James, Mopsophil; o sr. Vincente, Elaria; e o belo Bellamy, Bellemante. Em 1748 houve uma curiosa rivalidade entre os dois teatros, ambos produziram The Emperor of the Moon na mesma noite, 26 de dezembro. Em Covent Garden, onde ele foi anunciada ‘não interpretado por 10 anos’, e produzida inicialmente como uma primeira peça a despensas consideráveis com decorações magníficas, Cushing interpretou Harlequin; Dunstall, Scaramouch; Sparks, Baliardo; Ryan, Charmante; Delane, Cinthio; Peg Woffington, Bellemante; e a Bellamy, Elaria. Contudo, isso foi uma falha mortal e apenas montado duas vezes. Contrariamente às expectativas, Cushing esteve muito ruim como Harlequin, ao passo que, em Drury Lane, Woodward esteve excelente. No Lane, onde foi montado com A Bold Stroke for a Wife, do sr. Centlivre, e anunciada ‘não montado por vinte anos’, Yates foi Scaramouch; Palmer, Charmante; King, Cinthio; Winstone, Baliardo; a senhorita Murgatroyd, Bellemante; e a inimitável sra. Green, Mopsophil. Um grande efeito foi produzido quando Harlequin é jogado em um lençol, no ato iii. Duas faixas longas foram costuradas nos lados do lençol, pelas [389]quais ele foi sustentado. Contudo, a partir da frente, elas eram invisíveis, e como pareceu que Woodward estava sendo lançado a uma grande altura, esse espetáculo satisfez imensamente as galerias.

Em 1777, The Emperor of the Moon, muito desnecessariamente alterada e de nenhuma maneira melhorada ‘com a adição de vários arias, duetos e coros selecionados de outras composições’ (Oitavo, 1777), foi produzida no Patagonian Theatre. Esse teatro ficava situado em Exeter Change, Strand, sobre uma porção do terreno de Burleigh House, a casa do grande Lorde Tesoureiro, a qual posteriormente foi conhecida como Exeter House. É muito duvidoso se o teatro existiu como tal depois de 1779.

Há uma referência surpreendente a The Emperor of the Moon em The Spectator, nº 22 (Steele), 26 de março de 1711. ‘Seu mais humilde servo, William Screne,’ esreve para o sr. Espectador, berrando o fato de que ninguém no palco se eleva ao mérito. Embora crescido no serviço do teatro, e frequentemente tendo aparecido nos palcos, ele nunca teve uma linha dada a ele para falar. Mesmo assim, ‘Eu tenho interpretado’, ele afirma, ‘várias partes das coisas de casa com grande aplauso por muitos anos; eu sou um dos homens nas cortinas do Imperador da Lua.’1 Ralph Screene, amigo de Screne, em uma carta subsequente, implora que, em consequência da promoção do cavalheiro a partes falantes, ‘Eu possa sucedê-lo nas cortinas, como minha mão nas laranjeiras.’ Essas alusões humorosas são evidência ampla da popularidade da pantomima da sra. Behn e da frequência com a qual ela foi representada.


[390]Ao

Lorde Marquês

de

Worcester, &.


Meu Lorde

É uma noção comum, que se acumula conforme segue, e quase se tornou um erro vulgar, que dedicatórias na nossa época são apenas os efeitos de lisonja, uma forma de comprimento, e nada mais; de modo que o grande, apenas a quem elas são devidas, declinam daqueles patrocínios nobres que eram tão geralmente concedidos aos antigos poetas; uma vez que o terrível costume tem sido tão escandalizado por discursos equivocados, e uma peça de muito valor é perdida pela carência de proteção honorável, e, algumas vezes, muitas indiferentes atravessam o mundo apenas com passaporte vantajoso.

Esta oferta humilde, a qual eu presumo estender aos pés de vossa senhoria, é aquela de natureza crítica, aquela que não apenas requer o patrocínio de uma grande título, mas também um grande homem, e, às vezes, há uma vasta diferença entre essas duas grandes coisas; e entre os mais elevados, há apenas muito poucos em quem um nascimento ilustre e partes iguais completam o heróis; mas, entre esses, vossa senhoria porta a primeira posição, a partir de uma justa reivindicação, tanto das glórias da sua raça quanto das suas virtudes. Nem nós temos de olhar de volta para longas eras passadas para trazer a nós os feitos magnânimos dos seus ancestrais: Nós não temos de contemplar mais do que (o que nós temos feito tão frequentemente com maravilha) aqueles do grande duque de Beauford, seu pai ilustre, cada ação do qual é um presidente glorioso e duradouro para todo grande futuro; cuja lealdade firme e todas as outras virtudes eminentes tornaram-no para nós alguma coisa mais do que um homem, e as quais, apenas, merecedoras de um volume inteiro, estariam aqui senão para diminuir a fama dele, para misturar suas grandezas com aquelas de qualquer outro; e embora aqui eu esteja me dirigindo ao filho, quem é o único digno daquele sangue nobre que ele ostenta, e quem concede ao mundo uma perspectiva daquelas galanterias vindouras que igualarão aquelas do seu glorioso pai; já, meu lorde, tudo que você diz e faz é admirado, e cada toque da sua pena, reverenciado; a excelência e rapidez da sua vontade, é o sujeito que se ajusta mais agradavelmente ao mundo. De minha parte, eu nunca presumir contemplar vossa senhoria, mas minha alma curva-se com uma veneração perfeita à sua poderosa mente; e enquanto eu tenha adorado os efeitos delicados da sua inteligência incomum, eu nada mais tenho desejado [391]do que uma oportunidade de expressar minha sensação infinita dela; e essa ambição, meu lorde, foi o único motivo da minha presunção presente ao dedicar esta farsa à vossa senhoria.

Eu estou ciente, meu lorde, até onde a palavra farsa poderia ter ofendido alguns, cujos títulos de honra, uma aptidão na vestimenta, ou sua arte na escrita de uma Billet Doux, tenham sido seu principal talento, e quem, sem consideração do intento, do caráter ou da natureza da coisa, teria bradado sobre a linguagem e teria condenado-a (porque as personagens nela absolutamente não falam como heróis) como degradado e vulgar demais para entreter um homem de qualidade; mas eu estou segura contra essa censura, quando vossa senhoria deverá ser seu juiz, cujo gosto refinado e a delicadeza de julgamento, através de todas as ações humildes e trivialidade de assunto, encontrarão natureza ali, e aquela diversão que não é intencionada para os muitos, quem nada compreendem além de mostra e bufonaria.

Uma orientação muito básica e leve do enredo eu obtive da italiana, e a qual, mesmo como foi, foi montada na França oitenta curiosas vezes sem intervalo. Agora ela está muito alterada, e adaptada ao nosso teatro e gênio inglês, quem não pode considerar um entretenimento a uma taxa tão baixa quanto o francês encontrará, quem está contente com quase quaisquer incoerências, por mais que misturadas sob o nome de uma farsa; a qual eu tentei, tanto quanto a coisa suportaria, trazer para dentro do escopo de possibilidade e natureza, para que eu pudesse com tão pouca imposição sobre a audiência quanto eu poderia; todas as palavras são inteiramente novas, sem uma do original. Ela foi calculada para sua falecida majestade de memória sagrada, aquele grande patrono de poesia nobre, e do palco, por quem as Musas tem de lamentar para sempre, e cuja perda, apenas a benção de um sucessor tão ilustre pode alguma vez reparar; e é uma grande pena ver que a melhor e mais útil diversão do gênero humano, cuja magnificência de outrora, era o sinal mais certo de um estado florescente, agora bastante desfeita pela compreensão equivocada do ignorante e má representação do invejoso, o que evidentemente mostra o mundo não está melhorado em nada, senão no orgulho, má natureza e sutileza afetada; e a única diversão agora na cidade é a disputa intensa, as controvérsias públicas em tavernas, cafeterias, etc, e aquelas coisas que deveriam ser os maiores mistérios em religião, e tão raramente o assunto de discurso, são tornadas em ridículo, e não se parecem senão como tantas estratagemas fanáticos para arruinar o púlpito assim como o palco. A defesa do primeiro é deixada para o reverendo Gown, mas o palco que parte não pode ser restaurado de outra maneira senão por alguns espíritos líderes, tão generosos, tão públicos e tão incansáveis quanto vossa senhoria, cujos patrocínios são suficiente para o suportar, cujos inteligência e julgamento, para o julgar, e cujas bondade e qualidade, para o justificar; tal encorajamento inspiraria os poetas com novas artes [392]para agradar, e os atores com indústria. Foi isso que ocasionou tantas peças admiráveis outrora, como as de Shakespeare, as de Fletcher e as de Johnson, e foi apenas isso que tornou a cidade capaz de sustentar tantos teatros vivos, quem agora não pode manter um. Todavia, meu lorde, por minha parte, eu não mais reclamarei se essa peça encontrar favor aos seus olhos, e que ela possa ser tão feliz para conceder a vossa senhoria uma hora de diversão, a qual é a única honra e fama que é desejada para coroar os empreendimentos de,


Meu lorde,

A Serva

Mais Humilde e

Mais Obediente

De Vossa Senhoria,

A. BEHN.


Conteúdos2


Prologue. 393

Dramatis Personae. 395

Act I. 396

Act II. 417

Act III. 436

Epilogue. 462


ORIGINAL:

BEHN, A. The Emperor of the Moon. In:______. The Works of Aphra Behn. Edited by Montague Summers. Volume III. London: William Heinemann, Stratford-on-avon: A. H. Bullen, 1915. p. 385-392. Disponível em: <https://archive.org/details/worksofaphrbehn03behnuoft/page/385/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0


1[389]É claro, a alusão é ao ato ii, iii.

2Nota do tradutor: Não presente no texto original.

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