Aleriel; ou, Uma Viagem para Outros Mundos - Notas na Imprensa, Prefácios & Conteúdos

Aleriel; ou, Uma Viagem para Outros Mundos


Por Wladislaw Somerville Lach-Szyrma


[ii]Notas na Imprensa


O livro é curioso, e não um pouco místico.Bookseller.

Nós esperamos que o conto terá o sucesso que o seu mérito completamente merece.” – Literary Churchman.

Esse conto muito fantástico foi escrito com um propósito fixo.” – Notes and Queries.

A história é muito habilidosa e engenhosamente contada e, como uma especulação em ciência, é consistente e não improvável.” – Yorkshire Post.

Porções do livro relembram-nos de Swedenborg, Fontenelle e lorde Lytton … Contudo, a história completa é curiosa e muito bem contada.” – Liverpool Mercury.

Nenhum leitor ordinário se erguerá de sua leitura cuidadosa sem divertimento, e sem ter obtido, de uma forma muito atraente, um conhecimento melhor das estrelas errantes.” – Western Daily Mercury.

O leitor nunca ofende, e a lição de moral inculcada é algo bom.” – Lloyd’s.

O autor permitiu a sua fantasia ter jogo livre, enquanto suas especulações são baseadas nos fatos conhecidos da astronomia, e ele transmitiu um tom moral e religioso nos seus contos surpreendentes e um pouco fantásticos.” – Church Times.


[iii]Prefácio à Segunda Edição


No todo eu estou satisfeito com a recepção deste pequeno livro pelo mundo literário. Ele tem recebido menos crítica adversa do que eu antecipei. Todavia, o lado sério do livro, a teoria subjacente do cosmo, geralmente não tem sido considerada. Embora aparentemente leve e imaginativo, esta obra é o resultado de muitos anos de estudo das leis da natureza, e as minhas meditações sobre a Criação levaram a uma teoria que eu apenas me aventurei a colocar diante do público nesta forma popular e imaginativa.

Essa teoria é de que a vida é quase universal, e que, como nós vemos (no espectroscópio) os elementos que são encontrados na terra predominando em estrelas distantes em diversas combinações, assim as formas de vida que são encontradas na terra predominam em outros mundos, mas sob várias formas de desenvolvimento. No presente, o homem conhece dois mundos de vida – a terra e o aquático, aos quais nós podemos acrescentar os mundos das eras passadas na paleontologia. Mas, tanto na terra quanto no mar, nós encontramos a mesma concepção geral (por assim dizer) de flora e fauna. O mas tem as suas plantas (nas algas), seus moluscos, seus insetos (nos crustáceos), seus vertebrados (nos peixes e cetáceos). Assim, em eras passadas, a vida, tanto no mar quanto na terra, parece ter sido completa: plantas, insetos, animais vertebrados existindo mesmo em formações secundárias. [iv]Agora, através dos símbolos A, B, C, D representemos os quatro grandes tipos de vida.

Agora, não podem esses tipos serem encontrados em outros mundos, distribuídos e desenvolvidos de acordo com a capacidade dos seus habitats? Eu supus o tipo:-

AB. Em Mercúrio, o qual é similar a Vênus de muitas maneiras. (Com esse eu não lidei nesta obra.)

AB. Em Vênus. Montanhoso; atmosfera densa; gravidade moderada; climas variados, adequado para pássaros ou seres voadores, capazes de atravessar facilmente o espaço; plantas, talvez monocotiledôneas.

AA. Na terra da Terra. (Talvez com o elemento de B pelo homem como um bípede, tem alguma leve conexão corporal tanto com os quadrumana quanto com os pássaros.)

AD. No oceano da Terra. Tipo peixe e algas.

AC. Na Terra em estado antigo em formações secundárias. Mais pantanoso, portanto, tipos reptilianos e anfíbios prevaleceram.

AA. Em Marte. Atmosfera moderada; poucas montanhas; superfície, principalmente terra. Mamíferos, como carnívoros.

AD. Em Júpiter. Gravidade intensa; superfície, principalmente fluida. Plantas, algas. Animais do tipo peixe.

AC. Em Saturno. Mundo antigo, como a Terra em épocas secundárias. Urano e Netuno até agora pouco conhecidos em sua formação física.

Essa é a concepção de Natureza na qual eu pensei: Unidade na Diversidade, mas tudo revelando o mesmo Legislador Divino; a vida desenvolvida sob as mesmas leis e unida em suas formas superiores para inteligências racionais, como o Homem.


[v]Prefácio


Quando se mostra a crianças as maravilhas dos céus, pela primeira vez, no telescópio, a exclamação natural delas usualmente é, “Há pessoas lá em cima naqueles planetas?”

É uma questão antiga, e a resposta afirmativa é antes suportada em vez de derrubada pelas descobertas da ciência moderna. Quando é dito a nós que quase tudo que podemos ver sobre a Terra – sim, cada partícula de poeira – uma vez viveu, nós ficamos inclinados a pensar que a mesma lei, a qual parece ser a lei dominante da Terra, ou seja, de que quase todas as coisas sobre a superfície da Terra ou viveram ou estão vivendo agora, talvez possa ser a lei geral do universo.

A nossa Terra não é singular em nada. Em tamanho, os planetas gigantes Júpiter, Saturno, Urano e [vi]Netuno são muito maiores; Mercúrio, Marte, os planetoides e os satélites, muito menores; Vênus, o nosso mundo irmão gêmeo, quase o mesmo. Na forma, a Terra é quase uma esfera, e assim são todos, ou quase todos os seus mundos companheiros; alguns são mais achatados nos polos, e alguns menos. A Terra está envolta em uma atmosfera, - assim parecem estar Vênus, Mércurio, Marte e provavelmente os planetas gigantes Júpiter e Saturno. A Terra tem continentes e oceanos, - assim têm Marte e (provavelmente) Vênus. A Terra tem neve e inverno. – assim parece ter Marte. A Terra possui um satélite, - assim Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno possuem seus satélites. De fato, a Terra não é peculiar em nada que nós poderíamos esperar registrar em outros mundos. Por que nós deveríamos supô-la ser a única morada da vida? Esse assunto tem sido muito discutido. Para não falar dos antigos astrônomos antigos, em nossa época, Proctor, Flammarion, Brewster e Power discutiram-no. Deve-se reconhecer que as objeções sempre me parecerem as mais frívolas. Pode este grão nas areias do infinito – este pequeno planeta de um sistema não importante – ser a única morada da vitalidade?

Mas, se há vida, qual vida? Essa é uma questão que tem ocupado muitas das mentes humanas mais nobres. O homem não pode conhecer [vii]absolutamente, nesta sua vida na Terra, qual pode ser a vida dos outros mundos.


Sobre os Alpes da Natureza ergo-me

E vejo mil firmamentos abaixo,-

Mil sistemas como mil grãos;

Tão estranha e tão tardiamente chegado,

Como o espírito curioso do homem não deveria inquirir

Quais são os nativos deste mundo sublime,

Desta tão distante esfera interrestre,

Onde mortal não transladado nunca se perdeu?1


Provavelmente a melhor concepção dessa questão é aquela sugerida pelos senhores Nasmyth e Carpenter no seu trabalho valioso sobre a Lua, onde eles dizem, “Não é concebível que os protogermes da vida impregnam o universo inteiro, e tenham estado localizados em cada corpo planetário nele?” Na Lua, as circunstâncias parecem desfavoráveis à vida; mas é apenas petição de princípio assumir que essa seja a lei de cada orbe no céu, exceto esta Terra nossa.

No conto ou na especulação (como você escolher aceitá-lo) que se segue, embora aparentemente eu não tenha dado rédea solta para a imaginação, todavia, eu tentei evitar, tanto quanto possível, qualquer conflito com descobertas científicas estabelecidas; e, de fato, baseei minhas especulações nos [viii]fatos conhecidos da astronomia, apenas admitindo a imaginação ter jogo livre onde a ciência é, e tem de ser, incapaz, no seu estado presente, de responder às questões aqui consideradas. Se houver quaisquer afirmações que sejam consideradas serem irreconciliáveis com quaisquer das descobertas recentes da ciência indutiva, eu deveria ficar muito obrigado com qualquer leitor científico por chamar minha atenção para elas, e elas deverão ser corrigidas em uma edição futura.

Será observado pelo leitor que, para conceder mais interesse humano, e também para ventilar alguns assuntos práticos, há duas utopias neste livro – uma na qual há uma especulação quanto a uma sociedade perfeita de felicidade perfeita, tal como pode ser considerada como uma meditação sobre as alegrias possíveis de um estado futuro; a outra uma utopia mais prática, implicando as tendências do progresso humanos, e sugerindo aperfeiçoamentos para a sociedade humana como ela existe agora. Os outros dois mundos além desses dois (Vênus e Marte) não têm nenhuma lição terrestre especial a ensinar; eles são pouco mais do que deduções ousadas a partir de observações ou probabilidades sugeridas por eles.

De maneira nenhuma eu assumi, como alguns partidários extremos da habitabilidade de outros mundos costumam fazer, que todos os planetas são habitados. Em vez disso, eu suponho que a Terra no [ix]presente é meramente um exemplo de uma fase do desenvolvimento planetário, ou seja, uma na qual a vida pode existir; que alguns mundos são semelhantes a ela (embora nenhum precisamente na mesma condição); que outros até agora estão em um estado primitivo, exatamente como a Terra estava, digamos, no período das formações secundárias; que outros, contudo, estão mais altamente desenvolvidos do que este mundo; e, finalmente, que em outros a vida está extinta. Este ideal é exatamente o mesmo que aquele de Oersted, quem diz: “Em alguns planetas, as criaturas podem ser de uma escala maior do que a nossa própria, em outros, de uma escala menor; em alguns, talvez, elas sejam formadas de matéria menos sólidas, ou, de fato, podem aproximar-se da transparência do éter; ou, novamente, em outros, ser formada de matéria muito mais densa. As criaturas racionais em alguns dos planetas podem ser capazes de receber impressões muito mais rápidas, mais precisas e mais mais distintas do que sobre a Terra. Nós podemos imaginar que há seres racionais com faculdades muito mais fracas do que as nossas próprias” (como, nestas páginas, eu supus ser o caso); “mas, se apreciarmos apropriadamente a nossa distância presente em relação às aspirações da nossa razão, nós sentimo-nos compelidos a reconhecer que um número infinito de graus de desenvolvimento pode existir acima do ponto que nós alcançamos.”

[x]Adicionalmente, eu supus que nenhuma dupla de mundos são semelhantes em seus desenvolvimentos de vitalidade, exatamente como nenhuma dupla é semelhante enquanto vista no telescópio, nem em suas características físicas aparentes. Contudo, como em todo o nosso sistema solar há uma unidade subjacente de design, assim eu supus que “unidade na diversidade” é a lei da vitalidade assim como da matéria e, dessa maneira, que a vida em cada um dos nossos mundos irmãos é semelhante a uma forma ou outra de vida a ser encontrada na Terra, exatamente como tem sido revelado para nós pelo espectroscópio que os mesmos elementos metálicos e gasosos que nós encontramos à nossa volta sobre a Terra existe até em estrelas distantes. Dessa maneira, eu supus que a vida em outros planetas é semelhante a que nós encontramos sobre a Terra, mas que há um desenvolvimento distinto em cada mundo. No rateio de cada desenvolvimento nos diversos mundos, eu supus que a constituição física de cada um, até onde nós a conhecemos, afeta a forma de vida sobre ela.

Quanto à questão teológica das relações de Deus com os habitantes de outros mundos, eu dificilmente presumi tocar no assunto. Essas coisas nós apenas podemos conhecer quando não estivemos mais como “em um vidro escuro, mas face a face”; e parece-me que aqueles que têm se aventurado a especular sobre isso, como Kircher ou Swedenborg, excederam sua justeza.

[xi]O pessimismo do meu herói também requer alguma apologia. Contudo, eu apelo para a inteligência do leitor, se qualquer um vindo de um mundo mais feliz e vendo as anomalias e a miséria da Terra, não ficaria chocado e sofrido? Nas circunstâncias, o pessimismo de Aleriel não é mais forte do que aquele do Rei Sábio no Eclesiastes, nem dos muitos filósofos antigos e modernos. Ele quase não é tão amargo quanto aquele de Byron.

Com respeito a semelhanças com outras obras dessa caráter, por exemplo, Swedenborg, Fontenelle, lorde Lytton, etc, eu posso dizer que não copiei, conscientemente, pelo menos, de nenhuma. Se semelhanças ocorrem, elas podem ser atribuídas ao fato de que duas mentes chegaram por caminhos diferentes à mesma conclusão, e que, portanto, a conclusão tem alguma coisa a ser dita por ela – o que é tudo que pode ser dito sobre uma especulação obscura dessa natureza.

A estrutura da obra é uma continuação de minha “Voice from Another World,” um résumé breve de parte do que eu tinha fornecido na carta Trehyndra, para tornar o argumento simples. Eu tenho de acrescentar que as dramatis personae são, é claro, puramente imaginárias.

Em conclusão, eu tenho de pedir a meus leitores que considerem a obra como um todo, e não a condenem [xii]inteiramente se eles encontrarem alguma passagem oposta às suas noções preconcebidas. Dificilmente eu posso esperar que qualquer um concorde comigo em todos os pontos. Contudo, eu confio que este conto aparentemente fantástico pode encorajar o jovem a estudar em obras mais sérias os fatos da ciência astronômica, e talvez alegrar seus mais leitores velhos com o pensamento de que, embora muito seja triste sobre a Terra, contudo, pode haver mundos mais brilhantes do que este, e uma existência mais feliz do que nós podemos ter aqui. A Terra não é o Universo, e a nossa vida não é a eternidade.


[xiii]Conteúdos


Part I.

Chapter I. The Hunchback of Mont St. Gabriel. 1

Chapter II. Besieged in Paris. 8

Chapter III. The Escape. 14

Chapter IV. London. 22

Chapter V. Oxford. 29

Chapter VI. A Love Chapter. 34

Chapter VII. A Strange Letter. 42

Part II— THE MYSTERIOUS DOCUMENT.

Chapter I. Aleriel's Journey Home—The Moon. 64

Chapter II. Copernicus. 71

Chapter III. Welcome Home. 73

Chapter IV. Earth as Others See it. 82

Chapter V. A Strange Proposal. 90

Part III.— MARS.

Chapter I. The Voyage through Space. 97

Chapter II. The Ice Island. 100

Chapter III. Tycho Island. 106

Chapter IV. A Martian Instructor. 114

Chapter V. The Ocean Capital. 126

Chapter VI. The Voyage of Circumnavigation. 139

Chapter VII.The Feast. 149

Part IV.—THE GIANT WORLD.

Chapter I. Deimos, and the Voyage from Mars through Space. 155

Chapter II. First Impressions. 162

Chapter III. The Ocean World. 169

Chapter IV. The Land of Fire. 175

Part V.— SATURN.

Chapter I. Titan. 179

Chapter II. Saturn. 186

Chapter III. Return. 193

Part VI.—CONCLUSION.

Chapter I. Consideration. 197

Chapter II. Jungfrau. 200

Chapter III. A Night with Unearthly Friends. 206

Chapter IV. Explanations. 210

Chapter V. Adieu. 213


ORIGINAL:

LACH-SZYRMA, W.S. Aleriel; or A Voyage to Other Worlds. A Tale. London: Wyman & Sons, 74-76, Great Queen Street, Lincoln’s-inn Fields, W.C., 1886. p. ii-xv Disponível em: <https://archive.org/details/alerielorvoyaget00lach/page/n7/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0


1[vii]Young.

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