[112]Quando todas elas estavam livres das árvores do pomar, as três donzelas cautelosamente mantiveram Birdalone entre elas, de maneira que o corpo branco dela não devesse ser visto se a senhora estivesse desperta e olhando para fora. Dessa maneira, elas trouxeram-na para onde uns poucos arbustos de espinhos formavam uma cobertura para elas perto da extremidade da água. Lá elas permaneceram juntas, e Atra disse: ‘Agora, querida convidada e a mais querida mensageira, é nosso problema vestir-te de nossos próprios corpos; e tu, Viridis, começa.’
Viridis veio a frente ruborizando, como era o costume dela, e retirou seu vestido verde e estendeu-o sobre a grama. Em seguida ela colocou a mão na bata dela, retirou-a e permaneceu nua, joelho ligado a joelho, balançando-se como o galho de salgueiro; e então foi visto toda a forma delicada do corpo dela, e quão encantadora de tom e doce de carne ela era.
Mas ela disse: ‘Querida irmã Birdalone, aqui está minha bata, a qual eu empresto a ti, mas quanto ao meu amor, eu dou-te com isso. Portanto, não o invejes, embora tu me devolvas o linho, pois feliz será o dia para mim quando eu novamente o tiver; pois ninguém pode colocá-lo em mim, salvo o Cavaleiro Verde, meu próprio amor.’ Com isso, ela deu a bata a ela e beijou-a, e Birdalone vestiu-a e sentiu a mais valente e mais poderosa quando ela teve um vestuário sobre ela.
[113]Então Aurea tirou seu vestido dourado, e permaneceu apenas em bata, de maneira que seus braços nus brilhavam mais preciosos do que as mangas douradas que os cobriram. E ela falou: ‘Birdalone, querida mensageira, toma agora meu vestido dourado e envia-o de volta para mim quando tu tiveres encontrado o homem a quem ele é devido; entrementes, pensa que, quando tu o usares, tu usas meu amor, e que quando tu o tirares, tu estás vestida com meu amor em vez dele.’
Então Birdalone arrumou-se no vestido, e tornou-se de se olhar como a mais elegante das rainhas da terra; e ela virou sua cabeça ao redor para olhar para seus flancos dourados e maravilhou-se.
Depois disso, Atra prendeu suas saias na cintura dela e, em seguida, tirou seu calçado, de modo que os finos pés dela brilharam como pérolas sobre a grama verde; e ela disse: ‘Birdalone, doce amiga! Tu serás minha mensageira para levar esses calçados para o meu Escudeiro Negro e, entrementes, colocar meu amor por ti sob teus pés, para te apressar e suportar-te? Portanto, sê boa para mim.’
Então Birdalone calçou-se e, embora fosse uma pena ocultar seus pés dos olhos da terra, contudo, sentiu ela o coração assim corajoso, e as bochechas dela ruborizaram e os olhos brilharam.
Depois disso, Atra igualmente lha deu um colar dourado para o pescoço, e Viridis, um cinto de prata bem trabalhada, e Atra, um anel de dedo dourado adornado com uma pedra safira; e todos esses ela arrumou sobre si; contudo, ela sabia que eles eram símbolos a serem entregues aos três amantes de acordo com o que fosse devido.
[114]Então falou Atra: ‘Oh, irmã, nós suplicamos-te para levar esses empréstimos em teu corpo de tal forma que, quando tu chegares à terra firme, eles possam ser vistos por cavaleiros procurando por aventuras, e que tu possas responder a qualquer um que lá possa desafiar-te e dizer que tu levas essas vestes e essas joias de Aurea e Viridis e Atra para Baudoin o Cavaleiro Dourado e para Hugh o Cavaleiro Verde e para Arthur o Escudeiro Negro. E se tu julgares que encontraste esses, então eles deverão contar-te uma prova, tal como nós deveremos contar-te, que eles sejam verdadeiramente aqueles e nenhum outro; e depois disso, quando tu tiveste certificado-te, eles deverão tomar de ti a roupa, as gemas, e o Bote de Expedição, e vir aqui se eles podem. E que Deus cuide do resto! Mas quanto à prova mencionada a ser dita, nós determinamos que cada uma de nós deverá contar-te privadamente que questão tu deverás perguntar por ela, e que resposta tu precisas esperar.’
Quando ela terminara de falar, cada uma veio a Birdalone e falou alguma coisa no ouvido dela em meio a rubores verdadeiramente suficientes. E o que elas disseram será visto futuramente. Então novamente disse Atra: ‘Agora, por esta missão, nós devemos ser bem pagas pelo cuidado que nós tivemos contigo. Pode ser que tu não encontres nossos amigos de conversa; pois eles podem estar mortos, ou eles considerem-nos falsas, e podem ter abandonado-nos e a terra deles; e, em tal caso, tu estás livre de tua missão; mas, seja o que for que possa acontecer-te, vai com Deus!’
Então Viridis tirou uma cesta debaixo de um arbusto e disse: ‘Nós não sabemos quão longa tua [115]viajem pode ser, mas, pelo menos, um pouco de suprimento para o caminho nós podemos dar-te: agora, tu mesma levará isso a bordo, pois nós não atrevemo-nos a tocar teu barco, não, nem chegar perto dele, nenhuma de nós.’ E ela baixou o cesto e lançou os braços em torno dela, e beijou-a e chorou sobre ela; e as outras duas, elas também beijaram-na com amor. Birdalone chorou como Viridis e disse: ‘Podei vós suceder, quem têm sido tão amáveis comigo; mas agora eu estou tão feliz e tão triste, que a voz de minha vontade não consegue as devidas palavras para mim. Adeus!’
Com isso, ela tomou a cesta dela, virou-se e foi rapidamente ao Bote de Expedição; e elas observaram-na enquanto ela subia a bordo, desnudava o braço e tirava sangue dele com o pino de sua fivela de cinto e, após o que, vermelhou proa e popa. Uma pontada de medo ocorreu nos corações delas de que a senhora delas banira-o de Birdalone como para elas. Mas Birdalone sentou-se no banco do barco, virou o rosto para o sul e disse:
‘O vermelho vinho de corvo agora
Tu bebeste, popa e proa;
Desperta então, desperta!
E que o caminho do sul toma:
O caminho de Quem se dirige adiante através da enchente,
Pois a vontade do Emissor está misturada com o sangue.’
Nenhuma nuvem barrava o caminho do sol enquanto ela falava; nenhuma onda surgiu sobre o seio do lago; nenhum barulho nem tumulto houve; apenas o Bote de Expedição mexeu-se, e então disparou rapidamente para a água mais ampla; e sol subia enquanto elas olhavam, e seu caminho de luz brilhou por um momento no vestido dourado de Birdalone [116]e, em seguida, acinzentou-se novamente, e logo ela desaparecera dos olhos delas.
Então elas voltaram-se para o pomar: e agora Viridis estava com bom ânimo, e Aurea não menos; mas Atra ficou para trás e, enquanto ela caminhava, alguma paixão apossou-se dela, ela não sabia a razão; o peito dela inchou, com isso os ombros pesaram e ela chorou.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 112-116. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/112/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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