A Água das Ilhas Maravilhosas - A Segunda Parte: Sobre As Ilhas Maravilhosas - Capítulo VI Atra conta como Elas Três chegaram a Ilha do Aumento Espontâneo

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[97]‘Nós nascemos e fomos criadas na terra que se estende ao sudoeste junto desta Grande Água, crescemos alegremente, tornamo-nos companheiras quando ainda eramos apenas crianças e, dessa maneira, crescemos amigas queridas à donzelice e feminidade. Nós eramos cortejadas por muitos homens, mas nossos corações não se voltavam para nenhum deles, salvo para três, quem eram vistosos, amáveis e valentes; e tu podes chamá-los de o Cavaleiro dourado, quem é o homem de Aurea; o Cavaleiro verde, quem é o homem de Viridis; e o meu homem, o Escudeiro Negro. Mas nisso fomos infelizes, por causa de certas contendas que perduraram desde o tempo antigo, esse amor era perigoso para eles e para nós; de modo que nós vivíamos em dúvida e inquietação.’

Chegou um dia, há três anos agora, quando o rei de toda a terra trouxe o povo dele ao país à beira do lago, e lá manteve uma corte e um lugar de reunião, em uma bela e grande campina perto da água. Mas, mesmo que o lugar de reunião fosse santificado, e a Paz de Deus proclamada com o sopro do chifre de guerra, chegamos nós três moças lamentáveis envoltas em negro e ajoelhamo-nos diante do senhor rei e imploramos a ele para nos ouvir com atenção. E ele julgou que nós eramos belas, então ele teve compaixão de nós, e ergueu-nos e ordenou-nos falar.

Assim nós contamos nossa história, como esse conflito e feridas e morte colocaram-se entre nós e o amor; e choramos e lamentamos, que nosso amor precisa ser morto porque homens estavam irados uns com os outros e não ficavam conosco.

[98]‘O rei olhou para nós gentilmente, e disse: “Quem são os pretendentes pelos quais essas amáveis donzelas fazem um tal bocado de trabalho?” Então nós nomeamo-los, e dissemos que eles estavam no lugar de reunião; e o rei conhecia-os por homens valentes que fizeram-lhe bom serviço. Ele gritou seus nomes e ordenou-lhes a colocarem-se de pé diante da multidão. Assim, adiante, eles levantaram-se, o Cavaleiro Dourado, o Cavaleiro Verde, o Escudeiro Negro (e ele era agora também um cavaleiro); mas agora todos eles estavam trajados em negro, e eles estavam desarmados, salvo por suas espadas nos lados de suas cinturas, sem a qual nenhum homem entre nós pode ir ao lugar de reunião, seja ele barão ou conde ou duque, ou até o senhor rei mesmo.’

Então o rei olhou para nós e ele riu e disse: “Belas moças, vós pegaste-me pelo nariz, assim meu corpo precisa seguir. Vós três cavaleiros, quem conheço por homens valentes e verdadeiros, tomai cada um seu amor pela mão, e que os casamentos sejam amanhã. Quem então ficou feliz senão nós?” Mas, mesmo diante daquela palavra que o rei falou, surgiu grande tumulto no lugar de reunião, pois ela atingiu a rivalidade e despertou a discórdia, e homens pressionaram-se adiante uns contra os outros, e espadas foram desembainhadas e brandidas. Mas o rei ergueu-se em seu lugar e falou longa e habilmente, e muito se irou, enquanto ninguém lhe prestava atenção nem o ouviu. E lá ergueram-se nossos três homens, quem não levaram mão à empunhadura, mas permaneceram não consternados de aspecto em meio ao tumulto. E amáveis eles eram de se olhar. Finalmente, os homens sábios e barões intervieram e, por justas palavras, apaziguaram o transtorno, e o lugar de reunião aquietou-se. [99]Em seguida, o rei falou: “O que é isso, meus barões? Eu considerara que meus inimigos estivessem muito longe, e que vós que estais aqui fôsseis todos amigos para mim e uns para os outros. Mas agora nós devemos tentar outra decisão.” Depois disso ele virou-se para nossos homens e disse: “Vós campeões, estais vós tão apaixonados pelo Amor que vós lutareis por ele?” Todos eles concordaram e então rei disse: “Então eu declaro que esses três defenderão o campo contra todos os vindouros, das manhãs até o meio dia, e que aquele que derrotar qualquer um deles deverá ter sua moça e casar-se com ela, se ele desejar e, se ele desejar, deverá exigir resgate por ela. E que este campo deverá ser disputado após o período de dois meses nessas belas campinas, quando eu retornar das marchas mais externas do sul, para as quais eu estou agora me dirigindo. Mas, quando a batalha estiver terminada, então que todos os homens curvem-se ao julgamento de Deus, quer ele esteja bem contente ou não, e isso em perigo de vida e membro. E agora, entrementes, que haja paz profunda entre todos os homens; e se qualquer um romper a paz, seja ele elevado ou baixo, rico ou não rico, rústico ou conde, eu juro pelas almas de meus antepassados que por isso ele não deverá perder nada, senão sua vida.”’

Diante dessas palavras houve um rumor de aceite, e todos os homens ficaram contentes, salvo por nós três pobres donzelas, no coração das quais agora entrara o medo de perda e morte.

Mas nossos parentes de ambos os lados ficaram felizes e orgulhos, e eles não estavam tão cruéis contra nós quanto eles estiveram; ele colocaram a mão na bolsa, e fizeram erigir-se para nós um belo pavilhão de madeira pintada, todo pendurado com seda e tecidos com gravuras e tapeçaria [100]sarracena, perto mesmo da beira do lago; e alegres botes, que despreocupadamente adornam, deitam-se fora do dito pavilhão para nosso prazer; e quando tudo estava terminado, ainda faltava meio mês para o dia da batalha, e para aquele lugar nós fomos trazidas em triunfo por nossos parentes em um belo dia de maio, e não havia nem uma espada ou lança em meio a toda companhia, e pacífico e feliz foi tudo de aparência. Mas não foi permitido que nos encontrássemos com nossos amantes durante todo esse tempo, desde o tempo que o lugar de encontro existia.

Agora, em um dia, veio um mensageiro a nós no espigão, e fez-nos saber que o rei estaria conosco pela manhã, e que no dia seguinte, o campo fatídico deveria ser confrontado. Então, embora a chegada desse dia fosse tão esperada por nós, contudo, agora que estava à mão, ele lança-nos em completa inquietação e preocupação, de modo que nós mal sabíamos se ir ou se permanecer, ou sentar, ou o que fazer com nossos corpos. Nosso povo, e todos os outros homens do mesmo modo, estava tão ocupado, aprontando-se para o amanhã do amanhã, que eles deixaram-nos sozinhas para nos desgastarmos como nós podíamos.

Agora era de tarde, e o dia estava quente e nebuloso, e nós ficamos na orla mesma da terra, fatigadas com esperança e medo, e esforçando-nos para manter bom semblante umas para as outras; e lá veio um bote para a costa, alegremente pintado e dourado, e adornado com tecidos e almofadas de seda; e o condutor dele era uma mulher, não jovem, aparentando cinquenta invernos; de cabelos vermelhos ela era, de lábios finos e olhos estreitos, de seio achatado e apertado; uma mulher não vistosa, embora a pele dela fosse branca e [101]lisa para sua idade. Tu alguma vez viste uma tal, convidada?’ Disse Birdalone, sorrindo: ‘Verdadeiramente que eu vi; pois uma tal é minha mestra para contemplar.’

Bem,’ disse Atra, ‘essa dama estendeu as mãos para nós, e disse: “Não entrarão as moças bonitas, as queridas moças, quem não têm nada em mãos nesta tarde, em meu bote e olharão na face da água, tão calma e bela como ela é, e deixarão suas mãos amáveis examinarem a amurada e brincarem com a ondulação, e assim iludir este tempo pesado por umas duas horas; e, em seguida, dar um pequeno presente, de uma ou duas peças de prata, para uma pobre velha mulher, quem ama todos as belas moças e brilhantes guerreiros, e quem necessita de um pequeno sustento?”’

Agora, a mulher não parecia nada amável conosco, e para mim, verdadeiramente, ela parecia detestável. Mas nós olhamos umas para as outras, e consideramos que estávamos completamente cansadas de subir e descer a campina, e deitar-se em volta do pavilhão, e parecia como se isso dar-nos-ia um pequeno descanso. Além disso, nós não vimos que a mulher poderia fazer-nos qualquer mal, visto que nós eramos três, e fortes o suficiente como as mulheres são; nem eramos nós marinheiras tão ruins, apenas que nós poderíamos navegar ou conduzir um bote em uma situação difícil. Assim, nós imediatamente embarcamos no bote, e a mulher sentou-se à popa e remou habilmente com o remo de direção, e nós deslizamos para longe da terra.

Logo nós tínhamos chegado tão longe que apenas podíamos ver nosso pavilhão através da névoa, a qual engrossara um pouco, e nós dissemos a mulher que ela deveria circular e ir para a costa, e [102]que então nós iriamos para lá e para cá ao longo de nossa propriedade. Ela acenou com a cabeça em concordância, e aparentemente aprontou o barco para retornar. Mas com isso a névoa subitamente cresceu na forma de uma nuvem baixa, a qual desceu sobre nós do sudoeste no braços de uma brisa fria, que se tornava mais forte a cada minuto, assim não admira que contudo a condutora não pudesse manter a cabeça ao vento; e então, quem ficou com medo e vergonha senão nós mesmas?

Mas a mulher disse, e parecia haver um escárnio na voz dela: “Má sorte, moças bonitas! Agora não há nada senão o percurso, se nós não nos afogarmos. Mas talvez esse crepúsculo logo se clareará, e então, finalmente, nós deveremos saber para onde estamos indo; e nós podemos ou voltar, ou buscar algum outro abrigo, pois eu conheço bem o lago; eu conheço, eu conheço.”’

Nós ficamos aterrorizadas demais para falar, pois nós ainda sentíamos que o vento ficava mais forte, e o lago começava a elevar-se em ondas, e o bote a mover-se pesadamente; mas com isso, bem perto, o crepúsculo e a névoa desapareceram; o céu ficou azul brilhante por cima da cabeça, e o sol poente brilhava sem nuvens; mas sobre terra nenhuma ele brilhava, ou sobre nada salvo águas azuis e brancas cristas de onda.

Então chorou Aurea, e esta Viridis aqui, mas quanto a mim, eu irei-me e gritei para a condutora: “Maldita bruxa! Tu traíste-nos; agora nunca mais nós podemos retornar ao nosso pavilhão até que a luta tenha sido disputada, e nossos amantes considerarão que nós abandonamo-los, e nós ficaremos envergonhadas para sempre.” “Bem, bem,disse a velha mulher, “que remédio senão paciência [103]para os ventos e ondas?” E ela riu zombeteiramente. Respondi eu: “Há este remédio, que nós três ergamo-nos e coloquemos as mãos em ti, e joguemos-te fora do barco, a não ser que tu imediatamente vire a cabeça do bote e de volta para o continente. Verdadeiramente eu não duvido de que, como tu ergueste esse vento imundo contra nós, tu podes erguer um bom vento para nós.

‘“Escuta com atenção, moça amável!” Disse a velha mulher, como se ela julgasse-me ser ninguém menos que o grande Deus mesmo, para segurar os ventos na palma da minha mão, e parar as ondas com uma palavra! “O quê! Eu sou um pouco trabalhada a partir da imagem dele, moças amáveis?” E com isso ela sorriu ironicamente. Em seguida, ela disse novamente: “Quanto à tua solução, querida, parece-me inútil. Pois, como vós deveis navegar através dessa água tempestuosa quando vosso capitão está perdido e vós, talvez, apenas marinheiras de férias?

Enquanto ela falava, uma grande onda veio do barlavento e quebrou sobre nós, encheu o bote pela metade, ergueu seu remos muito alto e, em seguida, para baixo nós afundamos no vale. Eu sentei-me intimidada e trêmula, e nunca mais falei outra palavra.

Agora o sol começava a afundar-se, e o vento abatia-se, e o mar baixava, mas o bote acelerava tão rápido como sempre através das águas sem-terra.

Agora o sol estava baixo, e o crepúsculo estava à mão, e a velha mulher falou e tirou um pequeno machado brilhante de suas vestes: “Donzelas, eu advirto-vos de que agora era melhor que vós obedecei-me em todas as coisas; pois, embora vós sóis três e eu uma, contudo, visto que tenho aqui um amigo afiado, eu posso tomar a vida de [104]qualquer uma de vocês, ou de todas as três, tão simplesmente quanto poderia cortar uma garganta de cordeiro. Além disso, servir-vos-á melhor, na casa para onde vós estais dirigindo-se, que eu faça uma boa história de vós em vez de uma má. Pois a senhora daquela casa é toda poderosa; e eu devo dizer isso dela, embora ela seja minha irmã mesma, porém ela não é de temperamento tão doce e gentil de coração quanto eu sou, mas um pouco grosseira e inflexível de temperamento, de modo que é melhor agradá-la. Portanto, donzelas, eu aconselho-vos, sede sábias.”’

Nossos corações infelizes agora estavam tão afundados em desespero, que nós não tínhamos palavra com a qual a responder, e ela falou: “Agora, obedecei vós minha ordem e comei e bebei, para que vós podeis chegar vigorosas e sãs ao final de vossa jornada, pois eu não entregaria famintas à minha cara irmã.Após isso ela trouxe alimentos para nós, e isso nada mal, de carne e pão, e queijo e bolos, e com bom vinho. Nós estávamos fatigadas pela fome, bem como pelo sofrimento e, naquele momento, a fome superou o sofrimento; então nós comemos e bebemos, e, nós desejássemos ou não, desse modo, um pouco de coração retornou-nos. Então novamente falou a velha mulher: “Agora, meu desejo é que vós durmais; e vós tendes almofadas e tecidos suficientes para vos preparar uma bela cama; e essa ordem é fácil para vós obedecerdes.” Verdadeiramente, tão fatigadas nós estávamos com sofrimento, e nossa fome agora extinta, que nos deitamos e dormimos imediatamente, e esquecemos nossos problemas.

Quando nós despertamos foi após a primeira aurora, e nós chegáramos à terra igualmente onde tu fizeste-o está manhã, hóspede. E tu podes considerá-lo [105]maravilhoso, mas assim foi, que perto de onde nosso bote atracou, estende-se a balsa que te trouxe para cá.

Agora a velha mulher ordenou-nos chegar em terra, e assim nós fizemos, e consideramos a terra maravilhosamente bela, pouco como isso consolou-nos então. Mas ela disse-nos: “Escutai com atenção! Agora vós chegastes em casa; e muito vós devereis habitar aqui, pois nunca vós deveis partir daqui, salvo pela vontade de minha irmã ou minha, portanto, uma vez mais, eu aconselho-vos, sede boas, pois isso será melhor para vós. Ide em frente agora para aquela casa, e durante o caminho vós deveis encontrar a Rainha desta terra, vós nada tendes a fazer senão dizer a ela que vós sois o Presente; e então ela deverá considerar seu assunto.

Com isso ela entrou em seu próprio barco, o Bote de Expedição, e naquele lugar ela realizou o feito e falou as palavras que vós conheceis, e foi-se em direção ao norte; e quando nós viramos para procurar por nosso bote naquele ponto que nós chegáramos, ele tinha desaparecido.

Nós permanecemos lastimosamente por um tempo na orla da terra, e então eu disse que nós tanto poderíamos ir encontrar nosso destino quanto morrer ali de tristeza e fome. Assim nós prosseguimos, e entramos naqueles belos jardins, e, conforme nós subíamos lentamente para a casa, veio a nós uma mulher envolta em escarlate vermelho e grandiosamente vestida. Uma grande mulher ela era, e semelhante àquela que nos iludiu, mas muito mais jovem e mais bela de aparência, tola e orgulhosa de aspecto. Ela encarou-nos, e inicialmente pareceu um pouco assustada conosco, mas perguntou-nos o que nós eramos, e eu respondi que nós eramos o Presente. “O Presente?” ela disse, “O que significa isso? Vós me obedecerão em todas as coisas? Se vós contradizer-me, vós perecereis, [106]a menos que vós podeis comer grama; pois nesta ilha tudo vem de minha mão.”

O que nós poderíamos fazer? Todas nós ajoelhamo-nos diante dela, e juramos fazer a vontade dela. Então ela disse, após ter encarado-nos por um tempo: “Agora eu sei: vós sois aquelas de quem minha irmã falou, que ela me traria um presente de um trio de donzelas para meu serviço. Agora eu aceito o Presente e agradeço o bom coração dela. Mas vós faríeis minha vontade, então …” Mas ela parou abruptamente aqui, encarou-nos por um longo tempo e então ela disse: “Agora eu sei; e ela ordenou-me tratar-vos bem, e deter minha mão de vós, ou mal viria disso, talvez finalmente minha perdição. Assim, ide vós para casa em minha casa, eu vos darei comida e bebida, e mostrar-vos-ei minhas reservas e o Cofre Maravilhoso, e vós deveis servir-me com honra.”

Assim mesmo nós fizemos; e nós comemos e bebemos e descansamos, e de nada carecíamos, salvo de permissão para partir para nossos amantes em casa, e de alguma senhora melhor do que este estúpido e orgulhoso pedaço de carne. Mas, na manhã seguinte, quanto nós viemos diante da senhora, ela não conhecia nada sobre o que nós eramos; e novamente nós tivemos de contar que nós eramos o Presente, e novamente ela olhou-nos fixa e malignamente, e novamente ela chamou a mente a irmã dela e o conselho dela a nosso respeito. E isso prosseguiu por muitos dias, até que ela finalmente soube o que nós eramos; e ela seguiu o conselho da irmã dela no que ela nunca nos maltratou, embora nós podíamos ver que a irritava abster-se, nem ela falava para nós mais grosseiramente do que era sua tola vontade; e nós tínhamos em nossas mãos tudo que era necessário para nosso sustento, e vivíamos suficientemente fácil.

[107]Agora, nossa chegada aqui ocorreu há três anos, e um mês depois disso chega tua bruxa aqui na balsa dela, e ela cumprimentou-nos quando nos encontramos, e perguntou-nos, sorrindo ironicamente, se não foi ela amável para nos ganhar tais dias bons? ‘Sim, e muito amável,’ ela disse, ‘vós me considerariam, sabei vós o que teria acontecido-vos senão por minha boa palavra.’ Verdadeiramente nós não considerávamos amável o feito de nos ter roubado de nossos amantes; mas nós guardamos boas línguas em nossas cabeças, pois servas precisam submeter-se à punição.

Ela partiu em três dias, mais veio novamente muitas vezes depois disso, até que nós conquistamos o segredo do Bote de Expedição, e com isso do feitiço dela; mas nós não sabíamos que ele estava banido contra nós. Portanto, em um dia, no cinza da manhã, quando nós estivéramos nesta ilha por pouco menos de um ano, nós descemos a ele e entramos nele, vermelhamos proa e popa e dissemos as palavras do feitiço. Mas imediatamente surgiram zurros e barulhos horrendos, e com isso veio trovão, e tremor de terra, e as águas do lago subiram em ondas imensas; nem podíamos mover-nos de nossos assentos no bote até que as duas bruxas desceram correndo até nós, e puxaram-nos para a costa, e mandaram-nos para a casa, para esta mesma câmara de prisão, na qual nós agora estamos sentadas tão alegremente. E aqui nós suportamos o que foi colocado diante de nós, sobre o que, querida convidada, nós não devemos contar-te nada. Mas isto surgiu do ocorrido, que nunca depois disso nós atrevemo-nos tentar a aventura do Bote de Expedição, mas temos vivido aqui em sofrimento preguiçoso e facilidade vergonhosa, até que tu, querida convidada e irmã, foste enviada para cá pelo céu para nossa ajuda.

[108]Agora, no que se tornou a corte do rei, e o campo de aveleiras de nossos campeões, nós não sabemos, ou se eles ainda estão vivos nós não podemos contar-te; mas, se eles estão vivos, é para eles que nós gostaríamos de te mandar realizar nossa missão, e sobre isso nós rigorosamente te contaremos amanhã. E assim, querida, termina meu conto.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 97-108. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/97/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0


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