A Múmia! Um Conto do Século XXII
Por Jane C. London
Volume I
Capítulo VII
[129]Quando o Padre Morris tinha deixado Edric, ele seguiu para a casa do Duque de Cornwall, desejando retornar para aquela do Sir Ambrose quase imediatamente; mas a cena que ocorreu entre o duque e sua sobrinha, alterou a determinação dele. Não está no poder da linguagem descrever a agonia do Padre Morris diante do apelo de Rosabella. Acidentalmente, ela tinha tocado em uma corda que vibrava através de cada nervo, e quase o conduziu à loucura. O duque, após tentar em vão consolá-lo, retirou-se, deixando-o uma presa para os tormentos mais amargos; pois, como os devotos de Eblis, ele sentia um fogo insaciável queimando em seu peito, e como eles, ele buscava em vão [130]escapar. Ele foi despertado desse estado de angústia inexprimível por uma convocação de Sir Ambrose para o auxiliar instantaneamente e, com um coração pesado, ele obedeceu.
Arrependendo-se dos pecados que ele tinha cometido, contudo meditando mais, padre Morris tentou, enquanto ele lentamente retraçava seus passos até a mansão de Sir Ambrose, acalmar seus sentimentos, demorando-se no bem que ele intencionava realizar quando ele devesse obter poder, em vez de nos meios através dos quais esse poder devia ser obtido; pois é um fato notável que nenhum homem gosta de aparecer com um vilão para si mesmo; e mesmo quando os seus crimes escapam dos olhos do mundo, ele não fica satisfeito, a menos que ele possa estruturar justificativas plausíveis para eles em sua própria mente: embora seja verdadeiro que essas justificativas não suportariam exame rigoroso; visto que o amor próprio é um sofista capaz, e razões leves parecem brilhantes quando compensadas por tal coloração.
Quase reconciliado consigo mesmo através de argumentos, a falácia dos quais ele teria sido o primeiro a detectar, se eles tivessem sido oferecidos por outro, o Padre Morris entrou na casa do Sir Ambrose com o seu usual sorriso calmo; mas sua [131]tranquilidade foi quase perturbada novamente, quando ele encontrou o Dr. Coleman, um médico altamente respeitável na vizinhança, já isolado com o digno baronete. O Padre Morris odiava o Dr. Coleman, talvez seria difícil dizer a razão; a menos que fosse que o sacerdote, sentindo-se consciente de que os seus desígnios não suportariam exposição, recuava do olhar penetrante do médico, cuja astúcia natural era consideravelmente intensificada pela sua perspicácia profissional. De fato, não há classes na sociedade melhor familiarizadas com os vícios da humanidade do que os adeptos do direito e da medicina: um grande escritor tinha chamado o direito de a chaminé através da qual as paixões ardentes do mundo expandem-se em fumaça – e a experiência do médico, às vezes, até supera aquela do seu irmão legal. Admitido nos seios mesmos das famílias – frequentemente o confidente inevitável dos segredos mais delicados – um médico experiente torna-se naturalmente cauteloso, penetrante e suspeito.
Esse era o caso com o Dr. Coleman; e o Padre Morris agora se sentia particularmente incomodado pela [132]presença dele: contudo, como não havia remédio, o padre era um político bom demais para tolerar o seu incômodo ser visto e, suavizando sua sobrancelha, ele expressou-se em sua voz habitual, suave e baixa, o prazer que ele disse que sentia diante do encontro tão inesperado com o seu antigo amigo.
“Eu fico feliz de ouvir que você esteja satisfeito em me ver,” disse o Dr. Coleman, com ênfase marcada.
“Como pode ser de outra maneira? É tão gentil de você, quem tem tantos compromissos profissionais para ocupar o seu tempo, conceder algo dele para seus amigos.”
O Dr. Coleman não falou, apenas fixou os olhos sobre o Padre Morris, com uma expressão que, posteriormente, ele não poderia suportar. Apressadamente puxando o capuz, no qual suas características eram geralmente envoltas, ainda mais para perto do seu rosto, ele virou para Sir Ambrose, e perguntou o que tinha ocasionado as convocações apressadas que ele tinha recebido.
“A conduta de Edric,” respondeu o baronete abruptamente; “ele recusa-se a ver-me, e, como eu entendo que ele teve uma longa conferência com você nesta [133]manhã, eu convoquei você para saber o que ele pretende.”
“Isso, meu querido Sir,” retornou o Padre Morris, com um sorriso gentil e olhos meio fechados, “você precisa reconhecer, seria impossível até para eu adivinhar. As mentes dos homens jovens são rebeldes e caprichosas; eles escassamente conhecem os seus próprios desejos; portanto, como se pode esperar que alguém tão ignorante como eu os adivinhe? O nosso bom amigo, Dr. Coleman é muito mais competente do que eu para aconselhar você sobre o assunto.”
“Oh, você é humilde demais, padre!” disse o Dr. Coleman, ironicamente; “ore para ter uma acepção mais justa do seu próprio mérito.”
“Tudo isso nada tem a ver com o assunto,” exclamou Sir Ambrose, excitando-se. “Eu quero saber o que você disse a Edric nesta manhã, e o que ele disse a você.”
“Ele contou-me que antes deseja morrer do que casar com Rosabella.”
“O jovem patife! Então, que ele morra, se ele deseja isso. Mas é tudo bobagem – uma mera figura [134]de linguagem. É muito fácil falar em morrer; mas poucas pessoas gostam disso quando elas são testadas. Não que ele tenha a menor intenção de qualquer coisa do tipo. Ele pensa que eu sou um velho tolo, e apenas diz isso para me intimidar: mas eu vejo através dos seus esquemas! Eu não devo ser enganado, e não desistirei do objetivo. Eu deverei ser surdo a todas as suas petições e súplicas.”
“Eu não penso que ele pretende oferecer nenhuma.”
“Não oferecer nenhuma! O que você quer dizer?”
“Que eu penso que ele tem um projeto na cabeça dele, o que o torna bastante feliz da contenda que ocorreu, do que de outra maneira.”
“Impossível! Isso tem de ser falso,” exclamou o Dr. Coleman, erguendo-se subitamente de seu assento.
“Veja-o, e julgue por si mesmo,” retornou o Padre Morris, franzindo as sobrancelhas para o seu oponente.
“E qual é esse projeto?” perguntou Sir Ambrose, tão logo ele tinha se recuperado um pouco de seu espanto.
“Ele pretende ir ao Egito e, visitando as Pirâmides, tentar ressuscitar uma múmia!”
[135]Dr. Coleman gemeu no espírito: Sir Ambrose sacudiu a cabeça.
“Eu temo que isso seja apenas verdadeiro demais,” disse ele, “é exatamente como um dos planos dele. O rapaz é louco; evidentemente distraído: aquele tutor idiota dele revirou bastante o cérebro dele.”
“Eu estou realmente receoso que ele esteja perturbado,” suspirou o Dr. Coleman, “se ele realmente entretém um esquema tão louco; mas você desculpar-me-á, Padre Morris, se eu ainda entretenho dúvidas sobre o assunto. Ele apenas pode ter mencionado uma tal coisa como brincadeira.”
“Fale com ele você mesmo; ele está nos aposentos do Dr. Entwerfen: eu não desejo que você confie em minhas representações. É sempre doloroso para eu interferir em disputas familiares. De fato, quando nesta manhã Edric desejou que eu explicasse as intenções dele para o pai dele, eu declinei de o fazer; e fosse você testemunha, isso foi apenas em conformidade com a súplica sincera de meu digno amigo, que eu de qualquer maneira falo sobre o assunto.”
“Não obstante,” disse o Dr. Coleman, após [136]refletir por um breve momento, “eu deverei ficar mais satisfeito quando eu mesmo tiver visto Edric.”
“Eu suplico a você para não fazer uma tal coisa,” interrompeu Sir Ambrose, “ele imaginará você como um embaixador meu, e eu não poderia suportar isso. É o dever dele submeter-se, não o meu. Ele não deverá triunfar sobre mim dessa maneira.”
“Eu estou certo de que ele não sentiria nenhum triunfo.”
“Mas eu digo a você que ele sentiria, Sir! Ele se regozijaria, exultaria, e gloriar-se-ia em uma tal coisa. Eu serei mestre em minha própria casa, e sobre os meu próprios filhos: você não deverá o ver, ninguém o deverá ver; e ele deverá permanecer encerrado no asilo que ele escolheu, até que se torne razoável.”
“É inútil enraivecer Sir Ambrose por oposição adicional agora,” sussurrou o Padre Morris para o Dr. Coleman; “Edric não pode ir ao Egito sem dinheiro, e você sabe que ele nunca tem nenhum em mãos. Não pode causar dano adiar o assunto até amanhã; eles ambos estarão mais calmos e mais prováveis de ouvirem a razão.”
O Dr. Coleman não pôde negar a política desse conselho, embora ele se sentisse relutante em o seguir, [137]visto que ele foi sugerido pelo Padre Morris; contudo, descartando o pressentimento do mal como um prejuízo que era o seu dever superar, visto que ele era contrário a razão dele, o digno médico partiu, completamente determinado a reconciliar pai e filho no dia seguinte.
Mas o dia seguinte – (ai de mim! Quem deve se atrever a especular sobre o dia seguinte?) estava destinado a ver Edric e o seu tutor em seu caminho para o Egito. Quando o Padre Morris retornou ao ádito do Dr. Entwerfen, ele informou a Edric de que o pai dele, até então expressando raiva diante de sua pretendida expedição ao Egito, parecia feliz com a oportunidade para se livrar dele, visto que ele disse que a presença dele apenas estragaria o triunfo de Edmund. “Ele disse que você sempre parece tão melancolicamente,” continuou o sacerdote astuto, “que mesmo quando ele está disposto a divertir-se, você lança um desânimo sobre os espíritos dele no instante em que você aparece. Portanto, ele concedeu o seu consentimento livre à sua jornada, e autorizou-me a fornecer a você os fundos necessários para a expedição.”
Sempre foi a fraqueza predominante de Edric acreditar o seu irmão mais amado por [138]Sir Ambrose do que ele mesmo; e conhecendo isso, o Padre Morris tinha estruturado adequadamente o seu conto. Nós acreditamos facilmente no que tememos; e Edric, embora não crédulo de maneira geral, colocou fé implícita no história do pai, embora ela o desse angústia aguda.
“Eu sabia que ele não me amava,” disse ele, “mas ordenar-me para ir dessa maneira, em um empreendimento tão perigoso, sem me ver, eu não esperava,” e involuntariamente lágrimas rolavam para baixo nas bochechas dele enquanto ele falava enquanto que o Dr. Entwerfen de boa natureza soluçava por simpatia.
“Deixe isso para lá, Edric querido!” disse ele, colocando os braços em volta do pescoço do seu pupilo; “você tem um amigo, de qualquer maneira, quem ama muito você, e nunca o desamparará.”
“Eu sei,” exclamou Edric, calorosamente retornando o abraço do seu tutor; “Sim, doutor, você é meu amigo, com isso eu estou completamente satisfeito; e juntos nós sucederemos, ou pereceremos.”
“Faltarão muitas coisas para permitirem a vocês a seguirem em seu empreendimento,” disse o Padre Morris, “das quais vocês deverão se prover em Londres. Além disso, visto que Edric nunca [139]esteve a dez milhas de casa em sua vida, ele deveria permanecer por um breve período para ver as maravilhas daquela vasta metrópole, antes que ele vá embora da sua pátria. Prevendo isso, e pensando que, como estranhos em Londres, vocês deverão sentir-se desajeitados sem ter lugar para ir em sua chegada, eu enviei um pombo-correio para um amigo meu na cidade, Lorde Gustavus de Montfort, quem dará a vocês calorosas boas-vindas, eu estou certo, e proporcionará a vocês dois o abrigo da sua casa e o auxílio do seu conselho.”
“Eu não sei como expressar minha gratidão,” retornou Edric.
“Então não diga nada sobre isso – se você realmente se sente obrigado, tire vantagem das minhas orientações. Um balão de etapa passará pela vila em uma hora, você deverá estar preparado para se utilizar da oportunidade?”
“Eu iria neste instante,” exclamou Edric.
O doutor, com alguma dificuldade, consentiu com esse arranjo e, no momento apropriado, Edric e o seu tutor estavam no caminho deles para Londres: embora o doutor escassamente pôde ser persuadido a partir; pois ele retornava repetidamente [140]para inspecionar os tesouros que ele estava deixando para trás, e no momento em que Edric considerava que o tinha seguro, ele se recordaria de algum requisito indispensável para a jornada deles e apressar-se-ia de volta para o encontrar. Finalmente eles tinham partido completamente, e um vento favorável soprou-os rapidamente na direção de Londres. Edric nunca tinha visto a vasta metrópole, e o seu espanto e deleite, quando os seus palácios magníficos, suas ruas soberbas, seus prédios públicos, seus teatros, e suas igrejas, surgiram de repente diante dele, foram indescritíveis. De fato, os arrebatamentos e as exclamações dele, eventualmente, tornaram-se tão violentas quanto bastante para irritar o doutor instruído.
“Se você sente êxtase tão grande à vista de Londres,” disse ele, mal-humorado, “Eu suponho que ficará relutante em a deixar; e eu atrevo-me a dizer que você já se arrepende de ter proposto viajar.”
“Oh! O que é isso?” exclamou Edric, sem prestar atenção a ele, como, perdido em espanto, ele viu uma casa nos subúrbios gentilmente deslizar para fora do seu lugar, e deslizar majestaticamente ao longo da estrada, uma senhora em uma das janelas beijando a mão dela para [141]alguém em outra casa enquanto ela passava. “Os meus olhos enganam-me, ou aquela casa se moveu?”
“Certamente ela o fez,” respondeu o doutor. “Você nunca viu uma casa movente antes? De qualquer maneira você deve ter ouvido falar delas, pois nada pode ser mais comum. Certamente é conveniente, quando alguém quer ir para o interior por umas poucas semanas, ser capaz de levar sua casa consigo; poupa-se um grande montante de trabalho empacotando, e permiti a alguém ter todas as suas pequenas conveniências a sua volta. Veja você, há sulcos na base das casas que apenas se ajustam nas ferrovias; e, como elas são impulsionadas por vapor, elas deslizam sem muita dificuldade. Contudo, isso não satisfaz a nenhuma senão às casas pequenas, pois as grandes não podem ser bem tornadas suficientemente compactas. Contudo, você deve postergar a sua admiração disso, assim como de outras maravilhas de Londres, pois aqui nós estamos à porta de Lorde Gustavus. Que mansão nobre! Não é? Esta rua, Edric, é chamada de Strand, e é a mais elegante de Londres; porque ela é adjacente ao palácio favorito da Rainha, em Somerset House.”
[142]“É este o palácio?” disse Edric. “Parece uma nobre pilha de construção.”
“Os jardins estão bons,” respondeu o doutor; “mas, como eles estão aberto ao público, e nada é pago pelo acesso, é considerado vulgar caminhar neles. Você ingleses não gostam de nada pelo que vocês não pagam; mas mais sobre isso depois. Agora nós precisamos nos preparar para demonstrar respeito ao nosso nobre anfitrião.”
O Lorde Gustavus de Montfort recebeu-os muito amavelmente, mas Edric considerou algo em sua voz e suas maneiras excessivamente proibitivas. Ele tinha uma desagradável forma pomposa de falar, com um sotaque nasal tão forte que era absolutamente uma tortura para Edric, cujo sentido da audição era incomumente fino, para o ouvir; ele também tinha uma pretensiosa maneira ditatorial de comunicar a sua opinião, a qual Edric considerava extremamente desagradável. Ele geralmente começava os seus discursos com “Pensando como eu penso, e, como eu sou positivo, cada um que me ouve deve pensar, ou, pelo menos, deveria pensar;” e esse exórdio formava a epítome do seu caráter; visto que ele estava firmemente persuadido de que cada um que [143]diferia no menor grau da opinião dele, estava decididamente errado, ao passo que a possibilidade dele estar equivocado nunca vez entrava na imaginação dele. O pai dele tinha sido um dos conselheiros da Rainha falecida, e o seu irmão mais velho tendo declinado de aceitar o lugar do pai após o falecimento de sua morte, Lord Gustavus tinha sido indicado para ele. Dessa maneira, ele realmente era uma pessoa de alguma consequência no estado; e embora a sua existência fosse uma questão tão bastante de acaso, surgindo a partir das circunstâncias acima mencionadas e da indolência da Rainha, ele simulava considerá-la como uma questão de favor pessoal a ele mesmo, e tentava persuadir os seus ouvintes que os assuntos do governo possivelmente não poderiam seguir sem ele. Conhecendo a seu ponto fraco de desejar ser considerado de importância no reino, e o sentimento de carência de um líder de posição, alguns dos espíritos descontentes do reino tinham tentado ganhá-lo para o seu partido; e, embora Lord Gustavus fosse estritamente leal, e mesmo particularmente gostar de falar da vossa graciosa Majestade a Rainha, e vangloriar-se da confiança que ela colocava [144]nele, todavia, a sua vaidade não poderia resistir completamente aos hábeis ataques realizados contra ela pelos rebeldes. Ele oscilava, ele começava a falar em reforma, e associar ostentações da sua popularidade entre as pessoas, com aqueles que antes tinham se satisfeito nela, e desfrutado do favor de sua soberana. Dessa forma, ele pendia sobre a balança, pronto a inclinar-se para qualquer lado, de acordo com as circunstâncias que tempo ou acaso poderiam produzir.
“Eu estou excessivamente feliz,” disse ele, enquanto avançava para se encontrar com seus convidados, “que meu digno e respeitado amigo Padre Morris tenha adquirido para mim visitantes tão ilustres. O padre sagrado informou-me do propósito sublime que anima os seus peitos e leva vocês a atravessarem os reinos do ar, para explorar os segredos até agora não descobertos do túmulo. A parcialidade dele para mim também o levou a imaginar que os meus recursos humildes talvez possam se provar úteis para um fim tão grande, e ele requisitou-me conceder a vocês toda a assistência em meu poder para promover os objetivos gigantes que vocês têm em vista. Dessa maneira, vocês podem ter certeza, nenhum esforço de minha parte deverá ser deficiente para satisfazer os desejos dele, e visto que, [145]embora insignificante em mim mesmo, eu estou tão feliz quanto a ser honrado pela proteção e pelo favor de vossa Majestade a Rainha, minha mais graciosa soberana; e também visto que minhas tentativas débeis para promover o bem público têm sido recompensadas pela gratidão do povo; talvez esteja em meu poder servir a vocês; e entrementes, eu espero que vocês far-me-ão a honra de partilharem dessa hospitalidade que a minha mansão humilde pode proporcionar.”
Falando dessa maneira, Lorde Gustavus guiou-os através de uma suntuosa suíte de aposentos, para um onde uma elegante e fria refeição leve estava posta, na qual ele convidou os seus hóspedes para tomarem parte. Nada podia ser mais esplêndido do que a mobília e decoração desse apartamento. As salas estavam suspensas com seda carmesim, decoradas com ouro; pinturas valiosas decoravam as paredes; estátuas de preço inestimável enchiam cada canto, e espelhos magníficos aumentavam dez vezes a mágica da cena. Lord Gustavus secretamente apreciava o espanto e a admiração pintados nos aspectos dos seus convidados; e, enquanto ele simulava abertamente falar de sua “pobre casa,” e de suas “tentativas [146]humildes para os entreter,” etc, o coração dele secretamente exultava na grandeza em volta dele, e os olhos dele cintilavam com prazer diante do efeito ele via produzido sobre os estranhos. Nada torna alguém tão disposto para ficar de bom humor com o mundo do que estar de bom humor consigo mesmo; e nada é tão certo de produzir essa sensação deliciosa como ver que o que nós possuímos excita a admiração de outros. Dessa maneira, como a lisonja transmitida por olhares pesava muito mais do que a expressa por palavras, e visto que os olhares de Edric e do doutor inequivocamente declaravam os sentimentos deles, Lord Gustavus ficou bastante encantado com os seus visitantes, e não poupou dificuldades para os tornar igualmente tão felizes quanto ele mesmo. Ele ordenou um grande apartamento para ser preparado para o doutor, para que ele pudesse fazer os seus arranjos para a intencionada expedição egípcia bastante à vontade; ele comandou seus servos a obedecerem tacitamente suas direções, e ele dirigiu comerciantes para fornecerem cada coisa que pudesse ser necessária às suas próprias custas.
Dessa maneira, tendo dado ao doutor carte blanche, [147]em seguida, ele voltou sua atenção para Edric, e, descobrindo que era a primeira visita dele a Londres, voluntariou-se para lhe mostrar todas as maravilhas que aquela imensa metrópole, a qual então, espalhava-se em toda direção, parecia-se como o monstro lendário dos indianos, espalhar os seus braços enormes para cada lado e engolir inteiramente as vilas infelizes que eram tão desafortunadas para caírem dentro do seu alcance.
Sir Ambrose sendo orgulhoso demais para fazer quaisquer investigações a respeito de seu filho rebelde, a partida de Edric não foi suspeitada pelo pai dele até a chegada do Dr. Coleman no dia seguinte. Como o Padre Morris tinha predito, o digno baronete tinha se tornado muito mais calmo e, pelas persuasões do Dr. Coleman, por fim, consentiu em ver o seu filho, e não insistir sobre o casamento dele com Rosabella, até que ele tivesse concedido consideração mais madura ao assunto. Após essa concessão, o espanto e a indignação dele, quando ele aprendeu a verdade, podem ser mais facilmente concebidos do que descritos. Nada é tão mortificante para uma homem apaixonado quanto descobrir [148]a sua bondade intencionada de nenhum proveito; e Sir Ambrose, no arrebatamento de sua ira, jurou nunca mais ver o seu filho ofensor novamente.
“Permita-me implorar a você para considerar o que está fazendo!” Disse o Dr. Coleman, quando ele ouviu esse juramento.
“Oh, meu tio querido!” exclamou Clara, agarrando-se aos joelhos dele, “não diga que você nunca me perdoará.”
“Eu nunca o farei!” exclamou o enraivecido baronete, “Eu juro por todas as minhas esperanças de felicidade, aqui e depois, que eu nunca verei o rosto dele novamente.”
“Você se arrependerá dessa imprudência,” disse o Dr. Coleman, “quando for tarde demais. Eu sinto-me confiante de que deve haver alguma fraude no assunto.”
“Fraude!” Exclamou Sir Ambrose, ansiosamente, “por quem ela pode ter sido praticada, e para qual propósito? Suplico que se explique.”
“Você talvez se sentirá ofendido pelo que eu estou prestes a dizer, e provavelmente não me acreditará – mas, em minha opinião –”
[149]Aqui o digno doutor foi interrompido pelo aparecimento de um rosto redondo, gordo, de aparência rosada, o qual apenas apareceu por um momento na porta do apartamento e, em seguida, foi instantaneamente retirado.
“Deus do céu! Eu certamente deveria conhecer essas características,” exclamou o Dr. Coleman, “e, todavia, eu espero – eu confio – não pode ser.”
“Quem está aí?” exclamou Sir Ambrose, mesquinhamente, “o que você quer? E porque você está envergonhado de revelar o seu rosto?”
Novamente, aquele rosto jovial fez o seu aparecimento, mas agora estava acompanhado por um corpo robusto, o qual certamente não o causou descrédito, embora estivesse envolvido nas vestimentas de um sacerdote.
“Certamente, e não é o meu rosto que eu estaria envergonhado de mostrar, de qualquer maneira,” disse a aparição, com um forte sotaque da região sul; mas “Era eu mesmo não queria intrometer, e estava apenas procurando procurando pelo doutor aqui.”
“E qual é o seu desejo comigo, Padre Murphy?” Perguntou o Dr. Coleman, com um ar de melancolia.
[150]“Certamente, e eu desejo depois vos contar diretamente, exceto que eu tenho uma nota aqui, que fala mais rápido do que eu consigo.”
Falando dessa maneira, ele apresentou uma carta ao Dr. Coleman, quem a abriu e leu com considerável agitação.
“Você me desculpará, Sir Ambrose, essa é uma questão da maior importância. Então, meu jovem amigo está esperando do lado de fora? Eu devo vê-lo instantaneamente. Eu tenho de lhe desejar adeus, Sir Ambrose, mas você deverá ver-me novamente em um dia ou dois. Eu tenho um amigo, o filho de um velho amigo, o Sr. Henry Seymour, veio para despender algum tempo comigo, eu espero que você me permitirá ter a honra de o introduzir a você; eu estou certo de que você gostará dele. Ele é um jovem irlandês; um rapaz muito agradável.”
Após percorrer esse discurso com volubilidade surpreendente, ele saiu apressadamente, deixando Sir Ambrose excessivamente incomodado com a sua partida; e totalmente perdido para explicar isso, ou como classificar esse visitante estanho, até que ele se lembrou de que o Dr. Coleman tinha passado muitos anos na Irlanda; e que era a política iliberal do [151]rei daquele país ter os seus sacerdotes homens de baixa descendência e mal educados, com medo de que eles devam adquirir influência sobre os seus súditos e tornarem-se perigosos para o seu governo. Os sacerdotes irlandeses, dessa maneira destituídos de toda a dignidade do caráter sacerdotal, gradualmente se degeneraram um tipo de bobos privilegiados, tolerados em cada casa grande pelo entretenimento que eles propiciavam, e obrigados, se eles tivessem qualquer inteligência, a ocultarem-se sob a aparência de loucura. Evidentemente, o Padre Murphy era um dessa classe humilhada, e a sua conexão com o Dr. Coleman era facilmente explicada, supondo-o pertencer a alguma família com a qual o Dr. Coleman tinha formado uma familiaridade quando na Irlanda; mas a alusão misteriosa que o doutor tinha feito em relação a Edric não era tão compreensível, e Sir Ambrose esperou ansiosamente por dias, na esperança de que ele o chamaria para explicar o que ele quis dizer. Contudo, nenhum doutor chegava, e, como a mente do Duque estava completamente ocupada por outro assunto, Sir Ambrose foi inteiramente deixado às suas próprias reflexões, sem ter uma única criatura com quem ele pudesse se comunicar, [152]ou de quem ele pudesse esperar simpatia. De fato, o Duque era um espécime de classe suficientemente comum no munto, de homens cujas mentes não poderiam manter mais do que uma ideia por vez, e agora a sua cabeça estava tão cheia das imagens conectadas com Edmund, que a rejeição de Rosabella por Edric e a subsequente partida dele tinham sido quase esquecidas.
Era muito de outra maneira com Sir Ambrose, quem agora começava a se arrepender, embora secretamente, da severidade injustificável com a qual ele tinha tratado o seu filho. É uma observação banal embora inegável, que nós nunca conhecemos o real valor de qualquer posse até que nós a tenhamos perdido; e dessa maneira, Sir Ambrose, embora ele não considerasse nada das atenções respeitosas e obedientes do seu filho, enquanto ele estava no hábito de constantemente as receber, agora sentia a carência delas, e arrependia-se amargamente da severidade inoportuna que o privou delas para sempre. Contudo, ele ainda era obstinado demais para admitir que ele tinha estado errado; e embora ele soubesse que lembrando do seu filho ele deveria restaurar sua felicidade perdida, ele, como muitas outras pessoas em situações similares, muito [153]magnanimamente se determinado a persistir em ser miserável.
Quatro dias tinham decorrido desde que o Dr. Coleman tinha deixado tão abruptamente Sir Ambrose, antes que ele fosse convocado novamente, e quando ele fez sua reaparição, ele estava acompanhado por um rapaz belo e alto, quem ele apresentou como Henry Seymour, e o bem-humorado, embora excêntrico, Padre Murphy. Sir Ambrose recebeu seus convidados muito friamente, pois ele sentiu-se magoado pela negligência do doutor; mas o Duque, quem, auxiliado pelo Padre Morris, aconteceu de estar com Sir Ambrose quando eles chegaram, ficou bastante encantado com eles e, quando eles se levantaram para partir, deu-lhes um convite geral para o seu castelo. Essa cortesia, a qual pareceu desagradar igualmente o Padre Morris e o Dr. Coleman, foi aceita com arrebatamento pelos estranhos, especialmente pelo mais jovem, cujas expressões entusiasmadas de gratidão deleitaram bastante o velho duque.
A partir desse momento, a imaginação que o duque tinha tão subitamente concebido pelos estranhos, rapidamente se tornou intimidade, e logo eles estavam bastante [154]domesticados no castelo. Henry Seymour ouvia as histórias do duque – ria de suas piadas – admirava os seus cães e cavalos e, acima de tudo, aprovava as suas melhorias; enquanto ele conversava e caminhava com Elvira, ou acompanhava-a quando ela cantava ou tocava, com a voz ou flauta dele. Em resumo, ele tornou-se bastante l’ami de la maison, e era amado por todos, excetuando-se o padre Morris, Marianne e Rosabella. Marianne ele parecia considerar muito abaixo de sua atenção, e ele era uniformemente polido com Rosabella; mas o Padre Morris ele evidentemente odiava, e esforçava-se muito pouco para esconder seus sentimentos. Quando esses irrompiam um pouco fortes demais, o Doutor Coleman frequentemente olhava grave e sacudia a cabeça, mas em vão; a prudência não era o forte de Henry Seymour; a inteligência e o bom humor dançavam alegremente em seus brilhantes olhos azuis; mas a expressão de paixões violentas frequentemente voava em transição rápida sobre os seus traços animados, e frequentemente ele parecia ter dificuldade em restringir-se dentro dos limites devidos.
[155]Também as maneiras deles eram familiares demais para a sua condição social, e quando desapontado em ninharias, ele frequentemente tratava o duque e as princesas com arrogância injustificável. Como uma criança mimada, ele sempre estava quer ofendendo, quer implorando para ser perdoado, e ainda que nessas ocasiões o Doutor Coleman sempre sussurrasse “cuidado!” a advertência sempre era esquecida no exato momento quando ela poderia ter sido de serviço. A despeito dessa perversidade, era impossível conhecer Henry Seymour sem o amar, e suas afeições pareciam tão quentes quando aquelas que ele inspirava. Ele amava o duque e Elvira, respeitava o Doutor Coleman, e estava evidentemente apegado carinhosamente ao Padre Murphy, embora nenhuma dupla de seres poderia ser imaginada mais diferente do que ele essa personagem reverenda. De fato, o padre Murphy era um favorito geral, e toda a casa do duque concordava em o considerar um sacerdote bastante incomparável; pois, como ele não era muito inclinado a realizar ele a penitência ele mesmo, assim ele não era muito rígido em a impor a outros e, consequentemente, ele e seus penitentes [156]sempre estavam nos melhores termos imagináveis. Para resumir, ele parecia especialmente designado pela Natureza para ser bom amigo de todo mundo; e, pelo seu lado, ele certamente fazia o máximo para não frustrar as intenções amáveis da beneficente dama idosa.
O momento do retorno de Edmund agora se aproximava rapidamente; cartas dele tinham sido recebidas, anunciando que ele deveria estar na Inglaterra em um punhado de dias, e o duque tendo realizado todos os preparativos possíveis, e duas vezes o necessário, para mover toda a sua casa para a cidade, ficou em uma agonia de impaciência para partir. Ele não tinha permitido a Sir Ambrose ou Elvira informar Edmund da sua aprovação do amor dele por ela; e ele antecipava, com um deleite quase infantil, o efeito que seria produzido na mente de Edmund pelo conhecimento alegre. Contudo, Elvira parecia não participar do prazer do pai dela, e, conforme a hora da partida dela para a cidade aproximava-se, os espíritos dela tornavam-se cada vez mais deprimidos; enquanto a alegria de Henry Seymour também parecia ter [157]abandonado-lhe completamente, até que o duque de boa natureza, tendo compaixão do desânimo dele, e realmente se sentido triste por se separar de uma companhia tão agradável, convidou-o para os acompanhar a Londres. Os olhos brilhantes de Henry Seymour cintilaram de alegria diante dessa proposta, e, agarrando a mão do duque, ele exclamou, -
“Eu irei com todo o meu coração – e você é uma queria boa criatura por pensar em perguntar-me!”
“Não há ninguém que deveria ser mais receptivo,” retornou o duque, de maneira nenhuma ofendido com a intimidade do discurso do seu jovem amigo, embora ela estivesse fora de toda regra, de acordo com a beinseances da época; “pois eu não conheço ninguém que eu ame mais, excetuando-se meu velho amigo aqui, Sir Ambrose, e Edmund.”
“E Elvira e Rosabella, e eu?” disse Clara Montagu, persuasivamente.
“Por que eu deveria amar uma petulante tão pequena quanto você, eu pergunto-me?”
“Oh, isso eu não sei; mas eu estou certa de que você me ama, diga você o que disser!” respondeu Clara, com deleite diante da ideia de que a sua jornada esperada a tornou meio selvagem.
[158]“Deus do céu! Henry Seymour!” disse o Dr. Coleman, em um tom impressionado; “você certamente não pode ser tão louco quanto a pretender ir a Londres?”
“Por que não? Não há perigo, e se houvesse, não valeria a pena ser corajoso em uma semelhante causa? Pelo céu! Eu saltaria sobre a cratera o Monte Etna com um semelhante objeto em vista.”
“Bem, você deve fazer como desejar. Eu sei que é em vão tentar raciocinar com você quando você se decidiu.”
“Bastante, meu querido doutor, assim você não desperdiça a sua eloquência.”
“Nós deveremos partir amanhã,” disse o duque: “Eu queria que nós estivéssemos lá.”
“Que pena,” observou Henry, “que a natureza não misturou um pouco de paciência com as outras boas qualidade de vossa Graça.”
“É, de fato; - ‘pois a paciência,’ como o padre Murphy diz, ‘rouba a inquietação da sua picada mais amarga.’”
“Oh! E sou eu que vós estais citando, vossa Graça? E onde está o uso disso, suplicar? [159]Quando vós sabeis que eu estou exatamente aqui e pronto para citar a mim mesmo.”
“Se todas as suas observações fossem tão boas quanto a que o duque há pouco repetiu,” disse Sir Ambrose, “eu não conheço ninguém que se poderia citar com mais vantagem.”
“Certamente! E é de mim mesmo que vós estais dizendo isso?” perguntou o Padre Murphy, “pois, se vós estais, vós nunca fizeste um discurso melhor em toda vossa vida; há apenas um pequeno erro se vós pensais que a observação da qual vós estais falando saiu da minha cabeça, pois eu nunca fiz tal coisa.”
“Não se alarme,” disse o Padre Morris, quem agora se aproximava, e agora falava o seu usual desdém satírico: “Ninguém que conhece você suspeitará de alguma coisa tão atroz de você.”
“Às vezes, boa natureza e integridade são mais do que equivalentes a talentos brilhantes,” disse Sir Ambrose amargamente.
“Verdadeiro,” replicou o Padre Morris, em um dos seus tons mais suaves, mais insinuantes; “mas elas tornam-se inestimáveis quando unidas, como no exemplo [160]diante de nós:” cumprimentando o Padre Morris enquanto ele falava. Sir Ambrose virou-se e olhou seriamente para a alta figura do monge enquanto ele estava de pé diante, os braços dele cruzados sobre o peito, e a sua cabeça, como usual, inclinada na direção do chão, mas ele não falou.
“A propósito,” disse o duque, “não é estranho que nós não nunca tenhamos ouvido nada sobre Edric desde que ele partiu? Eu começo a pensar que foi tudo uma coisa planejada, e que eles teriam feito exatamente o mesmo, se nada tivesse sido dito sobre Rosabella.”
“Impossível!” Exclamou Sir Ambrose.
“Eu não vejo impossibilidade na atividade,” retomou o duque. Eu penso que o caso é claro. Eles não sabiam como partir decentemente; e assim Edric pretendeu brigar com você e comigo, para conceder uma fachada à coisa.
“Eu não consigo imaginar Edric culpado de semelhante vileza,” exclamou Sir Ambrose, apaixonadamente.
“Eu não penso que a questão admite uma única dúvida: eu apenas desejava que eu não tivesse oferecido minha sobrinha a ele. Qual é a sua opinião sobre o assunto, padre Morris?”
[161]“Homens dedicados a profissões rigorosas como eu mesmo,” respondeu o sacerdote, sem erguer os olhos a partir do chão, “sabem apenas pouco do que está se passando no mundo. Dessa maneira, embora meu corpo não esteja mais envolto na escuridão de um claustro, minha mente ainda permanece abstraída demais das cenas movimentadas ao meu redor para que eu seja um juiz competente dos efeito das paixões humanas.”
“Oh! Então tu estas muitos certos de não dizer nada sobre eles,” exclamou o Padre Murphy; “pois embora eu esteja em uma paixão a cada dia da minha vida, eu nunca sei o que dizer quando eu começo a falar sobre ela. E assim eu considero que é a maneira mais sábia de conservar minha língua.”
Nem Sir Ambrose nem o duque deram nenhuma resposta e, após determinarem que eles deveriam começar a sua jornada na manhã seguinte, eles separaram-se.
ORIGINAL:
LONDON, J.C. The Mummy! A Tale of the Twenty-Second Century. London: Henry Colburn, New Burlington Street, 1828. p.129-161. Disponível em:<https://archive.org/details/mummyataletwent02jangoog/page/n143/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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