[62]PASSARAM-SE os dias agora, até que em uma noite de outubro, perto do final do mês, a bruxa foi à noite ao Bote de Expedição, e Birdalone seguiu-a como outrora. Desta vez a noite estava bravia e ventosa, mas a lua estava bem alta e grande, e todas as nuvens, salvo por umas poucas manchas, foram sopradas para fora dos céus; de modo que a noite estava tão clara quanto podia estar; e, mesmo a partir da enseada arborizada, era fácil ver tudo que se fazia. E assim foi que, em todos os sentidos, a bruxa fez e falou como ela fizera antes.
Outra vez, quando novembro estava quase esgotado, a dama levantou-se para sua viajem no lago; mas esta noite a neve assentava-se profunda entre a casa e a água, e Birdalone pensou que dificilmente [a] seguiria. Verdadeiramente ela não sabia se os pés dela pelo menos deixariam sua impressão na neve, porque eles não podiam ser vistos. Quando ela perguntou a Habundia sobre isso, ela riu e disse: ‘Mais uma vez tu foste sabia, minha criança, pois, embora não fosse difícil colocar esse poder dentro de teu anel, de modo que quem quer que o usasse não devesse tocar o chão, contudo isso não foi feito.’
Precisa ser contado, que nesse tempo Birdalone ia frequentemente à Árvore de Encontro, e apelava à sua mãe (como agora ela chamava-a) para vir a ela, e assim sempre mais e mais de sabedoria ela conquistava. Embora a bruxa fosse frequentemente grosseira com ela, e não a poupasse de zombaria, contudo, o trabalho necessário feito, ela [63]intrometia-se pouco com ela. Mas, em um dia, ela diretamente a proibiu o bosque, não obstante Birdalone foi e, quando ela estava lá com a mãe do bosque, nada contou a ela disso, mas ficou alegre e jovial além do que era seu costume. Depois disso, ela voltou para casa com as mãos vazias, e entrou na câmara orgulhosamente, com olhos brilhantes e bochechas coradas, embora ela não esperasse por nada salvo castigo; sim, podia mesmo ser a mudança de pele. Verdadeiramente a bruxa estava sentada inclinada em sua cadeira com as mãos em seus cotovelos e sua cabeça empurrada para frente, como uma besta selvagem a ponto de altar; mas quando o olhar dela caiu sobre Birdalone, ela vacilou e voltou a si mesma novamente, bem como resmungou alguma coisa desconhecida; mas a Birdalone não valou nada de bom ou de mal.
Agora a época do inverno estava sobre elas, quando não havia nada a fazer no campo e no acre, e apenas um pouco na vacaria. Em anos passados, e mesmo no último, a bruxa não poupara a Birdalone labor tanto mais, mas fizera demandas a ela em meio à neve e aos ventos penetrantes, ou através do lago quando se assentava com gelo. Mas agora ela não a ordenou a nada, salvo ao quê ela tivesse uma vontade, considerando que Birdalone estava bem desejosa de lutar com vento e clima, a severidade da terra no inverno, e superá-los se ela pudesse, de modo que tudo que tivesse de ser feito em volta do lugar estivesse benfeito.
Contudo, a bruxa deu duras palavras a ela e condenou-a pela maior parte, apenas dos dentes para fora somente, e porque ela estava acostumada a isso. [64]Interiormente, de fato, ela começou a temer Birdalone, e julgou que um dia ela teria o domínio. Isso levou-a a humores ferozes e inquietos; de modo que ela se sentaria encarando a beleza da donzela, manuseando sua faca ao mesmo tempo e dificilmente a tolerando. E em um semelhante humor ela uma criou a ocasião para castigá-la como outrora fora seu costume, e observou para ver Birdalone rebelar-se contra ela. Mas segui-se de outra maneira, pois Birdalone submeteu a si mesma a ela, humildemente com um semblante alegre. E isso também foi um terror para a bruxa, quem considerou, como de fato era, que a resolução estava crescendo em sua escrava. Assim, a partir dessa vez, ela não se intrometeu mais com ela. Todo esse tempo, como pode ser pensado, Birdalone ia ainda mais frequentemente ao Carvalho de Encontro, a despeito de gelo, neve e vento, e obtinha muito saber de sua mãe do bosque, assim como aprendia sabedoria abundantemente. E seus dias eram felizes.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 62-64. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/62/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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