[51]AGORA estavam os dias consumindo-se em direção à colheita do trigo, e nada ocorreu sobre o que contar, salvo que em uma manhã a bruxa-esposa chamou Birdalone a si, e disse: ‘Agora há pouco para ser feito até que o trigo esteja pronto para a foice, e teus dias estão ociosos; ou qual é aquela palavra que caiu de ti naquele outro dia, que há boas natações para peixe em volta das ilhotas? Podes tu nadar de lado a lado carregando teu anzol e, após o que, de volta, e [com] tua captura além disso?’ ‘Sim, seguramente,’ disse Birdalone alegremente; ‘com uma mão eu posso nadar galantemente, ou apenas com minhas pernas, se eu mexer meus braços muito pouco. Eu irei imediatamente se tu desejares, senhora; mas dá-me uma extensão de barbante, de modo que possa amarrar minha captura em volta de minha cintura quando nadar de volta.’
Após o que ela avançou ligeiramente para buscar seu anzol, o qual estava em um alpendre fora; mas assim que ela pegou-o na mão, um pensamento súbito veio a ela, tão cauteloso quanto ela estava crescida. Ela soltou o seio do vestido e retirou seu anel de serpente; pois ela portava-o perto de seu seio, fixado seguro no seio de sua bata; mas agora ela escondeu-o no mais denso de seu cabelo castanho, o qual era muito espesso e macio. Além disso, a trança do cabelo de Habundia, ela carregava-a sempre misturada com o seu próprio.
Nunca antes ela fizera isso, mas estava satisfeita; pois ela ouviu a dama chamando-a, quem, quando ela chegou à porta da casa, falou e disse: ‘Agora deverei eu descer contigo até a água, e observar tuas [52]vestes para que elas não sejam sujas por alguma besta vagueante.’ E depois disso ela olhou curiosamente para Birdalone, e franziu as sobrancelhas quando ela viu que a donzela não mudou o semblante de maneira nenhuma.
Até a água elas foram. A bruxa sentou-se perto de onde Birdalone devia entrar na água e assistiu-a tirar sua vestimenta, bem como a olhou profundamente quando ela estava despida, mas não disse nada. Birdalone virou a cabeça conforme ela punha-se de pé, com água até os joelhos, e disse: ‘Por quanto tempo eu deverei permanecer, senhora, se eu tiver sorte?’ ‘Tão longamente quanto tu desejares,’ disse a dama: ‘muito provavelmente eu deverei ter ido quando então tu retornares, mesmo se tu ficares longe por não muito tempo.’
Então, começou Birdalone a nadar e, quanto ela estava mais da metade acima, a bruxa, mexendo-se não mais do que era necessário, apossou-se das vestes dela, as quais eram somente o velho agasalho cinza sobre uma bata, e revistou-as, mas nada encontrou, como bem vós podeis ter conhecimento. E quando ela terminou, sentou-se novamente com humor pesado como parecia e assistiu a Birdalone nadando e, quando ela contemplou o corpo dela emergir da água e ocultar-se da visão entre as flores da ilhota, ela levantou-se e foi em seus caminhos para casa.
Birdalone olhava através dos ramos do salgueiro e viu-a afastar-se. Em seguida ela passou à sua pescaria com um sorriso, e logo tinha uma abundância pega debaixo dos ramos do salgueiro. Então, considerando que o dia estava calmo e belo, e que a dama concedera a ela feriado, ela vagueou em torno da ilhota e, pela maior parte, num pequeno bosque de frutos silvestres, como a sorveira, o mostajeiro branco e o sanguinho legítimo, e divertiu-se com [53]os pássaros que não a temiam, mas vieram e sentaram-se em seus ombros, e rastejaram em volta de seus pés. Ela também foi e colocou-se de pé na costa sul, olhou para a ampla água turva no alto-mar, sob a neblina do clima quente, e ansiava para ir além dela. Em seguida, ela afastou-se e foi à outra costa, pegou seus peixes e amarrou-os com o barbante, arranjou-os seguros na cintura e assim tomou novamente a água para a costa amarela, onde agora não havia ninguém esperando por ela. Mas, antes que se arrumasse em suas vestes, ela olhou para elas, e viu que elas não estavam arranjadas como as deixara, pelo que ela sabia bem que a bruxa-esposa manuseara-as.
Em meio a tudo isso, o dia estava consumindo-se em direção a um fim. Novamente ela viu a fumaça do fogo de cozinha subindo o ar a partir da chaminé da casa. Ela sorriu pesarosamente, pensando que a bruxa ainda podia encontrar uma ocasião para revistar a sua vestimenta. Mas ela fortaleceu o coração e foi à casa com sua captura. A dama encontrou-a com uma face carrancuda, e nem a elogiou, nem a culpou, apenas pegou o peixe silenciosamente. Semelhante final teve aquele dia.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 51-53. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/51/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
Nenhum comentário:
Postar um comentário