A Defesa do Vau do Estúpido – Sexto Sonho – Final

A Defesa do Vau do Estúpido


Por Ernest D. Swinton


Informação de Contexto, Glossário, Prefácio, Prólogo e Conteúdos


Sonho anterior


[60]Sexto Sonho – Final


Doces são os usos da adversidade.”


Uma vez mais eu fui destinado a ensaiar a tarefa de defender o Vau do Estúpido. Desta vez, eu tinha 22 lições nas costas para me ajudar, e, no esquecimento do meu sonho, eu fui poupado daquele senso de monotonia que, por agora, provavelmente, tomou conta de você, “leitor gentil.”

Depois de enviar as patrulhas e posicionar uma guarda sobre a Colina Waschout, como já descrito, e enquanto as reservas estavam sendo coletadas, eu considerei profundamente que posição eu deveria assumir e caminhei até o topo da colina para espiar o terreno. No topo, eu encontrei um kraal de cafres que percebi que me auxiliaria muito como ocultação, devesse eu decidir controlar essa colina. Isso eu estava muito inclinado a fazer, mas, após um teste de uns poucos minutos da forma do terreno, com a ajuda de alguns homens caminhando ao redor abaixo, e meus olhos um pouco acima do nível do solo, eu descobri que a sua convexidade era tal que, para enxergar e disparar sobre o vau e o acesso no lado sul, eu deveria ter de abandonar o topo da colina e, dessa maneira, a [61]ocultação amigável das cabanas dos cafres, e assumir uma posição no lado aberto da colina alguma distância abaixo. É claro, isso era bastante factível, especialmente se eu também mantivesse uma posição no topo da colina, perto das cabanas nos lados leste e sudoeste; mas, como seria impossível ocultar-nos realmente no lado da colina descoberta, isso significava abrir mão da ideia de surpreender o inimigo, o que eu desejava fazer. Portanto, eu tenho de encontrar outro lugar que se emprestaria à ocultação fácil e boa e a também ter o vau ou seus acessos sob fogo de rifle próximo. Mas, onde encontrar esse lugar?

Enquanto eu permanecia em pensamento profundo, considerando esse problema complicado, uma ideia formou-se gentilmente em minha mente, a qual eu imediatamente descartei como sendo absurda e fora de questão. Essa ideia era controlar o leito do rio e os bancos de areia de cada lado do vau! Abrir mão de toda ideia de comando e, em vez de buscar o terreno elevado mais próximo, o que ocorre tão naturalmente ao estudante de táticas quanto apressar-se para uma árvore ocorre a um esquilo, tomar o terreno mais baixo, mesmo se ele devesse ficar todo em meio a cobertura espessa, em vez de estar belamente no aberto.

Não, isso era revolucionário, e contra todo cânone do qual eu tinha ouvido ou lido; era evidentemente a aberração de um cérebro dolorosamente experimentado e preocupado. Eu não aceitaria nada disso, e coloquei isso firmemente em mim. Mas quanto mais eu argumentava para mim mesmo a absurdidade disso, mais a ideia obtinha posse de mim. Quanto mais eu dizia que era impossível, mas encantos eram espalhados diante de mim em seu favor, até que minhas objeções conscienciosas foram enredadas e abafadas em uma rede de razões especiosas quanto às [62]vantagens da proposta.

Eu resisti, eu lutei, mas, finalmente, caí na tentação trajada no disfarce plausível de razão. Eu controlaria o leito do rio.

As vantagens que eu esperava obter dessa maneira eram:

1. Ocultamento perfeito e cobertura contra a visão.

2. Trincheiras e proteção tanto contra rifle quanto contra fogo de artilharia praticamente prontas.

3. Comunicações sob boa cobertura.

4. O inimigo estaria em campo aberto exceto ao longo do leito do rio, onde nós, estando primeiramente em posição, ainda teríamos a vantagem.

5. Abundante suprimento de água à mão.

Verdadeiro, havia uns poucos animais mortos perto do vau, e o ar contaminado pesava sobre o leito do rio, mas as carcaças poderiam ser rapidamente enterradas sob os bancos de areia íngremes, e, afinal, nós não poderíamos esperar muitos luxos.

[63]Mapa 7

Como o nosso claro campo de tiro, o qual ao norte era restringido apenas pelo alcance dos nossos rifles, era ao sul limitado pela Colina Wasschout, uma posição adequada para o inimigo ocupar, eu decidi controlar o topo dela assim como o leito do rio. Tudo que eu pude poupar para isso seriam dois ONCs e oito homens, quem seria capazes de defender o lado sul da colina, o norte estando sob fogo a partir da margem do rio.

Tendo fornecido detalhes a esse grupo, eu dei minhas instruções para o trabalho, o qual logo foi iniciado. Em algumas horas as patrulhas retornaram com seus prisioneiros, os quais foram tratados como antes.


[63]Para a guarnição sobre a Colina Waschout, o esquema era que as trincheiras deveriam ser ocultadas muito da mesma maneira como descrita no último sonho, mas grande cuidado deveria ser tomado para que ninguém na guarnição devesse ficar exposto a fogo de rifle a partir da posição principal no rio. Eu não desejava que o fogo do corpo principal ficasse em [64]nenhum grau impedido por um temor de atingir os homens sobre a Colina Waschout, especialmente à noite. Se nós soubéssemos que não era possível os atingir, nós poderíamos disparar livremente ao redor de toda a colina. Esse destacamento deveria ter uma porção dupla de garrafas de água, além de cada receptáculo disponível no kraal, cheios com água, em antecipação de uma luta prolongada.

A ideia geral para a posição defensiva principal era controlar ambos os lados do rio, aperfeiçoando os íngremes bancos de areia e ravinas existentes em fosso de rifles para conterem de um a quatro homens. Esses poderiam, com muito pouco trabalho, serem feitos dar cobertura para todos os lados. Como uma quantidade tão grande de trabalho já foi feita para nós, nós fomos capazes de cavar muitos mais desses fossos do que o número exato requerido para o nosso grupo. Caminhos levando entre esses deviam ser abertos no banco de areia, de modo que nós devêssemos ser capazes de nos deslocar de uma posição para outra. Além da vantagem que isso nos daria no modo de nos mover para lá e para cá, de acordo como nós desejássemos disparar, isso também significava que nós deveríamos ser capazes de enganar o inimigo quanto aos nossos números – os quais, através dessas táticas de deslocamento poderiam ser muito exagerados, pelo menos por um tempo. Os fossos para disparar ao norte e ao sul já estavam quase todos posicionados quanto a permitirem aos ocupantes dispararem ao nível do solo através do campo aberto. Elas estavam posicionadas bem entre os arbustos, arbustos suficientes sendo cortados apenas para permitir a um homem enxergar tudo ao redor, sem expor a posição da sua trincheira. Em cada lado do rio, exatamente ao lado do vau, havia alguns montes “pilhados” de terra, escavados da rampa da estrada. Esses se erguiam uns cinco ou seis pés acima do nível geral, e eram tão acidentados em contorno quanto os banco de areia. Esses montes eram suficientemente grandes para permitirem que uns poucos fossos fossem feitos neles, os quais tinham [65]a vantagem extra da altura. Em alguns dos fossos, para fornecer uma cobertura de cabeça, aberturas de sacas de areia foram feitas, embora na maioria dos casos isso não foi necessário, devido à ocultação pelos arbustos. Eu considerei que era necessário examinar pessoalmente cada abertura, e corrigir os erros numerosos feitos na construção delas. Algumas tinham os novos sacos de areia limpos expostos à vista completa, dessa maneira servindo como meros sepulcros esbranquiçados para os ocupantes deles, outros eram igualmente conspícuos a partir da sua absurda aparência jogada, outros não eram à prova de balas, enquanto outros, novamente, apenas permitiam atirar em uma direção, ou para o terreno em um alcance de poucos metros, ou alto para o céu azul. Como eu corrigi todas essas faltas, eu pensei que aberturas não construídas sob supervisão poderiam provar-se antes uma armadilha.

O resultado no modo do cancelamento foi esplêndido. A partir desse fossos, com as nossas cabeças ao nível do solo, nós poderíamos enxergar muito claramente o campo aberto além, quer a partir de sob a parte mais espessa dos arbustos, quer até através aqueles que estavam perto dos nossos olhos. Por outro lado, a partir do aberto, nós eramos bastante invisíveis, mesmo a partir de 300 metros de distância, e teríamos ficado mais escondidos, tivéssemos nós tido as costeletas dos “irmãos.” era bastante evidente para mim que essas mesmas costeletas eram uma sábia precaução da natureza para esse propósito mesmo, e parte do esquema universal dela de mimetismo protetivo.

Os numerosos barrancos e fendas emprestaram-se prontamente para fogo de flanco, e, em muitos lugares, os bancos de areia verticais não requeriam escavação para concederem proteção ideal contra artilharia alinhada. Em outros, os lados dos canais de água tortuosos tiveram de ser meramente [66]escavados um pouco, ou uma saliência talhada sobre a qual se levantar.

Em uma dessas ravinas mais profundas, duas tendas, as quais, ficando abaixo do nível do terreno, eram bastante invisíveis, eram armadas para mulheres e crianças, e pequenas cavernas escavadas para elas em caso de um bombardeio. A posição estendia-se por um comprimento de uns 150 metros de cada lado do vau, ao longo dos bancos de areia do rio, e, em suas extremidades, poços foram cavados abaixo das margens do rio e através do leito seco do rio. Esses também estavam tão bem ocultos quanto possível. É claro, os flancos ou extremidades eram o nosso maior perigo, pois era a partir dai que nós podemos esperar sermos arremetidos, e não a partir do campo aberto. Eu fiquei indeciso por algum tempo quanto a se limpar um “campo de tiro” ao longo das margens do rio ou não, visto que eu não desejava revelar a nossa presença por nenhuma nudez suspeita dos bancos de areia de cada lado da nossa posição. Para evitar isso, eu finalmente decidi limpar os arbustos por uma distância tão grande quanto possível a partir das extremidades da posição, em todo lugar abaixo do nível do solo, e também ao nível do solo, exceto por uma boa franja exatamente nas bordas dos bancos de areia. Eu pensei que essa franja seria suficiente para esconder a limpeza para qualquer um não muito próximo. Agora eu abençoei o homem quem tinha nos deixado as ferramentas cortantes. Enquanto tudo isso estava sendo realizado, eu andei a passo algumas distâncias para o norte e para o sul, e essas nós marcamos com umas poucas latas vazias posicionadas sobre formigueiros, etc.

Ao escurecer, quando nós quase tínhamos todos os poços terminados e alguma limpeza realizada, tendas foram escondidas, munição e rações distribuídas para todos, e ordens no caso de um ataque dadas. Visto que eu não poderia estar em todos os lugares, eu tive de depender dos grupos afastados de homens entenderem completamente meus objetivos [67]antecipadamente e agirem por “si mesmos.” Para impedir a nossa chance de uma saraivada à curta distância no inimigo ser desperdiçada por algum homem excessivamente zeloso ou agitado abrindo fogo à longa distância, eu dei ordens para o fogo fosse segurado tão longamente quanto possível, e que nenhum homem devesse disparar um tiro até que os disparos já tivessem sido iniciados em outro lugar (o que soou bastante irlandês), ou que meu apito soasse. Isso assim a menos que o inimigo estivesse tão perto dele que silêncio adicional seria inútil. Uma vez que os disparos tendo começado, todo homem devia disparar repetidamente em qualquer inimigo dentro do alcance, conforme julgado pelas nossas marcas de alcance. Finalmente, nós fomos dormir no nosso fosso pela noite, com alguma complacência, cada oito homens providenciando sua própria sentinela.

Nós tivemos aproximadamente três horas para a manhã seguinte antes que qualquer inimigo fosse relatado a partir da Colina Waschout (o sinal combinado para isso foi a elevação de um poste a partir de uma das cabanas). Esse tempo foi empregado no aperfeiçoamento das nossas defesas de várias maneiras. Nós conseguímos limpar os arbustos no leito seco do rio e nos bancos de areias por aproximadamente 200 metros além da nossa linha de fossos de cada lado, e efetivamente alcançamos o refinamento de um “obstáculo”; pois, na extremidade dessa limpeza, um tipo de emaranhamento abatis foi construído com o arame de uma cerca adjacente que os homens tinham descoberto. Durante a manhã, eu visitei o posto sobre a Colina Waschout, encontrei tudo correto e aproveitei a oportunidade para mostrar ao destacamento os limites exatos da nossa posição no leito do rio e expliquei o que nós iríamos fazer. Após aproximadamente três horas de trabalho, “Alguém à vista” foi sinalizado, e logo depois nós vimos a partir da nossa posição uma nuvem de poeira longe ao norte. Essa força, a qual se provou ser um comando, aproximou-se quase como já descrito no último [68]sonho; entrementes, tudo o que nós conseguímos fazer foi esperar pacientemente em ocultação. Os batedores deles vinham em aglomerados de dois e três, os quais se estendiam através de aproximadamente uma milha de fronte, o centro da linha dirigindo-se para o vau. Conforme os batedores aproximavam-se, o impulso natural para alcançar o lugar mais fácil de travessia foi obedecido por duas ou três das partes de cada lado daquela se aproximando do vau, e elas inclinaram-se para dentro e juntaram forças com ela. Evidentemente esse foi o maior grupo que nós poderíamos esperar surpreender, e, portanto, nós escondemo-nos para isso. Quando a aproximadamente 300 metros de distância, os “irmão” pararam, de modo bastante suspeito. Isso foi demais para algum homem no lado leste, quem mandou bala, e o ar ficou ocupado pelo barulho, conforme nós esvaziávamos os nossos pentes, matando cinco desse grupo especial de batedores e dois de cada grupo mais longe de cada lado. Nós continuamos a disparar nos batedores enquanto eles galopavam para trás, derrubando mais dois, e também na coluna que estava a aproximadamente uma milha de distância, mas propiciava um alvo esplêndido até que ela se abriu.


Em uns poucos momentos, a nossa posição estava sendo atingida por projéteis por três peças de artilharia, mas com o único resultado, enquanto nós estávamos preocupados de termos um homem ferido por bombardeio de artilharia, embora o tiroteio prosseguisse lentamente até o escurecer. Para ser preciso, eu deveria dizer que o rio estava sendo atingido por protéjeis, a nossa posição acidentalmente, pois os projéteis estavam explodindo ao longo do rio por aproximadamente meia milha. Os bôeres estavam evidentemente bastante confusos com respeito à extensão da nossa posição e força, e desperdiçaram muitos projéteis. Nós notamos muito galopar de homens longe para o leste e o oeste, fora de alcance, e conjecturamos que esses eram grupos que intencionavam atacar o rio a alguma distância, e gradualmente laboravam rio adiante, [69]provavelmente para chegarem à distância curta durante a noite.

Nós trocamos alguns disparos durante a noite ao longo do leito do rio, e não muito foi feito de cada lado, embora, é claro, nós estivéssemos no qui vive durante todo o tempo; mas não foi até uma da manhã que a Colina Waschout teve alguma ação.

Como eu tinha esperado, o fato de que nós controlávamos o kraal não tinha sido detectado pelo inimigo, e um grande corpo deles, movendo-se sorrateiramente para o lado sul da colina para conseguirem um bom tiro sobre nó no rio, atingiu um obstáculo na forma de uma saraivada de curta distância a partir do nosso destacamento. Como a noite não estava muito escura, no pânico seguindo-se à primeira saraivada os nossos homens foram capazes (como depois eu aprendi) de se erguerem corretamente e atirarem nos burgueses surpresos fugindo colina abaixo. Contudo, o pânico deles não durou muito, a julgar pelo som, pois, depois da primeira saraivada dos nossos Lee-Metfords e os minutos subsequentes de disparos independentes, os relatos dos nossos rifles logo foram misturados com os relatos mais suaves dos Mausers, e logo nós observamos clarões do nosso lado da Colina Waschout. Como esses não poderiam ser os nossos homens, nós sabíamos que o inimigo estava tentando cercar o destacamento. Nós conhecíamos os alcances muito bem, e embora, como nós não poderíamos enxergar as nossas vistas, os tiros fossem bastante conjecturais, logo nós colocamos um fim a essa manobra ao disparar uma saraivada a partir de três ou quatro rifles em cada clarão no lado da colina. Assim a noite passou sem muito incidente.

Durante a escuridão, nós tínhamos aproveitado a oportunidade para posicionarmos alguns novos sacos de areia ruim (os quais eu encontrei entre as reservas) à plena vista em alguma pequena distância das nossas trincheiras e poços atuais. Alguns homens tinham até ido mais longe e acrescentaram um capacete aqui [70]e um casaco ali, espreitando sobre o topo. Esse ardil tinha sido postergado até que a nossa posição fosse descoberta, de modo a não revelar a nossa presença, mas depois que a luta tinha começado, nenhum prejuízo foi causado por isso. Na manhã seguinte foi um grande prazer ver os tiros muito precisos feitos por “Irmão” nessas sacas de areia, como indicado pelos pequenos jorros de poeira.

Durante esse dia, o campo ao norte e ao sul foi desertado pelo inimigo, exceto à distância fora de alcance, mas um contínuo fogo de atirador de elite era mantido ao longo das margens do rio de cada lado. As peças de artilharias dos bôeres foram deslocadas – uma para o topo de Incidentamba e uma para o leste e oeste, para rastelarem a margem do rio – mas, devido à nossa boa cobertura, nós escapamos com dois mortos e três feridos. O inimigo não atirou projéteis bastantes a uma distância tão grande de rio desta vez. Eu confiantemente esperei um ataque ao longo da margem do rio naquela noite, e levemente fortaleci meus flancos, mesmo ao risco de perigosamente descobrir o banco de areia norte. Eu não fui desapontado.

Sob a cobertura da escuridão, o inimigo chegou até dentro de 600 metros do campo aberto, talvez, ao norte e ao redor das extremidades da Colina Waschout ao sul, e manteve um fogo furioso, provavelmente para distrair a nossa atenção, enquanto as peças de artilharia dispararam projéteis em nós por aproximadamente uma hora. Tão logo o fogo de artilharia cessou, eles tentaram arremeter-nos ao longo do leito do rio para leste e oeste, mas, devido ao abatis e o buracos no terreno, e o fato de que não era uma noite muito escura, eles não foram exitosos. Contudo, isso foi breve e uns poucos bôeres sucederam em entrar na nossa posição, apenas para serem recebidos à baioneta. Afortunadamente, o inimigo não conhecia a nossa força, ou antes a nossa fraqueza, ou eles teriam persistido na tentativa deles e sucedido; como foi, [71]eles devem ter perdido 20 ou 30 homens mortos e feridos.

Na manhã seguinte, com tantos homens dos meu 40 originais fora de ação (para não incluir a Colina Waschout, cujas perdas eu não conhecia) as questões pareciam ficar sérias, e eu fiquei muito assustado de que outra noite seria o fim para nós. Eu fiquei satisfeito em ver que o destacamento na Colina Waschout ainda estavam bem, pois eles tinham levantado uma bandeira vermelha no calcês. Verdadeiro, essa não era a bandeia nacional, provavelmente apenas um mero lenço, mas não era branca. O dia passou com disparos de projéteis e de franco-atiradores intermitentes, e nós todos sentimos que, por agora, o inimigo deve ter adivinhado a nossa fraqueza, e estavam poupando a si mesmos para outro ataque noturno, confiando-se no nosso esgotamento. Nós fizemos o nosso melhor para agarrar um pouco de sono por turnos durante o dia, e eu fiz tudo o que pude para manter os espíritos da pequena força altos dizendo que o alívio poderia não estar longe. Mas, no melhor dos casos, foi com um desespero sombrio que nós vimos o dia passar e a manhã tornar-se tarde.

As armas de artilharia dos bôeres não tinham sido disparadas por aproximadamente duas horas, e o silêncio estava justamente começando a ficar irritante e misterioso, quando a explosão de armas de artilharia à distância estimulou-nos ao tom mais elevado de excitação. Nós estávamos salvos! Nós não podíamos dizer quais armas de artilharia eram essas – elas poderiam ser britânicas ou bôeres – mas, de qualquer maneria, isso provou a vizinhança de outra força. Todas os rostos se iluminaram, pois, de alguma maneira, o som de boas vindas imediatamente tirou o sentimento cansado de nós.

Para evitar a chance de qualquer nova força deixar passar o nosso paradeiro, eu reuni uns poucos homens e imediatamente comecei a disparar umas boas antigas saraivadas britânicas nos arbustos, “Pronto-presente-fogo!!,” as quais não deviam ser equivocadas. Logo depois, nós ouvimos [72]disparos de mosquete à distância e vimos uma nuvem de poeira ao nordeste. Nós estávamos aliviados!

Nossas perdas totais foram 11 mortos e 15 feridos; mas nós tínhamos mantido o vau e assim se enobreceu uma vitória a ser conquistada. Aqui eu não preciso tocar nos resultados bem conhecidos e de longa duração do controle do Vau do Estúpido, do impedimento por esse meio de armas de artilharia, munição e reforços bôeres de alcançarem uma das suas forças intensamente pressionadas em um momento crítico, e a vitória resultante ganha pelo nosso lado. É claro, agora é conhecimento público que esse foi o ponto de virada na guerra, embora nós, os humildes instrumentos, não soubéssemos quais resultados vitais dependessem da nossa ação.

Naquela noite, a força de rendição parou no vau, e, após enterrarmos os mortos, nós despendemos algum tempo examinando os covis dos franco-atiradores bôeres, os homens coletando pedaços de projétil e caixas de cartucho como lembranças – apenas para serem jogadas fora imediatamente. Nós encontramos alguns 27 bôeres mortos e parcialmente enterrados, a quem nós demos enterro.

Naquela noite, eu não marchei, apenas deitei (em minhas próprias calças e colete manchado). Como a fumaça do “cigarro melhor,” presenteado a mim pelo coronel, estava redemoinhando em espirais sobre a minha cabeça, essas gradualmente se mudaram em nuvens de glória rósea, e eu ouvi bandas de metais à distância tocando um som familiar: “Vejam, o Herói Conquistador chega,” como ele soava.

Eu senti uma batida no meu ombro, e ouvi uma voz gentil dizer, “Levante-se, sir Backsight Forethought”; mas, em um instante, meu sonho de benção foi despedaçado – a voz gentil mudou-se no bem conhecido resmungo do meu servo. “Hora de amontoar o seu equipamento no vagão, sir. Agora faz tempo que Corby está levantado, sir.”

Eu ainda estava fedendo em velho Resto de sonho.


FIM


ORIGINAL:

SWINTON, E. D. The Defense of Duffer’s Drift. U.S. Marine Corps. 1989. p. 60-72. Disponível em: <https://archive.org/details/FMFRP1233TheDefenseOfDuffersDrift/page/n64/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O Último Homem - Volume I - Capítulo IV-II

O Último Homem Por Mary Shelley Volume I Capítulo anterior [121] Capítulo IV-II Há um sentimento tal como amor à primei...