[96]A própria posição de Felix era, no extremo, amarga. Ele sentia que tinha talento. Ela amava profundamente, ele sabia que era, por sua vez, profundamente amado; mas ele estava completamente sem poder. Nos confins da propriedade, de fato, os homens correriam alegremente para cumprir uma ordem dele. Além dela, e por sua própria conta, eles estava perdido. Trabalho manual (arar, [97]semear e trabalhar a bordo) não podia produzir nada em uma época na qual quase todo trabalho era feito por escravos ou retentores familiares. A vida de um caçador nos bosques era livre, mas não produzia nada.
As peles que ele vendia simplesmente o mantinham; era escambo para subsistência, não lucro. Os pastores nas colinas vagueavam em comparativa liberdade, mas eles não tinham nenhuma riqueza exceto de ovelhas. Ele não poderia começar como um mercador sem dinheiro; ele não poderia cercar uma propriedade e construir uma casa ou castelo adequados para as núpcias da filha de um nobre sem dinheiro, ou aquela influência pessoal que corresponde ao mesmo propósito; ele não poderia até esperar suceder à propriedade hereditária, são profundamente ela embaraçada; de fato, a qualquer momento, eles podiam ser colocados para fora.
Lentamente o ferro entrou na alma dele. Essa desesperança, desamparo, amarguravam a cada momento. Seu amor aumentando com a passagem do tempo tornava sua posição odiosa ao extremo. O sentimento interior de que ele tinha talento que apenas requeria oportunidade picava-lhe como um escorpião. Os dias passavam-se, e tudo permanecia o mesmo. Melancolia e amargura contínuas de espírito estavam próximas de o enlouquecer.
Finalmente, a resolução foi tomada, ele partiria para o mundo. Isso envolvia separação de Aurora, longa separação, e sem nenhuma comunicação, uma vez que cartas somente podiam ser enviadas por mensageiros especiais, e como ele deveria pagar um mensageiro? Era esse terrível pensamento de separação que o mantivera inativo por tanto tempo. No fim, a amargura da desesperança forçou-o a encará-lo. Ele [98]começou com a canoa, mas manteve seu propósito secreto, especialmente dela, com medo de que as lágrimas dela devessem derreter a resolução dele.
Havia apenas dois caminhos de viajem abertos para ele: a pé, como os caçadores faziam, ou por embarcações mercantes. O último, é claro, requeria pagamento, e as condições dele era notoriamente rudes. Se a pé, ele não poderia cruza o Lago, nem visitar as regiões em qualquer costa, nem as ilhas; portanto, ele cortou o álamo e começou a canoa. Para onde ele deveria ir, e o que ele deveria fazer, estava inteiramente à merce das circunstâncias. Ele não tinha nenhum plano, nenhuma rota.
Ele teve a ideia sombria de oferecer seus serviços a algum rei ou príncipe distantes, de mostrar para ele as invenções que ele construíra. Ele tentou ocultar de si mesmo que provavelmente ele seria rejeitado e rido. Sem dinheiro, sem um séquito, como ele poderia esperar ser recebido ou ouvido? Ainda assim, ele precisava ir; ele não podia se ajudar, ir ele devia.
Conforme ele cortava e desbastava, através das longas semanas do começo da primavera, enquanto os ventos orientais inclinavam as árvores acima dele, até que os botões abriam-se e as folhas expandiam-se – enquanto as mãos dele eram empregadas dessa maneira, todo o mapa das regiões conhecidas, por assim dizer, parecia passar sem vontade diante de sua mente. Ele via as cidades ao longo das costas do grande Lago; ele via sua condição interna, a fraqueza do tecido social, a miséria dos escravos por dívida. A ação incerta da Liga, o único fio que une o mundo; o aspecto ameaçador dos Galeses e Irlandeses; o norte terrível, as vastas florestas do norte, [99]a partir das quais, a qualquer momento, tropas invasoras poderiam descer sobre o fértil sul – isso tudo diante dos olhos dele.
O que havia por trás do imenso e não atravessado cinturão de floresta que se estendia para o sul, para o leste e para o oeste? Onde o grande lago termina? Eram as histórias das minas de Devon e Cornwall verdadeiras? E onde haviam minas de ferro, das quais os antigos extraiam suas reservas de metal?
Conduzido por esses pensamentos, ele duas ou três vezes deixou seu trabalho e, caminhando aproximadamente por umas vinte milhas através das florestas e das colinas, chegou ao cume do Cavalo Branco. A partir dali, descansando sobre a relva, ele assistiu os navios fazendo lento progresso pelos remos, e alguns puxados com cordas por bandos de homens ou cavalos para a costas, através dos pequenos estreitos. Norte e Sul quase se encontravam ali. Havia apenas um furlong de água entre eles. Se alguma vez o Norte descesse ali, os exército cruzariam. Ali ficava a chave do mundo. Excetuando umas poucas cabanas onde os proprietários dos cavalos viviam, não havia nem castelo nem cidade dentro de vinte milhas.
Forçado por esses pensamentos, ele quebrou o longo silêncio que existira entre ele e o pai dele. Ele falou do valor e da importância daquele lugar; não poderia o Barão enviar adiante seus retentores e cercar uma nova propriedade ali? Não havia nada para o impedir. A floresta era livre de tudo, desde que ele rendesse o devido serviço ao Príncipe. Não poderia uma casa ou castelo construído ali se tornar o começo de uma cidade? O Barão ouviu e, em seguida, disse que ele precisava ir e ver que uma nova escotilha foi [100]colocada no riacho para irrigar o prado d’água. Isso foi tudo.
Em seguida, Felix escreveu uma carta anônima ao Príncipe indicando o valor do lugar. O Príncipe deveria capturá-lo e adicioná-lo ao poder dele. Ele soube que a carta foi entregue, mas não houve sinal. De fato, ela fora lida e rida. Por que fazer esforços adicionais quando eles já tinham o que desejavam? Apenas um, o profundo e astuto Valentine, concedeu-a sério pensamento em segredo. Parecia-lhe que alguma coisa poderia surgir dela, outro dia, quanto ele mesmo estivesse no poder – se isso devesse acontecer. Mas, também ele, esqueceu-a em uma semana. Algum esforço secreto foi feito para descobrir o escritor, pois o conselho era muito invejoso de opinião política, mas logo terminou. A ideia, não sendo suportada por dinheiro ou influência, caiu em esquecimento.
Felix dava forma, desbastando a canoa. Os dias passaram, e o bote estava quase terminado. Agora, em um dia ou dois, ele seria lançado, e logo depois ele deveria começar sua viajem. Ele deveria ver Aurora apenas uma vez mais. Ele deveria vê-la, mas ele não deveria dizer adeus; ela não deveria saber que ele estava partindo até que ele tivesse efetivamente partido. Enquanto ele pensava nisso, uma falta de clareza surgiu diante dos olhos dele; sua mão tremeu, e ele não pôde trabalhar. Ele baixou o cinzel e parou para se estabilizar.
Do outro lado do riacho, um pouco mais baixo abaixo, um amarelo cão do bosque tinha estado cobrindo a água para saciar sua sede, observando o homem por um tempo. Enquanto Felix esteve concentrado em seu trabalho, o animal selvagem não teve [101]medo; no momento em que ele olhou para cima, a criatura pulou de volta para dentro do sub-bosque. Um pombo estava arrulhando na floresta não muito distante, mas, enquanto ele estava prestes a retornar ao trabalho, o arrulho parou. Em seguida, um pombo da floresta subiu, a partir dos freixos, com alto bater de asas. Felix ouviu. Seu instinto de caçador disse-lhe que alguma coisa estava movendo-se ali. Uma farfalhar dos arbustos seguiu-se, e ele pegou sua lança, a qual tinha estado inclinada sobre a árvore adjacente. Mas espreitando para dentro do bosque, em um momento, ele reconheceu Oliver, quem tinha caminhado até sua raiva passar, estava retornando.
“Eu pensei que pudesse ter sido um homem do mato,” disse Felix, devolvendo a lança dele; “apenas eles são silenciosos.”
“Qualquer um deles poder ter matado-me,” disse Oliver; “pois eu esqueci minha arma. É quase meio dia; você está vindo para casa para o jantar?”
“Sim; eu preciso trazer minhas ferramentas.”
Ele colocou-as no cesto e juntos eles retornaram à escada de corda. Enquanto eles passavam pelo curral próximo ao rio ele capturaram a visão do Barão nos jardins adjacentes, os quais eram irrigados pelas invenções dele a partir do riacho, e foram na direção dele. Um retentor segurava dois cavalos, um enfeitado alegremente, fora do jardim; o mestre dele estava falando com Sir Constans.
“É Lorde John,” disse Oliver. Ele aproximaram-se lentamente, sob as árvores frutíferas, para não se intrometerem. Sir Constans estava mostrando ao cortesão uma árvore prematura, o fruto da qual já estava firme. O clima seco, quente, causara-o firmar-se até mais cedo que o usual. Um traje de veludo negro, um material extremamente caro e quase inaccessível, [102]trazia as pálidas características do cortesão em alívio. Era apenas pelas mais antigas famílias que qualquer veludo ou cetim ou materiais semelhantes ainda eram preservados; se elas estivessem em dificuldades pecuniárias elas podiam vender alguma parte de sua reserva, mas tais coisas não deviam ser obtidas por dinheiro da maneira tradicional.
Duas pequenas barras de prata através de seu ombro esquerdo revelaram que ele era um lorde-em-espera. Ele era um homem bonito, com características nítidas, um pouco dissoluto, devido às horas tardias e diversão, mas não menos interessante nessa consideração. Mas suas vantagens naturais eram tão ultrapassadas pela afetação da Corte que você absolutamente não o via um homem, sendo absorvido pelo gesto estudado para exibir o anel cravejado de joias, e o peculiarmente baixo tom de voz no qual era moda falar.
Ao lado do velho guerreiro, ele parecia um mero jovem. O braço do Barão estava descoberto, sua manga rolada para cima; e, enquanto ela apontava para a árvore acima, os músculos, enquanto o membro movia-se, mostravam-se em nós, diante do que o cortesão mesmo não pôde evitar de olhar. Aqueles poderosos braços, houvessem eles apertado-o em volta da cintura, poderiam ter esmagado suas costelas de dobra. O golpe mais poderoso que ele poderia ter atingido sobre aquele amplo peito não teria produzido mais efeito do que um som oco; não teria nem mesmo abalado aquele poderoso corpo.
Ele sentiu o olho azul de aço, brilhante como o céu do meio do verão, olhar dentro de sua mente mesma. A alta testa descoberta, pois o Barão tinha seu chapéu em sua mão, zombava dele em sua humildade. O Barão descobriu a cabeça em honra ao [103]ofício do cortesão e ao Príncipe quem lhe enviara. A barba, embora marcada com branco, dizia pouco de idade; antes ela indicava uma vitalidade abundante, luxuriante.
Lorde John não estava em paz. Ele mudava de pé para pé e, ocasionalmente, fumava um grande cigarro de tabaco de Devon. A missão dele era suficientemente simples. Algumas das damas da corte tinham um desejo por frutas, especialmente morangos, mas não havia nenhum no mercado, nem para ser obtidos dos jardins em torno da cidade. Foi lembrado que Sir Constans era famoso por seus jardins, e o Príncipe enviou Lorde John à Casa Antiga com uma mensagem graciosa por uma cesta de morangos. Sir Constans ficou muito satisfeito com isso; mas ele lamentava que o clima quente e seco não permitira a fruta a chegar a qualquer tamanho ou perfeição. Ainda assim, havia alguns.
O cortesão acompanhou-o aos jardins, e viu a roda d’água que, virada por um cavalo, forçava a água de um riacho para dentro de um pequeno poço ou reservatório elevado, a partir do qual ela irrigava o solo. Esse suprimento de água produzira a fruta, e Sir Constans foi capaz de reunir uma pequena cesta. Em seguida, ele olhou ao redor para ver que outro fruto prematuro ele poderia enviar ao palácio. Não havia nenhum outro fruto; as cerejas, embora firmes, nãos estavam maduras; mas havia alguns aspargos, os quais ainda não tinham sido servidos, disse Lorde John, na mesa do Príncipe.
Sir Constans colocou homens para coletarem apressadamente tudo que estava pronto e, enquanto isso era feito, levou o cortesão através dos jardins. Lorde John não sentia nenhum interesse que fosse em tais assuntos, mas ele não podia escolher senão admirar a [104]fertilidade extraordinária da cercada e a variedade dos produtos. Havia de tudo; frutas de todos os tipos, ervas de cada espécie, áreas especialmente dedicadas àquelas possuidoras de virtude medicinal. Isso era apenas uma parte dos jardins; os pomares próprios ficavam muito abaixo e as flores mais próximas a casa. Sir Constans enviara um homem para o jardim de flores, quem agora retornava com dois finos buquês, os quais forma presenteados a Lorde John: um para a Princesa, a irmã do Príncipe; o outro para qualquer dama a quem ele pudesse escolher presenteá-lo.
A fruta já fora entregue para o retentor, quem tinha comando dos cavalos. Embora interessado, a despeito de si mesmo, Lorde John, reconhecendo as flores, virou-se para partir com uma sensação de alívio. Essa simplicidade de maneiras parecia descordante para ele. Ele sentia-se fora do lugar e, de alguma maneira, diminuído em sua própria estima e, contudo, ele menosprezada o retiro rural e a beleza em torno dele.
Felix e Oliver, umas poucas jardas distantes, estavam esperando com temperamentos crescentes. O espetáculo do Barão em sua força nativa de físico, humildemente de pé, chapéu na mão, diante do mensageiro da Corte, discursando sobre cerejas e oferecendo flores e frutas, encheu-lhes de raiva e desgosto. O gesto afetado e a voz subjugada do cortesão, por outro lado, despertaram um contentamento igual.
Enquanto Lorde John virava-se, ele viu-os. Ele não inteiramente lhes adivinhou a relação, mas supôs que eles fossem cadetes da casa, sendo costumeiro para aqueles conectados de qualquer maneira, servirem ao chefe da família. Ele notou a [105]cesta de bandeira na mão de Felix, e naturalmente imaginou que ele estivesse no trabalho.
“Você tem estado no – no arado, é?” ele disse, querendo ser muito gracioso e condescendente. “Ocupação muito saudável. A terra requer alguma chuva, não é? Entretanto, eu confio que não choverá até eu estar em casa, pelo bem de minha pluma,” sacudindo sua cabeça. “Permita-me,” e enquanto ele passava, ele ofereceu a Olive um par de cigarros. “Cada um,” ele acrescentou; “O melhor Devon.”
Oliver tomou os cigarros mecanicamente, segurando-os como se eles fossem víboras, no comprimento do braço, até que o cortesão deixasse o jardim, e a cerca viva se interpusesse. Então ele jogou-os dentro do transportador de água. O melhor tabaco, de fato, o único tabaco real vem da quente terra de Devon, mas pouco dele alcançava tão longe, em razão da distância, das dificuldades de comércio, das raras ocasiões nas quais o mercador tinha sucesso em escapar da interferência vexatória, do roubo completo do caminho. Frequentemente, o comércio era inteiramente fechado por guerra.
Esses cigarros, portanto, valiam o seu peso em prata, e semelhante tabaco apenas poderia ser obtido por aqueles em torno da Corte, como uma questão de favor, também, em vez de por compra. De fato, Lorde John teria olhado horrorizado houvesse ele visto o rústico a quem ele dera um presente tão valioso jogá-los dentre de uma vala. Ele cavalgou na direção do Portão de Porto, desculpando sua presa para Sir Constans, quem estava de pé e caminhou ao lado dele por uma pequena distância, pressionando para aceitar algum refresco.
Seus filhos alcançaram o Barão em seu caminho na direção [106]da casa, e caminharam a seu lado em silêncio. Sir Constans estava cheio de sua fruta.
“A cerejeira na parede,” disse ele, “logo produzirá um pouco madura.”
Oliver fez um profundo, mas silencioso juramento em seu peito. Sir Constans continuou falando sobre suas frutas e flores, inteiramente absorto da ira silenciosa do par atrás dele. Enquanto eles aproximavam-se da casa, o porteiro soprou seu chifre três vezes devido ao meio-dia. Também era o sinal para o jantar.
ORIGINAL:
JEFFERIES, R. After London; or, Wild England. London: Duckworth & Co, 1905. p.96-106. Disponível em: <https://archive.org/details/afterlondonorwil00jeffuoft/page/96/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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