[224]Pouco há para contar da viajem de Birdalone para a colina acima do Vale Negro das Greywethers. Era aproximadamente meio-dia quanto ela chegou lá e encontrara apenas poucas pessoas pelo caminho, e esses poucos eram lavradores, ou camponeses, ou donzelas saindo para o campo, algumas vezes não muito longe do Castelo da Busca.
Agora, ela sentou-se sobre seu cavalo e olhou para o vale abaixo e seu povo de pedra uma vez mais, e não viu nada se movendo salvo três corvos, quem, não muito distantes, estavam batendo as asas em volta, de pedra a pedra, das Greywethers e coaxando alto uns para os outros como se alguma novidade estivesse em progresso. Ela observou a brincadeira deles por um tempo, em seguida, ela desceu de seu cavalo, sentou-se sobre a grama da colina, tirou seu mantimento e comeu e bebeu; pois ela considerou mais feliz comer e beber ali do que nas mandíbulas do vale negro.
Logo, o jantar dela estava terminado, e então ela montou na sela novamente e cavalgou lentamente para baixo, para o pequeno riacho e, ao longo dele, na direção do vale e dos portões das montanhas, os quais ela estivera ansiosa para atravessar. Mas agora, como acontecera naquela manhã quando ela se prepara para o Bote de Expedição, ela relutou um pouco da aventura e, quanto ela carecia de apenas umas cinco vintenas de jardas do vale mesmo, desmontou novamente e deixou sua besta de caminho abocanhar a grama, enquanto ela e sentava e observava a água ondulante.
[225]Em um momento, ela tirou sapato e meia e ficou de pé na ondulação rasa e, ao mesmo tempo, lavou suas mãos e face, e curvou-se contra a direção do rio e bebeu a partir da concavidade de suas mãos, e assim ela pisou em terra e tornou mais forte. Em seguida, ela amarrou seu arco e procurou por flechas em sua aljava, arrumou seus sapatos, montou uma vez mais e, dessa maneria, cavalgou um passeio alegre diretamente para dentro do vale. Logo ela estava em meio às Greywethers. Ela viu que elas eram muitas, e que toda a base do vale estava salpicada com elas em cada lado do riacho e algumas ficavam no riacho mesmo, o solo do qual era tão negro quanto o resto do vale, embora a água corresse sobre ele tão clara como vidro.
Quanto ao vale, agora ela estava justamente dentro dele, ela podia ver apenas a uma pouca distância acima dele, pois ele enredava-se muito e, primeiramente, para longe da mão direita dela, e os lados dele subiam em seixos um pouco íngremes em cada lado, os quais eram encimados por meras aduelas verticais e fortalezas de rocha negra; e essas eram especialmente grandes e estendidas para fora à mão direita dela; e, a apenas um furlong a frente de onde ela estava, uma daquelas fortalezas, passada o seixo, empurrava-se para fora, descia perpendicularmente para dentro do vale e estreitava-o tanto que havia apenas pequeno caminho salvo pelo riacho mesmo, o qual corria veloz de fato, mas não profundamente, ali mesmo onde [onde] ele não era estreitado pelas rochas perpendiculares.
Mas, vale acima ela desejava ir, o que quer que estivesse diante dela. Agora ela contava a si mesma o seu próprio propósito, tão verdadeiramente [como] escassamente ela até agora fizera; a saber, que ela permaneceria no vale através da noite [226]e veria o que deveria acontecer e, se aquelas criaturas talvez devessem voltar à vida, então ela procuraria ter valentia o suficiente para as encarar e suplicar a realização de seu desejo.
Então ela acompanhou a água e cavalgou pelo riacho até que ela passara a rocha pura. Então o vale alargou-se novamente e logo ficou mais largo do que estava no início. Ali novamente as Greywethers aumentaram muito em número e tornaram-se mais próximas e, como ela considerou, estavam organizadas em anéis de um lado para o outro em torno de um bem grande, o qual, verdadeiramente, era um pouco da forma de um homem sentando-se com suas mãos colocadas sobre seus joelhos.
Birdalone controlou o cavalo por um minuto e olhou em volta de si. Em seguida, ela subiu sobre a grama e cavalgou diretamente para a dita grande pedra. Ali ela desmontou novamente de seu cavalo, ficou de pé perto da pedra e ponderou. Logo ela considerou que viu alguma coisa escura movendo-se exatamente além da pedra, mas, se foi assim, fora-se em uma piscadela; mesmo assim, ela permaneceu assustada, e encarou adiante por um tempo, e não viu mais nada, contudo, por um tempo, não se atreveu a mover mão nem pé.
Finalmente, a coragem dela retornou, e ela pensou: ‘Agora, este grande chefe está mexendo-se interiormente e despertará? Eu devo dizer a palavra agora, com medo de que depois ela seja de nenhum proveito?’ Com isso ela estendeu sua mão direita, colocou-a sobre a pedra e falou alto: ‘Oh Terra, tu e teus primeiros filhos, eu anseio de vós que ele possa retornar uma vez mais e me amando.’ E a voz dela soou estranha e desordenada para ela naquela solidão e ela lamentou o que dissera.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 224-226. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/224/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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