A Água das Ilhas Maravilhosas - A Quarta Parte: Dos Dias de Permanência - Capítulo X Como Birdalone se encontra com um Homem no Vale Negro das Greywethers

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[227]Com isso, chegaram novas notícias; pois, no momento após ela ter falado, um homem alto saiu de trás de uma grande pedra e colocou-se de pé diante dela; e a princípio surgiu na mente dela que esse era o próprio líder [do povo da rocha] que vinha à vida para ela e, para o terror, era provável que ela desmaiasse desta vez; mas ele nada falou por um tempo, apenas olhou para ela, ansiosa e curiosamente.

Ela logo voltou a si mesma, tanto que ela pôde vê-lo claramente, e agora estava se tornando mais envergonhada do que assustada, quando ela viu, além de dúvida, que o homem era um dos filhos de Adão; apenas que, com a vergonha que ela agora estava, e o medo que ela estivera, ainda assim ela não tinha força para se mover, somente permaneceu pálida e trêmula como uma folha, e escassamente podia manter seus pés.

Agora o recém-chegado curvou-se diante dela, sorrindo, e disse: ‘Eu peço teu perdão, bela donzela (ou, de fato, eu devia dizer, a mais bela donzela), que eu te assustei. Mas, para falar verdadeiramente, eu observei tu chegar cavalgando e, mesmo a partir de uma pouca distância, eu pude ver que nada que pudesse alguma vez ocorrer poderia compensar para eu não te ver de perto à mão e ouvir tu falar. Portanto, eu escondi a mim mesmo atrás da pedra do rei aqui; e nenhum dano é causado por esse meio, eu penso; pois agora eu vejo que a cor está voltando novamente a tuas bochechas, e que teu medo se foi. E, quanto a mim, tu não fugiste de [228]mim, como tu terias feito não houvesse eu me escondido e vindo a ti subitamente; e então, tu estando montada ou desmontada, tu terias escapado de mim, enquanto que agora tu estás ao alcance de minha mão.Então ele sorriu e disse: ‘Ademais, tu contaste tão pouco de teu segredo para este rei pedregoso aqui, que eu estou um pouso mais informado por tua palavra, e tu um pouco mais traída. Apenas isto eu direi, que se Ele não te ama, Ele é mais de um tolo do que eu sou.’

Ele estendeu a mão para a dela, mas ela puxou-a de volta, e tornou-se ainda mais envergonhada, e não pôde encontrar palavra alguma para ele. A voz dele era suave e cheia, mas ela não ficou contente com ela por sua gentileza, como ela ficou com todos os outros homens a quem ela encontrara desde que ela deixou a Casa sob o Bosque, e ela não se atreveu a confiar a mão dela a ele.

E quanto ao aspecto dele, ela viu que ele era alto e firmemente constituído e de forma vistosa; de cabelos negros, com longos olhos de avelã, de bochechas lisas e de pele brilhante; seu nariz longo, um pouco inclinado perto da extremidade, e descendo para perto de seus lábios, os quais eram cheios e vermelhos; o rosto dele era imberbe, salvo por uma pequena mosca. Ele estava de tal modo vestido que não tinha elmo em sua cabeça, apenas um pequeno chapéu com uma ampla peça dourada diante dele; ele trazia uma longa espada à cintura, e também tinha uma longa adaga em seu cinto, e Birdalone viu os anéis da fina cota de malha em sua gola e joelhos; de outra maneira ele não estava armado. Sobre sua cota de malha ele usava um robe negro, sem padrão de nenhum tipo, e o equipamento de seu pé e perna eram do [229]mesmo tom; portanto, nós podemos chamá-lo de o Cavaleiro Negro. Para falar verdadeiramente, ela temia-o e arrependia-se do encontro com ele.

Agora ele falou novamente para ela: ‘Eu vejo que tu estás indignada comigo, dama; mas talvez não seja tão mal que eu tenha te encontrado por acaso; pois este vale tem um nome ruim por mais de uma coisa, e escassamente é adequado para donzelas perambularem nele. Mas agora, uma vez que tu tens um homem armado contigo, e tu, por todos os santos!, não totalmente desarmada, tu bem podes subir o vale e ver alguma coisa dali. Assim, agora vem, monta em teu cavalo e eu o conduzirei para ti.’

Agora Birdalone encontrou fala e disse: ‘Cavaleiro, pois tal tu pareces-me, eu agora considero que eu não tenho necessidade de viajar mais adiante neste vale, mas eu subirei à cela e virarei a cabeça de meu cavalo para o exterior novamente, dando-te bom dia primeiramente e agradecendo-te por tua cortesia.E após isso, ela virou-se para alcançar seu palafrém, mas tremendo intensamente por enquanto; apenas ele a seguiu e disse, com a sobrancelha um pouco franzida: ‘Não, senhora, eu deixei meu cavalo um pouco mais acima, e eu preciso retornar para o buscar, para que nós possamos sair juntos do vale. Pois eu não permitirei que tu fujas de mim e caias nas mãos de seres malignos, sejam eles fantasmas ou homens vivos, e isso quanto menos desde que eu ouvi a fala em tua boca, como do mel e creme e rosas. Portanto, se tu saíres do vale, eu deverei ir contigo a pé, conduzindo teu cavalo. E vê isso, se é cortês desmontar um cavaleiro, quem está prestes a ser teu servo. Além disso, já que vieste [230]a este vale de maravilhas, e podes deixá-lo em segurança, pena seria se tu não devesses ver nada dele, pois estranho ele é, verdadeiramente, e talvez tu nunca mais devas procurar por lá novamente. Portanto, eu suplico-te, uma vez mais, monta teu cavalo, e deixa-me conduzir-te vale acima.’

Ele falou essas últimas palavras antes como alguém dando um comando que fazendo uma súplica, e agora Birdalone o temia intensamente. Verdadeiramente, ela tinha seu arco curvado em mão; entretanto, quanto mais o cavaleiro estava perto demais dela para que ela pudesse tirar uma flecha de sua aljava e colocá-la no arco, com medo de que ele devesse correr para ela, e para não falar que também ele estava usando cota de malha. Ela escassamente considerava que seria adequado para ela matar ou machucar o homem, pois ela ficaria livre dele. Portanto, irada e com uma face ruborizada, ela respondeu-lhe: ‘Então assim deve ser, Senhor Cavaleiro; ou antes assim precisa ser, uma vez que tu me forças.’

Ele riu e disse: ‘Não, agora tu estás irada. Eu não te forço, eu apenas digo que não funcionará para tu forçar-me a deixar-te. Vá por qual caminho tu desejares, vale acima, ou vale abaixo e para fora dele; é tudo uma coisa só para mim, enquanto eu estiver contigo. Verdadeiramente, donzela, eu disse palavras mais duras para senhoras que me agradaram e não consideraram a si mesmas forçadas.’

Ela empalideceu mas não nada respondeu; em seguida ela montou em seu palafrém, e o cavaleiro foi à rédea de freio dela, sem mais palavras, e assim ele a conduziu vale acima através do caminho mais fácil em meio às Greywethers.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 227-230. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/227/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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