A Água das Ilhas Maravilhosas - A Quarta Parte: Dos Dias de Permanência - Capítulo VIII Birdalone viaja em sua Aventura

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[220]A alvorada estava apenas começando quando Birdalone acordou e, embora ela não tivesse ouvido Leonard à porta, ela saltou para fora da cama e vestiu-se, arrumando-se em seu vestido negro; e ela tinha uma bolsa de viajante com algum pão dentro e uma faca afiada em seu cinto. Em seguida, mesmo enquanto arrumava-se, ela ouviu a unha do sacerdote na porta e virou-se para lá; mas, enquanto ela ia, o olhou dela apanhou arco e uma aljava de flechas dela onde eles pendiam na parede, assim ela pegou o arco em uma mão e pendurou a aljava sobre o ombro antes que abrisse a porta e encontrasse Leonard de pé ali. Nenhum deles falou coisa alguma, apenas eles moveram-se em segredo escada abaixo e, da mesma maneira, para capela e para fora, através da porta do sacerdote e da poterna no escaninho da parede, e logo estavam fora, no ar fresco da manhã; e Birdalone ficou alegre, de pé leve e escassamente sentia a terra debaixo das solas dela, pelo prazer da esperança, visto que ela considerava que tinha uma coisa pela qual almejar do Povo de Pedra, se eles deviam voltar a vida diante dela. Satisfeita ela estava, se ela pudesse sobretudo dar uma alegria para alguém; de maneira que, quando eles tinha ido-se por apenas uma pequena distância do castelo, ela estendeu sua mão para Leonard, tomou a dele, e disse: ‘De mãos dadas nós caminhamos quando eu primeiro fui por este caminho, e eu considerei-te então gentil e amigável, e assim mesmo tu tens sido desde então.’

Primeiramente ele ficou estupefato pela alegria do toque da mão dela e a doçura das palavras dela; [221]mas logo ele falou com ela, confuso e balbuciante, e elogiou-a pois ela pensara em pegar o arco e as flechas dela; pois, disse ele, que eles poderiam suportá-la em proveito para defesa ou obtenção de comida, ou para desculpa para errância pelos bosques. Ela acenou afirmativamente com a cabeça para ele, e ordenou-lhe novamente para a aguardar por três dias e, se ela não retornasse nesse tempo, para ser honesto sobre isso para Sir Aymeris.

Sim,’ disse o sacerdote, ‘Por que, o que então? Ele apenas pode me empurrar para fora pelos ombros, e então eu posso procurar a pequena casa de cônegos que fica na Cruz do Portão na estrada para Geenford.’

Ah, meu amigo!’ disse Birdalone, ‘como nós mulheres não pensamos em nada senão em nós mesmas! E tu serás jogado para fora de tua casa por me ajudares nisso? Por que eu não procurei por meu palafrém eu mesma? E as chaves eu podia ter roubado de ti, sempre com tua boa vontade. Mas agora eu vejo que eu te causei um dano.’

Disse Sir Leonard: ‘Senhora, um sacerdote tem um lar onde quer que haja uma casa de religião. Não há nenhum dano causado, salvo Sir Aymeris considere enforcar-me sobre as ameias; como eu duvido que ele considerará, não com um sacerdote. Além disso, eu suplico-te, acredite, que tu ida embora do castelo, lar e casa não há nenhum para mim ali.’ E ele olhou para ela lamentavelmente, como se ele estivesse implorando.

Mas ela não soube o que dizer e inclinou a cabeça; e logo eles chegaram ao caramanchão no bosquete, o qual, desta vez, era um estábulo para palafrém de Birdalone em vez de uma câmara para [222]ela mesma. Assim, Leonard entrou e buscou a fera graciosa; e Birdalone permaneceu com ele exatamente sobre a cobertura do bosquete esperando para colocar o pé dela no estribo; mas ela não pôde senão permanecer olhando para o sacerdote, quem permaneceu de pé ali como se ele estivesse lutando com as palavras dele.

Então ela disse: ‘Agora há pressa da necessidade de ir-me. Contudo, uma palavra, meu amigo: há alguma coisa entre nós no qual eu fiz-te algum mal? Se assim for, eu suplico-te para dizer o que; pois pode ser (embora eu pense que não) que tu não deverás me ver novamente doravante.’

Ele tomou fôlego, como se tivesse muita dificuldade para evitar o choro; mas ele dominou-o e disse: ‘Senhora e querida amiga, se eu não te ver novamente, eu não me acautelarei com o que deverá acontecer comigo. Tu não me fizeste nenhum mal. Há apenas isto entre nós, que eu te amo, e tu não me amas.’

Ela olhou para ele doce e piedosamente, e disse: ‘Eu não posso escolher senão entender tua palavra, a saber, que teu amor por mim é o desejo de um homem por uma mulher; e que isso é triste; pois eu amo-te de fato, mas não como uma mulher ama um homem. É o melhor dizer tanto para ti francamente. Mas eu sinto em meu coração que, quando eu disse isso, é como dizer que eu não posso te ajudar e, portanto, eu estou de fato triste.’

Ele permaneceu diante dela, envergonhado e finalmente ele disse: ‘Agora tu és tão doce, e tão amável, e tão verdadeira, que eu devo necessariamente te amar ainda mais; e isso me faz atrevido o suficiente para dizer que tu podes me ajudar um pouco, ou assim me parece.’ ‘Como assim?’ Disse [223]Birdalone. Respondeu ele: ‘Se tu me permitirias beijar tua face desta vez.’ Ela sacudiu a cabeça e falou: ‘Como isso pode te beneficiar, quando é de uma vez, e uma vez apenas, como verdadeiramente ele deve ser? É tua escolha, não minha, e eu não te negarei.’

E com isso ela ergueu o rosto para ele, e ele beijou a bochecha dela sem a tocar de nenhuma outra maneira e, em seguida, ele beijou a boca dela; e ela soube que ele estava tanto tímido quanto triste, e ela ficou envergonhada de olhar para ele, ou de falar mais com ele, com medo de que devesse vê-lo envergonhado; assim, ela apenas disse: ‘Adeus, amigo, até amanhã, pelo menos.’

E com isso o pé dela estava no estribo, e sem demora ela sentou na sela, e o palafrém dela estava deslocando-se a passos lentos rapidamente no caminho que ela desejava.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 220-223. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/220/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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