A Água das Ilhas Maravilhosas - A Quarta Parte: Dos Dias de Permanência - Capítulo VII Birdalone engana o Sacerdote para a ajudar a sair

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[216]Agora a época estava tão desgastada que a estação estava nos primeiros dias de Agosto, e o cansaço e desgosto novamente cresceram em Birdalone, e ela começou a parecer definhada e pálida. Ainda assim, quando ela falava da demora dos Campões, tanto para o castelão quanto para Sir Leonard, o sacerdote (quem era o mais sábio dos dois), cada um dizia a mesma coisa, a saber, que não era espanto que eles ainda não haviam chegado, vendo de que tipo era a aventura; e nenhum deles parecia de qualquer maneira ter perdido a esperança.

Três vezes nos últimos dias Birdalone foi para fora dos portões com Sir Aymeris e a companhia dele; e, na última das três vezes, a jornada foi para a colina que olhava para dentro do Vale Negro; mas agora o deleite de Birdalone com a visão desse [lugar] longínquo foi estragado pelo anseio de estar no meio dali; contudo, ela não mostrou que estava irritada por abster-se de seu desejo de entrar ali, e eles viraram-se, e voltaram em segurança para casa no castelo.

No dia seguinte, ela sentou-se com Sir Leonard, o sacerdote, para a lição de escrita, e ela deixou-a ser demorara e, frequentemente, ele tocava na mão dela, de maneira que a doçura de desejo não satisfeito ia fundo no coração dele.

Finalmente, Birdalone olhou para cima e disse: Amigo, eu preciso perguntar-te se tu vês algum perigo em minha entrada no Vale Negro das Greywetheres durante o dia se eu deixá-lo durante o dia?’ ‘Sozinha?’ Respondeu ele. [217]‘Sim,’ ela disse, ‘sozinha.’ Ele ponderou um pouco e, em seguida, disse: ‘Verdade é dizer que eu considero o perigo no vale mesmo pequeno, se tu não for dominada pelo terror ali. Sim, de minha parte eu não estou tão inteiramente certo de que tu devas ver o prodígio do Povo de Pedra vindo à vida; pois não é dito que eles se apressem, salvo em certas noites e, principalmente, na Noite do Solstício de Verão; a menos que o arriscador da aventura seja alguém destinado acima dos outros para lá; como verdadeiramente tu podes ser. Quanto ao perigo de homens malignos, há poucos que sejam tão aventurosos quanto tu ou eu. Eles não se atrevem a entrar naquela rua negra, salvo se dolorosa necessidade os obrigue. Mas verdadeiramente, deve haver algum perigo em ir para lá e voltar novamente. E contudo, pelas semanas passadas, não houve nenhuma palavra de qualquer ausência de paz; e o Cavaleiro Vermelho, diz-se, por certo não está cavalgando.

Birdalone ficou em silêncio por um tempo; em seguida, ela disse: ‘Bom e amável amigo, eu estou consumindo meu coração no anseio pelo retorno de meus amigos, e é provável que, a menos que tome algum remédio, eu deverei cair doente dessa maneira, e então, quando eles retornarem, deverá haver em mim apenas triste ânimo para eles. Agora, o remédio que eu conheço é aquele em que eu me comprometo sozinha com essa aventura do Vale Negro; pois, parece-me, que eu deverei ganhar saúde e força com minha ida para lá. Portanto, para ser breve, se tu desejares ajudar-me, eu irei amanhã. Que dizes tu, tu me ajudarás?

Ele enrubesceu muito e falou: Senhora, por que tu deves ir, como tu nome é, pássaro solitário (birdalone)? Agora mesmo tu me chamou de teu amável amigo, tão amável como [218]fosse de ti; agora, portanto, por que não deves teu amigo ir contigo?

De fato, gentilmente ela sorriu-lhe, mas sacudiu sua cabeça: Eu chamo-te de legal e querido amigo novamente,disse ela; ‘mas o que desejo fazer eu preciso fazer sozinha. Além disso, para que fim tu deverias ir? Se eu cair com fantasmas, uma vintena de homens em nada me ajudaria; e se eu me deparar com homens armadas que me feririam, de que proveito seria um homem contra eles? E veja tu, Sir Leonard, há este proveito em tu permanecendo para trás; se eu não retornar no espaço de dois dias, ou três, no máximo, tu terás conhecimento de que viajei mal, e então tu podes deixar ser conhecido para onde eu fui, e homens procurar-me-ão e, talvez, entregar-me-ão.’

Com isso, ela conteve suas palavras subitamente, empalideceu-se muito, colocou a mão sobre o seio e disse fracamente: Mas oh meu coração, meu coração! Se eles devessem retornar enquanto eu estou fora!E ela parecia prestes a desmaiar.

Leonard ficou assustado com isso, e não sabia o que fazer; mas logo a cor retornou novamente à face dela e, em pouco tempo, ela sorria e disse: ‘Não vês tu, amigo, quão fraca eu cheguei a ficar, e que agora, além de toda a dúvida, eu preciso receber o remédio? Tu não me ajudarás a recebê-lo?’

Sim, verdadeiramente,disse ele; mas de que maneira tu o receberás?Ele falou como um homem perturbado e sem conselho; mas ela sorriu-lhe agradavelmente e disse: ‘Agora, por esta hora, tu deves ter imaginado o ele deve ser, e poupou-me da dor disso. Duas coisas eu necessito de ti: a primeira e mais [importante], ser colocada [219]fora dos portões em segredo, logo pela manhã, quando nada está se mexendo; a segunda, ter meu palafrém esperando um pouco perto de portão, de maneira que eu não terei de ir a pé; pois eu tornei-me branda e fraca com toda essa vida doméstica.’

Leonard pareceu acordar com aquela palavra e disse: Eu tenho a chave da porta do sacerdote da capela, e da poterna além dela; isso deverá ser teu fora do portão, senhora. Eu chegarei e rasparei na porta de teus aposentos muito cedo e verei para isso que teu palafrém seja guardado no caramanchão no qual tu descansaste na primeira noite que chegaste ente nós.Ela disse: ‘Eu confio em ti, amigo.’ E ela agradeceu-lhe docemente, em seguida levantou-se e, imediatamente, começou a andar a passo pelo salão, para cima e para baixo. Leonard permaneceu por perto, observando-a por um tempo, ela em nada lhe interditando, pois os pensamentos dela estavam em outro lugar, ela esquecera-lhe; e, finalmente, ela seguiu em seus caminhos para começar a fazer o que ela desejava.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 216-219. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/216/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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