[213]Pela manhã, Birdalone estava de coração mais pesado do que alguma vez até então estivera, mais cansada por notícias e ponderando sobre como ela pôde ter estado tão alegre naquele dia na floresta. Contudo, ela pensava muito no Vale dos Greywethers, e isso a confortou um pouco após um tempo, tão severamente ele ansiava para ir até lá; e, como se diz, coisas novas suplantam coisas antigas. De maneira que, pela manhã, quando ela recebeu a lição dela do sacerdote Leonard, ela falou sobre isso com ele e contou-lhe o que Sir Aymeris tinha disto concernente ao conhecimento dele sobre isso; e ela perguntou-lhe o que ele conhecia.
‘Eu estive lá,’ disse ele. Ela aprontou-se diante dessa palavra e disse: ‘Algo de mal te ocorreu?’
‘Não,’ disse ele, ‘mas um grande medo e pavor pendeu à minha volta; e diz-se que aqueles que vão para lá duas vezes testam sua sorte excessivamente.’
Birdalone disse: ‘Conta-me agora das histórias que são contadas sobre aquele vale.’ Respondeu Leonard: ‘Elas são muitas; mas a principal delas é esta: que aquelas Greywethers são gigantes de outrora, ou criaturas da terra, camponeses e mulheres imprudentes, quem foram transformados em pedra por feitos dos quais eu não tenho conhecimento; mas que, às vezes, eles podem voltar à vida novamente, e podem andar e falar como outrora eles fizeram; e que, se qualquer homem puder ser corajoso o suficiente para aguardar o tempo do despertar deles e, no primeiro momento de sua mudança, puder dar forma às palavras que almejam a satisfação de seu desejo e, se com isso, ele for [214]tanto sábio quanto constante, então ele deverá receber seu desejo satisfeito daquelas criaturas, e trazer sua vida novamente de volta para fora do vale. E ele deverá falar desta maneira, e de nenhuma outra: “Oh Terra, tu e teus primeiros filhos, eu desejo de ti uma tal e tal coisa,” o que quer possa ser. E se ele falar mais do que isso, então ele está perdido. Ele não deve responder a nenhuma questão deles; e, se eles ameaçarem-no, ele não deve suplicar-lhes por misericórdia, nem recuar diante de suas armas levantadas; nem, para ser breve, ele deve atentar para eles mais do que se eles ainda fossem pedras não transformadas. Além disso, quando ele tiver dito sua palavra, então, essas criaturas deverão se amontoar em volta dele e oferecer-lhe ouro e gemas, e toda a riqueza da terra; e, se isso não for o suficiente, eles deverão trazer-lhe a mais vistosa das mulheres, com nada carecendo em sua forma, mas carecendo de toda a vestimenta, de maneira que ele deverá vê-la como ela é verdadeiramente formada. Mas, quem quer que receba qualquer um de todos esses presentes estará perdido para sempre, e deverá tornar-se um daquele Povo de Pedra; e quem quer que os recuse todos, até que o galo cante, deverá obter satisfação disso, e, como alguns dizem, todos aqueles presentes supracitados; pois que o Povo de Pedra não pode permanecer durante o dia para os tomar de volta novamente.’
Após isso, ele ficou em silêncio, e nada falou Birdalone, mas olhou para o chão e a saudade envolveu a alma dela. Em seguida, o sacerdote falou novamente: ‘Essa foi uma bela aventura, senhora, para um alguém infeliz, mas, para o feliz, ela foi uma missão de tolo.’ Ela não respondeu, e eles separaram-se por aquela vez.
Mas, na semana seguinte, ali não havendo nenhuma notícia até agora chegado à mão, Birdalone, suplicou ao castelão para a levar [215]novamente para fora dos portões, para que ela pudesse contemplar as montanhas uma vez mais, e os portões delas. Ele concordou com o pedido dela, e partiu com ela, bem acompanhado, como antes; mas desta vez, pela vontade Birdalone, eles cavalgaram diretamente para a planície acima mencionada e, novamente, ela olhou para dentro daquele vale das Greywethers a partir da colina. Algo os atrasou, de maneira que eles não puderam voltar ao castelo antes do crepúsculo, portanto, novamente, eles deitaram-se no bosque, mas ali faltaram um pouco do triunfo e da alegria que eles tinham tido naquele outro dia. Eles voltaram ao castelo no dia seguinte, um pouco após o meio dia, e não encontraram nenhuma notícia ali; nem, para falar a verdade, Birdalone procurava por alguma; e o coração dela ficou pesado.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 213-215. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/213/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
Nenhum comentário:
Postar um comentário