[205]De fato, Birdalone ansiava por estar fora dos portões em quaisquer termos e ter alguma alegria do verão; pois agora ela começava a ver que poderia ter de permanecer por algum tempo antes que os amigos dela devessem retornar a ela no Castelo da Busca. Ela ficou com raiva de si mesma, de que a saudade dela estava assolando-a dessa maneira, repreendeu a si mesma e disse: ‘Onde está agora aquela Birdalone quem permitiu apenas por uns poucos dias passar sem alguma alegria da terra e de suas criaturas? Ela quem suportava levemente a labuta de uma escrava, a zombaria, o escárnio e as marcas? Certamente isto é tolice dolorosa, que eu deva ser piorada uma vez que eu vim a ser a amiga de gentis damas, nobres campeões e poderosos guerreiros. Não teria sido melhor ter permanecido sob a mão da bruxa-esposa? Pois nem todos os dias, nem na maioria dos dias, ela atormentava-me. Mas agora, por muitos dias, tem havido dor, tristeza e desgosto, hora por hora; e em cada hora eu tenho temido a chegada da próxima hora, até que eu não saiba como suportar isso.’
Assim ela lutou consigo mesma, tornou-se de melhor coração, e determinou-se fortemente à aprendizagem do conhecimento letrado. Ela acalmou-se em meio ao pesar e não mais esperava a cada dia e cada hora para ocasionar o retorno dos Campeões, nem culpava o dia e a hora porque eles falharam nisso, e, em todos os sentidos, ela esforçava-se para atravessar o dia não consumida por saudade vã.
[206]Portanto, em um dia, quando três semanas inteiras haviam passado-se desde o dia da partida, ela ficou feliz quando o castelão veio a ela e disse: ‘Senhora, nesses dois dias eu mandei alguns homens para fora para espionarem a terra, e a palavra deles é de que nada está em movimento que uma vintena de nós bem armados poderia ter causa para temer. Portanto, amanhã, se for tua vontade, nós deveremos conduzir-te para fora dos portões e, para te agradar, ficar sem pressa para retornarmos; podemos apenas deitarmos fora no bosque selvagem por uma noite e retornarmos de nosso tempo livre na manhã do dia seguinte. Que dizes tu de teu prazer nisso?’
Ela agradeceu-lhe e concordou ansiosamente. Na manhã seguinte, eles partiram; e Birdalone tinha com ela três das mulheres, e elas tinham bestas de carga com elas, e barracas para Birdalone e suas criadas.
Assim eles cavalgaram por caminhos agradáveis e belos prados. O clima estava bom, pois agora era os primeiros dias de julho, e tudo era tão encantador quanto podia ser. Por aquela ocasião, Birdalone abandonou todas as suas preocupações e ficou feliz, de muitas palavras e amável. Todo o povo regozijou-se com isso, pois todos a amavam no Castelo da Busca, além daqueles um ou dois que a amavam demasiadamente.
Dessa maneira, eles cavalgaram por doze milhas ou mais e então chegaram, como era o seu propósito, à entrada de um bosque abundante de veação. Lá eles caçaram, e Birdalone tomou parte nisso, e todos elogiaram suas habilidades no bosque; embora, por causa dela, duas ou três cabeças, que do contrário teriam sido capturadas, escaparam, visto que os caçadores camponeses eram alguns dos que consideraram o corpo dela melhor de se olhar do que a presa.
[207]Seja como for, eles mataram corça e cabrito montes e algumas bestas do bosque que eles desejavam, alguma quantidade para seu jantar na região selvagem, alguma para levar para casa no castelo. Mas, quando a noite estava perto à mão, eles montaram uma estadia em um belo relvado do bosque, em torno do qual corria um claro riacho, perto do qual eles montaram a cabana das senhoras. Birdalone e elas foram até a água e lavaram o cansaço de si mesmas, e suas companheiras maravilharam-se diante da destreza da natação de Birdalone; pois elas banharam-se em uma lagoa um pouco grande na qual o córrego alargava-se, de maneira que havia espaço suficiente para ela nela.
Por essa altura, elas estavam banhadas e vestidas vistosamente em roupas que elas trouxeram sobre os animais de carga. Os homens acenderam fogos e estavam cozinhando a veação e, dentro em pouco, havia jantar e banquete no bosque selvagem, com bebida de vinho e conversa agradável, e contação de histórias e canto de menestréis. Assim, finalmente, quando a noite estava bem gasta e fora nos campos abertos, o céu oriental estava acinzentando-se, então Birdalone e suas damas foram para cama em suas belas tendas, e os homens de armas deitaram sobre o relvado sob o céu desimpedido.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 205-207. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/205/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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