[201]Após um tempo ela desceu novamente, foi até as mulheres e sentou-se trabalhando com elas por um tempo, e assim se consumiram duas horas. Em seguida, ela convocou o sacerdote e teve a lição dela com ele. Quando ela estivera em lição por outras duas horas, ela mandou ele começar e ensiná-la a escrever. Nenhuma relutância ele teve com isso; verdadeiramente, ele há muito ansiara para solicitar que ela aceitasse ele ensiná-la, mas não se atrevia. Pois em tal ensino é necessário que ele se sentasse muito perto dela, e observar as mãos dela, e os dedos dela esforçando-se para dar forma às letras; mais que isso, visto que ele precisava tocar a mão dela com a dele, e segurá-la. Portanto, ele garantiu para si mesmo um gosto do Paraíso. Além disso, ele era inteiramente adequado para a ensinar, visto que ele era um dos melhores escribas, e um bom escritor inteiramente habilidoso.
Então eles começaram a lição, e ela tornou-se ansiosa ali, aprendeu rápido e abriu caminho para o trabalho, enquanto a alma dele estava atormentada pelo anseio por ela. E dessa maneira passaram-se umas três horas. Nessa altura, subitamente, ela olhou para cima cansada de seu trabalho, e aflição dela foi despertada, e o anseio por sua amiga de fala. Ela deu ao sacerdote licença por aquele dia, mas aceitou ele beijar a mão dela por recompensas.
Então ela apressou-se para o topo da torre, quando a tarde estava se consumindo em noite; e permaneceu ali muito tempo olhando através das águas, até que começou a escurecer. Nessa altura, ela desceu miseravelmente e retornou para as mulheres dela.
[202]O dia seguinte foi como esse; nada aconteceu, e ela consumiu as horas às vezes subindo para o topo da torre e olhando através do lago, às vezes bordando em meio as suas criadas, às vezes aprendendo o trabalho de escriturário com Sir Leonard, mas sempre se consumindo por seu anseio.
No terceiro desses dias ela chamou o castelão a si para uma conversa, e perguntou-lhe o que ele pensava disto, deste atraso do retorno de seus senhores. Respondeu o grisalho: ‘Minha senhora, nós não podemos nos maravilhar se eles demoraram-se por uns poucos dias; pois essa é uma aventura na qual eles partiram, e muito acasos ocorrem em tais contos. Agora, eu suplico-te, não atormentes a ti mesma; pois ainda não é chegada a hora para tu mesma duvidares se eles falharam.’
As palavras dele muito a consolaram por aquela ocasião, considerando que ela viu que ele falava apenas a verdade. Assim ela lhe agradeceu, e sorriu amavelmente para ele. Ele ficou arrebatado por causa disso, e estava para se ajoelhar diante dela e beijar as mãos dela como era o costume dele; mas ela sorriu novamente, deteve-o e disse: ‘Não, não ainda, bom amigo; isso fica para a partida, e eu ainda tenho uma palava para ti: a saber, que eu anseio para ir para fora dos portões, e isso consolar-me-ia e dar-me-ia paciência para aguardar a chegada de meus amigos. Pois tu precisas saber, Sir Aymeris, que eu fui criada em meio aos bosques e aos prados, com a ardência do sol, e as batidas do vento; e agora, por falta de alguma parte disso, eu estou tornando-me branca e fraca. E tu não desejarias me ter caindo doente em tuas mãos agora, desejarias?’
[203]‘Não, certamente, senhora,’ disse Sir Aymeris; ‘este dia mesmo eu cavalgarei contigo; e duas vintenas ou mais de homens armados deverão cavalgar conosco por medo de contratempos.’ Disse Birdalone, franzindo as sobrancelhas: ‘Não, cavaleiro, eu não necessito de teus homens de armas; eu ficaria satisfeita de ir livre e sozinha. Pois tu não ouviste que aquele Cavaleiro Vermelho está ferido e é mantido na cama dele? Então, que perigo há?’ Disse Sir Aymeris: ‘Sim, senhora; mas o Cavaleiro Vermelho não é o único inimigo, embora ele seja o pior: mas bem pode ser que a história seja apenas simulada, pois o dito inimigo têm muitas artimanhas. E olhe para você, senhora gentil, é mais provável que por agora ele tenha ouvido como em meu pobre castelo é mantida uma joia, uma pérola de grande valor, que não tem seu semelhante no mundo, e causará o roubo dela se ele puder.’
Birdalone riu e disse: ‘Mas como, se além disso a dita joia tem uma vontade, e pernas e pés, e está pronta a tomar o perigo sobre ela e irá para fora dos portões se ela desejar? O que tu farás então, senhor?’ Então, disse o castelão, ‘Eu deverei trazer-te de volta, e, embora seja uma tristeza para mim, ter-te trazida de volta forçosamente, se nada mais posso fazer. Pois assim o juramento feito a meus senhores compele-me.’
Novamente Birdalone riu e disse: ‘Escuta, para onde vai todo esse ajoelhar e beijar de mão! Mas tenha em mente, bom senhor, como uma vez tu me terias fora dos portões, desejasse eu ou não, e agora, desejo eu ou não, tu me manterias dentro; assim os tempos mudaram e, pode acontecer, que eles ainda mudem novamente. Mas conta-me, eu sou uma senhora sobre minhas mulheres para ordenar [204]o que eu desejar a elas?’ ‘Indubitavelmente,’ disse ele, ‘e sobre todos nós.’ Disse ela: ‘Se então, eu ordeno a elas, umas duas ou três, vinde comigo para uma jornada de meio dia nos prados e bosques para nossa diversão, como então?’ ‘Por essa vez,’ disse Sir Aymeris, ‘eu deveria ordenar a elas desobedecer a senhora delas.’ Disse Birdalone: ‘E se eles desobedecerem a ti e obedecerem a mim?’ Respondeu o Si Aymeris: ‘Se elas trouxerem-te de volta segura, elas talvez possam cantar ao arco de rabeca de galhos, que elas foram avisadas de semelhantes tolice; mas, se elas retornarem sem ti, por Todos os santos, o vento da cólera deverá arrancar as cabeças delas.’
Birdalone ruborizou diante dessa palavra e ficou em silêncio por um tempo. E seguida ela disse, fazendo um semblante alegre novamente: ‘Tu és um mestre rígido, senhor castelão; mas eu devo obedecer-te. Portanto, eu aceitarei tua ordem, e cavalgarei para fora de tal maneira que eu deverei assustar a terra com um exército, uma vez que de nenhuma outra maneira posso eu contemplar a terra de verão. Mas hoje eu não irei, nem amanhã, talvez; mas algum dia, em breve. E em boa calma eu agradeço-te por teu cuidado atento de mim, e gostaria que eu fosse mais digna dele. Não, não, tu não deves te ajoelhar para mim, mas eu para ti: pois tu és verdadeiramente o mestre.’
Com isso ela se levantou do lado dele, ajoelhou-se diante dele, tomou a mão dele, beijou-a, e saiu, deixando-o arrebatado pelo amor dela. Mas agora ela não tinha desprezo dele, mas considerava, como se fosse verdade, que ele era tanto valente quanto de confiança e gentil, e ela agradecia-lhe em seu coração assim como em suas palavras.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 201-204. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/201/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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