[197]Consumiram-se aquele dia e o seguinte, e Birdalone começou a falar com suas mulheres, das quais agora restavam cinco; e quatro delas eram jovens, a mais velhas escassamente tinha trinta anos, e a quinta era uma mulher de sessenta, ambas sábias e amáveis. Todas elas contaram a ela alguma coisa de suas próprias vidas quando ela perguntava a elas; e além disso algumas contaram do povo que elas conheceram ou do qual ouviram falar. E bem satisfeita ficou Birdalone de ouvir disso e aprender mais das maneiras do mundo, e perspicaz ela foi na lição, de maneira que ela não necessitou fazer muitas perguntas.
Além disso, ela retornou a seu bordado novamente, e imediatamente começou a fazer um vistoso par de calçados para Atra, uma vez que ela desgastara aqueles emprestados um tanto severamente. E as mulheres maravilharam-se de seu bordado, tão maravilhosamente encantador como ele era, e de como, naquele pequeno espaço de tempo, surgiram flores e árvores, e pássaros e bestas, tudo lindo; e elas diziam que a fada deve ter ensinado aquela arte a ela. Mas ela ria e ruborizava, e pensava em sua mãe-do-bosque; e, sentada ali dentro das quatro paredes, ela ansiava pelas clareiras de carvalhos, e os relvados no bosque, e pela visão das bestas que habitavam naquele lugar.
Novamente ela encontrou Leonard, o sacerdote, e ele perguntou a ela se ela podia ler em um livro, e, quando ela disse que não, ele ofereceu-se para a ensinar esse saber, e [198]ela concordou com isso alegremente; e a partir dai ela o teria consigo a cada dia por um bom tempo; e uma apta estudiosa ela era, e ele não mau mestre, e ela aprendeu o A B C dela velozmente.
Agora era o nono dia desde que os Campeões partiram, e durante todo esse tempo ela não estivera fora dos portões; e após os dois primeiros dias, ela obrigara-se a preencher seu tempo com seu trabalho como acima dito: mas neste último dia ele pôde fazer apenas pouco, pois ela não podia senão tomar como certo que amanhã seria o dia do retorno; ou melhor, ela considerava até que eles poderiam chegar durante o curso da noite; de modo que, quando ela foi para a cama, embora ela estivesse cansada, ela despertaria se ela pudesse, de maneira que era perto da madrugada antes que ela adormecesse.
Aproximadamente três horas após ela ter acordado, e ouvido o som de gente mexendo-se na casa e do choque de armas, o coração saltou nela, e ela disse: ‘Eles chegaram, eles chegaram!’ Mesmo assim, ela não se atreveu a sair da cama, com medo de que sua esperança iludira-a. Ela deitou-se por outra hora, e nenhuma notícia chegou a ela, então ela chorou até dormir. Quando acordou mais uma vez, ela descobriu que deve ter chorado dormindo, pois o travesseiro diante de seu rosto estava todo molhado de lágrimas.
O sol agora estava alto, e seus raios eram lançados de volta a partir da ondulação no lago, e brilhava uma oscilação na parede da câmara, a janela do qual dava para a água. Então veio uma mão ao trinco da porta, e ela motivou-se, e seu coração afligia-a. Mas era uma das mulheres quem [199]abriu e entrou, e Birdalone ergueu-se sentando-se em sua cama, e disse fracamente, pois ela escassamente podia falar: ‘Há alguma novidade acontecendo, Catherine?’ A donzela disse: ‘Sim, minha senhora; pois cedo, antes do nascer do sol, chegaram homens armados ao portão e queriam vender-nos carnes; e meu senhor, Sir Aymeris, precisou sair e reatear com eles, embora talvez eles estivessem pirateando o que não era nem nosso, nem deles, nem dos vizinhos. Talvez Sir Aymeris buscasse comprar novidades deles assim como carne. De qualquer maneira, eles partiram quando eles receberam seu dinheiro e beberam um copo. E agora se diz que o Cavaleiro Vermelho fora ferido em algum combate e era mantido em sua cama; portanto, a terra deverá ter paz dele por um tempo.’ Disse Birdalone: ‘Eu agradeço-te, boa Catherine; eu deverei deitar-me um pouco mais; sai agora.’
A mulher saiu. Quando ela tinha ido-se, Birdalone chorou e soluçou, e contorceu-se sobre sua cama, não encontrou consolação para sua tristeza. Mas ela levantou-se e caminhou pela câmara e subsequentemente olhou para fora da janela através da água vazia, e chorou novamente. Em seguida, ela disse: ‘Contudo, eles podem chegar antes do meio-dia, ou pode ser antes da tarde, ou talvez amanhã de manhã.’ E ela conteve seu choro e ficou mais calma. Mas ainda ela caminhava pelo piso, e às vezes olhava para fora da janela, e às vezes ela olhava pra seus membros e sentia a suavidade de seus lados, e ela disse: ‘Oh, meu corpo! Como tu anseias.’
Mas finalmente, ela vestiu-se com pressa e saiu furtivamente da câmara, como se ela temesse encontrar alguém. Ela subiu silenciosamente para o topo da torre que [200]ficava mais perto, olhou através da porta para as telhas, e não viu ninguém ali. Assim ela saiu, esperou perto das ameias, e olhou longamente através da água, mas não viu nem montanha em chamas vindo na direção dela.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 197-.200 Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/197/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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