A Água das Ilhas Maravilhosas - A Quarta Parte: Dos Dias de Permanência - Capítulo XI Birdalone é conduzida ao Vale Negro

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[231]Enquanto eles iam, o cavaleiro imediatamente começou a falar com Birdalone, e isso sem qualquer zombaria dissimulada, a qual ele usara há algum tempo. Ele mostrou a ela lugares no vale, como cavernas sob as fortalezas, pequenas ilhotas no riacho e certas pedras em meio às Greywethers das quais as histórias fluíam; e como esta e a outra viajaram em relações com os seres da terra, e como uma perecera, e outra fora tornada feliz, e assim por diante. Além disso, ele contou sobre o povo da montanha e, em especial, como aqueles das planícies, quando ele era escassamente mais do que um menino, encontrara-lhes em batalha no mesmo vale, e quão feroz foi a luta; visto que os homens da montanha estavam lutando por uma vida de desejos realizados, a qual, até então, fora apenas um sonho para eles; e os homens da montanha lutaram pela querida vida mesma, e por tudo que a tornava qualquer coisa, salvo a morte, em vida. Portanto, para cima e para baixo, no vale, eles lutaram, primeiramente em fileiras ordenadas, em seguida, em bandos e, finalmente, espada a espada e homem a homem, até que não havia pé de grama ou de areia negra ali que não tinha seu banho de sangue; e o riacho ficou sufocado pelos mortos, e correu vermelho para fora do vale; até que, finalmente, quase toda a tropa dos homens da montanha tinha caído, e escassamente menos do povo das planícies, mas esses homens mantiveram o campo e receberam a vitória.

Tudo isso ele contou a ela, bem e habilmente e, embora ele não dissesse isso tão diretamente, ainda assim a deixou saber que, [232]jovem como ele era, ele era de batalha; e a voz dele era clara e boa, e a ira de Birdalone deixou-a, e ela ouviu com atenção o conto dele, e mesmo perguntou-lhe uma questão aqui e ali; e tão cortês este Cavaleiro Negro agora se torna, que Birdalone começava a pensar que ela tinha sido menos cortês do que o necessário com ele, por causa do medo dela e do cansaço da espera os quais a oprimiam; e isso a envergonhava e irritava, pois ela ficaria encantada de ser de toda cortesia. Portanto, agora ela considerava que, talvez, ela tivesse errado ao considerá-lo um homem maligno; e ela às vezes olhava para ele, e considerava-o de maneira vistosa; ela pensou que os olhos dele eram profundos, e o rosto, de aspecto sóbrio e justo, mas que o nariz dele inclinava-se para baixo na ponta, e era muito fino na ponte e, além disso, os lábios dele pareciam demasiadamente doces e licorosos.

Agora, quando o cavaleio silenciou de seus contos, Birdalone imediatamente começou a perguntar-lhe questões que docemente diziam respeito a este Povo da Pedra que estava todo em volta deles; e ele contou a ela tudo que ele sabia, inicialmente de maneira suficientemente sóbria, contudo, de fato, terminou zombando deles um pouco, mas não mais zombou dela. Finalmente ele disse: ‘Bela dama, que tu não vieste aqui tudo por nada eu parcialmente sei por aquelas palavras que eu ouvi saírem de tua boa ao lado da Pedra do Rei; portanto, eu, de fato, maravilhei-me quando eu ouvi tu dizer que tu sairias diretamente do vale; pois eu tinha te considerado desejosa de tentar a aventura de despertar esse Povo de Pedra durante a noite. Verdadeiramente era essa tua intenção quando tu vieste para o vale?’

[233]Ela ruborizou diante da palavra dele e, em poucas palavras, concordou. Em seguida, ele disse: ‘Ainda não está tua mente tranquila?’ ‘Sir,’ disse ela, ‘como se agora eu comecei a temê-lo.’ ‘Sim? E isso é estranho,’ disse ele, ‘pois tu desejarias ter despertado o vale sozinha, e agora tu não estás mais sozinha, mas tu tens a mim para observar e guardar teu despertar, tu estás com mais medo.’

Ela olhou firmemente para o rosto dele, para conhecer se havia algum sorriso meio oculto ali; mas pareceu que ele falava com toda a sobriedade; e ela nada teve a dizer para ele exceto isto: ‘Sir, agora eu me tornei receosa do despertar.’ E ele não disse mais nada sobre isso.

Agora eles foram dessa maneira, e Birdalone não sem satisfação, uma vez que o medo dela do cavaleiro reduziu-se, algumas três horas vale acima, e ainda estavam as Greywethers em volta deles, de maneira que havia quase tantas horas quanto milhas na caminhada deles.

Finalmente, eles pareciam estar aproximando-se da cabeça do vale, e as fortalezas e as rochas estavam diante deles todas em torno, eram como uma muralha, embora, contudo, aproximadamente uma milha distante na extremidade mais além; e essa extremidade era mais ampla do que em outros lugares.

Nessa altura, eles chegaram um espaço nivelado de relvado livre de pedras cinzas, o qual era todo desenhado em volta em anéis ordenados, de maneira que era como algum Círculo-de-Julgamento de um povo antigo; e dentro do dito espaço Birdalone observou um grande cavalo negro amarrado e comendo a grama. O cavaleiro conduziu-a para dentro do anel e disse: ‘Agora nós chegamos ao presente, my lady, e, se te agradas desmontar, [234]nós logo devemos comer e beber, e depois, conversar um pouco. E ele aproximou-se para a ajudar a descer do cavalo, mas ela não o permitiu, e desmentou a si mesma; mas, se ela não tolerou sua mão, seus olhos ela necessitava tolerar, enquanto ele encarava avidamente a decoração dos pés e pernas dela em seu deslizar de seu cavalo.’

Seja como for, ele tomou a mão dela e conduziu-a a um pequeno monte no outro lado do anel e convidou-a a sentar-se ali, e assim ela fez, e, a partir de debaixo de uma das pedras mais próximas, ele tirou um par de alforjes, e tirou mantimentos e vinho dali, e eles comeram e beberam, juntos como antigos companheiros. E agora Birdalone dizia a si mesma que o cavaleiro era franco e amigável; ainda assim, verdadeiramente, ela tinha conhecimento de que o coração dela escassamente acreditava no que simulava, e que ela ainda o temia.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 231-234. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/231/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

A Ilha do Doutor Moreau - Capítulo VII – A Porta Trancada

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[54]O leitor talvez entenderá que, primeiramente, tudo era tão estranho sobre mim, e minha posição foi o resultado de aventuras tão inesperadas, que eu não tive discernimento da estranheza relativa desta ou daquela coisa. Eu segui a lhama praia acima, e fui alcançado por Montgomery, quem me disse para não entrar na cercada de pedra. Então eu notei que o puma e a pilha de pacote foram posicionados do lado de fora da entrada para esse quadrângulo.

Eu virei-me e vi que agora a lancha tinha sido descarregada, colocada para fora novamente e estava sendo encalhada, e o homem de cabelo branco estava caminhando em nossa direção.

E agora surge o problema deste hóspede não convidado. O que nós devemos fazer com ele?”

Ele conhece alguma coisa de ciência,” disse Montgomery.

Eu estou com coceira para começar a trabalhar novamente – com [55]esse material novo,” disse o homem de cabelo branco, acenando com a cabeça na direção da cercada. Os olhos dele tornaram-se mais brilhantes.

Eu ouso dizer que você está,” disse Montgomery, em qualquer coisa, menos um tom cordial.

Nós não podemos enviá-lo e não podemos dispensar o tempo para lhe construir uma nova cabana. E certamente não podemos aceitá-lo em nossa confiança agora mesmo.”

Eu estou em suas mãos,” disse eu. Eu não tinha ideia do que ele quis dizer com “lá.”

Eu estive pensando nas mesmas coisas,” Montgomery respondeu. “Há meu quarto com a porta externa –”

É isso,” disse o velho, prontamente, olhando para Montgomery; e nós três todos caminhamos na direção da cercada. “Eu sinto muito por fazer um mistério, Sr. Prendick; mas você lembrar-se-á de que não foi convidado. Nosso pequeno estabelecimento aqui contém mais ou menos um segredo, é um tipo de câmara de barba azul, de fato. Nada muito terrível, realmente, para um homem são; mas exatamente agora, como nós não conhecemos você

Decididamente,” disse, “eu deveria ser um tolo para me ofender diante de qualquer falta de confiança.”

[56]Ele torceu sua pesada boca em um sorriso fraco,ele era uma daquelas pessoas saturninas quem sorriam com os cantos da boca para baixo,e curvou seu reconhecimento de minha complacência. A entrada principal para a cercada nós passamos; era um pesado portão de madeira, estruturado em ferro e trancado, com a carga da lancha empilhada do lado de fora dele, e, no canto, nós chegamos a uma pequena soleira de porta que eu anteriormente não observara. O homem de cabelo branco tirou um maço de chaves do bolso de sua jaqueta azul oleosa, abriu essa porta e entrou. As chaves dele e o fechamento elaborado do lugar, mesmo enquanto ele ainda estava sob o olho dele, ocorreram-me como peculiares. Eu segui-lhe e encontrei-me em um pequeno aposento, simples mas não desconfortavelmente mobilhado, e com sua porta interna, a qual estava levemente entreaberta, abrindo-se para dentro de um pátio pavimentado. Essa porta interior, Montgomery imediatamente fechou. Uma rede para dormir estava pendurada através do canto mais escuro do cômodo, e uma pequena janela sem vidro, defendida por uma barra de ferro, olhava para fora, na direção do mar.

Este, o homem de cabelo branco disse-me, que devia ser o meu aposento; e a porta interna, a qual, “por medo de acidentes,” ele disse, ele trancaria pelo [57]outro lado, era meu limite interno. Ele chamou minha atenção para uma conveniente espreguiçadeira diante da janela, e para um conjunto de velhos livros, - eu encontrei principalmente obras cirúrgicas e edições clássicas de clássicos latinos e gregos (línguas que não consigo ler com qualquer conforto), em uma prateleira perto da rede para dormir. Ele deixou o quarto pela porta exterior, como se para evitar abrir novamente a interior.

Nós usualmente temos nossas refeições aqui,” disse Montgomery e, em seguida, como se em dúvida, saiu em procura do outro.Moreau!Eu ouvi ele chamá-lo, e, por um momento, eu não penso que eu notei. Então, enquanto eu manuseava os livros na estante, surgiu na consciência: Onde eu ouvi o nome Moreau antes? Eu sentei-me diante da janela, retirei os biscoitos eu ainda me restavam e comi-os com um apetite excelente. Moreau!

Através da janela eu vi um daqueles incompreensíveis homens de branco, arrastando um caixote através da praia. Logo a moldura da janela escondeu-lhe. Então, eu ouvi uma chave inserida e virada na fechadura atrás de mim. Após um pouco de tempo, eu ouvi, através da porta trancada, o barulho dos cães para caçar veado, que agora tinham sido [58]trazidos para cima a partir da praia. Eles não estava latindo, mas cheirando e rosnando de uma maneira curiosa. Eu pude ouvir o rápido tamborilar dos pés deles e a voz de Montgomery acalmando-os.

Eu fiquei muito impressionado pelo elaborado segredo daqueles dois homens com respeito aos conteúdos do lugar, e, por algum tempo, eu fiquei pensando nisso e na familiaridade inexplicável do nome Moreau; mas tão estranha é a memória humana que, na ocasião, eu não pude me lembrar daquele nome bem conhecido em sua própria conexão. A partir disso, meus pensamentos foram para a estranheza indefinível do homem deformada na praia. Eu nunca vi uma semelhante andadura, movimentos tão estranhos conforme ele puxava a caixa. Eu lembrei-me de que nenhum desses homens falou comigo, embora a maior parte deles eu descobri olhando para mim, em um momento ou outro, de uma maneira particularmente furtiva, bem diferente do olhar franco do selvagem não sofisticado. De fato, todos eles pareciam notavelmente taciturnos e, quando eles falavam, dotados de vozes muito estranhas. O que estava errado com eles? Então eu lembrei dos olhos do desajeitado assistente de Montgomery.

Exatamente enquanto eu pensava nele, ele entrou. [59]Agora ele estava vestido de branco e carregava uma pequena bandeja com um pouco de café e vegetais cozidos sobre ela. Eu dificilmente pude reprimir um recuo estremecido enquanto ele vinha, curvando-se amavelmente, e colocava a bandeja diante de mim sobre a mesa. Então, o espanto paralisou-me. Sob seus pegajosos caxos de cabelo negros, eu vi seu ouvido; ele saltou subitamente sobre mim perto do meu rosto. O homem tinha orelhas pontudas, cobertas com um fino pelo marrom!

Seu café da manhã, sair,ele disse.

Eu encarei o rosto dele sem tentar respondê-lo. Ele virou-se e caminhou na direção da porta, considerando-me estranhamente sobre seu ombro. Eu segui-lhe para fora com meus olhos; e, enquanto eu assim o fazia, por algum estranho truque de cerebração inconsciente, ali surgiu dentro de minha cabeça a frase, “As Cavernas de Moreau” – era isso? “O Moreau -” Ah! Isso enviou minha memória de volta dez anos. “Os Horrores de Moreau!” A frase flutuou solta, por um momento, em minha mente e, em seguida, eu vi-a em letras vermelhas sobre um pequeno panfleto amarelo-claro, para ler o que faria alguém tremer e rastejar. Então, eu lembrei distintamente de tudo sobre isso. Aquele panfleto há muito esquecido retornou com vividez surpreendente a [60]minha mente. Eu fora então um mero rapaz, e Moreau tinha, eu suponho, aproximadamente cinquenta anos, - um proeminente e magistral fisiologista, bem conhecido em círculos científicos por sua extraordinária imaginação e sua franqueza brutal em discussões.

Era esse o mesmo Moreau? Ele publicara alguns fatos muito surpreendentes em conexão com a transfusão de sangue e, em adição, era conhecido estar fazendo trabalho valioso sobre crescimentos mórbidos. Então, subitamente, a carreira dele foi encerrada. Ele teve de deixar a Inglaterra. Um jornalista obteve acesso ao seu laboratório na função do assistente de laboratório, com a intenção deliberada de fazer revelações sensacionais; e, com a ajuda de um acidente chocante (se aquilo foi um acidente), seu panfleto macabro tornou-se notório. No dia de sua publicação, um cão miserável, esfolado e de outra maneira mutilado, escapou da casa de Moreau. Foi na temporada de bobagens, e um editor proeminente, um primo do assistente de laboratório temporário, apelou à consciência da nação. Não foi a primeira vez que a consciência voltou-se contra os métodos de pesquisa. O doutor simplesmente foi expulso aos gritos. Pode ser que ele [61]merecesse ser; mas eu ainda penso que o suporte tímido de seus companheiros investigadores e o abandono dele pela grande sociedade dos trabalhadores científicos foi uma coisa vergonhosa. Ainda assim, alguns de seus experimentos, pelo relato do jornalista, eram desenfreadamente cruéis. Ele podia ter comprado sua paz social com o abandono de suas investigações; mas, aparentemente, ele preferiu as segundas, como a maioria dos homens preferiria, uma vez caídos sob o feitiço irresistível da pequisa. Ele era solteiro e, de fato, não tinha nada, senão seu próprio interesse para considerar.

Eu senti-me convencido de que esse devia ser o mesmo homem. Tudo apontava para isso. Vinha a mim para que fim o puma e os outros animais – os quais agora tinha sido trazidos, com outra bagagem, para dentro da cercada atrás da casa – estavam destinados; e um curioso odor fraco, o hálito de alguma coisa familiar, um odor que estivera no pano de fundo de minha consciência subitamente veio a frente, para o primeiro plano de meus pensamentos. Era o odor anticéptico da sala de dissecação. Eu ouvi o puma rosnando através da parede, e um dos cães latiu como tivesse sido atingido.

Contudo, certa e especialmente para outro [62]cientista, não havia nada tão horrível em vivissecção quanto a ser responsável por seu segredo; e, por algum estranho salto em meus pensamentos, as orelhas pontudas e olhos luminosos do assistente de Montgomery retornaram novamente diante de mim com a definição mais penetrante. Eu encarei diante de mim, para o mar verde, espumando sob uma brisa refrescante, e deixei essas e outras memórias estranhas dos últimos dias perseguirem umas as outras através de minha mente.

O que tudo isso podia significar? Uma cercada trancada em uma ilha solitária, um vivissector notório e esses homens aleijados e distorcidos?


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ORIGINAL:

WELLS, H.G. The Island of Doctor Moreau; A Possibility. New York: Stone & Kimball, 1896. pp.54-62. Disponível em: <https://archive.org/details/islandofdoctormo00welluoft/page/54/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

A Água das Ilhas Maravilhosas - A Quarta Parte: Dos Dias de Permanência - Capítulo X Como Birdalone se encontra com um Homem no Vale Negro das Greywethers

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[227]Com isso, chegaram novas notícias; pois, no momento após ela ter falado, um homem alto saiu de trás de uma grande pedra e colocou-se de pé diante dela; e a princípio surgiu na mente dela que esse era o próprio líder [do povo da rocha] que vinha à vida para ela e, para o terror, era provável que ela desmaiasse desta vez; mas ele nada falou por um tempo, apenas olhou para ela, ansiosa e curiosamente.

Ela logo voltou a si mesma, tanto que ela pôde vê-lo claramente, e agora estava se tornando mais envergonhada do que assustada, quando ela viu, além de dúvida, que o homem era um dos filhos de Adão; apenas que, com a vergonha que ela agora estava, e o medo que ela estivera, ainda assim ela não tinha força para se mover, somente permaneceu pálida e trêmula como uma folha, e escassamente podia manter seus pés.

Agora o recém-chegado curvou-se diante dela, sorrindo, e disse: ‘Eu peço teu perdão, bela donzela (ou, de fato, eu devia dizer, a mais bela donzela), que eu te assustei. Mas, para falar verdadeiramente, eu observei tu chegar cavalgando e, mesmo a partir de uma pouca distância, eu pude ver que nada que pudesse alguma vez ocorrer poderia compensar para eu não te ver de perto à mão e ouvir tu falar. Portanto, eu escondi a mim mesmo atrás da pedra do rei aqui; e nenhum dano é causado por esse meio, eu penso; pois agora eu vejo que a cor está voltando novamente a tuas bochechas, e que teu medo se foi. E, quanto a mim, tu não fugiste de [228]mim, como tu terias feito não houvesse eu me escondido e vindo a ti subitamente; e então, tu estando montada ou desmontada, tu terias escapado de mim, enquanto que agora tu estás ao alcance de minha mão.Então ele sorriu e disse: ‘Ademais, tu contaste tão pouco de teu segredo para este rei pedregoso aqui, que eu estou um pouso mais informado por tua palavra, e tu um pouco mais traída. Apenas isto eu direi, que se Ele não te ama, Ele é mais de um tolo do que eu sou.’

Ele estendeu a mão para a dela, mas ela puxou-a de volta, e tornou-se ainda mais envergonhada, e não pôde encontrar palavra alguma para ele. A voz dele era suave e cheia, mas ela não ficou contente com ela por sua gentileza, como ela ficou com todos os outros homens a quem ela encontrara desde que ela deixou a Casa sob o Bosque, e ela não se atreveu a confiar a mão dela a ele.

E quanto ao aspecto dele, ela viu que ele era alto e firmemente constituído e de forma vistosa; de cabelos negros, com longos olhos de avelã, de bochechas lisas e de pele brilhante; seu nariz longo, um pouco inclinado perto da extremidade, e descendo para perto de seus lábios, os quais eram cheios e vermelhos; o rosto dele era imberbe, salvo por uma pequena mosca. Ele estava de tal modo vestido que não tinha elmo em sua cabeça, apenas um pequeno chapéu com uma ampla peça dourada diante dele; ele trazia uma longa espada à cintura, e também tinha uma longa adaga em seu cinto, e Birdalone viu os anéis da fina cota de malha em sua gola e joelhos; de outra maneira ele não estava armado. Sobre sua cota de malha ele usava um robe negro, sem padrão de nenhum tipo, e o equipamento de seu pé e perna eram do [229]mesmo tom; portanto, nós podemos chamá-lo de o Cavaleiro Negro. Para falar verdadeiramente, ela temia-o e arrependia-se do encontro com ele.

Agora ele falou novamente para ela: ‘Eu vejo que tu estás indignada comigo, dama; mas talvez não seja tão mal que eu tenha te encontrado por acaso; pois este vale tem um nome ruim por mais de uma coisa, e escassamente é adequado para donzelas perambularem nele. Mas agora, uma vez que tu tens um homem armado contigo, e tu, por todos os santos!, não totalmente desarmada, tu bem podes subir o vale e ver alguma coisa dali. Assim, agora vem, monta em teu cavalo e eu o conduzirei para ti.’

Agora Birdalone encontrou fala e disse: ‘Cavaleiro, pois tal tu pareces-me, eu agora considero que eu não tenho necessidade de viajar mais adiante neste vale, mas eu subirei à cela e virarei a cabeça de meu cavalo para o exterior novamente, dando-te bom dia primeiramente e agradecendo-te por tua cortesia.E após isso, ela virou-se para alcançar seu palafrém, mas tremendo intensamente por enquanto; apenas ele a seguiu e disse, com a sobrancelha um pouco franzida: ‘Não, senhora, eu deixei meu cavalo um pouco mais acima, e eu preciso retornar para o buscar, para que nós possamos sair juntos do vale. Pois eu não permitirei que tu fujas de mim e caias nas mãos de seres malignos, sejam eles fantasmas ou homens vivos, e isso quanto menos desde que eu ouvi a fala em tua boca, como do mel e creme e rosas. Portanto, se tu saíres do vale, eu deverei ir contigo a pé, conduzindo teu cavalo. E vê isso, se é cortês desmontar um cavaleiro, quem está prestes a ser teu servo. Além disso, já que vieste [230]a este vale de maravilhas, e podes deixá-lo em segurança, pena seria se tu não devesses ver nada dele, pois estranho ele é, verdadeiramente, e talvez tu nunca mais devas procurar por lá novamente. Portanto, eu suplico-te, uma vez mais, monta teu cavalo, e deixa-me conduzir-te vale acima.’

Ele falou essas últimas palavras antes como alguém dando um comando que fazendo uma súplica, e agora Birdalone o temia intensamente. Verdadeiramente, ela tinha seu arco curvado em mão; entretanto, quanto mais o cavaleiro estava perto demais dela para que ela pudesse tirar uma flecha de sua aljava e colocá-la no arco, com medo de que ele devesse correr para ela, e para não falar que também ele estava usando cota de malha. Ela escassamente considerava que seria adequado para ela matar ou machucar o homem, pois ela ficaria livre dele. Portanto, irada e com uma face ruborizada, ela respondeu-lhe: ‘Então assim deve ser, Senhor Cavaleiro; ou antes assim precisa ser, uma vez que tu me forças.’

Ele riu e disse: ‘Não, agora tu estás irada. Eu não te forço, eu apenas digo que não funcionará para tu forçar-me a deixar-te. Vá por qual caminho tu desejares, vale acima, ou vale abaixo e para fora dele; é tudo uma coisa só para mim, enquanto eu estiver contigo. Verdadeiramente, donzela, eu disse palavras mais duras para senhoras que me agradaram e não consideraram a si mesmas forçadas.’

Ela empalideceu mas não nada respondeu; em seguida ela montou em seu palafrém, e o cavaleiro foi à rédea de freio dela, sem mais palavras, e assim ele a conduziu vale acima através do caminho mais fácil em meio às Greywethers.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 227-230. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/227/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

A Ilha do Doutor Moreau – Capítulo VI – Os Barqueiros Mal-encarados

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[45]Mas os ilhéus, vendo que eu estava realmente à merce das ondas, tiveram piedade de mim. Eu flutuava muito lentamente para o leste, aproximando-me obliquamente da ilha; e logo eu vi, com alívio histérico, a lancha mudar de direção e retornar na minha direção. Ela estava pesadamente carregada, e eu pude discernir, quando ela se aproximava, o assistente de cabelos brancos e amplos ombros de Montgomery sentado, restringido com os cães e várias caixas de embalagem nas chapas da proa. Esse indivíduo encarou-me fixamente sem se mover ou falar. O aleijado de rosto negro estava olhando para mim tão fixamente, nos remos perto do puma. Havia três outros homens ao lado, - três estranhos companheiros de aparência bruta, para quem os cães de caça de veado estavam rosnando selvagemente. Montgomery, quem estava conduzindo, trouxe o bote para perto de mim, e erguendo-se, pegou e amarrou meu proiz ao leme para me rebocar, pois não havia espaço a bordo.

[46]Por essa hora, eu recuperara-me de minha fase histérica e respondera à saudação dele, enquanto ele aproximava-se, de maneira suficientemente corajosa. Eu contei a ele que o pequeno bote estava quase inundado, e ele obteve-me uma lata de carga. Eu espasmei de volta conforme a corda se apertava entre os botes. Por algum tempo, eu fiquei ocupado enfardando.

Não foi até que eu tivesse a água debaixo (pois a água no bote fora embarcada; e o bote ficou perfeitamente correto) que eu tive tempo livre para olhar novamente para as pessoas na lancha.

Eu descobri que o homem de cabelo branco ainda estava me considerando firmemente, mas com uma expressão, como eu agora imaginava, de alguma perplexidade. Quando os olhos dele encontraram os meus, ele olhou para baixo, para o cão para caçar veados que se sentava entre os joelhos dele. Ele era um homem de constituição poderosa, como eu disse, com uma boa testa e características bastante pesadas; mas seus olhos tinham aquela estranha inclinação de pele sobre as pálpebras que frequentemente surge com o avançar dos anos, e o decaimento de sua pesada boca nos cantos dava-lhe uma expressão de resolução pugnaz. Ele falava com Montgomery em um tom muito baixo para eu ouvir.

A partir dele, meu olhos viajaram para seus três homens; e uma estranha tripulação eles eram. Eu vi [47]apenas os rostos deles, ainda assim, havia algo em seus rostos – eu não sabia o quê – que me dava um estranho espasmo de desgosto. Eu olhava firmemente para eles, e a impressão não passava, embora eu falhasse em ver o que a ocasionara. Eles pareciam-me então ser homens morenos; mas seus membros estavam estranhamente enfaixados em alguma coisa fina, suja e branca até mesmo aos dedos e pés: eu nunca vi homens embrulhados assim, e mulheres assim, apenas no Oriente. Eles também usavam turbantes, e abaixo deles os rostos élficos deles espreitavam-me, - rostos com maxilares inferiores salientes e olhos brilhantes. Eles tinham fino cabelo negro, quase como cabelo de cavalo, e parecia como se eles se situassem para exceder em estatura qualquer raça de homens que eu vira. O homem de cabelos brancos, quem eu sabia ser de uns bons seis pés de altura, situava-se uma cabeça abaixo de qualquer um dos três. Depois eu descobri que nenhum deles era realmente mais alto do que eu mesmo; mas seus corpos eram anormalmente grandes, e a parte apertada da perna, curta e curiosamente torcida. De qualquer maneira, eles eram um bando surpreendentemente feio, e acima das cabeças deles, sob uma saliência para frente, espreitava o rosto negro do homem cujos os olhos eram luminosos no escuro. Enquanto eu os encarava, [48]eles encontraram meu olhar fixo; e, em seguida, primeiro um e depois o outro se viraram para longe de meu olhar direto, e olharam para mim de uma maneira estranha e furtiva. Ocorreu-me que, talvez, eu estivesse incomodando-lhes, e eu virei minha atenção para ilha da qual nós estávamos nos aproximando.

Ela era baixa, e coberta com uma vegetação espessa, - principalmente de um tipo de palmeira que era novo para mim. A partir de um ponto, um fino fio branco de vapor subia obliquamente para uma altura imensa e, então, desgastava-se como uma pluma caída. Nós agora estávamos dentro do abraço de uma ampla baía, flanqueada de cada lado por um baixo promontório. A praia era de uma areia cinza monótono e inclinava-se para cima até um cume, talvez de sessenta ou setenta pés acima do nível do mar, e irregularmente adornado com árvores e vegetação rasteira. A meio caminho para cima, ficava uma cercada quadrada de algumas pedras cinzentas, a qual, subsequentemente, eu descobri que era construída parcialmente de coral e parcialmente de lava pomes. Dois tetos de palha começavam a aparecer a partir daquela cercada. Um homem estava esperando por nós na borda da água. Eu imaginei, enquanto nós ainda estávamos muito longe, que eu vi algumas outras criaturas de aparência muito grotesca correndo dentro dos arbustos sobre a encosta; mas eu [49]não vi nada disso enquanto nos aproximávamos. Esse homem era de um tamanho moderado, e com um rosto negroide. Ele tinha uma boca grande, quase sem lábios, extraordinários braços esguios, longos pés finos e pernas tortas, e permanecia com seu rosto jogado para frente, encarando-nos. Ele estava vestido como Montgomery e seu companheiro de cabelo branco, em uma jaqueta e calças de sarja azul. Enquanto nós chegávamos ainda mais perto, esse indivíduo começou a correr para a e a partir da praia, fazendo os movimentos mais grotescos.

Diante de uma palavra de comando de Montgomery, os quatro homens na lancha saltaram e, com gestos singularmente desajeitados atingiram os puxadores. Montgomery conduziu-se em círculo e para dentro de uma pequena doca estreita escavada na praia. Nessa altura, um homem na praia apressou-se em nossa direção. Essa doca, como eu a chamo, era realmente um mero fosso suficientemente longo apenas para, nessa fase da maré, receber o escaler. Eu ouvi os remos aterrarem-se na areia, empurram o bote do leme do grande bote com minha lata de carga e, livrando a corda, aterrissaram. Os três homens amordaçados, com os movimentos mais desajeitados, arrastaram-se para a areia e imediatamente começaram a descarregar a carga, [50]auxiliados pelo homem na praia. Eu fiquei impressionado especialmente pelos movimentos curiosos das pernas dos três barqueiros, envoltas e enfaixadas, - elas não estavam duras, mas distorcidas de alguma maneira estranha, quase como se elas estivessem juntas no lugar errado. Os cães ainda estavam rosnando e esticados em suas correntes atrás desses homens, enquanto o homem de cabelos brancos desembarcava com eles. Os três grandes companheiros falavam uns para os outros em estranhos tons guturais, e o homem quem estivera esperando por nós na praia começou a tagarelar para eles excitadamente – uma linguagem estranha, como eu imaginei – enquanto eles colocavam as mãos em alguns fardos empilhados próximos da popa. De alguma maneira eu ouvira uma voz semelhante antes, e não podia pensar onde. O homem de cabelos brancos ficou de pé, segurando um tumulto de seis cães, e gritando ordens através do barulho deles. Montgomery, tendo descarregado o leme, desembarcou da mesma maneira, e todos começaram a trabalhar na descarga. Eu estava muito fraco, como meu longo jejum e o sol batendo em minha cabeça descoberta, para oferecer qualquer assistência.

Logo, o homem de cabelo branco pareceu lembrar-se de minha presença e veio até mim.

Você parece,” disse ele, “como se escassamente tivesse [51]tomado café da manhã.” Seus pequenos olhos eram de um negro brilhante sob suas sobrancelhas pesadas. “Eu devo desculpar-me por isso. Agora você é nosso hóspede, nós precisamos deixar você confortável, - embora você esteja sem convite, você sabe.” Ele olhou agudamente em meu rosto. “Montgomery diz que você é um homem educado, Sr. Prendick; diz que você conhece alguma coisa de ciência. Posso perguntar o que isso significa?”

Eu contei-lhe que eu despendera alguns anos no Colégio Real de Ciência, e realizara algumas pesquisas em biologia sob [a orientação de] Huxley. Diante disso, ele ergueu as sobrancelhas levemente.

Isso altera um pouco o caso, Sr. Prendick,” ele disse, com uma ninharia de mais respeito em sua maneira. “Por coincidência, nós somos biólogos aqui. Isto é uma estação de biologia – de um tipo.” O olho dele parou sobre o homem de branco que estava ativamente transportando o puma, sobre roldanas, na direção do jardim murado. “Eu e Montgomery, pelo menos,” ele acrescentou. Então, “Quando você será capaz de ir embora, eu não posso dizer. Nós estamos fora do caminho para qualquer lugar. Nós vemos um navio uma vez em doze meses ou algo assim.

Ele deixou-me abruptamente, e subiu a praia, [52]passou esse grupo e, eu pensei, entrou na cercada. Os outros dois homens estavam com Montgomery, erigindo uma pilha de pacotes menores sobre uma vagoneta de rodas baixas. A lhama ainda estava na lancha, com as coelheiras; os cães para caçar veados, ainda chicoteados transversalmente. A pilha de coisas completou-se, todos os três homens seguraram a vagoneta e começaram a empurrar o peso de toneladas ou algo assim, sobre ela, seguindo o puma. Logo Montgomery os deixou e, retornando para mim, estendeu sua mão.

Eu fico feliz,” disse ele, “por minha própria parte. Que o capitão era um asno bobo. Ele teria feito as coisas alegres para você.”

Foi você,” disse eu, “que me salvou novamente.”

Isso depende. Você achará esta ilha um lugar infernalmente estranha, eu prometo a você. Eu observaria minhas condições cuidadosamente, se eu fosse você. Ele -” Ele hesitou e pareceu mudar sua mente sobre o que estava em seus lábios. “Eu gostaria que você me ajudasse com esses coelhos,” ele disse.

O procedimento dele com os coelhos foi singular. Eu patinhei com ele, e ajudei-o a arrastar uma das coelheiras para a praia. Logo que isso estava [53]terminado ele abriu a porta dela e, inclinando a coisa sobre uma extremidade, virou seus conteúdos vivos para fora, sobre a terra. Eles caíram em um monte briguento, um sobre o outro. Ele bateu palmas e imediatamente eles dispararam com sua corrida saltitante, quinze ou vinte deles, eu devo pensar, até a praia.

Cresçam e multipliquem-se, meus amigos,” disse Montgomery. “Voltem a encher a ilha. Até agora nós tivemos uma certa carência de carne aqui.”

Enquanto eu os observava desaparecendo, o homem de cabelo branco retornou com uma garrafa de conhaque e alguns biscoitos. “Algo com o quê prosseguir,” disse ele, em um tom muito mais familiar do que antes. Eu não criei dificuldade, mas comecei a trabalhar sobre os biscoitos imediatamente, enquanto o homem de cabelo branco ajudava Montgomery a libertar uma vintena dos coelhos. Três grandes coelheiras, contudo, subiram para a casa com o puma. O conhaque eu não toquei, pois eu tinha sido um abstêmio desde meu nascimento.


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ORIGINAL:

WELLS, H.G. The Island of Doctor Moreau; A Possibility. New York: Stone & Kimball, 1896. pp.45-53. Disponível em: <https://archive.org/details/islandofdoctormo00welluoft/page/45/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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