[231]Enquanto eles iam, o cavaleiro imediatamente começou a falar com Birdalone, e isso sem qualquer zombaria dissimulada, a qual ele usara há algum tempo. Ele mostrou a ela lugares no vale, como cavernas sob as fortalezas, pequenas ilhotas no riacho e certas pedras em meio às Greywethers das quais as histórias fluíam; e como esta e a outra viajaram em relações com os seres da terra, e como uma perecera, e outra fora tornada feliz, e assim por diante. Além disso, ele contou sobre o povo da montanha e, em especial, como aqueles das planícies, quando ele era escassamente mais do que um menino, encontrara-lhes em batalha no mesmo vale, e quão feroz foi a luta; visto que os homens da montanha estavam lutando por uma vida de desejos realizados, a qual, até então, fora apenas um sonho para eles; e os homens da montanha lutaram pela querida vida mesma, e por tudo que a tornava qualquer coisa, salvo a morte, em vida. Portanto, para cima e para baixo, no vale, eles lutaram, primeiramente em fileiras ordenadas, em seguida, em bandos e, finalmente, espada a espada e homem a homem, até que não havia pé de grama ou de areia negra ali que não tinha seu banho de sangue; e o riacho ficou sufocado pelos mortos, e correu vermelho para fora do vale; até que, finalmente, quase toda a tropa dos homens da montanha tinha caído, e escassamente menos do povo das planícies, mas esses homens mantiveram o campo e receberam a vitória.
Tudo isso ele contou a ela, bem e habilmente e, embora ele não dissesse isso tão diretamente, ainda assim a deixou saber que, [232]jovem como ele era, ele era de batalha; e a voz dele era clara e boa, e a ira de Birdalone deixou-a, e ela ouviu com atenção o conto dele, e mesmo perguntou-lhe uma questão aqui e ali; e tão cortês este Cavaleiro Negro agora se torna, que Birdalone começava a pensar que ela tinha sido menos cortês do que o necessário com ele, por causa do medo dela e do cansaço da espera os quais a oprimiam; e isso a envergonhava e irritava, pois ela ficaria encantada de ser de toda cortesia. Portanto, agora ela considerava que, talvez, ela tivesse errado ao considerá-lo um homem maligno; e ela às vezes olhava para ele, e considerava-o de maneira vistosa; ela pensou que os olhos dele eram profundos, e o rosto, de aspecto sóbrio e justo, mas que o nariz dele inclinava-se para baixo na ponta, e era muito fino na ponte e, além disso, os lábios dele pareciam demasiadamente doces e licorosos.
Agora, quando o cavaleio silenciou de seus contos, Birdalone imediatamente começou a perguntar-lhe questões que docemente diziam respeito a este Povo da Pedra que estava todo em volta deles; e ele contou a ela tudo que ele sabia, inicialmente de maneira suficientemente sóbria, contudo, de fato, terminou zombando deles um pouco, mas não mais zombou dela. Finalmente ele disse: ‘Bela dama, que tu não vieste aqui tudo por nada eu parcialmente sei por aquelas palavras que eu ouvi saírem de tua boa ao lado da Pedra do Rei; portanto, eu, de fato, maravilhei-me quando eu ouvi tu dizer que tu sairias diretamente do vale; pois eu tinha te considerado desejosa de tentar a aventura de despertar esse Povo de Pedra durante a noite. Verdadeiramente era essa tua intenção quando tu vieste para o vale?’
[233]Ela ruborizou diante da palavra dele e, em poucas palavras, concordou. Em seguida, ele disse: ‘Ainda não está tua mente tranquila?’ ‘Sir,’ disse ela, ‘como se agora eu comecei a temê-lo.’ ‘Sim? E isso é estranho,’ disse ele, ‘pois tu desejarias ter despertado o vale sozinha, e agora tu não estás mais sozinha, mas tu tens a mim para observar e guardar teu despertar, tu estás com mais medo.’
Ela olhou firmemente para o rosto dele, para conhecer se havia algum sorriso meio oculto ali; mas pareceu que ele falava com toda a sobriedade; e ela nada teve a dizer para ele exceto isto: ‘Sir, agora eu me tornei receosa do despertar.’ E ele não disse mais nada sobre isso.
Agora eles foram dessa maneira, e Birdalone não sem satisfação, uma vez que o medo dela do cavaleiro reduziu-se, algumas três horas vale acima, e ainda estavam as Greywethers em volta deles, de maneira que havia quase tantas horas quanto milhas na caminhada deles.
Finalmente, eles pareciam estar aproximando-se da cabeça do vale, e as fortalezas e as rochas estavam diante deles todas em torno, eram como uma muralha, embora, contudo, aproximadamente uma milha distante na extremidade mais além; e essa extremidade era mais ampla do que em outros lugares.
Nessa altura, eles chegaram um espaço nivelado de relvado livre de pedras cinzas, o qual era todo desenhado em volta em anéis ordenados, de maneira que era como algum Círculo-de-Julgamento de um povo antigo; e dentro do dito espaço Birdalone observou um grande cavalo negro amarrado e comendo a grama. O cavaleiro conduziu-a para dentro do anel e disse: ‘Agora nós chegamos ao presente, my lady, e, se te agradas desmontar, [234]nós logo devemos comer e beber, e depois, conversar um pouco. E ele aproximou-se para a ajudar a descer do cavalo, mas ela não o permitiu, e desmentou a si mesma; mas, se ela não tolerou sua mão, seus olhos ela necessitava tolerar, enquanto ele encarava avidamente a decoração dos pés e pernas dela em seu deslizar de seu cavalo.’
Seja como for, ele tomou a mão dela e conduziu-a a um pequeno monte no outro lado do anel e convidou-a a sentar-se ali, e assim ela fez, e, a partir de debaixo de uma das pedras mais próximas, ele tirou um par de alforjes, e tirou mantimentos e vinho dali, e eles comeram e beberam, juntos como antigos companheiros. E agora Birdalone dizia a si mesma que o cavaleiro era franco e amigável; ainda assim, verdadeiramente, ela tinha conhecimento de que o coração dela escassamente acreditava no que simulava, e que ela ainda o temia.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 231-234. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/231/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0