A Água das Ilhas Maravilhosas - A Quarta Parte: Dos Dias de Permanência - Capítulo XII Como Aqueles Dois saem do Vale Negro das Greywethers

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[235]Quando eles tinham jantado, e sentado-se por um tempo conversando, o cavaleiro disse: ‘Eu te perguntarei uma vez mais, por que tu precisas partir deste vale deixando as Greywethers desacordadas? Contudo, isto eu devo te contar primeiro, que este anel ao final do vale é o único lugar apropriado onde as Greywethers podem ser corretamente despertadas, e que há poucos que têm conhecimento disso. Então, tu não me contarás o que está em tua mente?’

Birdalone olhou fixamente para a terra abaixo por um tempo; em seguida, ela ergueu a cabeça, olhou para o Cavaleiro Negro, e disse: ‘Senhor Cavaleiro, nós fomos trazidos tão perto hoje, e, como me parece, em estou completamente em teu poder, de modo que eu te contarei a verdade mesma como ela é. Minha intenção era despertar o vale esta noite, e receber o que pudesse me acontecer. E bem, de fato, eu podia temer a aventura, a qual poucos, parece-me, não temeriam. Mas tão forte é meu anseio por aquilo que eu imploraria a esses seres, que ele conquistou meu medo, e meu propósito continuava quando eu entrei no vale. Então eu encontrei-te; e aqui novamente está a verdade, recebe-a como tu desejares, que eu logo te temi, e eu ainda te temo; pois eu observei-te de perto durante todo esse tempo, e tenho visto de ti, que tu estás excessivamente atencioso de meu pobre corpo, e desejarias tê-lo para ti mesmo se tu pudesses. E também há isto em ti, como eu considero, embora [236]tu mesmo não o saibas, que tu terias teu prazer de mim, quer isso me agrade quer me aflija; e este teu prazer eu preciso negar; pois, embora tu possas, daqui em diante, tornaste-te meu amigo, ainda assim, há outros amigos meus, quem são tais que minha aflição estragaria qualquer prazer que eles pudessem ter. Tu ouviste e entendeste?

Ela olhou para o rosto dele firmemente enquanto ela falava, e viu que ele ruborizou, escureceu e franziu as sobrancelhas, e que as mãos dele cerraram-se, e seus dentes cerraram-se duramente. E novamente ela falou: ‘Senhor, tu deves saber que, além dessas armas de tiro, eu tenho uma coisa aqui em meu cinto que pode servir ou contra ti ou conta mim, se a necessidade conduzir-me a isso; portanto, eu te suplicarei para se abster. Verdadeiramente, tu logo deves deparar-se com outra mulher, quem deverá ser melhor para ti do que eu posso ser.’

Por então, Birdalone falara a palavra, e o rosto do cavaleiro clareou, e ele riu alto e disse: Quanto a tuas palavras, ali finalmente tu estás, my lady. Mas quanto ao resto, eu vejo que eu devo ser completamente como tu desejares. Ou melhor, se tal for tua vontade, nós logo devemos montar a cavalo e cavalgar vale abaixo novamente e, ao fim dele, eu deverei deixar-te ir para casa sozinha conforme tua vontade. Ela disse: ‘Por isso eu posso agradecer-te com todo o meu coração. Mas por que tu não me perguntaste de onde eu sou, e para onde eu iria para casa?’

Novamente ele riu e disse: Porque eu já sei. Eu tenho recebido mais do que dois ou três contos daqueles quem te viram, ou falaram para outros quem te viram, como os alegres Campeões [237]do Castelo da Busca pescaram uma pérola maravilhosa de valia a partir da Grande Água; e quando eu coloquei olhos em tua beleza, eu sabia que a dita pérola não podia estar em nenhum outro lugar do que sob meus olhos.

Deixe isso passar,ela disse, e não ruborizou; mas agora me conta a verdade como eu te contei, por que tu estás tão urgente comigo para despertar as Greywethers hoje à noite?Ele manteve silêncio por um tempo, e, enquanto ela olhava para ele, ela pensou que viu confusão no rosto dele; mas finalmente ele disse: ‘Tu estás errada em dizer que eu não presto atenção a teu prazer, e conforto e bem-estar. Pareceu-me, e ainda parece, que poderia ser de teu benefício despertar as Greywethers hoje à noite; e nunca novamente tu podes ter uma chance do despertar, como eu outrora disse. Eu digo que desejo que tu tenhas a realização de teu desejo. Nem tu tens nada a temer delas, visto que são apenas covardes e tolos que elas destroem.

Ele interrompeu abruptamente sua fala, e Birdalone, ainda assim, olhou para ele e, após um tempo, ele disse: Tu extraíste a verdade de mim; pois, além disso, eu te teria comigo por mais tempo do que tu desejarias estar se nós apenas cavalgássemos juntos, descendo a água e para fora do vale, e tu viajas sozinha para longe.

Com um tempo, Birdalone falou, e isso enquanto ele a encarava ansiosamente; ela disse: Agora eu deverei te contar que eu deverei aguardar a aventura do despertar hoje à noite, seja o que for que possa acontecer.’ ‘E eu,disse ele, ‘farei assim para que tu possas me temer menos; pois eu me desarmarei quando a noite começar, e tu mesma deves guardar minha cota de malha e espada e adaga.’ [238]Ela disse: ‘Está bem; eu aceitarei isso, para que o desejo não te vença.’

Eles não falaram mais sobre isso naquela ocasião, e agora eram cinco horas depois do meio-dia. Birdalone levantou-se, pois ela achava de difícil sentar-se parada e aguardar o anoitecer: ela foi para fora dos dois primeiros anéis das Greywethers, os quais estavam colocados em ordem mais aberta além dali, e ela olhou tudo em torno dela, para as rochas negras de cada lado, para a grande muralha negra no fim do vale e para as montanhas distantes além dele; em seguida, para baixo, na direção da planície do vale, vieram os olhos dela, e ela olhou através do emaranhado de pedras cinzas. Agora ela parecia olhar mais intencionalmente para uma coisa; com isso ela chamou para si o Cavaleiro Negro, quem estava esperando e observando-a, e ela disse para ele: ‘Bom senhor, és tu de vista clara e longa?’ ‘Eu não me considero ser de vista curta e limitada,’ respondeu ele. Então Birdalone estendeu a mão e o pulso para ele, apontou e disse: ‘Tu podes ver algo que tu não procuras ver, acima do vale, enquanto eu aponto?’ Disse ele: ‘Tudo muito claro, eu vejo a mão e o punho de ti, e isso me cega para qualquer outra coisa.’ ‘Eu suplico-te, brincadeira não,’ disse ela, ‘mas olha atentamente, tu podes ver o que eu vejo, e então, conta-me o que isso significa. Embora, verdadeiramente, eu seja prodigiosa em visão distante.’

Ele olhou sob o pequeno ângulo de sua mão atentamente e, em seguida, virou-se para ela e disse: Por todos os santos! Há em ti toda excelência! Tu estás certa; eu vejo um cavalo baio lá em cima se alimentado de mordidas de grama em meio às Greywethers.’ ‘Olha novamente!disse ela; ‘o que mais tu vês? Há [239]alguma coisa perto do cavalo baio que é semelhante ao brilho e resplendor de Metal.’ ‘Cristo!’ disse ele, ‘uma vez mais tu estás certas. Há homens armados no vale. Não se demores, eu suplico-te, apenas vai para o cavalo diretamente, e eu farei o mesmo.’

Lá se vai o despertar do vale por esta vez,disse Birdalone, rindo.Mas tu não estás com pressa, bom senhor? Não podem ser teus amigos?

O cavaleiro colocou sua mão no ombro dela, empurrou-a na direção do palafrém dela, e falou ferozmente, mas não em voz alta: A ti eu suplico para não brincar agora! Não há um minuto a poupar. Se tu me julgas maligno, como eu penso que tu julgas, há piores do que eu, eu digo-te, há piores. Mas nós falaremos disso quando nós estivermos na sela, e livres desta terra amaldiçoada.

Birdalone não soube o que fazer senão o obedecer, assim ela ligeiramente montou em sua sela e seguiu-lhe, pois ele estava montado em uma piscadela, e cavalgando. Ele conduziu para fora do anel e, imediatamente, começou a esmagar com os pés o labirinto das Greywethers, mantendo-se sempre na direção do lado íngreme do vale, o qual ficava àquela mão que olhava na direção do Castelo da Busca, quer dizer, na curva oriental. Birdalone ponderou sobre essa condução e, quanto ela alcançou o cavaleiro, ela falou para ele em fôlego, e disse: ‘Mas, bom senhor, por que nós não descemos o vale?’ Ele respondeu: ‘Primeiro, lady, porque nós devemos nos esconder deles imediatamente; e em seguida, porque eles são mais do que nós, muito mais, e os cavalos deles estão descansados, enquanto o teu, pelo menos, está um pouco extenuado; e se eles fossem cavalgar velozmente o vale abaixo em perseguição, eles logo [240]estariam sobre nós; pois não penses que eu escaparia e deixar-te-ia para trás.

Disse Birdalone: Mas então, tu conhece-os? Uma vez que tu tens conhecimento dos números e da montaria deles? Escuta com atenção, agora! Sobre tua alma e tua salvação, são eles mais amigos para ti do que para mim?

Ele disse, enquanto ele cavalgava um pouco mais lentamente do que outrora: ‘Sobre minha alma e minha salvação, eu juro que os homens acolá são dos piores inimigos para ti que podem existir no mundo. E agora, lady, eu prometo-te que eu desvendarei o enigma para ti, e contar-te-ei a inteira verdade desses acasos, seja o que for que possa vir de minhas palavras, quando nós estivermos em um lugar mais seguro do que este; e, entrementes, eu suplico-te para confiar em mim até então, como para acreditar que eu estou te conduzindo para fora do pior perigo mesmo que poderia te acontece. Ou melhor, tu precisas confiar em mim; pois eu conto-te que, embora eu agora te ame melhor que todo o mundo e tudo que há nele, eu te matarei aqui neste vale antes de te permitir cair nas mãos desses homens.

Birdalone ouviu-o com um coração doente; mas tal paixão ia com as palavras deles que ela acreditou no que ele disse; e ela falou suavemente: ‘Senhor, eu confiarei em ti até então; mas eu suplico-te para ter pena de uma pobre donzela quem teve muito pouca piedade mostrada a ela até os últimos dias; e então: Oh minha dor, ter caído fora da gentileza e do amor uma vez mais!’

Em pouco tempo, o Cavaleiro Negro falou para ela e disse: Que piedade eu puder para ti, eu terei. [241]Uma vez mais eu te conto, que, se tu apenas soubesses, tu agradecer-me-ias pelo que eu fiz por ti nesta hora; e doravante eu farei e tolerar-te-ei ao máximo que o amor me tolerará. Mas, oh tu! Aqui nós estamos salvos por este presente; mas de jeito nenhum nós devemos demorar.

Birdalone olhou e viu que eles chegaram à muralha do vale, e que ali ela descia perpendicularmente para a planície do mesmo, e que, diante deles, havia uma fenda que se estreitava prontamente, e sobre a qual as rochas quase se encontravam, de maneira que ela era quase uma caverna. Eles cavalgaram para dentro dela imediatamente, e, quando tinham se ido por apenas um pouco, e porque ventara um pouco, eles apenas conseguiam ver o vale principal como uma estrela de luz atrás deles, então ele não mais se estreitava, mas era como uma rua sombria das mais rigorosas, às vezes mais clara, às vezes mais escura, de acordo com que as rochas que o cobriam como um teto sobre as cabeças ou se afastavam dele. Longamente eles cavalgaram, e às vezes chegavam a riachos de água a partir das rochas de um lado ou de outro; e agora e novamente eles encontravam um riacho que cobria todo o terreno da passagem de lado a lado, pela profundidade de um pé ou mais. Grandes rochas também estavam espalhadas através do caminho deles a cada aqui e ali, de maneira que, às vezes, eles precisavam desmontar e labutar a pé através de pedras acidentadas; e, na maioria dos lugares, o caminho era penoso e difícil. O cavaleiro falou pouco com Birdalone, salvo para contar a ela sobre o caminho, e avisá-la de onde ele era perigoso; e ela, pela parte dela, estava silenciosa, parcialmente por medo do homem estranho, ou, podia ser, até por ódio dele, quem dessa maneira a trouxera a um semelhante problema doloroso, [242]e parcialmente por pesar. Pois, com todo o tormento da tristeza, ela continuava ponderando de novo e de novo em sua mente se seus amigos já chegaram em casa no Castelo da Busca, e se eles procurariam por ela para a libertar. E tal vergonha tomou conta dela, quando ela pensou em seu pesar e confusão de alma quando eles devesse chegar em casa e descobri-la ida, que ele colocou sua mente para perguntar se não teria sido melhor se ela nunca tivesse se encontrado com eles. Ainda assim, em boa calma a mente dela não daria forma ao pensamento, por mais que ela o suplicasse.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 235-242. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/235/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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