A Múmia! Um Conto do Século XXII - Volume I - Capítulo III

Capítulo anterior


[45]“Meu querido Edric,” exclamou Sir Ambrose, jogando-se nos braços de seu filho, “meu querido, querido Edric! O seu irmão venceu a batalha! Os alemães foram completamente derrubados. Ele tomou o rei deles e vários de seus príncipes prisioneiros; e a bela província da França foi cedida a nós inteiramente.”

Eu alegro-me com isso,” exclamou Edric, retornando com emoção o abraço de seu pai, “e ele, eu espero, está seguro?”

Eu espero que sim, também,” respondeu Sir Ambrose; “embora ele nada falou de si mesmo: mas você conhece Edmund: ‘Nossas tropas venceram isto,’ ‘nosso exército ganhou aquilo!’ ‘Os soldados lutaram bravamente!’ Ele nunca fala de si mesmo. [46]Ao ouvir ele relatar uma batalha, ninguém imaginaria que alguma vez ele teve alguma coisa a ver com ela.”

Está muito escuro para ver mais,” disse o Padre Morris, quem, durante essa conversação, estivera observado o telégrafo, e agora se voltava dele em desespero; “a máquina ainda está em funcionamento, mas está muito escuro para eu decifrar o que isso quer dizer.”

A atenção de todos presentes foi dirigida para o céu enquanto ele falava. De fato, ele tornara-se de uma escuridão pícea, uma escuridão geral parecia pender sobre a face da natureza; os pássaros voavam gorjeando por abrigo, um vento baixo gemia através da árvores, e, em resumo, cada coisa parecia pressagiar uma tempestade.

Não tinha sido melhor retornarmos a casa?” disse o Dr. Entwerfen, olhando em volta com alguma coisa como medo diante dessas indicações alarmantes, pois sua imaginação aquecida ainda não se recuperara bastante do efeito das especulações horríveis nas quais eles estivera satisfazendo-se tão ultimamente. “O que é aquele ponto negro ali? Eu afirmo que ele se move! Deus do céu! O que pode ser?”

Realmente, doutor!” retornou Abelard, “você [47]provocou a ação de minhas faculdades risíveis. Aquele corpo opaco que você percebe a uma pequena distância, e que parece ter ocasionado uma tal excitação terrível de seu sistema nervoso, é apenas um espécime vivo do gênero corvo, quem provavelmente desceu a terra para procurar seu repasto vermicular.

Eu imploro seu perdão, Sr. Abelardo,” respondeu o Sr. Davis, falando com sua usual precisão, “mas, de acordo com minha humilde compreensão, você labora sob um leve engano quanto a esse particular. O bípede emplumado que tão forçosamente atraiu a sua atenção, parece-me, não um dos corvos, mas antes um dos gaios; uma variedade de ocorrência extremamente rara nessa vizinhança, e as quais são às vezes chamadas de aves incendiárias, a partir de sua propensão infeliz para colocar habitações em combustão, ao pegarem pequenos pedaços de carbono flogisticado e, levando-os em seus bicos para a combinação de palha e outros materiais, algumas vezes empilhando-os sobre o cume de uma casa, para defendê-los das incursões de pluviosidade.”

Não adianta,” suspirou Sir Ambrose, ainda [48]esforçando os olhos para tentar decifrar os movimentos do telégrafo, os contornos do qual agora pareciam apenas estampados como se em azeviche, e fortemente atenuados pelo céu cinza escuro além.

Não adianta,” reiterou o Padre Morris, e o grupo todo está se preparando para se retirar quando, subitamente, uma luz cintilou sobre eles a partir da colina, e instantaneamente uma longa linha de tochas parecia fluir através do horizonte. “Ele está vindo para casa, mas escreverá mais amanhã,” exclamou o grupo todo simultaneamente, pois todos bem conheciam por experiência o significado daquele sinal. “Ele está vindo para casa, graças a Deus!” repetiu Sir Ambrose, seus lábios pálidos tremendo, e cada membro tremendo de agitação.

Olhem para meu pai,” exclamou Edric, “ele vai desmaiar.”

Oh não, não!” repetiu Sir Ambrose: “Graças a Deus! Graças a Deus!”

Encoste-se em mim, pelo menos,” disse Edric, carinhosamente.

Sir Ambrose concordou; e, suportado por [49]seu filho, olhou fixa e ansiosamente as tochas, o brilho vermelho das quais, derramando uma luz não natural em volta deles, fez a escuridão em volta parecer mais intensa. O trovão agora rugia à distância, e a chuva começava a cair em grandes pingos; ainda assim, Sir Ambrose permanecia com os olhos fixos sobre as tochas, e nenhuma persuasão pôde induzi-lo a deixar o terraço. Essas luzes selvagens e de aparência assustador brilhavam através da tempestade, pareciam um elo de conexão entre ele e seu filho querido; e não foi até que elas foram obscurecidas pela espessa chuva pesada, e mesmo o contorno do telégrafo desapareceu nas nuvens que se acumulavam ao redor, que ele pôde ser induzido a buscar abrigo.

Sir Ambrose dormiu pouco naquela noite: o sono da idade é facilmente interrompido, e talvez a agitação alegre de seus espíritos produzira um leve acesso de febre. Ele levantou-se com a aurora; e, muito antes que o resto de sua família descesse, convocou Abelard, para que ele pudesse o enviar para informar o Duque de Cornwall das notícias: visto que o Padre Morris, por causa da tempestade, passou a noite na casa de Sir Ambrose.

[50]“Vá,” disse ele, assim que o sonolento mordomo fez sua aparição. “Eu estou certo de que o duque sente um interesse quase tão grande no sucesso de Edmund quanto eu mesmo, e não ficará descontente se ele for perturbado um pouco antes do que o usual diante de uma semelhante ocasião.”

Eu obedeço,” respondeu Abelard. “Eu me livrarei de minhas propensões sonolentas, e apressar-me-ei com a velocidade do fluído elétrico para o castelo do chefe nobre.

Preste atenção para que você não esqueça de sua mensagem pelo caminho,” repetiu Sir Ambrose, sorrindo.

Nem todas as águas do Leteu poderiam lavar semelhantes notícias soníferas da minha memória,” respondeu o mordomo. “As palavras de vossa senhoria estão impressas sobre o órgão mnemônico de meu cérebro; e meu sensório deve ser dividido de meu cerebelo antes que elas possam ser apagadas.

O Duque de Cornwall tinha sido o amigo íntimo de Sir Ambrose quase desde a infância. Eles tinham sido companheiros na escola e na faculdade; além disso, circunstâncias peculiares que aconteceram na juventude deles, [51]vincularam-nos juntos em laços indissolúveis. O que foram essas circunstâncias, contudo, ninguém sabia exatamente, exceto as partes interessadas, e eles sempre evitavam aludir a elas. Tudo que geralmente era entendido sobre o assunto sendo que Sir Ambrose tinha, de alguma maneira, sido instrumental para salvar a vida do duque; mas como, quando, ou onde, nunca foi claramente explicado.

O Duque de Cornwall era da família real da Inglaterra e intimamente aliado ao trono. O pai dele fora irmão daquele príncipe quem recusara tão firmemente a coroa quando ela foi oferecida a ele pelos embaixadores do povo; e como aquele príncipe não deixara descendentes masculinos, o duque poderia ser considerado como legitimamente intitulado para reinar. O pensamento de perturbar, através de suas reivindicações, a dinastia feminina agora estabelecida, contudo, nunca entrara em sua mente, pois, tendo tomado em sua cabeça que ele casaria sua filha Elvira com Edmund Montagu, e sua sobrinha Rosabella com Edric, ele voltava todos os seus pensamentos, [52]planos e desejos para a realização desse objetivo, e não tolerava nenhuma outra ideia interferir com isso.

Como a maioria das pessoas vivendo em afastamento completo, o duque era excessivamente inclinado a mistérios insignificantes e artifícios desnecessários, e ele desperdiçava tanto ingenuidade quanto artifícios sobre esse esquema, que podiam, se diferentemente aplicados, ter sido suficiente para perturbar o reino. Era verdadeiro, o interesse do enredo foi arruinado, de alguma maneira, pelo medo de que, no instante que ele tornasse suas intenções conhecidas, todos ficariam encantados em concordar com elas: ainda assim, enquanto isso foi mantido secreto, era um enredo, e como foi o melhor que o duque pôde reunir, ele resolver tentar fazer o máximo com ele.

Para esse propósito ele fez do Padre Morris o seu confidente, e mantinha longas conferências privadas com ele sobre o assunto. Agora o duque estava completamente feliz: ele não tinha somente alguma coisa para planejar, e alguma coisa sobre o quê pensar, mas ele também tinha alguém a quem se opor, pois a opinião do Padre Morris quanto às disposições dos jovens, era diametralmente oposta [53]a sua própria; ele considerando a mente forte e o espírito altivo de Rosabella mais adequado ao ambicioso Edmundo, enquanto que a disposição suave e dócil e as graças de Elvira pareciam harmonizarem-se exatamente com o gosto do filosófico Edric. Contudo, nenhuma persuasão podia induzir o duque a desviar-se no menor grau de seu desígnio. Como muitos das classes mais elevadas da sociedade naqueles dias de educação universal, ele assumia uma excessiva naturalidade e simplicidade em sua linguagem; a tal ponto que, de fato, como algumas vezes quase a degenerar em rudeza, para que ela pudesse ser claramente distinguida das expressões elaboradas e científicas do vulgo; e quando estimulado por seu confessor sob o assunto desses casamentos desejados, ele diria asperamente, “Não fale comigo; não há nada como um pouco de contradição na vida de casado. Se duas pessoas fossem concordar em viverem juntas, quem sempre fossem da mesma opinião, elas morreriam de tédio em seis meses. Não, não, eu estou certo, e assim eles descobrirão no final.”

Então ele sacudiria sua cabeça, e [54]assumiria uma tal aparência de determinação positiva, que o Padre Francis geralmente se retiraria em silêncio, sentido perfeitamente em vão tentar alterar sua resolução. Quanto a consultar as inclinações dos jovens mesmos, a ideia nunca entrou em sua imaginação. “Os filhos não conhecem o que é bom para elas,” ele responderia rispidamente se um pensamento semelhante fosse sugerido a ele, “e é o dever dos pais e guardiões decidirem em semelhantes assuntos.”

O duque já se levantara, e estava em seu jardim, quando o mensageiro de Sir Ambrose chegou ofegando por fôlego, e bastante exausto pela velocidade, como ele a expressava, a qual ele empregara na tentativa de executar, com diligência máxima, os desejos de seu mestre. O duque ficou supresso de o ver – “O que traz você para fora tão cedo, Abelard?” Ele perguntou.

Oh, vossa graça,” respondeu o mordomo, suspirando pela expressão, a pressa que eu produzi impediu minha respiração; e o sangue, encontrando a artéria pulmonar livre, lançou-se com tanta força ao longo do canal da artéria para a aorta que [55]– que – eu estou em perigo iminente de ser sufocado.

Bah!” disse o duque.

Além disso,” continuou Abelard, “uma secreção salina a partir de cada poro de minha pele, em uma transudação serosa, a partir dos esforços excessivos que eu fiz.

E o que ocasionou esses esforços violentos?”

O desejo diligente experienciado por Sir Ambrose de transmitir, com toda a diligência possível, a vossa graça, a conhecimento que ele há pouco recebeu da aquisição de uma vitória pelo Mestre Edmund, no território hostil da Alemanha.

Vitória!” gritou o duque, “Vitória! - Rosabella! Elvira! Onde estão vocês, garotas? Aqui estão as notícias para despertar vocês de seus sonos. - E como ele está, Abelard? Está o corajoso rapaz mesmo seguro? Deus o abençoe! A vitória não será nada para nós, se nós devemos perdê-lo.”

Isso me ocasiona desgosto excessivo,” respondeu Abelardo, “que eu sou totalmente incapaz de resolver esse interrogatório para a completa satisfação de vossa [56]graça. Contudo, taciturnamente sobre alguns assuntos, eu acredito, geralmente é considerado sinônimo de prosperidade; e, como o Mestre Edmund, para o melhor de minha crença, não transmitiu nenhuma informação relativa a sua sanidade na comunicação feita por ele a seu ancestral parteno, eu humildemente opino que não há fundamentos razoáveis para a suposição de que ele sofreu qualquer deterioração material em consequência do último encontro sanguinário no qual ele esteve engajado.”

O duque não teve paciência para esperar pela conclusão do discurso dele; apenas mancou para longe tão rapidamente quanto enfermidades permitiriam, berrando por Elvira e Rosabella, em uma voz que podeira ter silenciado Estentor; e Abelardo, descobrindo-se sozinho, ficou inclinado a seguir seu exemplo, ponderando como ele acompanharia, diante da impaciência excessiva dos espíritos ardentes da idade, os quais não permitiam às pessoas permanecerem parada, mesmo para ouvir o que ele chamava de uma resposta resumida às questões que elas mesmas propuseram.

Quaisquer que sejam as faltas que possam cair no quinhão do [57]Duque de Cornwall, aquela de um coração gélido não estava em meio ao número, e o deleite que ele sentiu ao ouvir do triunfo de Edmund não podia ter sido maior se o jovem herói tivesse sido seu próprio filho. De fato, os olhos dele absolutamente brilharam com arrebatamento, quando ele comunicou o conhecimento para sua sobrinha e filha; e as notícias dele não foram concedidas a ouvidos insensíveis, pois os seios de ambas as ouvintes palpitaram com o prazer diante das notícias. Elvira fora o ídolo da reverência de Edmund desde a infância; ela imaginava retornar a paixão dele com fervor igual; mas ela enganava-se, e o amor era ainda como um estranho para o coração dela. Dotada de grande beleza e talentos superiores; acostumada desde a infância a ser adorada por todos em volta dela; cercada por aduladores, até que mesmo a bajulação perdeu seu charme, Elvira mesma nunca amara; porque ela nunca amou, nós deixamos aos filósofos para explicarem; nós meramente declaramos os fatos e deixamos para outros extraírem conclusões.

O temperamento de Rosabella era muito mais fácil de decifrar do que aquele do primo dela. A paixão era [58]a essência da existência dela; e seus olhos negros cintilavam um fogo que evidenciava a intensidade dos sentimentos dela. Ela amava Edmund, mas, embora ela o amasse com todo essa violência esmagadora, a qual apenas uma alma como a dela pode sentir, contudo, ela não teria hesitado em sacrificar mesmo ele à vingança dela, se ela tivesse pensado que ele a tratara com negligência ou desdém. Ela desprezava a opinião do mundo, e considerava o gênero humano no geral apenas como escravos, a quem ela deveria honrar ao pisar sob os pés dela. A ambição era sua paixão principal, e mesmo o amor dela por Edmund esforçava-se em vão por controle contra ela. Esse sentimento era agora altamente gratificado pelas notícias da vitória de Edmund. Ela triunfava na glória dele; e uma paixão mais profunda queimava sobre a bochecha dela, a partir da consciência orgulhosa de que ela não tinha colocada as afeições dela sobre um objeto indigno.

Nós não temos tempo a perder, garotas,” disse o duque.Eu não gostaria de deixar de estar com Sir Ambrose quando ele receber a carta dele, por reinos. Aqui, Hyppolite! Augustus! Aprontem um balão, saímos diretamente. Quão tediosos [59]são esses rapazes! Eles podiam ter removido um campanário de igreja no tempo que eles desperdiçaram em volta daquele balão.

Se vossa graça tiver um momento de paciência,” disse Hyppolite, segurando as cordas do balão. Mas sua Graça não teve paciência; era um ingrediente que a Natureza muito esquecera de colocar em sua composição; e, sem esperar que a escada ascendente fosse baixada, ele saltou para dentro do carro em uma tal pressa no momento que o balão foi trazido à porta, que ele ficou no perigo iminente de o sobrecarregar. “Assim! Assim,” disse ele “muito bem, isso servirá, - e agora, garotas, que vocês estão seguramente embarcadas, nós sairemos. Hyppolite! Você conduzir-nos-á: - e, Abelard, entre você na copa e deixe meus rapazes darem a você alguma coisa para comer; você desejará algo depois de suas fadigas. Assim! Assim, servirá; não nos embaracemos por nenhum momento -;e o resto de sua fala foi perdido no ar, conforme o balão flutuava majestaticamente para longe.

Isso sempre pareceu muito surpreendente para mim,” disse Abelard, após observar o balão [60]até que ele ficou fora de vista, “observar quão parciais grandes pessoas geralmente são no modo aéreo de viagem; de minha parte, eu considero a maneira pedestre infinitamente mais agradável.”

De gustibus non est disputandum,” respondeu Augustus, o criado do duque, a quem essa observação estava endereçada: “Mas eu acho que eu vejo alguns sintomas de lassitude à sua volta, Sr. Abelard. Não quer ir ao aposento da Sra. Russel, nossa governanta para reparar, através de algum refresco alimentar, a excessiva exaustão que você suportou no curso de seus esforços matutinos?”

De bom grado, Sr. Augustus. - eu reconheço candidamente, eu sinto a carência de uma pequena nutrição saudável. Além disso, eu deverei ficar extremamente feliz de aproveitar da oportunidade que a fortuna tão benignamente apresenta de prestar meus respeitos à Sra. Russel, a quem eu não vi nesses três dias.

A valorosa governanta igualmente se regozijou com Abelard diante dessa instância de boa fortuna; um tipo de flerte sentimental tendo estado continuando entre eles pelos últimos [61]trinta anos. Ela adequadamente acariciou seu avental branco de neve, reajustou sua touca, e alisou seus cabelos grisalhos, os quais estavam divididos sobre sua testa, com a exatidão mais escrupulosa, antes que ela avançasse para receber os visitantes. “Do que precisará, meu querido Sr. Abelard?” ela disse, tão logo ela estava dentro do alcance da audição; “o que você pode imaginar? Eu tenho um canto delicioso de um pastel frio de veado em minha despensa.”

Palavras são completamente fracas demais para expressarem os êxtases de minha gratitude ao receber um tão gracioso elogio, bela Eloisa,” respondeu o mordomo romântico; pois assim, em alusão ao próprio nome dela, era como ele costumava a chamar. “Mas, embora você tenha apenas os rigores do Paráclito aos quais me convidar, em vez dos confortos de uma despensa bem farta, ainda palavras seriam defeituosas para expressar os sentimentos de meu seio em ver você novamente.”

Poupe meus rubores!” disse a Sra. Russel, lançando os olhos para o chão e brincando com o canto de suas vestes oficiais. “Eu sinto uma sufusão rosácea brilhar sobre minhas bochechas, conforme suas [62]expressões lisonjeiras atingem o tímpano de meus órgãos auriculares.

Oh, Sra. Russel!” suspirou Abelard, encarando-a gentilmente; então, após uma breve pausa, ele continuou: “Quanto aos alimentos com os quais sua gentileza providente aliviaria meu apetite – embora carne de veado seja uma comida saudável, e foi reconhecida pelos antigos como eficaz na prevenção de febres, e embora a menção mesma de pasta salgada faça os eryptae, usualmente empregados na secreção de mucos da minha língua, erguerem-se, portanto ocasionado um transbordamento de saliva, ainda assim eu me negarei a indulgência, e contentar-me-ei simplesmente com um ovo cozido, com sendo mais provável de concordar com o presente estado enfraquecido dos órgãos digestivos de meu estômago.”

Você deverá tê-lo imediatamente,” exclamou a Sr. Russel.

E você terá a gentileza para superintender o arranjo culinário de si mesma?” respondeu Abelard. “Eu não gosto da clara do ovo coagulada demais; e eu prefiro-o [63]sem nenhum óleo butiráceo, simplesmente saborizado por uma pequena quantidade de comum muriato de soda.”

O ovo logo foi preparado e devorado. “Obrigado, obrigado! Querida Sra. Russel,” disse Abelard; “essa refeição leve foi a mais satisfatória. Eu sentira por algum tempo o suco gástrico corroendo as peles de meu estômago; e ainda, embora eu tenha dado a ele alguma substância sólida sobre a qual agir, eu penso que não seria impróprio diluir sua virulência através da adição de um pequeno fluído. Você tem alguma coisa fria e refrescante?”

Eu tenho um pouco de cerveja engarrafada,” respondeu a Sra. Russel; “mas eu tenho medo de que o ácido carbônico não esteja suficientemente desocupado durante o processo da fermentação vínica para o tornar saudável; e escassamente há qualquer álcool na composição inteira -”

Isso é exatamente o que eu desejo,” disse Abelard; “pois meus médicos expressamente proibiram estimulantes. Na condição de que o glúten que forma a gema estivesse propriamente separado na [64]preparação do malte, e a semente suficientemente germinada para converter a fécula em açúcar, eu deverei ficar perfeitamente satisfeito.”

Eu posso garantir o cuidado de sua preparação tanto com respeito ao malte quanto à cerveja,” repetiu a Sra. Russel; e o fluído espumante cintilou dentro de um cálice, para a satisfação infinita do mordomo sedento, quem, após um gole saudável, jurou que o néctar mesmo nunca foi metade tão delicioso; e que todos os deuses do Olimpo invejar-lhe-iam, se apenas eles pudessem provar a comida dele, e ver a Hebe florescente que era sua copeira.


Próximo capítulo


ORIGINAL:
LONDON, J.C. The Mummy! A Tale of the Twenty-Second Century. London: Henry Colburn,

New Burlington Street, 1828. p.45-64.

Disponível em:<https://archive.org/details/mummyataletwent02jangoog/page/n59/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O Último Homem - Volume I - Capítulo IV-II

O Último Homem Por Mary Shelley Volume I Capítulo anterior [121] Capítulo IV-II Há um sentimento tal como amor à primei...