[250]Quando chegaram a um fim de sua refeição, eles montaram em seus cavalos e cavalgaram em seus caminhos; e agora, a cada milha, a estrada deles ficava mais fácil, a passagem, mais ampla, e suas paredes, mais baixas e agora também mais quebradas; até que, finalmente, eles começaram a descer a colina rapidamente e, após um tempo, a estrada deles parecia ser engolida em uma grande mata de carpino e azevinho; mas o cavaleiro continuou cavalgando e entrou na dita mata, e até encontrou algum caminho em meio aos galhos, embora logo eles estivessem no meio mesmo das árvores, e não vissem luz do dia entre os troncos por quase uma hora, visto que o bosque era espesso e emaranhado, e eles tinham de enfiar o caminho deles entre os labirintos dele.
Finalmente o bosque começou a estreitar-se diante deles, e a luz branca a revelar-se entre os troncos; e Birdalone considerou que ela ouvia o som de água caindo, e logo ela ficou certa disso; e o cavaleiro falou para ela: ‘Paciência, minha dama; agora nós estamos próximos de casa por hoje.’ Ela acenou com a cabeça gentilmente para ele, e, depois disso, eles cavalgaram para o terreno aberto, e estavam ao lado de uma inclinação íngreme, entrando abruptamente, à direita deles, em um penhasco liso, que Birdalone viu quando o cavaleiro a conduziu para a extremidade e ordenou a ela olhar de cima. Então ela viu abaixo um belo pequeno vale estendendo-se sob eles, através do qual corria um pequeno rio, claro e veloz, mas não turbulento, após ele ter caido através de uma cachoeira na extremidade superior do [251]pequeno vale, e produzido o som de água que ela ouvira. O dito vale era assim, que, seja o que for que estivesse do outro lado dele, ficava oculto por altas e grandes árvores, que se erguiam juntas a umas vinte jardas à distância do córrego, e, entre elas e ele, ficava um belo relvado com uns poucos arbustos e espinheiros nele.
Disse o cavaleiro: ‘Ali embaixo nós deveremos descansar até amanhã, se isso te agrada, dama; e, uma vez que o sol se porá em uma hora, nós estaríamos melhor se seguíssemos em nosso caminho imediatamente.’ ‘Isso me agrada bem,’ disse Birdalone, ‘e eu anseio para pisar a grama ao lado do rio, pois eu estou [tão] cansada como cansada se pode ficar da cela e da passagem.’
Dessa forma, inclinação abaixo eles cavalgaram, e foi apenas pouco antes que eles tivessem a cavalgado até uma extremidade, e encontrassem o rio enquanto ele deslizava em volta da parede do penhasco do vale; e eles cavalgaram através dele, e emergiram no relvado agradável supracitado sob as árvores; e em uma curva do bosque ficava um caramanchão construído de relva e coberto com um teto de junco; e ali, pela oferta do cavaleiro, eles desmontaram; e o cavaleiro disse: ‘Esta é tua casa por hoje a noite, minha dama; e tu podes deitar aqui em toda a segurança depois de tu teres jantado, e podes ter minhas armas ao teu lado, se tu desejares, enquanto eu deito-me sob as árvores acolá. E se tu desejares banharte-te em água fresca, para te confortares depois da longa cavalgada e do cansaço, eu juro pela tua mão que eu me retirarei do alcance da vista e aguardarei distante até que tu me chames.’
Disse Birdalone, sorrindo um pouco: ‘Bom senhor, eu não terei meu vigia e minha proteção desarmado; mantém tu tuas armas; e tu não esquecerás, talvez, [252]de que eu não estou totalmente desarmada, visto que eu tenho meu arco e minha faca aqui. E quanto ao meu banho, eu te aceitarei em tua palavra, e ordenar-te-i para distantiar-te por um tempo agora imediatamente; pois eu descerei à água; e se tu me espiares, então será tua vergonha, e não minha.’
Após o que, o cavaleiro saiu, e Birdalone desceu à água e despiu-se; mas, antes que ela pisasse dentro do rio, ela colocou seu arco e três flechas na beira do mesmo. Em seguida, ela entrou na água, e divertiu-se alegremente ali; e agora, verdadeiramente, ela não estava de maneira nenhuma abatida, pois ela disse para si mesma, ‘esse homem não é inteiramente mau e ele ama-me bem, e eu espero que amanhã ele me levará em meu caminho na direção do Castelo da Busca, por mero amor a mim; e então, ele deverá ser um querido amigo para mim, e eu o confortarei como eu posso por enquanto nós ambos vivermos.’
Assim ela saiu da água e vestiu-se, e chamou em voz alta o cavaleiro, e ele veio rapidamente a ela, como se ele não estivesse excessivamente distante, embora ele jurasse com um grande juramento que, de maneira nenhuma, ele espiara-a. Ela não lhe respondeu, e eles caminharam lado a lado para o caramanchão; e lá o cavaleiro arrumou os mantimentos, e eles sentaram-se juntos e comeram a refeição deles como velhos amigos; e Birdalone perguntou ao cavaleiro a respeito deste vale, se ele conhecera-o por muito tempo, e ele respondeu: ‘Sim, dama, eu era apenas um jovem quando eu primeiro me deparei com o vale; e eu considero que poucos conhecem sobre ele exceto eu; pelo menos ninguém do nosso bando conhece sobre ele; e eu fico satisfeito nele, e mantenho-o [253]desconhecido, pois se meu senhor devesse ouvir que eu tenho um covil privado para mim ele o desejaria apenas mal.’
Birdalone empalideceu quando ouviu ele falar de seu senhor; pois o medo do Cavaleiro Vermelho entrara na alma dela, de maneira que, agora, a carne arrepiava-se sobre os ossos dela. Mas ela forçou-se a sorrir, e disse: ‘Sim, e o que ele faria contigo ficasse ele descontente com teus caminhos?’ ‘Verdadeiramente, dama,’ disse ele, ‘se ele pudesse dispensar-me ele faria um fim para mim de alguma maneira miserável; ou melhor, se ele estivesse excessivamente descontente, ele faria para mim tanto quanto se ele pudesse dispensar-me ou não; de outra maneira, ele observaria a oportunidade dele, e, dessa maneira, afliger-me de modo que o que ele fizesse iria para o meu coração mesmo.’ ‘Ai de mim!’ disse Birdalone, ‘tu serves um mestre maligno.’ O cavaleiro não respondeu, e Birdalone seguiu falando sinceramente: ‘É uma vergonha para tu seguires esse demônio; por que tu não te separas dele, e tornas-te inteiramente um homem honesto?’ Disse ele rudemente: ‘Não é útil falar sobre isso, eu não posso; para começar, eu temo-o.’ Em seguida, Birdalone calou-se, e o cavaleio disse: ‘Tu não sabes; quando eu me separar de ti, eu preciso ir diretamente para ele e, em seguida, deve acontecer o que deverá acontecer. Não falemos mais sobre esses assuntos.’
Birdalone ruborizou com esperança e alegria enquanto ele falava dessa maneira, pois ela entendeu-o dizer que, pela manhã, ele a conduziria no caminho dela para o Castelo da Busca. Mas o cavaleiro falou em uma voz tornada alegre novamente: ‘Quanto a este caramanchão, dama, o conto dele logo será contado; pois com minhas próprias mãos eu [254]contrui-o há uns quinze anos; e eu vim a este lugar repetidas vezes quando o meu coração ficava oprimido demais com cargas negras de mal e tumulto e, às vezes, prevalecia contra o mal e, às vezes, não.’ ‘Possas tu prevalecer desta vez, então!’ disse ela. Ele não respondeu, apenas logo começou a falar com ela sobre outras questões, e os dois estavam franca e amigavelmente juntos, até que a noite de agosto escureceu em volta deles; e, em seguida, Birdalone falou: ‘Agora, eu desejo descansar, pois eu não posso mais manter meus olhos abertos. Aguarda à distância de mim amanhã de manhã até que eu te chame, como tu fizeste nessa tarde; e, em seguida, antes que nós comamos juntos novamente, tu deverás contar-me o que tu desejarás fazer comigo.’ Ele colocou-se de pé para partir, e ela estendeu a mão para ele sob a luz fraca sob a luz fraca, e ele viu-a, mas disse: ‘Não, se eu tomo tua mão, eu deverei tomar o corpo inteiro.’ E, após isso, ele partiu, e ela deitou-se sozinha em sua bata, e sem demora dormiu, e ficou sem sonho e esquecida de tudo até que o sol ficou alto novamente pela manhã.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 250-254. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/250/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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