[65]Quando o balão do duque se aproximou da casa de Sir Ambrose, os seus ocupantes perceberam o respeitável baronete caminhando com grandes passos apressados na direção do monte do telégrafo, o qual dominava uma visão extensão da região circundante, seguido por Edric, o Padre Morris e o Dr. Entwerfen, quem parecia inutilmente tentando persuadir-lhe a diminuir uma velocidade tão pouco adequada para sua idade avançada.
“Não fale comigo para ir devagar, quando eu estou esperando notícias de meu querido Edmund!” Exclamou Sir Ambrose, continuando com seu passo rápido – o coração dele batendo com orgulho paternal, e seu semblante irradiando exultação.
[66]“Eu também estou ansioso por ouvir sobre meu irmão,” disse Edric, “mas, após a informação que nós já recebemos pelo despacho telegráfico, parece-me que nós temos pouco mais a aprender de importância.”
“Edric, você não é um pai, e não pode ter ideia da ansiedade de um pai,” respondeu Sir Ambrose, apressando-se para o monte, como se ele esperasse que a rapidez do seu movimento propiciasse algum alívio da impaciênica de sua mente; enquanto que o grupo do duque, vendo o ponto para o qual ele estava se apressando, abriu as válvulas do seu balão e fez preparações para descer no mesmo ponto.
O duque e Sir Ambrose sempre ficavam felizes de se encontrarem, mas, visto que a ocasião presente era mais do que de interesse ordinário, assim eles agora se comprimentaram com mais do que prazer ordinário. O duque sempre tinha sido calorososamente afeiçoado a Edmund, e sua voz efetivamente tremia com agitação enquanto ele exclamava: -
“Bem, meu velho amigo, você percebe que o seu rapaz valente ainda está determinado em nos manter vivos. Nosso [67]sangue estagnaria em nossas veias, se ele não nos desse um estímulo de vez em quando para nos acordar. Mas o que o jovem maroto diz de si mesmo? Eu espero que ele não esteja machucado?”
“Ele nunca menciona a si mesmo,” respondeu Sir Ambrose, lágrimas brilhando em seus olhos, enquanto ele pressionava calorosamente a mão de seu amigo na sua própria; “Edmund ama o seu país muito devotamente para pensar em si mesmo quando ele está engajado no seu serviço.”
“Bem, bem, está tudo certo,” exclamou o duque, “ele é um rapaz valente, isso é certo.”
Sir Ambrose não respondeu, pois agora ele tinha chegado ao pico do monte, e estava muito ansiosamente olhando em volta, em cada direção, para prestar atenção à observação do seu amigo.
Naqueles dias, o antigo método de transmissão do correio tendo sido considerado lento demais para um povo tão iluminado, um esquema engenhoso tinha sido inventado, pelo qual as cartas eram colocadas em bolas e disparadas por canhões a vapor, de lugar para lugar; cada cidade e distrito tendo uma peça de toile metalique, ou cabo entrelaçado, suspenso no ar, [68]de modo a formar um tipo de rede para controlar o progresso da bola, e sendo provido de um canhão para a enviar para longe novamente, quando as cartas pertencentes àquela vizinhança devessem ter sido extraídas; enquanto que, para prevenir acidente, as bolas de cartas do correio eram sempre precedidas por uma de uma similar descrição, feita de madeira fina, com um buraco em seu lado, o qual, coletando o vento conforme ela passava juntamente, produzia um barulho sibilante, para advertir às pessoas para se manterem fora do caminho.
O monte no qual agora Sir Ambrose estava de pé, comandava uma vista extensa, e a cena que ele apresentava era bela ao extremo. De um lado, inumeráveis campos de grama, ricamente arborizados, e apenas divididos uns dos outros por invisíveis cercas de ferro, apareciam como um vasto parque; enquanto que, no outro lado, o milho ondulante, suas cabeças cheias começando a escurecerem ao sol, davam um rico tom brilhante à paisagem. Mas Sir Ambrose não pensavam na paisagem, ele nem mesmo via os riachos murmurantes e arvoredos sombrios, os vales sorridentes e as colinas dilatadas, que constituiam sua beleza; não, a atenção dele [69]estava inteiramente ocupada por um pequeno ponto preto que ele há pouco descobrira na borda do horizonte. Em inquietação sem fôlego, os olhos dele quase se soltando de seus encaixes, ele inclinou-se ansiosamente para frente, olhando fixamente para aquela pequena e inicialmente quase imperceptível partícula. Ela gradualmente se tornou maior e maior – ela rapidamente se aproximava! E, em uns poucos segundo, um barulho leve zumbiu através do ar conforme as bolas há muito esperadas zuniam passado ele.
A agitação de Sir Ambrose era excessiva; com membros trêmulos e lábios vívidos, ele apressou-se para a estação mais próxima, a qual, afortunadamente, estava perto à mão, e ao redor da qual vários de sua casa estavam reunidos, em sua impaciência para ouvirem as novidades. Sir Ambrose não podia falar, mas a pessoa cuja competência era ordenar as cartas adivinhou a missão dele e, abrindo a bolsa, ofereceu o tesouro ardentemente aguardado. Arquejando por ar, Sir Ambrose ansiosamente tentou pegá-lo, mas as mãos dele forma inconstantes para a tarefa, e a violência de sua emoção dominou-o, e, após um breve, mas infrutífero, grande esforço, ele caiu sem sentidos no chão.
[70]A confusão produzida por esse incidente inesperado foi indescritível. O velho duque caminhava para cima e para baixo, apertando as mãos e exclamando, “O que nós devemos fazer? O que se tornará de nós?” Enquanto o resto do grupo tentava dar assistência a Sir Ambrose.
“Afeição parental,” disse Davis, quem tinha a infeliz propensão para fazer longos discursos precisamente no momento quanto ninguém provavelmente estava prestando atenção a ele; “a afeição parental tem sido universalmente reconhecida por todos os escritores, igualmente antigos e modernos, ser uma das mais fortes paixões da alma, e as circunstâncias mais alteradas poderiam ser produzidas da energia surpreendente desse sentimento universal.”
“Pelo amor de Deus, ajudem-me a levantar meu pai,” exclamou Edric: “Deem-lhe ar, ou ele morrerá!”
“A paciência,” continuou Davis, “é necessária em todas as coisas, e, talvez, seja uma das mais utéis e estimadas qualidades da vida. Ela possibilita-nos suportar, sem retroceder, os mais amargos males da vida que podem nos assaltar. Sem a paciência, a filosofia nunca teria feito aquelas maravilhosas [71]descobertas que subjugam a natureza ao nosso jugo.”
“Tragam-me um pouco de água,” exclamou Edric, “ou ele morrerá diante de nossos olhos.”
“Parece-me,” disse um trabalhador, quem tinha estado reparando um escavadeira a vapor em um campo próximo, e quem agora estava inclinando-se sobre o seu trabalho, e olhando gravemente para tudo que se passava, sem tentar oferecer a menor assistência;- “Parece-me que seria altamente inadequado administrar o fluido aquoso no seu estado natural de frigidez, sob as circunstâncias existentes. A presente suspensão da animação, sob a qual Sir Ambrose labuta, evidentemente, é ocasionada pela carência de circulação. Agora, como é propriedade das substâncias líquidas quentes, em vez das frias, suprir o estimulante necessário para a reprodução da circulação, eu opino que a água quente responderia ao propósito melhor do que a fria.”
Entrementes, o Padre Morris trouxera um pouco de água de uma fonte vizinha, e, jogando-a no rosto do paciente, Sir Ambrose abriu os olhos; por alguns momentos ele encarou [72]selvagemente em torno dele, mas, tão logo ele começou a lembrar-se do que se passara, ele implorou ao Padre Morris para lhe dar a sua carta ardentemente desejada.
“Você ainda não está estável para a ler,” disse o Padre Morris, compassivamente; “Eu temo que o esforço será demais para você.”
“Oh, dê-me! Dê-me!” exclamou o pobre velho; “se uma centelha de misericórdia resta em sua alma, não me mantenha nesta agonia!”
Foi impossível resistir ao tom de angústia real que acompanhava essas palavras, e o Padre Morris colocou a carta nas mãos dele. - Sir Ambrose tomou-a ansiosamente; embora ele tremesse tanto que ele escassamente pôde quebrar o selo. Finalmente, ele abriu-a e encarou o seu conteúdo, mas ele não pôde ler uma palavra; ele afastou suas lágrimas e esfregou os olhos impacientemente – tudo foi em vão – a escrita ainda estava ilegível – “Leia! Leia!” clamou ele, em uma voz trêmula com agitação, “Por amor de Deus, leia! - Ninguém se apiedará de mim?”
O Padre Morris tomou a carta e leu-a em voz alta, enquanto Sir Ambrose se saciava – os olhos dele elevados ao céu, as mãos apertadas e as [73]lágrimas rolando suas bochechas envelhecidas abaixo, ouvindo as palavras dele, e bebendo cada silaba. Após fornecer um relato circunstâncial da batalha, e assegurando ao seu pai que ele não tinha sido ferido, Edmund prosseguiu desta maneira. “A Rainha escreveu-me uma carta de aprovação com sua própria mão, e tem sido graciosamente agradável para significar a intenção dela de me honrar com uma entrada triunfal em Londres; da mesma maneira, ela conferiu-me cartas de nobreza. A bondade de minha soberana produz uma impressão profunda sobre meu peito: mas quanto ao resto, eu asseguro a você que nem os aplausos da multidão, nem o privilégio de escrever Lorde antes de meu nome, podem propiciar um momento de satisfação para um coração que apenas anseia pelo prazer de ver novamente aqueles que são mais queridos por ele; nem deverei eu desfrutar de meu triunfo a menos que aqueles que eu amo estejam presentes para o conceder entusiasmo.”
“Eu parabenizo você, meu querido senhor!” exclamou o Padre Morris, tão logo ele terminara; “eu parabenizo você a partir de minha íntima alma!”
“Passe para o triunfo dele!” exclamou o duque, esfregando as mãos, em êxtase; “Sim, sim, isso [74]nós desejamos; não desejamos, meu velho amigo? Deus o abençoe! Eu estou feliz que ele não está ferido, contudo. E assim você vê, a despeito de toda a glória dele, ele não pode ser feliz sem nós. Quão gentilmente ele diz isso! - ‘Nem toda a aprovação de minha soberana, os elogios do povo’- nem – nem – o que é? Eu não me lembro das palavras exatas, mas eu conheço qual era o sentido, que ele não poderia ser feliz sem nós, e, Deus o abençoe! Eu estou certo de que eu estou tão feliz quanto ele pode estar, diante do pensamento de o ver novamente.”
Sir Ambrose não conseguiu responder, mas as lágrimas correram abaixo de suas bochechas envelhecidas como a chuva, enquanto o coração dele respirava uma silenciosa oferta de ação de graças para o Ser Todo-poderoso quem, dessa maneira, concedera a vitória ao filho dele; e os lábios dele murmuraram alguns sons inarticulados de êxtase; enquanto Elvira e Rosabella misturavam as lágrimas delas com as dele, pois frequentemente a alegria torna-se dolorosa, e busca alívio como o pesar.
Agora o grupo lentamente retornava para a mansão de Sir Ambrose, tão completamente ocupados na discussão da carta de Edmund, quanto a estarem completamente inconscientes de que Edric não os acompanhara; [75]todavia tal era o caso. O coração do jovem filósofo dilatara-se quase à explosão, enquanto ele ouvira a leitura da carta de seu irmão, e agora ele se apressava para dentro de um bosque espesso, colocando-se de parte em um romântico riacho, o qual formava parte dos terrenos de prazer de Sir Ambrose.
Quase sem saber para onde ele estava indo, Edric meteu-se entre as árvores e jogou-se sobre um banco de areia coberto por grama sob a sombra delas, sobre a borda do riacho. O múrmurio gentil da água concedeu-lhe uma sensação deliciosa de frescura refrescante, particularmente agradável após o calor do dia; e Edric deita-se, os olhos fixos sobre as ondas brilhantes enquanto elas dançavam sob os raios de sol, com suas mãos pressionando firmemente as têmporas latejantes, tentando em vão analisar as novas e estranhas emoções que lutavam por domínio em seu peito. Gradualmente ele se tornou mais calmo; e, embora o coração dele ainda batesse com sentimentos que ele não podia explicar completaemnte, ele sentiu-se acalmado pelo riacho suavemente deslizante; e as paixões tempestuosas de seu peito pareciam embaladas à tranquilidade [76]conforme uma mão caía descuidamente ao seu lado, e a outra meramente suportava a cabeça não mais tensionada.
Não foi a inveja que causou as emoções de Edric; mas vergonha e indignação queimavam em seu seio quando ele se lembrava de que ele estava desperdiçando os seus dias em obscuridade comparativa, enquanto que o irmão dele, apenas uns poucos anos mais velho do que ele mesmo, estavam enobrecendo o nome legado a ele por seus ancestrais.
“E eu também não posso me tornar famoso?” pensou ele, seu coração inchando com emulação. “Embora eu abomine a profissão de um soldado não há outros caminhos abertos para eu obter eminência? Por que eu não deveria me esforçar? Eu não mais permanecerei em indolência. Também eu me provarei digno de meus ancestrais, e mostrarei ao mundo que o sangue exaltado dos Montagues não degenerou em minhas veias!” Os olhos dele brilharam com o pensamento, e ele quase se ergueu, como se ansioso para se colocar em execução imediata. Contudo, um momento de reflexão restaurou-o a si mesmo, e ele não pode evitar de sorrir diante de sua própria loucura. “E [77]ainda eu me chamo de um filósofo,” pensou ele: “Ai de mim! Ai de mim! Quão pouco nós conhecemos a nós mesmos, pois, afinal, a busca do conhecimento pelo seu próprio bem é o único emprego digno de um homem de sentido: e o apluso transitório da multidão, está abaixo dele aceitar. A natureza é a deusa que eu adoro; e, se devesse ser concedido a eu explorar os seus mistérios, eu deveria ser o mais feliz do gênero humano. Mas por que eu deveria passar minha vida em desejos ansiosos, nunca destinados a serem realizados? Os eventos de hoje apenas provaram claramente o pouco valor que a minha companhia é para meu pai: ele está ocupado demais com meu irmão até para pensar em mim, e, estivesse eu ausente, eu logo deveria ser esquecido. Então, por que eu não deveria viajar e satisfazer esses desejos inquietos que corroem meu coração e envenenam cada prazer? Eu não nasci para descansar contente com a rotina aborrecida da vida doméstica, e detesto hipocrisia: eu procurarei meu pai e, explicando meus sentimentos reais, partirei para o Egito imediatamente.”
Satisfeito com essa resolução, Edric ergueu-se e caminhou com vivacidade na direção da mansão de seu pai, [78]com todo aquele vigor interno que a consciência de alguém de ter alcançado uma conclusão é certo de conceder; e o qual, talvez, seja uma das sensações mais agradáveis que podem ser experienciadas pela mente humana, como aquela de suspense ou indecisão, indubitavelmente, é uma das mais desagradáveis.
Edric encontrou seu pai e o duque ativamente ocupados em consulta sobre sua jornada pretendida, a qual era um evento nas vidas de ambos eles; pois como, desde que a adoção universal de balões, as viagens eram realizadas sem ou problema ou despesa, os ricos perderam todo incentivo para as empreender, e era raro para um homem de posição social abandonar sua mansão familiar a menos que ele tivesse alguma posição na corte.
“Eu tenho um palácio em Londres,” disse o duque, “o qual, eu espero, você tornará sua casa; embora ele tenha estado abandonado por tanto tempo que eu duvido de se ele será adequado para a sua recepção.”
“Não se aflija sobre fazer arranjos para minha família,” respondeu Sir Ambrose; “serão apenas Edric e eu mesmo, e nós podemos mudar-nos com qualquer coisa.”
[79]“De fato, eu não deverei consentir em nenhum de tais arranjos,” disse Elvira, quem entrava na sala com Rosabella e Clara Montagu, a sobrinha orfã do baronete, quem tinha sido criada na famila dele; “O que Clara fez para que ela devesse ser excluída da festa?”
“Oh, Clara é jovem demais para pensar em tais coisas,” retornou Sir Ambrose, sorrindo.
“Ela não é,” exclamou o duque; “eu arranjarei isso; você é o meu lindo botão de rosa?” continuou ele, atraindo a garota sorridente, ruborizada, até os joelhos dele. “Você não deveria gostar de ir para Londres, eh?”
“Oh, sim,” exclamou Clara, com toda ânsia e inocência dos quinze anos, pois essa era a idade dela; “muito mesmo, se meu tio não tem objeção.”
“Meu querido Sir Ambrose,” disse Elvira, persuasivamente, “suplico que nos satisfaça.”
“Bem, bem, nos devemos ver,” respondeu o baronete, de bom humor, sorrindo.
“Obrigado, obrigado, meu querido, querido tio!” Exclamou Clara, voando para ele, e quase o sufocando com beijos.
“Mas eu ainda não consenti, você sabe.”
[80]“Não, mas eu estou certa de que consentirá, você parece tão bem-humorado.”
“Vá, vá, você é uma brincalhona lisonjeira: mas por que você não voltou para casa na última noite, Clara?”
“Minha ama estava tão doente, e também choveu: além disso, você sabe, tio, você concedeu-me permissão para parar, se eu desejasse.”
“Bem, bem, eu acho que concedi. Isso foi de grande consequência; você sempre fica segura sob o cuidado da Sra. Robson: ela é uma mulher muito respeitável – eu espero que ela esteja melhor?”
“Oh, logo ela ficará bem agora. Eu estou indo contar a ela sobre a vitória de Edmund; e ela disse ontem, se ela apenas pudesse ouvir que ele vencera, isso a curaria, se ela estivesse morrendo.”
“Vá embora você, então,” disse Sir Ambrose, rindo, “você está sempre em movimento; e harkye, você também pode contar a sua ama que você está indo para Londres.”
O prazer e a gratidão de Clara eram ilimitados, e ela saltou para longe como um jovem gamo para contar a sua ama as notícias alegres, enquanto os olhos de Elvira brilhavam de prazer, conforme ela agradecia calorosamente a Sir Ambrose pela gentileza dele.
[81]O duque também ficou altamente gratificado. “Você também dele levar Abelard e Davis,” disse ele, “pois eu estou certo de que você não ficará feliz sem eles.”
Sir Ambrose confessou que ele não devia; e o duque, sendo como a maioria das pessoas que levavam vidas aborrecidas, monôtonas, encantou-se bastante com um evento que prometia uma pequena mudança, saiu apressado, seguido por suas belas companhias, completamente determinado a aproveitar ao máximo isso.
O coração de Edric palpitou violentamente quando ele se descobriu sozinho com seu pai; o momento pelo qual ele tinha estado tão ardentemente desejando chegara e, contudo, ele estava silente. Ele escassamente tinha tido paciência para esperar o fim da conferência de seu pai com o duque; e, enquanto ela durara, ele tinha estado arranjando e rearranjando mil vezes na mente as frases que ele tinha intenção de usar; contudo, agora, elas pareciam ter desaparecido todas da memória dele, e ele permanecia encarando através da janela aberta, a mente dele sentindo um caos perfeito, e sem ser capaz de se lembrar de uma única palavra que ele se determinara dizer.
[82]Depois de continuar por algum tempo em seu estado de irresolução, ele foi subitamente surpreendido pela exclamação de seu pai, “Bem, Edric, meu querido rapaz, eu estou muito feliz de ter uma oportunidade de falar sozinho com você, visto que eu tenho alguma coisa de importância para comunicar.”
A voz de Sir Ambrose soou dura e abrupta nos ouvidos de seu filho, e Edric sentiu-se incapaz de dizer uma única palavra em resposta.
“Qual é o problema?” exclamou Sir Ambrose, após uma pausa breve; “certamente você não está doente? Edric, meu querido rapaz, fale; deverei eu convocar o Dr. Coleman?”
“Oh, não, não!” Exclamou Edric, fracamente; “Eu não estou doente, eu asseguro a você.”
“Qual é o problema, então?” Prosseguiu Sir Ambrose, impacientemente; “talvez você queira algum novo instrumento filosófico, e você não queira o pedir, porque você conhece o estado deficiente de minhas finanças. Mas não se aflija por causa disso, pois você está a casar-se com uma mulher rica, e então, você satisfazer-se com qualquer coisa que você desejar.”
“Casar!” exclamou Edric, em alarme.
[83]“Sim,” retornou seu pai, “há pouco o duque propôs, muito generosamente, que você deve se casar com Rosabella; e que ele concederá a ela uma fortuna igual a que ele concederá a Elvira.”
“Mas eu não amo Rosabella, e nada deveria me induzir a casar com ela: eu deverei ficar completamente miserável até de pensar nisso.”
“Não se casar com Rosabella!” exclamou Sir Ambrose, com extrema admiração.
“De fato, eu não posso. Eu estou convencido de que ela me faria miserável, pois nossos temperamentos não se equiparam, e ambos nós deveríamos ser miseráveis. Eu deveria ficar muito triste em causar, quer a você quer ao duque, uma preocupação de momento. Mas em um assunto como esse, o qual interessa à felicidade de minha vida inteira.-”
“Não fale comigo, Sir,” exclamou Sir Ambrose, em uma paixão violenta, “eu não quero ouvir nenhuma palavra, Sir – nem uma sílaba: meu filho deverá obdecer às minhas ordens. Vá para o seu quarto, Sir, e prepare-se para se casar com Rosabella imediatamente, ou nunca mais espere ver meu rosto novamente.”
“Meu pai querido!” disse Edric, tentando pegar a mão de Sir Ambrose.
[83]“Fora, Sir!” exclamou o baronete, sacudindo-o; “a obediência pesa muito mais do que palavras. Se eu sou o seu querido pai, você agirá em conformidade com meus desejos; e se você não o fizer, é uma zombaria chamar-me de ‘querido.’”
“Eu não posso me casar com Rosabella!”
“Fosse sempre tão obstinado! Tanta loucura! - O mundo considerará você distraído.”
“Eu não me importo com o mundo!” exclamou Edric, impacientemente.
“Mas você tem de se importar com o mundo – o mundo não deve ser menosprezado! E enquanto você viver nele, você precisa conformar-se com as opiniões dele. Eu não quero ouvir pessoas dizendo que elas não se importam com o mundo; quando as pessoas pretendem o desprezar, geralmente é porque elas fizeram alguma coisa para ele as desprezar.”
“Mas, meu querido pai! Você não desejaria que eu sacrificasse minha consciência aos seus ditames.”
“E suplique, Sir, o que tem sua consciência a ver com o problema em questão?”
“Não deveria eu a sacrificar ao casar com uma mulher que eu sinto que eu nunca poderia amar? Em minha opinião, nada pode ser mais sagrado do que o voto de [84]casamento, e com quais sentimentos eu poderia entrar nesse compromisso solene na presença do Deus Todo-poderoso, convocando-o para o testemunhar, quando eu sei que meu coração está em desacordo com minhas palavras? Minha alma recua com horror diante de tal blasfemia.”
“Você fala de sua consciência, Edric, - mas, em vez disso, você não deveria dizer suas inclinações? A pessoa de Rosabella não satisfaz sua imaginação, eu suponho; e para gratificar uma veneta caprichosa, você destruiria a felicidade de seu pai, e arruinaria as suas próprias perspectivas para sempre.”
“Não é da pessoa de Rosabela que eu reclamo; eu reconheço-a ser bela como uma Vênus, e que os talentos dela mesmo excedem os seus encantos pessoais: mas quando eu vejo os negros olhos dela cintilando de fúria, e os lábios dela curvados em uma expressão de orgulho, ódio ou desprezo, eu esqueço-me da beleza dela e penso apenas nas paixões terríveis da alma dela.”
“Suas objeções são fúteis, Edric; de qualquer maneira, elas não servem para nada. Você deve casar-se com ela – desculpe-me se está contra a sua inclinação, [85]mas eu não terei minha autoridade disputada: - contudo, como eu sempre fui um pai indulgente, eu não desejo decidir apressadamente, e eu dou a você vinte e quatro horas para se decidir: à expiração de tempo o qual você deverá casar-se com Rosabella ou abandonar minha casa para sempre. Sem resposta, jovem; eu não quero ouvir uma palavra.”
Era em vão tentar uma resposta; e Edric deixou a presença do pai dele oprimido por aquele estranho, misterioso, presentimento do mal, o qual, como uma nuvem terrível, escura, sombria e impenetrável, algumas vezes pende sobre nossos pensamentos, pressageia horrores; embora tão vaga e indistintamente, que, como os fantasmas gigantes que nós algumas vezes fantasiamos através da névoa do crepúsculo, os terrores dele pareciam aumentar dez vezes pela muita incerteza que quase os cobre da nossa vista. Misturado com esses sentimentos, estava um de alegria selvagem, sobrenatural. Expulso da casa de seu pai, ele estaria livre para viajar – suas dúvidas poderiam ser satisfeitas – ele poderia, afinal, penetrar nos segredos do túmulo; e, sem restrição, tomar parte do seu tão ardentemente [85]desejado fruto da árvore do conhecimento. Então, nada estaria oculto dele. A natureza seria forçada a entregar os seus segredos para a visão dele – os mistérios dela seriam revelados, e ele se tornaria grade, onisciente, divino. A mente dele, cheia com um caos de pensamentos como esses, o qual ele se esforço em vão para organizar, e qual parecia dilatar o cérebro dele quase até explodir, Edric procurou o escritório do Dr. Entwerfen para informar ao seu digno tutor sobre a mudança que umas poucas curtas horas operaram no destino dele.
Próximo capítulo
ORIGINAL: LONDON, J.C. The Mummy! A Tale of the Twenty-Second Century.
London: Henry Colburn, New Burlington Street, 1828. p.65-87. Disponível em:<https://archive.org/details/mummyataletwent02jangoog/page/n79/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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