[117]Em uma ocasião, conforme eles trotavam por perto, um faisão surgiu gritando, a partir do tojo, e fugiu diante deles, trilha abaixo. Exatamente depois, Felix, quem anteriormente tinha estado olhando muito cuidadosamente para os abetos à sua direita, subitamente parou, e Oliver, constatando isso, fez o seu próprio cavalo parar, tão rapidamente quanto ele pôde, pensando que Felix desejava apertar sua cilha.
“O que é?” ele perguntou, virando-se em círculo em sua sela.
“Silêncio!” disse Felix, desmontando; o cavalo dele, treinado para a caça, permaneceu perfeitamente parado, e teria permanecido [118]dentro de umas poucas jardas de distância do local próximo continuamente no momento. Oliver puxou as rédeas para trás, vendo Felix prestes a curvar e encordar o seu arco.
“Homens do mato,” sussurou Felix, enquanto ele, tendo ajustado o laço para o encaixe do chifre, sacava uma flecha de seu cinto, onde ele carregava duas ou três, mais prontas à mão do que na aljava em seu ombro. “Eu pensei que vi sinais deles há algum tempo, e agora eu estou quase certo. Permaneça aqui por um momento.”
Ele deu passos para fora da trilha, em meio aos abetos, os quais exatamente ali estavam muito separados, e foi para um mato de salgueiros erguendo-se perto de algum tojo. Ele notara que um pequeno galho na parte exterior do bosque estava estalado, embora verde, e apenas pendia pela casca. O gado do bosque, houvesse eles pastado sobre ele, teria mordiscado as folhas mais macias na extremidade do galho; nem usualmente ele tocam o salgueiro, pois os brotos são amargos e adstringentes. Nem o cervo o toca na primavera, quando eles têm uma escolha tão ampla de comida.
Nada poderia ter quebrado o galho daquela maneira, a menos que fosse a mão de um homem, ou um golpe com uma vara pesada empunhada por uma mão humana. Chegando ao bosque, ele viu que a fratura era muito recente, pois o galho estava perfeitamente verde; ele não se tornara marrom, e a casca ainda estava macia com seiva. Ele não fora cortado com uma faca ou nenhum instrumento afiado; ele fora quebrado por violência rude, e não dividido. A próxima coisa a capturar o olho dele foi a aparência de um galho maior, mais dentro do mato.
[119]Ele não foi quebrado, mas uma parte da casca estava desgastada, e mesmo rasgada do bosque como se pelo impacto de alguma substância pesada, como uma pedra, jogada com grande força. Ele examinou o chão, mas não havia pedra visível, e, ao novamente examinar a casca, ele concluiu que isso absolutamente não tinha sido feito com uma pedra, pois a parte desgastada não estava cortada. O golpe havia sido desferido por alguma coisa sem bordas ou projeções. Ele agora não tinha mais nenhuma dúvida de que o galho menor do lado de fora tinha sido quebrado, e o galho maior do lado de dentro, esmagado pela passagem de uma clava de arremesso de um homem do mato.
Essas, as únicas armas missivas deles, eram comumente feitas de macieias selvagens, e consistem em um cabo muito fino e curto, com uma protuberância grande, pesada e lisa. Com elas, eles podem trazer abaixo caça pequena, como coelhos ou lebres, ou um gamo (até quebrando as pernas de um veado), ou grandes pássaros, como os perus-do-bosque. Movendo-se em segredo e sem barulho dentro de dez jardas, o homem do mato arremesa a sua clava com grande força, e raramente erra o seu alvo. Se não morta de uma vez, a caça está certa de ficar atordoada, e é muito mais facilmente assegurada do que se ferida por uma flecha, pois com uma flecha em sua asa um pássaro grande agitar-se-á ao longo do solo, e, talvez, arrastar-se-á para dentro de junças ou sob arbustos impenetráveis.
Privada de movimento pelo golpe da clava, ela pode, por outro lado, ser capturada sem problema e sem o auxílio de um cão, e, se não morta, é despachada por uma torção dos dedos do homem do mato ou estocada de seu escardilho. O escardilho é, ao mesmo tempo, a sua adaga, sua faca e garfo, seu cinzel, seu alvião e sua goiva. É uma peça de ferro (raramente [120]ou nunca de aço, pois ele não sabe como o endurecer) de aproximadamente dez polegadas de comprimento, e de uma polegada e meia de largura no topo ou na extremidade mais larga, onde ela é formada e afiada como um cinzel, apenas com a extremidade não reta, mas inclinada, e, a partir daí, afunilando-se para uma ponta do outro [lado], a parte pontuda sendo de quatro lados, como um prego.
De fato, supunha-se que o escardilho original fosse formado de um grande prego de ferro trabalhado, tal como os antigos usavam, afiado sobre uma pedra em uma extremiddade, e batido achatado na outra. Esse instrumento tem um cabo no meio, no meio do caminho entre a extremidade do cinzel e o ponto. O cabo é de chifre ou osso (o escardilho sendo colocado através do vazio do osso), alisado para se adequar à mão. Com a extremidade do cinzel ele corta a sua caça e comida; a borda, sendo inclinada, é puxada através da carne e divide-a. Também com essa extremidade ele dá forma a sua clava e armadilhas, e cava as raízes que ele usa. A outra extremidade ele enfia dentro de sua carne como um garfo, ou empurra-a no pescoço de sua caça para a matar e deixar sair o sangue, ou com ela esfaqueia o inimigo adormecido.
A punhalada inflingida pelo homem do mato sempre pode ser distinguida, pois o ferimento é invarialmente quadrado, e dessa forma, uma pista unicamente muito certa frequentemente tem sido proporcionada para o assassino de muitos caçadores desafortunados. Seja no que for que o homem do mato arremessara a clava dele, a clava entrara no bosque de salgueiros, estalando o galho leve e deixando a sua marca sobre a casca do maior. Uma reflexão de momento convenceu Felix de que o homem do mato estivera à caça de um faisão. Apenas há uns poucos momentos um [121]faisão fugira diante deles, trilha abaixo, e, onde havia um faisão, geralmente, haviam vários mais na vizinhança imediata.
Os homens do mato eram conhecidos por serem particularmente apreciadores de faisões, perseguindo-os durante todo o ano sem referência à época de reprodução, e assim continuamente, de tal manteira que se acreditava que eles causavam esses pássaros serem muito menos numerosos, a despeito da vasta extensão das florestas, do que, de outra maneira, eles teriam sido. A partir da aparência fresca do galho estalado, o homem do bosque deve ter passado apenas há poucas horas, provavelmente durante o alvorecer, e, muito provavelmente, esteve escondido àquele momento, quase à mão, na floresta, talvez dentro de uma distância de cem jardas.
Felix olhou cuidadosamente em volta, mas não pôde ver nada; havia árvores, nenhuma delas suficientemente grande para esconder um homem atrás de si, os arbustos de tojo eram pequenos e estavam espalhados, e não havia samambaia o suficiente para esconder qualquer coisa. O olhar mais atento não poderia discernir nada mais. Não havia pegadas no chão; de fato, as secas e mortas folhas e agulhas de abetos dificilmente poderiam ter recebido qualquer marca, e acima, nos abetos, os galhos eram finos, e o céu podia ser visto através deles. Se o homem do bosque estivesse deitado em alguma depressão leve do chão, ou se cobriu a si mesmo com folhas mortas e agulhas de abetos, ou se ele tinha prosseguido e estava a milhas de distância, nada havia para mostrar. Mas, do que fato que ele estivera ali, Felix estava perfeitamente certo.
Ele retornou na direção de Oliver, pensativo e não [122]sem alguma ansiedade, pois ele não gostava da ideia (embora houvesse realmente pouco ou nenhum perigo) dessas bestas humanas selvagens tão próximas de Aurora, ao passo que, tão logo, ele deveria estar tão distante. Dessa maneira ocupado, ele não prestou atenção aos seus passos e, subitamente, caiu em alguma coisa macia sob seus pés, a qual se contorcia. Instantaneamente ele saltou tão longe quanto ele pôde, tremendo, pois ele esmagara uma víbora, e apenas por pouco escapou, por seu salto involuntário e mecânico, do veneno dela.
Sob a quente luz do sol, a víbora, em seu estado prenhe, não se importara em se mover como usual ao ouvir a aproximação dele; ele pisou em cheio nela. Ele apressou-se para fora do lugar, e juntou-se novamente a Oliver em um estado um pouco abalado de mente. Um tal acidente era comum nos bosques, onde o solo arenoso avisava o caçador para ser cuidado, ele pareceu ominoso naquela manhã particular, e, junto com a descoberta dos traços de homem do bosque, destruiu seu senso de beleza do dia.
Ao ouvir sobre a condição dos galhos de salgueiro, Oliver concordou sobre a causa, e disse que eles precisam se lembrar de avisar aos pastores do Barão de que os homens do bosque, quem não eram visto por algum tempo, estavam por perto. Logo depois, ele emergiram dos abetos sombrios e cruzaram um terreno largo e inclinado, quase despido de árvores, onde um incêndio na floresta no último ano varrera a vegetação rasteira. Um crescimento verdejante de grama estava agora brotando. Aqui eles poderiam trotar brandamente lado a lado. A luz do sol despejava-se, e os pássaros cantavam alegremente. Mas ele logo o atravessaram, e limitaram sua velocidade ao entrarem novamente entre as árvores.
[123]Faias altas, com redondos troncos lisos, erguiam-se grossas e próximas umas das outras sobre o chão seco e ascendente; os galhos delas encontravam-se acima das cabeças, formando um contínuo arco verde por milhas. O espaço entre elas estava cheio com mata de samambaias, agora crescendo rapidamente, e a trilha mesma estava verde com musgo. Conforme eles entravam dentro desse lindo lugar, um veado vermelho, assustado de seu pastar, saltava trilha abaixo, seus saltos rápidos levando-o longe como o vento; em outro momento, ele deixou o caminho e saltava entre as samambaias, e era visto apenas em vislumbres, conforme ele passava entre as faias. Esquilos corriam troncos acima enquanto eles se aproximavam; eles podiam ver muitos no chão, entre as árvores, e passavam sob outros nos galhos altos acima deles. Pica-paus moviam-se rapidamente através da avenida.
Logo, Oliver assinalou o flanco longo e magro de um porco cinza, enquanto o animal corria para longe em meio ao matagal. Havia várias clareiras, a partir de algumas das quais eles assustavam alguns veados, cujas caudas apenas eram vistas enquanto eles saltavam para dentro da mata fechada, mas, depois das clareiras, as faias retornaram novamente. As faias sempre formavam a mais bela floresta, faias e carvalhos; e, embora perto do fim de sua jornada, eles lamentaram eles emergiram dessas árvores e viram o castelo diante deles.
O chão subitamente se inclinou para baixo em um vale, além do qual surgiam as Descidas; o castelo erguia-se sobre uma colina verde isolada e baixa, aproximandamente a meio caminho através do valo. Para a esquerda, o rio serpenteava passado; para a direita, a floresta de faias estendia-se tão longe quanto o olho podia ver. A encosta aos pés deles fora limpa de tudo exceto de alguns arbustos de espinheiros. [124]Ela não era cercada, mas um vaqueiro estava ali com o gado a uma meia milha, sentando-se ao pé de uma faia, enquanto o gado pastava abaixo ele.
Abaixo no vale a paliçada começava; ela não larga, mas longa. O cercado estendia-se, à esquerda, até o banco de areia do rio, e a dois campos no outro lado dele. À direita, ele alcançava uma milha e meia ou quase, o todo da qual era visto de cima a partir do ponto através do qual eles passaram. No interior do cercado, as plantações de milho eram verdes e florescentes; cavalos e gado, medas e construções estavam espalhadas em torno dele. A vila ou as cabanas dos servos ficavam sobre o banco de areia do rio, imediatamente além do castelo. Sobre as Descidas, as quais se erguiam por uma milha ou mais do outro lado do castelo, ovelhas estavam alimentando-se; parte da crista era amadeirada e parte aberta. Dessa forma, o vale cultivado e cercado estava fechado em todas as partes com bosques e colinas.
A isolada colina arredondada sobre a qual o castelo se erguia estava ela mesma cercada por uma segunda paliçada; a borda da margem acima dela novamente era defendida por uma forte muralha elevada de pedras e argamassa, com ameias no topo. Não havia torres ou bastiões. Um prédio velho e coberto por hera erguia-se dentro da muralha; ele datava do tempo dos antigos; tinha várias empenas e era coberto por telhas. Essa era a casa de habitação. Os jardins situavam-se na encosta entre a muralha e a paliçada interna. Pacífica como a cena parecia, ela tinha sido o local de batalhas furiosas há não muitos anos. As Descidas inclinavam-se para o sul, onde os Romany e Zingary residiam, [125]e uma vigilância atenta era mantida igualmente a partir da muralha e a partir das colinas além.
Eles agora cavalgavam a encosta para baixo e, em poucos minutos, alcançaram a barreira ou porta de entrada na paliçada externa. Eles tinham sido observados, e a guarda convocada pelo guardião, mas, conforme se aproximavam, eles foram reconhecidos, e o portão aberto diante deles. Caminhando com seus cavalos, eles cruzaram-no para a colina, e foram tão facilmente admitidos ao segundo cercado. No portão da muralha, eles desmontaram, e esperaram enquanto o guardião transmitia a inteligência da chegada deles para a família. Um momento depois, e o filho do Barão avançou a partir da varanda e, a partir de uma janela aberta, a Baronesa e Aurora acenaram para eles.
ORIGINAL:
JEFFERIES, R. After London; or, Wild England. London: Duckworth & Co, 1905. p.117-125. Disponível em: <https://archive.org/details/afterlondonorwil00jeffuoft/page/117/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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