[245]Quando a manhã descera na estreiteza da estrada secreta deles, Birdalone abriu os olhos e viu o Cavaleiro Negro ocupado com a preparação dos cavalos deles. Então ela se levantou, empurrou seu pesar para trás de seu coração, e deu ao seu companheiro de viagem a saudação do dia. Ele trouxe mantimentos para ela, eles comeram um bocado e, depois disso, montaram a cavalo e partiram. O caminho tornou-se mais suave, e ficou mais claro acima da cabeça em toda parte agora, e nunca mais as rochas ficaram acima da cabeça atravessadas daquela maneira; e pareceu a Birdalone que agora eles estavam dirigindo-se mais ou menos para baixo.
O cavaleiro foi cortês com Birdalone e não mais, pelo presente, empurrou o amor dele sobre ela, de modo que ela teve algum conforto em sua companhia, embora ele fosse apenas de poucas palavras para ela.
Era cedo quando eles se levantaram e cavalgaram durante toda a manhã até que fosse meio-dia, do que eles bem podiam ter conhecimento, porque o caminho era muito mais amplo, e os paredões da passagem, muito mais baixos, de maneira que o sol brilhava sobre eles e alegrava-os.
Agora o Cavaleiro Negro puxou as rédeas e disse: ‘Lady, devemos descansar e comer? E depois disso, se tu desejares, eu deverei contar-te meu conto. Ou antes, se tu me permitires, eu deverei falar primeiro e depois comer, ou senão o bocado pode enfiar-se em minha garganta.’ ‘Cavaleiro,’ disse Birdalone, sorrindo, ‘eu espero que tu não tenhas mentiras para engolir antes da comida.’ ‘Não, lady,’ disse ele; ‘nenhuma mentira que é do momento, pelo menos.’
[246]Assim eles desmontaram, e Birdalone sentou-se à beira da estrada, sob um arbusto de bétula que se empurrava para fora de uma rocha, e o cavaleiro permaneceu diante dela, balançando a cabeça, como se ele fosse um acusado que pleitearia sua causa; e ele começou:
‘Lady, eu devo contar-te, em primeiro lugar, que hoje eu fiz como um servo infiel e um traidor de meu senhor.’ Disse Birdalone, simplesmente: ‘Deveria eu contar-te a verdade e dizer que, desde a primeira vez, eu parecia ver em ti que escassamente tu és de confiança?’ Ele disse: ‘Bem, essa intenção eu vejo em ti, e vai a meu coração que tu devas o pensar, e que isso não deva ser menos do que verdadeiro. Mas agora eu devo te contar que foi por tua causa que eu fui desleal com meu senhor.’ ‘Como assim?’ disse ela. Respondeu ele: ‘Tu nunca ouviste falar do Cavaleiro Vermelho?’ ‘Sim,’ disse Birdalone, ‘eu sempre ouvi falar dele como um tirano e opressor.’ Então, ela empalideceu e disse: ‘Tu és ele?’ ‘Não,’ disse o cavaleiro, ‘eu sou apenas um parente dele e homem mais confiável dele; nem nunca eu falhei com ele, até ontem.’
Ele manteve silêncio por um tempo e então disse: ‘Este é o conto verdadeiro: que nós recebemos notícias sobre ti e sobre suas cavalgadas fora de casa com aquele velho tolo, Sir Aymeris, e que tu vieste duas vezes observar o Vale Negro. Isso eu digo que o Vermelho ouviu, o coração dele foi tocado pelo mero rumor de ti; e além disso, é pão abençoado para ele causar qualquer pesar para os cavaleiros do Castelo da Busca; portanto, ele enviou-me para esperar no vale, para colocar minhas mãos em ti, se eu pudesse; pois ele sabia, sendo sábio, que tu ansiaria por isso; e, além disso, [247]ele deixaria uma de suas mulheres sábias inclinarem-se em feitiços sobre ti. Então eu espiei e topei contigo completamente sozinha; e minha missão era esta, uma vez que eu te surpreendesse, atrair-te até que eu te tivesse segura em casa, na Fortaleza Vermelha. Verdadeiramente, eu comecei minha missão devidamente, e imediatamente comecei a enganar-te, de maneira que tu bem podes ter visto o traidor em mim. Mas então, e então meu coração falhou-me, porque eu comecei, não a te desejar como desejo por uma escrava de meu mestre, mas a amar-te e ansiar por ti como minha companheira e amiga de fala. E eu disse a mim mesmo: “Para dentro da Fortaleza Vermelha ela não deverá ir, se eu puder impedir.”’
Birdalone ficou muito pálida, mas ela reprimiu-se de pesar e medo, e disse: ‘Mas aqueles homens a cavalo e armados no vale, quem eram eles?’ Ele disse: ‘Agora eu não mentirei, nem mesmo um pouco; eles entraram no vale através da passagem superior da qual eu te contei; eles eram de nossos homens; eu trouxe-os. Eu nunca estive sozinho no vale, em absoluto; eu devia buscar-te para eles, de maneira que tu não visses uma grande recepção e fugisse; e então todos nós teríamos ido juntos para casa através da passagem superior. Mas nós dois deveríamos ter ido até eles no cume do vale, visto que, por tudo que eu pude dizer, eu não pude lhes trazer para aquele círculo-de-julgamento abaixo onde nós comemos e conversamos ontem. Nós dois temos sido mais valentes do que tu podes ter considerado, ter realizado o feito de ter comido ali; pois todos homens temem-no. Mas quanto a mim, eu estive lá mais do que duas ou três vezes, e, a partir de lá, eu perambulava, e encontrei a passagem na qual nós agora estamos; relativa à qual eu segurei minha língua, considerando que, um dia, ela poderia servir à [248]minha mudança de curso; como abundantemente ela tem feito agora, uma vez que ela tem sido um refúgio para ti.’
‘Sim, mas para onde nós estamos indo agora?’ disse Birdalone; ‘por acaso, é para a Fortaleza Vermelha?’ ‘Não, nunca,’ disse o cavaleiro, ‘assim, ajudem-me, Deus e todos os santos!’
‘Para onde, então?’ disse Birdalone; ‘conta-me, para que eu possa pelo menos confiar em ti, apesar de eu dever-te por toda a dor e pesar que tu preparaste para mim.’ Ele ruborizou e disse: ‘Espera um pouco; eu não te conduzo para nenhum lugar maligno, lá nenhum mal deverá te ocorrer.’ E ele afligiu-se e exasperou-se, e ficou confuso de discurso e aparência, em seguida, ele disse: ‘Quando nós chegarmos lá, eu talvez deverei almejar um benefício de ti.’
‘Oh, mas eu desejo um favor de ti, aqui e agora,’ disse Birdalone. ‘Apaga tua ofensa a mim, e leva-me de volta para meus amigo e para o Castelo da Busca! Dessa foram, tu ainda podes ser querido por mim, embora não completamente como tu desejarias ter sido.’ E ela estendeu as duas mãos na direção dele.
O peito dele elevou-se, e ele parecia perto de chorar; mas ele disse: ‘Não, lady, não me peças aqui e agora, mas lá e amanhã. Mas, novamente, eu juro-te por tuas mãos que para a Fortaleza Vermelha eu não te levarei, nem te permitirei ser levada, se eu puder impedir isso; ou melhor, nem ainda eu dê minha vida por isso.’
Birdalone ficou em silêncio por um tempo; em seguida, ela disse: ‘E o que deve me acontecer, se eu chegar à Fortaleza Vermelha? Quem é o Cavaleiro Vermelho, e o que ele desejaria fazer comigo?’ Disse ele: ‘O Cavaleiro Vermelho é terrível e feroz e sábio; eu temo-o, eu.’ Ele [249]acalmou-se e disse: ‘Eu devo dizer isto que, para ti, teria sido como Morte e o Diabo. Primeiro, ele teria deitado-se contigo.’ Ela interrompeu: ‘Não, nunca!’ e ruborizou intensamente. Mas o cavaleiro prosseguiu: ‘E depois, eu não tenho conhecimento; que fosse de acordo com o humor dele. E quanto ao teu nunca, lady, tu não tens conhecimento de semelhante a ele ou a gente que ele tem em volta dele.’ ‘Tal como tu?’ Ela disse com raiva. ‘Não,’ ele disse, ‘muito piores do que eu; homens que pouco viajam fora de casa; e não estão adoçados pelas aventuras e perigos de guerra; e as mulheres, ainda piores; e muito piores elas são quando lidando com uma mulher.’ Ela ficou em silêncio por um momento, e empalideceu uma vez mais, e ela estendeu a mão para ele e disse gentilmente: ‘Tu sendo quem és, eu agradeço-te por tuas condutas comigo; e agora até amanhã, quando eu deverei perguntar-te sobre isso novamente, eu sou amiga de ti; assim, agora vem, e comamos e bebamos juntos.’
Ele tomou a mão dela e beijou-a, e então veio e se sentou mansamente ao lado dela, e eles comeram e beberam naquele lugar selvagem como se eles tivessem sido amigos de longa familiaridade.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 245-249. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/245/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
Nenhum comentário:
Postar um comentário