[197]Então Walter deitou-se e adormeceu, e não soube de mais nada até que acordou, sob brilhante luz do dia, com a Donzela de pé sobre ele. Ela estava fresca de água, pois estivera no rio para se banhar, e o sol através da porta aberta começou a fluir sobre os pés dela perto do travesseiro de Walter. Ele virou-se e lançou o braço em volta deles, e acariciou-os, enquanto ela permanecia de pé sobre ele; então ele ergueu-se e olhou para ela, e disse: ‘Como tu estás bela e brilhante nesta manhã! E contudo … e contudo … não seria melhor se tu retirasses toda essa murcha e decadente ostentação de folhas e flores, que te fazem parecer como a donzela de bardo em uma manhã de Emergência?’
E ele encorou-a pesarosamente.
Ela riu para ele alegremente, e disse: [198]‘Sim, e provavelmente esses outros não pensem melhor de meu traje, ou não muito melhor; pois acolá eles estão reunindo madeira pequena para o sacrifício; o qual, verdadeiramente, deverá ser de ti e de mim, a menos que eu melhore-o inteiramente pelos meios de sabedoria que eu aprendi com a velha mulher, e aperfeiçoei entre as listras de minha Senhora, a quem um pouco antes tu amaste um pouco.’
E conforme ela falava os olhos dela brilhavam, a bochecha corava, e membros e pés pareciam como se eles escassamente pudessem privar-se de dançar de alegria. Então Walter franziu a sobrancelha e, por um momento, um pensamento meio formado surgiu em sua mente: ‘É assim, que ela me trairia e viveria sem mim?’ E ele lançou os olhos para baixo. Mas ela disse: ‘Olha para cima e para meus olhos, amigo, e vê se há neles qualquer falsidade para contigo! Pois eu conheço teu pensamento; eu conheço teu pensamento. Tu não vês que minha felicidade e alegria são por amor a ti, e pelo pensamento do descanso de problemas que está à mão?’
Ele olhou para cima, e os olhos dele encontraram os olhos de amor dela, e ele teria lançado os braços em volta dela; mas ela retrocedeu e disse: ‘Não, tu deves abster-te por um tempo, [199]querido amigo, para que esse povo não lance os olhos sobre nós e considere-nos muito semelhantes a amantes para o que eu estou para lhes ordenar considerar-me. Aguarda por um tempo, e então deverá ser de acordo com tua vontade. Mas agora eu preciso contar-te que não está muito longe do meio-dia, e que os Ursos estão correndo para dentro do Vale, e que já há uma tropa de homens no Anel de Julgamento, e que, como eu disse, o fardo da oferenda está bem perto de ficar pronto, seja para nós ou para alguma outra criatura. E agora eu tenho de te ordenar isto, e será uma coisa fácil para tu fazeres, a saber, que tu olhes como se tu fosses da raça dos Deuses, e não titubeies, ou mostres sinal de titubeio, o que quer que aconteça: para dizer sim tanto ao meu dizer sim quanto ao meu dizer não: e por último isto, o que é a única coisa difícil para ti (mas tu já fizeste um pouco disso antes), para olhar para mim sem olhos dominantes de amor, nem como se estivesses ao mesmo tempo suplicando-me e comandando-me; em vez disso, tu deverás rebaixar-te tanto como se tu fosse meu homem inteiramente duma maneira simples, e de modo nenhum meu mestre.’
‘Oh, amiga amada,’ disse Walter, ‘aqui finalmente tu és a mestra, e eu cumprirei todas as tuas ordens, com certa esperança disto, que nós devamos ou viver juntos ou morrer juntos.’
Mas, conforme ele conversaram, entrou o ancião, e [200]com ele uma jovem donzela, trazendo com eles o café da manha com coalhadas e creme e morangos, e ele convidou-os a comer. Então eles comeram, e não ficaram infelizes; e durante o intervalo de sua refeição o ancião falou com eles sobriamente, mas não duramente, ou com qualquer inimizade aparente; e sempre sua fala entrava na [questão da] seca, a qual estava agora queimando as pastagens dos baixos, e em como a grama nos vales irrigados, os quais não eram terra muito espalhada, não aguentaria muito mais a menos que Deus envia-se-lhes chuva. E Walter notou que aqueles dois, o ancião e a Donzela, entreolharam-se curiosamente em meio à conversa; a intenção do ancião sobre o que ela poderia dizer, e se ela dera atenção às suas palavras; enquanto que, do lado dela, a Donzela respondia sua fala graciosa e agradavelmente, mas dizia pouco do que fosse de alguma importância: nem ela teria os olhos fixos nele, os quais perambulavam levemente desta àquela coisa; nem os lábios dela endureceriam e parariam, mas sempre sorriam em resposta à luz dos olhos dela, conforme ela sentava-se com sua face como se fosse a face mesma da alegria do dia de verão.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The wood beyond the world. London: Lawrence and bullen, 1895. pp.197-200. Disponível em: https://archive.org/details/woodbeyondworld00morriala/page/197/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0