A Raça Vindoura - Capítulo XIX

Capítulo anterior


[182]Enquanto nós andávamos de volta para a cidade, Taë tomou um novo e tortuoso caminho, a fim de me mostrar o que, para usar um termo familiar, eu chamarei de a ‘Estação’ a partir da qual os emigrantes ou viajantes para outras comunidades começam suas jornadas. Eu expressara, em uma ocasião anterior, um desejo para ver seus veículos. Esses eu descobri serem de dois tipos, um para viagens terrestres, um para viagens aéreas: os primeiros eram de todos os tamanhos e formas, alguns não mais largos do que uma carruagem ordinária, alguns, casas móveis de um andar e contendo vários aposentos, mobiliados de acordo com as ideias de conforto ou luxo que são acolhidas pelos Vril-ya. Os veículos aéreos eram de substâncias leves, não se assemelhando em nada a nossos botes e navios de prazer, com leme e timão, com grandes asas como remos, e uma máquina central [183]trabalhada por vril. Todos os veículos, tanto os terrestres quanto os aéreos, de fato, eram trabalhados por aquela atuação potente e misteriosa.

Eu vi um comboio partir em sua jornada, mas ele tinha poucos passageiros, contendo principalmente artigos de mercadoria, e estava destinado a uma comunidade vizinha; pois em meio às tribos dos vril-ya há considerável troca comercial. Eu posso aqui observar, que a moeda de dinheiro deles não consistem em metais preciosos, os quais são comuns demais entre eles para esse propósito. As menores moedas em uso ordinário são manufaturadas a partir de uma peculiar concha de fóssil, os restos comparativamente escassos de algum dilúvio muito primitivo, ou outra convulsão da natureza, pelo qual uma espécie tornou-se extinta. São minúsculas, e achatadas como uma ostra, e requerem um polimento semelhante ao de uma joia. Essa cunhagem circula entre todas as tribos dos Vril-ya. As suas transações maiores são conduzidas de maneira muito semelhante a nossa, por letras de câmbio, e finas placas metálicas que correspondem ao propósito de nossas notas de banco.

Deixe-me aproveitar esta ocasião para acrescentar que a taxação na tribo com a qual eu familiarizei-me [184]era muito considerável, comparada com a soma de população. Mas eu nunca ouvi ninguém se queixar disso, pois era dedicada aos propósitos de utilidade universal, e de fato necessária à civilização da tribo. O custo da iluminação de uma extensão tão grande de região, de prover para emigração, de manutenção dos prédios públicos nos quais as várias operações do intelecto nacional eram conduzidas, a partir da primeira educação de um infante aos departamentos nos quais o Colégio de Sábios estavam perpetuamente tentando provar novos experimentos em ciências mecânicas: todos esses envolviam a necessidade de consideráveis fundos estatais. A esses eu preciso acrescentar um item que me atingiu como muito singular. Eu disse que todo o labor humano requerido pelo estado é conduzido por crianças até a idade casável. Por esse trabalho o estado paga, e a uma taxa incomensuravelmente mais alta do que nossa remuneração para o trabalho até nos Estados Unidos. De acordo com a teoria deles, toda criança, masculina ou feminina, ao atingir a idade casável, e ai terminando o período de trabalho, deveria ter adquirido o suficiente para uma vida independente. Como, não importa [185]a disparidade de fortuna dos pais, todas as crianças precisam servir igualmente, assim todas são pagas igualmente de acordo com suas várias idades ou natureza de seu trabalho. Onde os pais ou amigos escolhem manter uma criança em seu próprio serviço, eles devem pagar ao fundo público a mesma razão que o estado paga à criança que emprega; e essa soma é entregue à criança quando o período de serviço expira. Essa prática serve, sem dúvida, para tornar a noção de igualdade social familiar e agradável; e se pode ser dito que todas as crianças formam uma democracia, não menos verdadeiramente pode ser dito que todos os adultos formam uma aristocracia. A esquisita polidez e refinamento de maneiras entre os Vril-ya, a generosidade de seus sentimentos, o lazer absoluto que eles desfrutam para seguir com suas próprias atividades privadas, as amenidades de sua relação doméstica, na qual eles parecem-se como membros de uma ordem nobre que não têm desconfiança um da palavra ou ato do outro, tudo se combina para fazer dos Vril-ya a mais perfeita nobreza que um discípulo político de Platão ou Sidney poderia conceber para o ideal de uma república aristocrática.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

BULWER-LYTTON, E. The Coming Race. Edinburgh and London: William Blackwood and Sons, 1871. p.182-185. Disponível: <https://archive.org/details/comingrace00lytt/page/182/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O Último Homem - Volume I - Capítulo IV-II

O Último Homem Por Mary Shelley Volume I Capítulo anterior [121] Capítulo IV-II Há um sentimento tal como amor à primei...