A História da Planície Cintilante - Capítulo VIII Hallblithe embarca novamente para longe da Ilha do Resgate

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[66]Quando ele acordou, o sol brilhou dentro do salão através das janelas acima da despensa e havia somente algumas poucas pessoas deixadas ali. Mas, tão logo quanto Hallblithe estava vestido, a velha mulher veio a ele, tomou-o pelo mão, levou-o à mesa e fez-lhe sinal para que ele coma o que estava em cima. Assim ele fez e, no momento que terminara, chegaram pessoas que foram à cama fechada onde se deitava o de longos cabelos grisalhos, trouxeram-no para fora da cama e carregaram-no porta afora. Depois disso, a velha mulher trouxe a Hallblithe suas armas e ele arranjou cota de malha e elmo, colocou sua espada a seu lado na cintura, tomou sua lança em sua mão e saiu porta afora. Ali perto da varanda deitava-se o de longos cabelos brancos sobre uma liteira puxada a cavalo. Então Hallblithe foi até ele e deu-o a boa fortuna do dia. O ancião disse: “Bom dia, filho, eu estou feliz em ver-te. Eles trataram-te severamente na última noite?

[67]E Hallblithe viu dois dos camponeses que carregaram o ancião; que eles estavam conversando juntos, olharam para ele e riram zombeteiramente. Então ele disse ao ancião: “Até tolos podem tentar um homem sábio, assim ocorreu na última noite. Mas, como tu vês, arremedos não me mataram.”

Disse o velho: “O que tu viste não foi completo arremedo, foi feito de acordo com nossas tradições e quase tudo isso [já] fora feito, mesmo [quando] tu não estiveras lá. Mas que isso, eu te contarei; em algumas de nossas festas não é lícito comer ou para os chefes ou para os camponeses, até que o campeão tenha proferido um desafio, tenha sido respondido e oposto e a batalha disputada até um fim. Mas vós homens, o que vos entravais de ir às cabeças dos cavalos e apressar pela estrada o chefe que não é mais digno de sê-lo?”

Então eles correram para os cavalos e montaram na direção do vale através da beira do rio. Exatamente quando Hallblithe estava para seguir a pé, ali chegou um zagal de trás da casa, guiando um cavalo vermelho o qual ele trouxe para Hallblithe como alguém que oferta montaria. Então Hallblithe saltou para a sela e imediatamente acompanhou a liteira do de longos cabelos brancos abaixo ao longo do rio. Eles não passaram por nenhuma outra casa, salvo aqui e ali uma cabana junto a algum acidente de terro ou vacaria; prosseguiram facilmente, pois o caminho era liso ao lado do rio e então, em menos de duas horas, [68]chegaram onde o dito rio aflui para o mar. Não havia praia ali, pois água era de dez braças de profundidade próxima à orla da terra; mas havia um grande porto todo cercado por terra, senão por um estreito canal para fora entre penhascos completamente negros. Muitas grandes embarcações podem ter repousado naquele porto; mas, quanto agora, há somente uma jazendo lá, uma coca não muito grande, mas excessivamente esmerada e própria para o mar.

Ali, sem mais delongas, os camponeses tiraram o ancião da liteira e carregaram-lhe a bordo. Hallblithe seguiu-lhe como se fosse assim apontado. Eles deitaram o velho sobre a popa, sob um toldo de tecido precioso, e assim retornaram pelo caminho que vieram. Hallblithe foi e sentou-se ao lado do de longos cabelos brancos, que lhe falou e disse: “Vês tu, filho, como é fácil para nós dois sermos mandados abordo para a terra para onde nós iriamos? Mas, tão fácil quanto é para tu ires mais longe visto que nós estamos indo, justamente tão difícil fora para tu ires para outro lugar. Além disso, eu preciso contar-te que, embora muitos alguém da Ilha do Resgate desejem ir nesta viajem, mais nenhum outro deve ir para lá, até que o mundo seja um ano mais velho. E ele que deva ir nessa ocasião deve ser o mais semelhante a mim de todos os modos, tanto em velhice como em fraqueza, em voz zombeteira e tudo mais. E agora que eu fui, o nome dele deve [69]ser o mesmo pelo qual vós podeis chamar-me hoje, e esse é Avô. Estás tu contente ou pesaroso, Hallblithe?”

Avô,” disse Hallblithe, “Eu escassamente posso dizer-te. Eu movo-me como alguém que não tem vontade para dirigir-se a um caminho ou a outro. Parece-me que eu sou puxado para ir mais longe visto que nós estamos indo; portanto eu considero que eu deverei encontrar minha amada na Planície Cintilante: e tudo aquilo que acontecer depois, deixe ser como for!

Diga-me, meu filho,” disse o Avô, “quantas mulheres existem lá fora no mundo?”

Como eu posso contar-te?” disse Hallblithe.

Bem, então,disse o ancião, “quantas mulheres muito belas existem lá?”

Disse Hallblithe, “De fato eu não tenho conhecimento.”

Quantas assim tu viste?” disse o Avô.

Muitas,” disse Hallblithe; “as filhas de meu povo são belas e haverão muitas outras assim entre os estrangeiros.”

Então riu o ancião e disse: “Agora, meu filho, ele que fora teu companheiro desde tua separação de tua amada, teria dito que, em teu julgamento, há somente uma mulher no mundo; ou ao menos uma boa mulher: não é assim?”

Então Hallblithe ruborizando-se, primeiramente, como se ele estivesse bravo; então ele disse: “Sim, é assim.”

[70]Disse o Avô de um modo pensativo: “Eu maravilho-me se dentro em pouco eu deverei pensar disso como tu pensas.”

Então Hallblithe fitou-o maravilhado, e estudou para ver em que ponto jaz o sarcasmo contra ele mesmo; e o Avô observou-lhe, e riu assim como ele podia, e disse: “Filho, filho, tu não desejaste-me juventude?”

Sim,” disse Hallblithe, “mas o que te afligi para rir assim? O que eu disse ou fiz?”

Nada, nada,” disse o Ancião, rindo ainda mais, “tu somente pareces tão confuso. E quem pode saber o que teu desejo pode trazer?”

Depois disso Hallblithe ficou sensivelmente perplexo; mas, enquanto ele punha-se a considerar o que o velho quer dizer, ergueram-se o vigor e a capacidade dos marinheiros. Eles soltaram os sirgas das encostas, esgotaram as varreduras e guiaram a embarcação através das comportas do porto. Era um brilhante dia ensolarado; dentro, a água esverdeada era oleosa e suave, sem as ondas agitadas dançando felizmente sob uma brisa branda. Hallblithe considerou o vento estar bom; pois os marinheiros gritavam alegremente e executavam toda a navegação à vela na embarcação; e ele parava e acelerava através das ondas, lançando fora os mares de seus arcos negros. Logo eles estavam livres daqueles penhascos escuros, e foi um pouco depois que a Ilha do Resgate tornara-se azul profunda atrás deles e longínqua.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. Story of the glittering plain, which has also been called the Land of living men, or the Acre of the undying. Boston: Roberts Brothers, 1892. pp.66-70. Disponível em: https://archive.org/details/story00morrofglitterinrich/page/66/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

A História da Planície Cintilante - Capítulo VII Uma Festa na Ilha do Resgate

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[50]Hallblithe ponderou sua resposta por um tempo com olhos desanimados e finalmente disse: “Vós tendes em mente exigir resgate por mim, agora que eu entrei na armadilha?”

Não há necessidade de falar de resgate,” disse o ancião;tu podes sair desta casa quando tu quiseres, nem qualquer um interferirá contigo se tu vagueares ao redor da Ilha, quando eu colocar uma marca em ti e der-te um símbolo. Nem tampouco tu serás impedido se tu tiveres uma mente para deixar a Ilha, se tu puderes descobrir meios para isso. Além do mais, enquanto tu estiveres na Ilha, nesta casa tu deves permanecer, comendo e bebendo e descansando conosco.

Como eu posso ir embora daqui?” disse Hallblithe.

O ancião riu: “Em uma embarcação,” disse ele.E quando,disse Hallblithe, “deverei eu encontrar uma embarcação que deva carregar-me?” Disse o velho camponês, “Para onde desejas tu ir meu filho?” Hallblithe ficou em silêncio por um tempo, pensando em que resposta ele [51]deveria arranjar; então ele disse: “Eu iria à terra da Planície Cintilante.”

Filho, uma embarcação não deve estar carecendo de ti para aquela viagem,” disse o ancião.Tu podes ir amanhã de manhã. E eu convido-te; permanece aqui esta noite e tua satisfação não deverá ser imprópria. Contudo, se tu acreditares em minha palavra, será bom para ti dizer tão pouco quanto tu puderes para qualquer homem daqui, e esse pouco tão pouco altivo quanto possível: pois nosso povo é de temperamento curto e tu sabes que não há poder contra muitos. Na verdade não é incomum que eles não falem uma palavra para ti e, se assim for, tu não tens necessidade de abrir tua boca para eles. E agora eu te direi que é bom que tu escolheste ir à Planície Cintilante. Pois, se tu estivesse de outro modo inclinado, eu não sei como tu obterias um barco para te carregar, e as asas ainda não começaram a brotar em teus ombros, embora corvo tu sejas. Agora eu estou feliz que tu estás indo em teus caminhos para a Planície Cintilante amanhã; pois tu serás boa companhia para mim naquele percurso: e eu considero que tu não serás grosseiro quando tu estiveres feliz.

Que,” disse Hallblithe, “estás tu dirigindo-te para lá, tu velho?”.

Sim,” disse ele, “nem qualquer outro deve estar naquela embarcação salvos tu e eu, e os marinheiros que [52]nos transportarão; e eles de qualquer maneira não devem ir à terra lá. Por que não deveria eu ir, visto que há homens para carregar-me abordo?”

Disse Hallblithe, “E quando tu tiver ido à terra lá, que tu farás?”

Tu deves compreender, meu filho,” disse o de longos cabelos grisalhos.Pode bem ser que teus desejos devam ser de utilidade para mim. Mas agora, desde que tudo isso somente pode vir a ser se eu viver esta noite até o fim, e uma vez que meu coração já fora aquecido pelo bom hidromel e por tua companhia, e ao passo que eu estou um tanto sonolento, e a muito o meio dia é passado, vai em frente para dentro do salão, e deixe-me dormir, para que eu possa estar tão sadio quanto minha vontade velha permita-me amanhã. E quanto a ti; gente, ambos homens e mulheres logo devem entrar no salão, e eu não considero que quaisquer um deles deva intrometer-se contigo; mas se assim for que algum desafia-te; quaisquer que sejam suas palavras, responde tu a ele ‘A CASA DO IMORREDOURO,’ e haverá um fim para o conflito. Somente vê tu para que nenhum aço desembainhado saia de tua bainha. Vai agora, e se tu desejares, sai pelas portas; porém estás tu mais seguro dentro das portas e mais próximo de mim.

Então Hallblithe retornou ao salão principal. O sol circulara agora e estava brilhante no salão, através das janelas do clerestório, de modo que ele viu claramente tudo o que estava naquele [53]lugar. Ele considerou o salão mais claro dentro do que fora; especialmente sobre as camas fechadas haviam muitas histórias esculpidas nos painéis e Hallblithe observou-as de bom grado. Mas de uma coisa ele maravilhou-se; que, ao passo que ele estava em uma ilha de fortes ladrões dos mares, e em sua própria casa e habitação principal, não havia embarcações ou mares retratados naquelas imagens, mas belos bosques e jardins, com grama florida e árvores com frutas por toda parte. E havia belas mulheres morando ali, adoráveis jovens, e guerreiros, e bestas estranhas e muitas maravilhas, e o fim da ira e o começo do prazer, e a coroação do amor. E em meio a estas coisas estava retratado frequente e novamente um poderoso rei com uma espada a seu lado e coroa em sua cabeça; e sempre ele estava sorrindo e alegre, de modo que Hallblithe, quando olhava para ele, sentia o coração melhor e sorria de volta para a imagem esculpida.

Então, enquanto Hallblithe olhava essas coisas, e ponderava sua situação cuidadosamente, completamente sozinho como ele estava naquele salão estrangeiro, ele ouviu um barulho destituído de fala e riso e, após o que, em breve, o tamborilar de pés. Em seguida mulheres entraram no salão, umas vinte ou mais: algumas jovens, algumas velhas, algumas belas o suficiente, e algumas de feições duras e deselegantes; mas todas acima da estatura [54]das mulheres que ele vira em sua própria terra.

Então ele ficou de pé no meio do pavimento do salão e aguardou-as. Elas viram-no e a seus brilhantes apetrechos de guerra, cessaram sua conversação e riso, cercaram e encararam-lhe. Mas nenhuma disse qualquer coisa até que uma mulher idosa veio adiante a partir do perímetro do pavimento, e disse: “Quem és tu, de pé em armas em nosso salão?

Ele não sabia o que responder e manteve-se calmo; ela falou novamente: “Para onde vais tu, que buscas tu?”

Então respondeu Hallblithe: “A CASA DO IMORREDOURO.”

Ninguém respondeu. As outras mulheres todas distanciaram-se dele de uma vez e foram tratar de seus negócios aqui e ali através do salão. Mas a velha senhora tomou-o pela mão, guio-o acima para o estrado, sentou-o próximo ao assento elevado bem no centro. Então ela fez como se fosse retirar seus equipamentos de guerra; e ele não se oporia a ela, embora considerasse que inimigos pudessem estar próximos. Visto que em verdade ele confiou no velho camponês de que ele não o trairia e, além disso, considerou que seria covarde não aceitar os riscos da hospedagem, de acordo com o costume do país.

Então ela pegou sua armadura, suas armas e [55]levou-as embora para uma cama fechada próxima daquele lugar onde se deitava o velho. Ela deitou os equipamentos dentro da cama, todos salvo a lança, a qual estendeu acima, nos pinos de parede. Ela fez-lhe sinais de que naquele lugar ele deveria deitar-se; mas não falou palavra alguma a ele. Então, ela trouxe-lhe água para lavar as mãos em uma bacia de metal e uma vistosa toalha junto e, quando ele lavara-se, ela afastou-se dele, mas não [para] longe.

Enquanto isso, as outras mulheres estavam ocupadas ao redor do salão: algumas varreram o piso e, quando estava varrido, espalharam por cima juncos e punhados de tomilhos selvagens; algumas foram à despensa e trouxeram para fora as mesas e os cavaletes; algumas foram aos cofres e trouxeram para fora as ricas tapeçarias, os vistosos assentos e tapeçarias para encosto e organizaram-nos sobre as paredes; algumas trouxeram para dentro cântaros, chifres e taças; e algumas seguiram sem seus caminhos e não retornaram por um tempo, pois elas estavam ocupadas com respeito à culinária. Mas qualquer coisa que elas fizessem, nenhuma saudava-o, ou prestava-lhe mais atenção do que se ele fosse uma imagem, conforme ele sentava-se ali olhando. Nenhuma, salvo a velha mulher que lhe trouxera a ceia anterior; a saber um grande chifre de hidromel, bolos e peixe seco.

Então o salão estava arrumado muito justamente para a festa. Hallblithe sentou-se ali enquanto o sol abateu-se, a casa escurecia e, finalmente [56]escura, eles acenderam as velas para cima e para baixo no salão. Mas um pouco depois delas terem sido acessas, um grande chifre foi arejado próximo do lado de fora e depois disso veio o barulho de armas perto da porta; homens excessivamente altos entraram, vinte e cinco, andaram a passos largos dois por dois até o pé do estrado e ficaram de pé ali em uma fileira. E Hallblithe considerou os apetrechos de guerra deles muito bons; eles estavam inteiramente vestidos em cota de malha encerrada por anéis, tinham elmos de aço em suas cabeças com coroas de ouro trabalhadas ao redor deles, carregavam lanças em suas mãos e escudos brancos pendiam em suas costas. Agora vieram as mulheres a eles e desarmaram-nos; sob as armaduras deles as vestes eram negras, mas eles tinham argolas dourados em seus braços e colares dourados ao redor de seus pescoços. Assim, eles subiram ao estrado e tomaram seus lugares nos altos assentos; não prestando a Hallblithe uma atenção maior do que se ele fosse uma imagem de madeira. Não obstante aquele homem sentou-se próximo àquele que era o chefe de todos e sentou-se bem no centro dos altos assentos; e trouxe sua espada embainhada em sua mão e deitou-a na mesa diante dele, e era o único homem dentre aqueles chefes que tinha uma arma.

Mas, quando eles sentaram-se, houve novamente um barulho fora; e lá entrou um tropel de homens armados e desarmados que tomaram seus lugares nos longos bancos para cima e para baixo no salão. [57]Com esses também entraram mulheres, a maioria das quais se sentou no meio dos homens, mas alguns as ocuparam com serviço. Todos estes homens eram de grande estatura, mas nenhum tão grande quanto os chefes nos altos assentos.

Agora da cozinha entraram as mulheres trazendo a carne, da qual não pouca era carne de peixe, e tudo era do melhor. Hallblithe foi devidamente servido como os outros, mas ainda ninguém falou com ele ou mesmo olhou para ele; embora entre si eles falassem em vozes grandes e rudes, de modo que as vigas do salão badalaram novamente.

Quando eles comeram suas porções, as mulheres encheram numa rodada todos os copos e chifres para eles e esses recipientes eram ambos grandes e vistosos. Mas, antes que eles começassem a beber, ergueu-se o chefe que se sentava o mais distante do meio dos altos assentos a direita e bradou uma saúde: “O TESOURO DO MAR!” Então todos eles levantaram-se e berraram, mulheres assim como homens, e esvaziaram seus chifres e copos àquela saúde. Em seguida pôs-se de pé o homem que ficava o mais distante a esquerda e bradou, “Bebamos uma saúde ao Rei que Não Morre!” E novamente todos os homens ergueram-se e bradaram antes que bebessem. Outras saúdes eles beberam, conforme o “Barco Frio,” a “Vela Desgastada pelo Vento,” a “Cinza Agitada” e a “Praia Sulcada.” E o vinho e o hidromel fluíram como rios naquele salão de Homens Selvagens. Quanto a [58]Hallblithe, ele bebeu o que desejava, mas não se colocou de pê, nem ergueu seu copo a seus lábios quando uma saúde foi bebida; pois ele não sabia se estes homens eram seus amigos ou seus inimigos, e ele considerou que seria de pouco espírito beber às saúdes deles, a fim de que ele não estivesse bebendo morte e confusão a seu próprio povo.

Mas, quando os homens beberam por um tempo, novamente um chifre soprou na extremidade baixa do salão. Imediatamente pessoas surgiram das tábuas verticais, levaram embora as mesas e cavaletes, limparam o piso e puseram-se de pé contra a parede. Então o grande chefe ao lado de Hallblithe levantou-se e bradou:Agora que homem dance com donzela, e que sejamos felizes! Música, toque!Então flutuaram os arcos de rabeca e vibraram as harpas. Os camponeses e as rainhas puseram-se adiante no pavimento e todas as mulheres estavam envoltas em vestes negras, embora bordadas com laços e grinaldas de flores. Por algum tempo eles dançaram e então, subitamente, a música parou e todos eles retornaram a seus lugares. Em seguida, o chefe no alto assento levantou-se, tomou um chifre de seu lado e bafejou um grande sopro que preencheu o salão. Então ele exclamou: “Sejamos felizes! Que os campeões venham a frente!”

Os homens gritaram alegremente depois disso. Imediatamente afluíram ao salão a partir dos biombos três [59]homens altos, envoltos em armaduras negras, com espadas desembainhadas em suas mãos e puseram-se de pé no meio do pavimento do salão, mais ou menos de um lado, e chocaram suas espadas em seus escudos e exclamaram: “Vinde adiante vós Campeões do Corvo!”

Nessa ocasião Hallblithe saltou de seu assento e pôs sua mão em seu lado esquerdo, mas nenhuma espada estava lá. Assim ele sentou-se novamente, lembrando-se do aviso do Ancião, e ninguém prestou-lhe atenção.

Em seguida ali entraram no salão lenta e pesarosamente três homens de armas, vestidos e armados como os guerreiros de seu povo, com a imagem do Corvo em seus elmos e escudos. Então Hallblithe conteve-se, pois, além do que isto parecesse provavelmente ser uma batalha justa de três contra três, ele duvidava de alguma armadilha, e determinou-se a olhar como espectador e aguardar.

Então os campeões começaram a assentar golpes que não eram brincadeira de criança, embora Hallblithe duvidasse se os gumes cortassem, e isso apenas um pouco antes que os Campeões do Corvo caíssem um depois do outro diante dos Homens Selvagens, e pessoas puxarem-nos pelos calcanhares para dentro da despensa. Então surgiu um grande riso e zombaria, e excessivamente indignado estava Hallblithe; todavia ele reprimiu-se porque lembrava de tudo que tinha para fazer. Mas os três Campeões do Mar andaram a passos largos ao redor do salão, jogando suas espadas [60]e pegando-as conforme elas caiam, enquanto os chifres sopravam atrás deles.

Depois de um tempo o salão silenciou, o chefe levantou-se e exclamou: “Trazei agora alguns feixes da colheita que obtemos, nós rapazes do remo e da flecha!” Em seguida houve um rebuliço nas portas dos biombos, pessoas pressionaram para frente para ver, e, oh, ali vinham a frente uma série de mulheres, lideradas por dois camponeses armados. As mulheres eram vinte em número, elas estavam descalças, os cabelos delas pendurados frouxos, seus vestidos estavam sem cinto e estavam encadeadas juntas pulso a pulso; ainda tinham elas seu ouro no braço e no pescoço. Houve silêncio no salão quando elas ficaram de pé no centro do pavimento.

Então de fato Hallblithe não pôde conter a si mesmo; ele saltou de seu assento para o tabuleiro, e sobre ele, correu através do salão, chegou àquelas mulheres e olhou-as na face uma a uma, enquanto nenhum homem falava no salão. Mas Hostage não estava entre elas; ou melhor, verdadeiramente nenhuma delas lembrava as filhas de seu povo, embora fossem graciosas e belas. De modo que novamente Hallblithe duvidou de que isto não fosse nada mais que um jogo de festa de salão feito para enfurecê-lo; considerando que havia apenas pouco pesar nas faces daquelas donzelas, e mais de uma delas sorriu licenciosamente em sua face enquanto ele olhava-as.

[61]Então ele virou-se e retornou a seu assento, não dizendo nenhuma palavra. Detrás dele surgiu muita zombaria e escarnecimento; mas isso o enfureceu pouco agora, pois ele lembrou-se do conselho do ancião e de como ele procedera de acordo com seu comando, de modo que ele considerou que o ganho era seu. Assim brotou a conversa no salão entre homem e homem, pessoas bebiam ao redor e estavam felizes; até que o chefe levantou-se novamente, acertou a mesa com o lado chato de sua espada e bradou em voz alta e raivosa, de modo que todos puderam ouvir: “Agora, que haja música e a poesia dos menestréis até que nós formos em direção da cama.”

Com isso começou de pronto o burburinho de vozes; dali emergiram três homens com grandes harpas e um quarto homem com eles, que era o menestrel. Os harpistas atingiram suas harpas de modo que o teto badalou com elas e o barulho, embora fosse alto, era harmonioso e, quando eles tocaram deste modo por algum tempo, o menestrel levantou sua a voz e cantou:


A terra jaz negra

Com a falta do inverno,

O vento sopra frio

Curva campo e prega;

Todo o povo está dentro de casa,

E somente tecendo eles ganham.

[62]Onde de dedo a dedo

A lançadeira voa rápido,

E os olhos do cantor

Contemplam com prazer o elenco,

Conforme ele canta a história

De um verão perdido

E os feixes de cevada grisalhos

Maduros sob o sol.


Então as donzelas seguram

O levemente suspenso pente do tear,

E as lançadeiras aguardam

Pelo lado da teia azul,

Enquanto de mãos dadas

Com os camponeses elas permanecem.

Mas antes à medida,

As violas entoam,

E os anciões ainda entesouram

O último copo,

Ali permanecem eles ouvindo

O impacto da elevação,

E mesmo noite está escurecendo

Mais sob a deriva.


Lá salvos no salão

Eles abençoam a parede,

E o teto sobre a cabeça,

De valente lugar;

E as mãos eles louvam

Dos dias antigos.

[63]Então através do rugido da tempestade

As violas irrompem,

E eles não pensaram em hostilidade,

Mas lançaram fora a dúvida,

E, homem diante de donzela,

Os pés deles pisaram no chão,

E seus corações sem carga

De tudo que eles carregaram.


Mas que ventos são supergelados

Para o coração do bravo?

Que mares são superfortes

Para o não condenado a morrer?

Negra noite e vento pavoroso,

Mas o porto nós encontramos.

Então em terra firme no meio da agitação

Da onda que lava rocha!

Nuvens como cães de caça à lua preocupam,

Mas luz ilude a relva;

Oh o longo vale diante de nós!

As luzes ao final,

Embora a noite escureça sobre nos,

Ordenam para onde ir.


Quem bate à porta

Através do chão que pune o pé?

Que convidados são esses

Do outro lado dos mares?

Tomem escudo e espada

Como suas palavras de boas vindas.

[64]Oh, oh, a dança acabou!

Oh, centro do salão

As lâminas do alqueive sangraram!

Oh, sangue na parede!

Quem vive, quem morre?

Oh homens do mar,

Pela paz o povo clama:

Nossos mestres sois vós.


Agora o vale jaz cinza

Ao nascer do dia;

E belos pés passam

Sobre a grama gasta pelo vento;

E eles voltam-se para encarar

O teto dos velhos dias.

Vinde pisai vós sobre o piso de carvalho

Do salão do mar!

Que seus corações ainda sejam inteiros;

Tão justos quanto sois vós,

Que reis estão esperando

Não casados para ganhar

As notícias de nossa cavalgada

Dos corcéis do oceano.


Muita gritaria e risada surgiram ao fim da canção; homens brotaram e brandiram suas espadas acima de seus copos, enquanto Hallblithe sentou-se fazendo carranca diante do divertimento deles. Por fim levantou-se o chefe e bradou ruidosamente pelo copo de boa noite; o copo deu a volta e todos os homens beberam. [65]Em seguida o chifre soprou por cama; os chefes foram aos aposentos deles, os outros foram aos caramanchões exteriores ou deitaram-se sobre o pavilhão do salão e, em pouco, tempo ninguém estava de pé no salão. Então Hallblithe levantou-se, e foi à cama fechada apontada para ele, e deitou-se e dormiu sem sonhos até a manhã.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. Story of the glittering plain, which has also been called the Land of living men, or the Acre of the undying. Boston: Roberts Brothers, 1892. pp.50-65. Disponível em: https://archive.org/details/story00morrofglitterinrich/page/50/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

A História da Planície Cintilante - Capítulo VI Duma Morada do Homem na Ilha do Resgate

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[39]Quando acordou novamente, o sol brilhava sobre ele, a manhã estava calma e sem vento. Ele sentou-se e olhou ao redor de si, mas não pôde ver sinal algum de Fox salvo o covil no qual o mesmo dormira. Então Hallblithe pôs-se de pé e procurou por ele ao redor das fendas nas rochas e não o encontrou. Hallblithe gritou por ele e não teve resposta. Nessa ocasião ele disse, “Provavelmente ele descera ao bote para colocar alguma coisa ou para tirar alguma coisa.” Então ele seguiu em seu caminho para a escada abaixo, dentro da caverna de água, chamou por Fox do topo da escadaria e não teve resposta.

Então ele desceu aquela longa escada com um receio em seu coração e, quando ele chegou ao último degrau; não havia nem homem nem bote, nem mais nada, salvo a água e a rocha viva. Nessa altura ele ficou extremamente indignado, pois sabia que fora enganado e estava em uma má situação: deixado sozinho em uma Ilha que não conhecia; uma terra [40]deserta e desolada, onde parecia mais provável que ele devesse morre de fome.

Ele não desperdiçou nem folego ou força agora gritando por Fox, ou procurando por ele, pois disse a si mesmo:Eu podia ter sabido bem que ele era falso e um mentiroso, visto que raramente ele podia conter sua alegria diante de minha tolice e de sua astúcia. Agora é comigo esforçar-me pela vida contra a morte.Em seguida, ele virou-se e subiu a escada lentamente, saiu na superfície aberta daquela Ilha e viu que estava deveras vazia e terrível. Um lugar selvagem de areia negra, pedras, rochas transportadas pelo gelo, com pouco capim crescendo aqui e ali nas cavidades e às vezes um lamaçal sombrio onde borbotões cristados de branco agitavam-se ao vento, e aqui e ali trechos de terreno pantanoso misturavam-se com sempre-vivas florescidas em vermelho. Em outro lugar, nada somente o rastejante salgueiro mordido pelo vento segurando-se à areia negra, com uma lívida vara branca e uma folha ou duas, e novamente uma vara e uma folha. À distância na praia, olhando na direção da terra, havia grandes montanhas, algumas muito grandes e rematadas de neve, algumas nuas nos topos; e tudo o que estava distante, salvo a neve, estava azul profundo na manhã ensolarada. Mas, ao redor dele, no brejo, rochas estavam dispersas como o recife abaixo no qual ele dormira última noite e cumes, pontas agudas, martelos e pequenos montes de terra de rudes formas.

[41]Então ele foi à borda dos penhascos e olhou abaixo para o mar que jazia enrugado e ondulando na direção da praia muito abaixo dele. Longamente ele olhou a praia e tudo ao redor, mas não pôde ver nem embarcação nem vela, nem mais nada, salvo a lavagem das ondas e o pairar da ave marinha.

Então ele disse:Talvez não ficasse bem se eu fosse procurar aquele mestre da casa do qual Fox falou? Não poderia ele emigrar-me finalmente para a Terra da Planície Cintilante? O pesar está em mim! Agora eu sou daquela grave comitiva e também eu devo gritar; Onde ficar a terra? Onde fica a terra?

Com isso ele voltou-se na direção do recife acima da toca deles, mas, conforme ia, pensou e disse:Não, mas não é este Lugar uma mentira como o resto da história de Fox? E não estou eu sozinho nesta terra selvagem cercada pelo mar? Sim, e mesmo aquela imagem de minha amada, a qual eu vi em um sonho, talvez aquilo também fosse uma mera ilusão; pois agora eu vejo que o Puny Fox era de todos os modos mais sábio do que é adequado e agradável.Ainda de novo ele disse: “Pelo menos eu procurarei e descobrirei se há outro homem residindo nesta ilha desafortunada, e depois o pior disse será batalhar com ele, e morte pela ponta e gume em vez de pela forme; ou na melhor das hipóteses nós podemos nos tornar amigos e libertar um ao outro.Depois disso ele [42]veio ao recife, e com muito barulho escalou ao mais elevado de suas rochas e dai olhou para baixo em direção à terra. Entre ele e as montanhas, e parecendo não muito distante, ele viu fumaça subindo, mas nenhuma casa viu, nem qualquer outra marca de uma moradia. Então ele desceu da pedra, voltou suas costas ao mar e foi na direção daquela fumaça com sua espada em sua bainha e sua lança sobre seu ombro. Acidentado e penoso era o caminho: três pequenos vales ele cruzou entre os pescoços de montanhas, cada um estreito e vazio, com uma corrente de água no meio correndo na direção do mar; e se em vale ou cume, ele prosseguia mesmo em meio a areia, pedras e ervas daninhas da terra selvagem, e não viu nenhum homem, ou besta cuidada pelo homem.

Finalmente, após ele ter estado a caminho por quatro horas, porém não fora muito longe, ele encimou uma inclinação pedregosa, e a partir da borda dali observou um amplo vale de grama crescida pela maior parte, com um rio correndo através dele; ovelha, vacas e cavalos alimentando-se para cima e para baixo nele. E em meio a este pequeno vale, pelo lado do corego, ficava uma morada de homens; um longo salão e outras casas ao redor dele construídos em pedra.

Então Hallblithe estava contente, desceu a curva rapidamente, seus apetrechos de guerra colidindo sobre ele. Conforme ele chegou ao pé dali e ao [43]capim do pequeno vale, aproximou-se dos cavalos pastantes e passou próximo do pastor de cavalos e de uma mulher que estava próximo dele. Eles fizeram-lhe careta conforme ele passava, mas não interferiram com ele de maneira alguma. Embora eles fossem como gigantes em estatura e ferocidade de face, não eram desfavorecidos: eles eram de cabelos vermelhos, e a mulher tão branca quanto creme onde o sol não queimara sua pele; eles não tinham armas que Hallblithe pudesse ver salvo a vara na mão do camponês.

Desse modo Hallblithe passou e chegou à casa maior, ao salão supracitado: era muito comprido e baixo para seu comprimento, não muito bem-feito de estilo, uma mera pilha empenada de pedras. Baixa e estreita era a porta lá naquele lugar, Hallblithe entrou vergando-se humildemente e o fogo do aço de sua lança, que ele carregava diante de si, foi extinto pela escuridão do salão. Ele sorriu e disse a si mesmo: “Agora se houvesse alguém perto que não me permita entrar vivo, e ele com uma arma em sua mão, logo toda história será contada.” Mas ele entrou no salão sem ser perturbado, ficou de pé no chão dai e falou: “A boa fortuna do dia para quem quer que esteja neste lugar! Algum homem falará ao recém-chegado?”

Mas ninguém respondeu ou deu-lhe saudações e, conforme seus olhos acostumaram-se à escuridão do salão, ele olhou ao redor de si: nem sobre o chão ou [44]sobre o alto assento nem em qualquer lareira pôde ele ver um homem. Havia silêncio lá, salvo pelo crepitar da chama tremulante no centro do meio e a corrida dos ratos atrás de painéis das paredes.

Em um lado do salão havia uma fileira de camas fechadas e Hallblithe imaginou que podia haver homens ali; mas, desde que ninguém o cumprimentara, ele conteve a si mesmo de procurá-los por medo de uma armadilha, e pensou, “Eu aguardarei no meio do chão e, se houver alguém que gostaria de lidar comigo, amigo ou inimigo, deixe-o vir cá para mim.”

Então ele começou a andar para cima e para baixo no salão, da despensa ao estrado, e seus apetrechos de guerra chocalharam sobre ele. Finalmente, conforme ele andava, ele pensou ter ouvido uma voz baixa, fina e rabugenta, a qual contudo era muito rouca para o guincho de um rato. Então ele adiou sua caminhada, ficou parado e disse: “Falará qualquer homem com Hallblithe, um recém-chegado e um estranho, neste lugar?”

Então a pequena voz formou uma palavra e disse: “Por que caminha o tolo para cima e para baixo em nosso salão, fazendo nada; assim como os Corvos batem as asas coaxando sobre os penhascos, sustentando o mote de guerra e o choque de lâminas incultas?”

Disse Hallblithe e a voz dele soou imensa no salão: “Quem chama Hallblithe de tolo e zomba dos filhos do Corvo?”

[45]Falou a voz: “Por que não vem o tolo ao homem que não pode ir até ele?”

Então Hallblithe curvou-se para frente para ouvir com atenção e considerou que a voz vinha de uma cama fechada. Então ele encostou sua lança contra um pilar, foi para dentro da cama fechada que ele notara e viu onde ali deita-se ao longo dela um homem extremamente velho de aparência, sensivelmente enfraquecido, com cabelos longos tão brancos com a neve, deitado sobre as roupas de cama.

Quando o ancião viu Hallblithe, riu um riso fino e estalado como se em zombaria e disse: “Saudação recém-chegado! Tu desejas comer?”

Sim,” disse Hallblithe.

Entra tu na despensa então,” disse o velho camponês, “e lá tu deverás encontrar no armário; bolos, colhadas e queijo. Come tua satisfação e, quando tiveres terminado, olha na lareira e tu deverás ver; um barril de hidromel demasiado bom, um jarro perto dali e dois copos prateados. Enche a jarra e trá-la aqui com os copos e, em seguida, nós poderemos conversar em meio à bebida, o que é bom para um velho camponês. Apressa-te! Ou eu devia considerar-te um duplo tolo que não irás para buscar a refeição dele, embora ele esteja faminto.”

Então Hallblithe riu; foi abaixo do salão, para dentro da despensa, encontrou a carne, comeu sua satisfação e foi embora com a bebida de volta para o homem de longos cabelos grisalhos, que riu quietamente conforme [46]ele vinha e disse: “Enche agora para ti e para mim, chama uma saúde para mim e deseja-me algo.”

Eu desejo-te sorte,” disse Hallblithe e bebeu. Disse o ancião: “E eu desejo-te mais inteligência; sorte é tudo que tu podes desejar-me? Que sorte um ancião desgastado pode ter?”

Bem então,” disse Hallblithe, “O que eu devo desejar-te? Gostarias tu que eu desejasse-te juventude?”

Sim, seguramente,” disse o de longos cabelos grisalhos, “Isso e nada mais.”

Juventude então eu desejo-te, se pode beneficiar-te de qualquer modo,” disse Hallblithe, e com isso ele bebeu novamente.

Não, não,” disse o velho camponês perversamente, “toma um terceiro copo, e deseja-me juventude sem palavras ociosas juntadas a isso.”

Disse Hallblithe erguendo o copo: “Com isso eu desejo-te juventude!” e bebeu.

Bom é o desejo,” disse o ancião; “agora pergunta tu ao velho camponês qualquer coisa que tu desejares.”

Disse Hallblithe: “Como esta terra é chamada?”

Filho,” disse o outro, “ouvistes tu que ela é chamada de Ilha do Resgate?”

Sim,” disse Hallblithe, “mas como tu gosta de chamá-la?”

Por nenhum outro nome,” disse o grisalho camponês.

[47]“É distante de outras terras?” disse Hallblithe.

Sim,” disse o camponês, “quando os leves ventos sopram e as embarcações navegam lentamente.”

O que fazeis vós que viveis aqui?” disse Hallblithe. “Como vós viveis, com o que obtendes trabalho?”

Nós obtemos trabalho variado,” disse o ancião, “mas o que ganha mais é roubar homens pela mão alta.”

Sois vós que roubaram de mim a Hostage da Rosa?” disse Hallblithe.

Disse o de longos cabelos grisalhos, “Talvez; eu não tenho conhecimento. De diversos modos meus compatriotas fazem negócios e eles visitam muitas terras. Por que eles não deveriam ter chegado a Cleveland também?”

Ela está nesta Ilha, tu velho renegado?” disse Hallblithe.

Ela não está, tu jovem tolo,” disse o ancião.

Então Hallblithe corou e falou: “tu conheces o Puny Fox?”

Como eu não deveria?” disse o camponês, “Já que ele é o filho de um de meus filhos.”

Tu o consideras um mentiroso e um trapaceiro?” disse Hallblithe.

O ancião riu; “Senão seria eu um tolo,” disse ele; “há alguns poucos maiores mentirosos ou maiores trapaceiros do que Puny Fox!”

Ele está aqui nesta ilha?” disse Hallblithe; “Posso vê-lo?”

O ancião riu novamente e disse: “Não, [48]ele não está aqui, a não ser que ele tenha tornado-se tolo desde ontem. Por que ele deveria aguardar tua espada, uma vez que ele fez o que deveria e trouxe-te aqui?”

Então ele riu, como uma galinha cacareja por um longo tempo, e então disse: “O que mais tu desejas perguntar-me?”

Mas Hallblithe estava muito irritado: “Não ajuda em nada perguntar,” ele disse; “e agora eu estou entre duas intenções; se eu devo matar-te ou não.”

Isso seria uma ação apropriada a um Corvo, mas não para um homem,” disse o camponês, “e tu que desejaste-me sorte! Pergunta, pergunta!”

Mas Hallblithe ficou em silêncio por um longo tempo. Então o camponês disse, “Outro copo por causa da sede posterior a juventude!”

Hallblithe encheu, deu a ele, e o velho bebeu e disse: “Tu considera-nos todos mentirosos na Ilha do Resgate por causa de teu engano pelo Puny Fox: mas ai tu erraste. O Puny Fox é nosso principal mentiroso e faz para nós a maior parte de tal trabalho conforme nós precisamos: portanto, por que nós outros deveríamos mentir? Pergunta, Pergunta!”

Bem então,” disse Hallblithe, “Por que o Puny Fox traiu-me e sob as ordens de quem?”

Disse o ancião: “Eu sei, mas não te contarei. É isto uma mentira?”

Não, eu não a considero,” disse Hallblithe: “Mas [49]diga-me; é de fato verdade que minha prometida não está aqui, para que eu possa resgatá-la?”

Disse o de longos cabelos grisalhos: “Eu juro-te pelo Tesouro do Mar, que ela não está aqui: a história foi somente uma mentira do Puny Fox.”


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. Story of the glittering plain, which has also been called the Land of living men, or the Acre of the undying. Boston: Roberts Brothers, 1892. pp.39-49. Disponível em: https://archive.org/details/story00morrofglitterinrich/page/39/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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