[66]Quando ele acordou, o sol brilhou dentro do salão através das janelas acima da despensa e havia somente algumas poucas pessoas deixadas ali. Mas, tão logo quanto Hallblithe estava vestido, a velha mulher veio a ele, tomou-o pelo mão, levou-o à mesa e fez-lhe sinal para que ele coma o que estava em cima. Assim ele fez e, no momento que terminara, chegaram pessoas que foram à cama fechada onde se deitava o de longos cabelos grisalhos, trouxeram-no para fora da cama e carregaram-no porta afora. Depois disso, a velha mulher trouxe a Hallblithe suas armas e ele arranjou cota de malha e elmo, colocou sua espada a seu lado na cintura, tomou sua lança em sua mão e saiu porta afora. Ali perto da varanda deitava-se o de longos cabelos brancos sobre uma liteira puxada a cavalo. Então Hallblithe foi até ele e deu-o a boa fortuna do dia. O ancião disse: “Bom dia, filho, eu estou feliz em ver-te. Eles trataram-te severamente na última noite?”
[67]E Hallblithe viu dois dos camponeses que carregaram o ancião; que eles estavam conversando juntos, olharam para ele e riram zombeteiramente. Então ele disse ao ancião: “Até tolos podem tentar um homem sábio, assim ocorreu na última noite. Mas, como tu vês, arremedos não me mataram.”
Disse o velho: “O que tu viste não foi completo arremedo, foi feito de acordo com nossas tradições e quase tudo isso [já] fora feito, mesmo [quando] tu não estiveras lá. Mas que isso, eu te contarei; em algumas de nossas festas não é lícito comer ou para os chefes ou para os camponeses, até que o campeão tenha proferido um desafio, tenha sido respondido e oposto e a batalha disputada até um fim. Mas vós homens, o que vos entravais de ir às cabeças dos cavalos e apressar pela estrada o chefe que não é mais digno de sê-lo?”
Então eles correram para os cavalos e montaram na direção do vale através da beira do rio. Exatamente quando Hallblithe estava para seguir a pé, ali chegou um zagal de trás da casa, guiando um cavalo vermelho o qual ele trouxe para Hallblithe como alguém que oferta montaria. Então Hallblithe saltou para a sela e imediatamente acompanhou a liteira do de longos cabelos brancos abaixo ao longo do rio. Eles não passaram por nenhuma outra casa, salvo aqui e ali uma cabana junto a algum acidente de terro ou vacaria; prosseguiram facilmente, pois o caminho era liso ao lado do rio e então, em menos de duas horas, [68]chegaram onde o dito rio aflui para o mar. Não havia praia ali, pois água era de dez braças de profundidade próxima à orla da terra; mas havia um grande porto todo cercado por terra, senão por um estreito canal para fora entre penhascos completamente negros. Muitas grandes embarcações podem ter repousado naquele porto; mas, quanto agora, há somente uma jazendo lá, uma coca não muito grande, mas excessivamente esmerada e própria para o mar.
Ali, sem mais delongas, os camponeses tiraram o ancião da liteira e carregaram-lhe a bordo. Hallblithe seguiu-lhe como se fosse assim apontado. Eles deitaram o velho sobre a popa, sob um toldo de tecido precioso, e assim retornaram pelo caminho que vieram. Hallblithe foi e sentou-se ao lado do de longos cabelos brancos, que lhe falou e disse: “Vês tu, filho, como é fácil para nós dois sermos mandados abordo para a terra para onde nós iriamos? Mas, tão fácil quanto é para tu ires mais longe visto que nós estamos indo, justamente tão difícil fora para tu ires para outro lugar. Além disso, eu preciso contar-te que, embora muitos alguém da Ilha do Resgate desejem ir nesta viajem, mais nenhum outro deve ir para lá, até que o mundo seja um ano mais velho. E ele que deva ir nessa ocasião deve ser o mais semelhante a mim de todos os modos, tanto em velhice como em fraqueza, em voz zombeteira e tudo mais. E agora que eu fui, o nome dele deve [69]ser o mesmo pelo qual vós podeis chamar-me hoje, e esse é Avô. Estás tu contente ou pesaroso, Hallblithe?”
“Avô,” disse Hallblithe, “Eu escassamente posso dizer-te. Eu movo-me como alguém que não tem vontade para dirigir-se a um caminho ou a outro. Parece-me que eu sou puxado para ir mais longe visto que nós estamos indo; portanto eu considero que eu deverei encontrar minha amada na Planície Cintilante: e tudo aquilo que acontecer depois, deixe ser como for!”
“Diga-me, meu filho,” disse o Avô, “quantas mulheres existem lá fora no mundo?”
“Como eu posso contar-te?” disse Hallblithe.
“Bem, então,” disse o ancião, “quantas mulheres muito belas existem lá?”
Disse Hallblithe, “De fato eu não tenho conhecimento.”
“Quantas assim tu viste?” disse o Avô.
“Muitas,” disse Hallblithe; “as filhas de meu povo são belas e haverão muitas outras assim entre os estrangeiros.”
Então riu o ancião e disse: “Agora, meu filho, ele que fora teu companheiro desde tua separação de tua amada, teria dito que, em teu julgamento, há somente uma mulher no mundo; ou ao menos uma boa mulher: não é assim?”
Então Hallblithe ruborizando-se, primeiramente, como se ele estivesse bravo; então ele disse: “Sim, é assim.”
[70]Disse o Avô de um modo pensativo: “Eu maravilho-me se dentro em pouco eu deverei pensar disso como tu pensas.”
Então Hallblithe fitou-o maravilhado, e estudou para ver em que ponto jaz o sarcasmo contra ele mesmo; e o Avô observou-lhe, e riu assim como ele podia, e disse: “Filho, filho, tu não desejaste-me juventude?”
“Sim,” disse Hallblithe, “mas o que te afligi para rir assim? O que eu disse ou fiz?”
“Nada, nada,” disse o Ancião, rindo ainda mais, “tu somente pareces tão confuso. E quem pode saber o que teu desejo pode trazer?”
Depois disso Hallblithe ficou sensivelmente perplexo; mas, enquanto ele punha-se a considerar o que o velho quer dizer, ergueram-se o vigor e a capacidade dos marinheiros. Eles soltaram os sirgas das encostas, esgotaram as varreduras e guiaram a embarcação através das comportas do porto. Era um brilhante dia ensolarado; dentro, a água esverdeada era oleosa e suave, sem as ondas agitadas dançando felizmente sob uma brisa branda. Hallblithe considerou o vento estar bom; pois os marinheiros gritavam alegremente e executavam toda a navegação à vela na embarcação; e ele parava e acelerava através das ondas, lançando fora os mares de seus arcos negros. Logo eles estavam livres daqueles penhascos escuros, e foi só um pouco depois que a Ilha do Resgate tornara-se azul profunda atrás deles e longínqua.
ORIGINAL:
MORRIS, W. Story of the glittering plain, which has also been called the Land of living men, or the Acre of the undying. Boston: Roberts Brothers, 1892. pp.66-70. Disponível em: https://archive.org/details/story00morrofglitterinrich/page/66/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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