A Água das Ilhas Maravilhosas
Por William Morris
A Quinta Parte: O Conto do Fim da Busca
[358]Capítulo XIII Birdalone decide satisfazer a Promessa feita a Atra
Novamente uma semana passou, e uma vez mais chegou o mensageiro e fez aqueles do castelo saberem que nada mais tinha sido realizado no Domínio Vermelho, exceto escaramuças nas barreiras, nas quais poucos de cada lado ficaram machucados; e também que as máquinas de artilharia contra muralhas estavam bem próximas de prontas, e eles começariam a explorar por fraquezas ao redor do Domínio, e, em especial, uma que era chamada de Lobo de Muralha, a qual tinha sido construída pelas artes de Greenford.
Essas notícias também foram consideradas boas por todos, exceto, poderia ser, por Atra, quem, como Birdalone considerava, definhava e preocupava a si mesma diante da demora e, de uma maneira ou de outra, ficaria satisfeita com que tudo estivesse acabado. Atra falava apenas pouco com Birdalone, mas observava-a de perto agora; frequentemente, ela a olharia fixamente de modo melancólico, como se ela desejasse que Birdalone falasse com ela; e Birdalone notava isso, mas ela não poderia arrumar coração para isso.
Uma terceira semana passou, e novamente veio o mensageiro, e contou como, há três dias, quando a Lobo de Muralha tinha espancado intensamente uma das grandes torres que se chamava de o Pote de Veneno, e derrubou uma parte da muralha ali ao lado, eles tinham tentado um assalto na abertura, e difícil tinha sido a batalha lá, e no fim, após feroz toma lá dá cá, aqueles do Domínio tinham agido tão valentemente que eles tinham empurrado de volta os assaltantes, e que no embate mais intenso [359]o Escudeiro Negro tinha sido ferido no ombro por um lança de arremesso, mas não muito gravemente; mas com isso ele enviou, em tantas palavras, proibição de que as damas de fizessem qualquer caso de uma questão tão pequena. ‘E,’ disse o sargento, ‘muito provavelmente meu senhor usará sua armadura no tempo de quatro dias; também, agora nós criamos outra funda, a qual nós chamamos de Desgastadora de pedra, e, sem dúvida, logo nós deveremos estar de pé vitoriosos naquele antro de ladrões.’
Agora, embora essas notícias não fossem completamente más, contudo, aquelas damas ficaram tão perturbadas por causa delas, e especialmente Atra, quem desmaiou imediatamente quando ela ouviu a última palavra disso.
Quanto a Birdalone, ele fez tão pouca aparência da preocupação dela quanto ela pôde, mas, quando tudo ficou novamente quieto, ela foi encontrar Viridis, e trouxe-a para a sua câmara e falou com ela dizendo: ‘Viridis, minha irmã, tu tens sido amável e piedosa comigo desde o primeiro minuto em que tu me viste nua e desamparada, e fugindo do mal pior do que o mal; de forma alguma tu poderias ter feito melhor por mim tivesses tu sido minha muito irmã de sangue; e eu sei que tu serias relutante a separar-se de mim.’
Viridis chorou e disse: ‘Por que tu falas em se separares de mim, quando tu sabes que isso quebraria meu coração?’
Disse Birdalone: ‘Para dizer isso tão brevemente quanto pode ser, porque a separação agora precisa ocorrer.’ Viridis tornou-se pálida e então vermelha, e ela marcou o pé disse: ‘É cruel de ti afligir-me dessa maneira, e tu erras aqui.’
‘Ouve-me com atenção, querida irmã,’ disse Birdalone: ‘Tu [360]sabes, pois tu mesma foste a primeira a falar-me disso, que eu sou a suplantadora na nossa irmandade, e que eu desfiz a esperança de Atra. Isso eu não fiz por vontade própria, mas veio sobre mim; contudo, da minha própria vontade, eu farei o melhor que posso para corrigir isso; e isto é o melhor, que daqui eu parta antes que o Domínio Vermelho seja tomado e meus senhores retornem; pois, se eles retornarem e eu vir meu lorde Arthur tão justo e lindo como ele é, diante de mim, nunca eu deverei ser capaz de me afastar dele. E oh tu, eu prometi a Atra, por toda a bondade que ela me fez quando nós chegamos à Torre da Lamentação, e eu nua e trêmula e meio morta de terror, que, se oportunidade se apresentasse, eu faria meu máximo para a ajudar, mesmo se isso fosse para o meu próprio pesar. Agora, observa isto, que agora é a oportunidade, e não haverá outra; pois, quando meu amor retornar ao lar para cá e contemplar-me, pensas tu como todo o desejo que esteve se reunindo no coração dele durante esse tempo florescerá e irromperá na minha direção; e talvez ele fará pouca aparência disso diante de outras pessoas, pois orgulhoso e elevado de coração ele é; mas ele procurará ocasião para me encontrar sozinha, e então eu deverei estar com ele como a cotovia nas garras do gavião, e ele realizará o prazer dele em mim, e isso com toda a boa vontade do meu coração. E então deu deverei ser renegada por Atra, e ela me odiará, como agora ela não odeia, e então toda a amizade estará dilacerada, e isso será me feito.’
Contudo, Viridis ficou irada, e ela disse: ‘Isso me parece conversa de tolo. A amizade não está mais dilacerada se tu partires e nós não mais te virmos?’
[361]‘Oh não,’ disse Birdalone; ‘pois quando eu tiver ido, teu amor por mim não deverá ser menor, embora como agora tu estás irada; e Atra amar-me-á porque eu deverei ter mantido minha promessa para meu próprio infortúnio; e teu homem e Aurea atribuirão a mim que eu agi valente e cavalheirescamente. E Arthur, como ele pode escolher senão me amar; e talvez nós ainda devamos nos encontrar novamente.’
E com isso ela finalmente inclinou a cabeça e começou a chorar, e Viridis foi movida pelas lágrimas dela e começou beijá-la e acariciá-la.
Depois de um tempo, Birdalone ergueu a cabeça e falou novamente: ‘Além disso, como eu posso me atrever a tolerá-lo? Tu não viste quão sombrio comigo ele estava quando me libertou e trouxe-me de volta? E ele com seus próprios lábios contou-me tanto, que foi porque ele duvidava de que eu tinha me perdido; e agora, se eu perder-me novamente, mesmo se for ao comando dele, não será de maneira que ele rapidamente se cansará de mim, e amaldiçoar-me-á e abandonar-me-á? Que tu dizes, minha Viridis?’
‘O que dizer,’ disse Viridis, ‘exceto que tu quebraste meu coração? Mas tu podes curá-lo, se tu disseres que retirarás tuas palavras e dizer-me que tu não te separarás de nós.’
Mas Birdalone irrompeu chorando e lamentando-se em voz alta, e ela bradou: ‘Não, não, não pode ser; eu tenho de partir, e Atra atingiu-me em meio aos meus amigos.’ E Viridis não soube o que dizer ou fazer.
Finalmente Birdalone voltou a si novamente, e ela olhou docemente para Viridis e sorriu para ela [362]a partir de suas lágrimas e disse: ‘Tu vês, quão pequena perda tu terás de mim, uma mera mulher selvagem. E agora, nada beneficia a mim ou a ti, mas eu tenho de ir, isso rapidamente. Que seja amanhã, então. E quando o mensageiro chegar ao final da semana, envia notícia por ele do que eu fiz; e vê tu senão que ambos nossos lordes elogiar-me-ão pelo feito.’
Disse Viridis: ‘Mas para onde tu irás, ou o que tu farás?’ ‘Primeiro pra Greenford,’ disse Birdalone, ‘e depois para onde o Bom Senhor deverá conduzir-me; e quanto ao que eu farei, eu agora sou habilidosa em dois ofícios, escrita e bordado, a saber; e em qualquer lugar que eu esteja, as pessoas deverão pagar-me para trabalhar nisso para elas, através do que eu deverei ganhar meu pão. Ouve com atenção, minha irmã, tu podes dar-me qualquer quantidade de dinheiro? Pois, embora eu tenha pouco conhecimento dessas questões, contudo, eu tenho conhecimento de que eu deverei necessitar do mesmo. E eu peço isso já que, como agora mesmo eu disse, eu considero que os nossos lordes deverão elogiar meu feito, e que, portanto, eles não desejariam que eu devesse partir daqui como uma pária, portanto eles não deverão dar de má vontade para mim. Além disso, pela mesma causa, eu pedir-te-ia para falar com o velho escudeiro Geoffrey de Lea, e dizer-lhe que eu tenho uma missão para Greenford, e desejo dele que ele me empreste dois dos jovens, Arnold ou Anselm, e dois ou três dos homens-de-armas para me levar em segurança para lá; uma vez que agora, verdadeiramente, eu não necessito de mais aventuras na estrada.’
Ela sorriu enquanto falava; e agora toda a paixão da angústia parecia tê-la abandonado por aquele momento; mas Viridis lançou seus braços em torno do pescoço dela [363]e chorou sobre o seio dela, e disse: ‘Ai de mim! Pois eu vejo que tu irás, seja o que for que eu possa dizer ou fazer; eu esforcei-me para ficar irada contigo, mas eu não consegui, e agora vejo que me obrigas, visto que tu fazes todo o resto. Eu irei agora imediatamente e cumprirei tua missão.’
Então, dessa maneira, elas separaram-se por aquele momento; mas não foi até o dia depois do dia seguinte que Birdalone estava pronta. Viridis contou sobre a partida dela tanto para Aurea quanto para Atra; e Aurea lamentou-a, mas não faria nada para a deter; pois ela tinha se tornado cansada e apática desde a morte do homem dela. Quanto a Atra, ela falou bastante pouco relativo a isso, mas, para Viridis, elogiou a valentia e bondade de Birdalone. Contudo, para si mesma, ela disse: ‘Verdadeiramente ela entendeu minha palavra que eu falei para ela sobre a ocasião da ajuda dela. Contudo, ai de mim! Pois ela deverá levar o amor dele com ela para onde for que ela vá; e uma mulher feliz ela é.’
Mas quando Geoffrey, o escudeiro, soube que as damas, todas as três, estavam de acordo com Birdalone quanto à partida dela, ele não duvidou de nada, apenas ordenou a Arnold, seu camarada, para levar quatro bons homens com ele, e levar a senhora Birdalone até Greenford e lá fazer a incumbência dela. Embora ele não considerasse menos senão que eles novamente a trariam de volta.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 358-363. Disponível em: <https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/358/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
Nenhum comentário:
Postar um comentário