[276]Assim, três horas após o meio-dia, eles chegaram aonde havia uma clareira no bosque, e uma longa campina estreita estendia-se por alguns furlongs diante deles, com um rio correndo ao longo dela, e o bosque erguia-se do outro lado, elevado e espesso, de modo que a dita campina parecia uniforme mesmo como uma ampla estrada verde conduzindo de algum lugar para algum lugar.
Na borda daquele lugar o guia, o guia de caminho deles, o sargento, ordenou que eles parassem a cavalgada, e disse: ‘Lordes, agora nós estamos nas terras do Domínio Vermelho, e ali há grande perigo e pavor para qualquer um exceto corações fortes como sóis vós; mas parece que nós estamos tão firmados que, o que quer que possa sair do Vale Negro dos Greywethers para o Domínio Vermelho, vós agora podeis escassamente deixar passar. Acolá, ao longo dessa planície para o norte, extende-se o caminho para o dito Domínio, e qualquer homem vindo da parte mais elevada do vale é certo de vir pelo caminho que nós viemos, e, na pior das hipóteses, passar-nos-á não muitas jardas de onde nós agora estamos. Por outro lado, se alguém vir para o Domínio a partir da boca do Vale Negro, então, ao longo desta estrada verde, ele necessita passar sob vossos próprios olhos. Por último, se nós fizermos o que nós estamos para fazer, a saber, libertar a dama do Cavaleiro Vermelho, então, o feito consumado, nós temos de tomar a estrada verde na direção sul, e cavalgá-la por uma légua e, em seguida, virar para o ociente, e nós deveremos ter nossas cabeças viradas na direção do Castelo da Busca, e deveremos prontamente nos encontrar com Sir Aymeris e nossos homens que estão guardando as saídas da região do Cavaleiro [277]Vermelho na direção de nossa casa. Assim, agora, por meu conselho, vós deveis jazer aqui em segredo e aguardar por um tempo o que pode acontecer; se nada chegar por este meio antes que duas horas estiverem faltando para o pôr do sol, então, nós podemos procurar mais longe.’
Todos eles concordaram com isso, desmontaram dos seus cavalos e deitaram-se quietamente sobre a grama, nem mesmo falando, senão suavemente. E quando eles tinham permanecido dessa maneira por escassamente o espaço de uma hora, o escudeiro, quem era um homem de um ouvido muito excelente, ergueu sua mão como se para ordernar silêncio completo, e todos prestaram atenção ansiosamente. Logo ele disse: ‘Vós não ouvis?’ Disse Arthur: ‘Parece-me que ouço um fraco tinido, como um sino de ovelha.’ Disse o escudeiro: ‘É a colisão de espadas, na planície abaixo, para o sul, e parece que são apenas duas: cavalguemos para lá?’
Disse Baudoin: ‘Não, não por meu conselho; pois se nós podemos ouvi-los, eles podem ouvir-nos; movamo-nos para frente quietamente e a pé, para um pouco mais perto do caminho deles, sempre mantendo a cobertura do bosque entre nós e a campina aberta. Agora, então, a isso, e que cada homem mantenha suas armas prontas.’
Assim mesmo eles fizeram, e espalharam-se em uma linha conforme eles caminhavam, de tal maneira que havia uns seis passos entre cada homem deles, e eles caminharam rapidamente adiante; Baudoin foi primeiro, Hugh, segundo, então, Arthur; em seguida, o escudeiro e o sargento, últimos de todos.
Agora, enquanto eles tinham caminhado por apenas um quarto de uma hora, o escudeiro alcançou Arthur e falou com ele suavemente, e disse: ‘A voz das espadas tem estado silente por um tempo agora, e eu ouvi uma voz [278]gritando agora mesmo, uma voz de mulher. E agora, novamente, eu poderia quase considerar que eu ouço cascos de cavalo.’
Arthur acenou com a cabeça para ele, e eles caminharam apenas um pouco antes que ele dissesse: ‘Oh, oh! Agora é o vez dos olhos! Aí vem gente.’ E, com isso, ele obstou-os. Pois o bosque virava-se um pouco aqui, de modo a ocultar tudo exceto um pouco da campina, e em torno da extermidade do bosque os recém-chegados elevavam-se à vista, e logo ficaram próximos deles, de maneira que eles puderam vê-los claramente, a saber, um cavaleiro armado, todo envolto em vermelho, um homem muito grande, cavalgando um grande cavalo baio, e atrás dele uma mulher caminhando a pé em situação muito lamentável; pois ela estava amarrada à garupa do cavalo por uma tira de couro que prendia suas mãos juntas, de maneira que ela tinha apenas pouco espaço entre ela e o cavalo para que ela pudesse caminhar, e, em volta do pescoço dela, pendia a cabeça de um homem recentemente cortada.
Essa visão todos eles viram de uma vez só, e saíram do bosque em um instante com armas levantadas, pois eles conheciam tanto o homem quanto a mulher, que eles eram o Cavaleiro Vermelho e Birdalone.
Tão rápidos e súbitos eles tinham sido, que ele não teve tempo nem para esporear e mesmo para desembainhar sua espada; mas ele tinha um pesado machado de ferro em sua mão enquanto o primeiro homem abordou-o, o qual foi o alto Baudoin; e com isso ele acertou Baudoin um golpe tão feroz e imenso, que entrou nele entre o pescoço e ombro, que tudo cedeu diante disso, e o Cavaleiro Dourado caiu no chão, todo cortado e completamente morto: mas, mesmo com isso, caíram Hugh, o escudeiro e o sargento sobre o Cavaleio Vermelho; pois Arthur [279]tinha corrido para Birdalone e libertado-a cortando a amarração dela. O sargento golpeou-o no braço direito com um malho, de forma que o machado caiu no chão; a espada do escudeiro encontrou o lado da cabeça dele, e, enquanto ela foi lançada para trás sob o golpe, Hugh jogou sua espada através da garganta dele, e abaixo ele caiu sobre a terra e estava morto em menos de um minuto.
Então reuniram-se os outros ao redor de Baudoin, e viram de uma vez só que ele estava morto; e Birdalone chegou impulsionando-se através da turba deles, e ajoelhou-se ao lado dele, e, quando ela viu sei amigo tão lamentavelmente equipado, ela chorou e lamentou-se sobre ele como alguém que não poderia ser confortada; e Hugh colocou-se de pé sobre ela e deixou as lágrimas dele caírem sobre o morto; e ao mesmo tempo, o escudeiro e o sargento não contiveram suas lamentações, pois intensamente amado era Sir Baudoin, o Cavaleiro Dourado.
Mas Arthur falou sem emoções, embora houvesse pesar em seu semblante, e ele disse: ‘Companheiros, e tu, dama, lamentemos depois, mas agora é momento para nós irmos embora daqui tão rapidamente quanto possa ser. Contudo, eu perguntarei, alguém conhece de quem é esta cabeça que o tirano morto aqui pendurara em torno do pescoço da dama? Possam os demônios amaldiçoarem-no por isso!’
Disse o sargento: ‘Sim, lordes, disso eu tenho conhecimento; esta é a cabeça do capitão e líder do Cavaleiro Vermelho, Sir Thomas de Estcliffe; um dos mais duros cavaleiros ele foi enquanto esteve vivo, como vós certamente tendes conhecimento, lordes; tampouco, como eu ouvi dizer, foi ele um tirano tão cruel quanto o lorde dele que jaz ali pronto para os corvos.’
[280]Agora Birdalone tinha se levantado e estava de pé encarando Arthur; a face dela estava pálida e cheia de angústia, e ela estava salpicada com o sangue do pescoço do morto; mas não havia nada de vergonha na face dela enquanto ela colocava-se ali de pé e falava: ‘Oh, meus amigos vivos, quem apenas agora me salvaram, vós e meus amigos mortos, da vergonha e morte de quam eu não conheço, o conto deste acontecimento lamentável é muito longo para contar se há perigo à mão, e eu escassamente viva de pavor e tristeza; mas em poucas palavras dessa forma ele é: este homem, a cabeça de quem aqui jaz, capturou-me em uma armadilha enquanto eu tolamente errava no Vale Negro, e depois me libertou, e estava conduzindo-me ao vosso castelo, meus amigos, quando este outro, o mestre dele, o tirano do Domínio Vermelho, deparou-se ele, e caiu sobre ele, e matou-o como um traidor, e trajou-me como vós vedes. E ai de mim! Eu sou a tola cuja loucura matou o vosso amigo e o meu. Portanto, eu não sou digna da vossa amizade, e vós deveis lançar-me fora dela; ou matar-me fosse melhor.’
Assim ela falou, encarando fixa e firmemente Arthur; e tão perturbada e pesarosa, que ela bem podia ter morrido senão pela criação dela no bosque, e pela labuta dos dias que ela superou na Casa sob o Bosque.
Mas Hugh falou gentilmente e disse: ‘Preserva agora teu coração, donzela; pois a mão do Destino é quem te conduz, e ninguém erra gravemente exceto se ele intenciona transgressão no coração dele; e nós conhecemo-te verdadeiramente; e tu tens sido nossa auxiliadora, e trouxeste nossas amadas para nós para nos fazer felizes.’
[281]Mas ela irrompeu, chorando de novo, e disse: ‘Oh, não, não! São apenas aflição e aborrecimento que eu trouxe para meus amigos; e, para mim mesma, ainda mais aflição e aborrecimento.’
E ela olhou piedosamente para o rosto de Arthur, e duro e severo ele pareceu para ela; e ela torceu e espremeu as mãos por angústia. Mas ele falou e disse: ‘Disso nós cuidaremos quando estivermos seguros atrás de nossas muralhas, e veremos o que ela fez de errado e não fez de errado. Mas agora há apenas uma coisa a fazer, e é colocarmo-nos velozmente em nosso caminho para o Castelo da Busca, e amarrar o corpo do nosso companhiero sobre o cavalo dele para que ele possa cavalgar conosco, e a dama deverá cavalgar o cavalo do ladrão amaldiçoado.’ Em seguida, ele viraram-se e foram na direção dos seus cavalos; mas com isso Birdalone atingiu a cabeça do cavaleiro morto com o pé dela, e apontou para baixo na direção dela e não falou nenhuma palavra; e Hugh disse: ‘Amigos, a dama está certa, este, pelo menos, nós cobriremos com terra. Ide vós buscar nossos cavalos para cá, uma vez que nós estamos na estrada, e, entrementes, eu farei aqui o que for necessário.’
Assim eles prosseguiram com essa missão, e, em seguida, Hugh e Birdalone entre eles cavaram um buraco com as espadas e depositaram a cabeça do capitão do Cavaleiro Vermelho ali. E verdadeiramente, um pouco Birdalone teria chorado por ele, tivesse ela tido uma lágrima para dispensar.
Em seguida, eles comerçaram e amarraram o morto Baudoin sobre o poderoso corcel baio do Cavaleiro Vermelho, de maneira que nenhum tempo pudesse ser desperdiçado; e quando isso estava feito, e os outros não retornaram com seus cavalos, Hugh tomou a mão de Birdalone e conduziu-a para [282]o riacho abaixo, lavou o sangue coagulado do seio dela, e ela lavou o rosto dela e as mãos dela e deixou que ele a conduzisse de tal maneira que agora ela poderia prestar atenção às palavras de conforto que ele falava para ela, e o tipo lamentável que ele pareceu para ela; de maneira que, finalmente, ela alegrou o coração e perguntou a ele como Viridis estava. Ele respondeu: ‘Todas elas estão seguras no castelo, e Viridis está bem e ama-te bem. E Aurea estava bem, aflição que vale a pena para ela agora! Quanto a Atra, ela não tem estado tão feliz quando as outras duas, eu não conheço a razão.’
Enquanto mesmo eles falavam, os outros dois chegaram com os cavalos, e Arthur acenou com a cabeça em concordância quando ele viu o que tinha sido feito com o morto Baudoin; e, dessa forma, eles montaram no cavalo, e Birdalone foi aquela que cavalgou o corcel de Baudoin. Em seguida, eles prosseguiram em seus caminhos, cruzando o rio para dentro do bosque; e o sargento sempre foi o guia do caminho, mas o escudeiro conduziu o cavalo que transportava o fardo doloroso do falecido Cavaleiro da Busca.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 276-282. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/276/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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