A Água das Ilhas Maravilhosas - A Quinta Parte: O Conto do Fim da Busca - Capítulo III Como eles seguem o Rastro de Birdalone, e o Cavaleiro Negro

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[271]Eram apenas cinco minutos antes que o sacerdote tinha lhes contado tudo o que era necessário; assim eles deixaram que ele permanecesse sozinho ali, embora seja verdadeiro dizer que não havia nenhum deles que não tivesse boa vontade para quebrar o pescoço dele; e o mesmo desígnio tinham todos os três, que nada havia a fazer senão seguirem em seus caminhos, com toda a velocidade, para o Vale Negro das Greywethers, e seguir o rastro de Birdalone, se ele ainda pudesse ser encontrada. Portanto, eles ordenaram que seus cavalos fossem selados imediatamente, e, enquanto isso estava sendo feito, eles comeram um bocado e desejaram adeus a suas amadas. E eles equiparam-se para partir, eles três juntos, com apenas um escudeiro e um sargento, quem era ambos rastreadores perspicazes e silvícolas ferozes. Mas, antes que eles partissem, por conselho de Arthur, eles ordenaram a Sir Aymeris para armar duas vintenas de homens e cavalgarem na direção do Domínio Vermelho, e assediarem o caminho entre lá e o Castelo da Busca; pois um e todos eles consideraram que se algum mal acontecesse Birdalone, o Cavalerio Vermelho estaria na base dele.

Assim cavalgaram aqueles companheiros, e entraram no vale aproximadamente quatro horas após Birdalone ter se encontrado com o cavaleiro desconhecido; e eles discerniram a rastro dela, mas não facilmente, visto que o solo era duro e pedregoso; entretanto, eles também encontraram sinais do cavaleiro, encontrando aqui e ali o que eles consideraram as pegadas de um homem alto. E isso foi grave para aqueles companheiros, uma vez que agora eles não podiam [272]senão considerar que alguma coisa desagradável tinha acontecido a Birdalone. Mas eles prosseguiram discernindo o rastro, e eles seguiram com muito labuta até que eles chegaram ao círculo-de-julgamento na parte mais alta do vale, onde Birdalone e o estranho sentaram-se para comer; mas, por aquela hora, tão árduo tinha sido o seu progresso que já era um pouco depois do crepúsculo, e nada havia a fazer exceto permanecer ali durante a noite. Assim, por um tempo, todos se sentaram falando, todos eles, e o escudeiro e o sargento acima mencionados não estavam nem um pouco receosos da aventura de fazer daquele lugar desconhecido o aposento de dormir deles; e, para passar o tempo, os lordes deles fizeram eles contarem contos tais como eles conheciam sobre aquele lugar; e ambos eles disseram que nunca outrora tinham entrado no vale, apenas vindo a uma pouca distância, e disseram que eles então tinham feito isso confiando na ordem de seus lordes e na sorte da Busca. Depois disso, a conversa voltou-se para o que tinha acontecido a Birdalone, e as chances de chegarem a ela. E como as pessoas fazem em uma situação difícil, eles conversaram sobre o assunto uma e outra vez até que eles estivessem cansados e não pudessem mais falar.

Então eles foram dormir, e nada lhes aconteceu até que eles despertassem em ampla luz do dia. Mas eles tinham poucas pistas de que hora era, pois todo o vale estava cheio de espesa névoa branca que vinha rolando abaixo a partir das montanhas, de maneira que eles escassamente podiam ver as mãos deles diante de si mesmo, e ali eles tiveram de se demorar quietos, desejassem eles ou não. E o sargento imediatamente começou a contar-lhes contos de pessoas que tinham sido perdidas naquele labirinto pedregoso; e todos eles consideraram, mais ou menos, que isso era a obra ou [273]de criaturas malignas, ou isso podia ser da bruxaria do Cavaleiro Vermelho; e, para ser breve, todos eles consideraram que foi ele quem manejara isso, salvo o sargento, quem disse que as criaturas da montanha eram os mestres e não os servos daquele do Domínio Vermelho.

Portanto, aconteceu dessa forma. Mas quando a dita névoa tinha estado sobre eles por aproximadamente seis horas, ela rolou para cima como uma cortina e, oh, o céu azul e o sol, e as montanhas tão azul claras como em uma pintura; e eles viram pelo sol que era apenas um pouco depois do meio-dia.

Mas enquanto eles alegravam-se ali, e ocorria-lhes uma vez mais seguirem o rastro de Birdalone e do outro, o céu tornou-se subitamente nublado, e, abaixo, a partir das mandíbulas da montanha, veio uma tempestade de vento e chuva, e trovão e relâmpago, tão grande que eles escassamente podiam ver o rosto um do outro, e, quando ela limpou, em aproximadamente uma hora e meia, e o vento desceu para o sudeste, o riacho tornou-se grande, e fluiu marrom e furioso vale abaixo, de maneira que ele era vadeável apenas aqui e ali; e quanto ao rastreamento da pegada daqueles dois, não havia necessidade de falar disso, pois a fúria da chuva forte lavara tudo.

Dessa forma, eles viajaram durante todo o dia entre névoa e tempo limpo, e eles deitaram-se à noite para descansar, extremamente desanimandos. Quando o dia irrompeu eles conversaram junto quanto ao que era melhor a fazer; e o sargento acima mencionado falou: ‘Lordes,’ disse ele, ‘parece que eu estou mais em casa no Vale Negro do que vós estais; pois vós não prestais atenção. Agora, assim é que, [274]se demorarmos aqui até a noite chegar, nós não temos conhecimento de que mal pode acontecer-nos, ou, no mínimo, nós não fazemos nada. Ou, se nós retornarmos e sairmos do vale na direção sul nós, de fato, deveremos ficar seguros; mas seguros nós deveríamos ter ficado em vossa casa, lordes, e não devíamos ter feito menos. Mas agora eu deverei contar-vos que, se vós desejardes, lordes, eu deverei conduzir-vos a uma passagem que sai da parte mais elevado do vale às nossas mãos direitas e, em seguida, vira no flanco das montanhas e sai na região que circunda o Domínio Vermelho.E parece-me que é naquela direção que nós devemos buscar se nós desejarmos ouvir quaisquer novidades da dama; pois lá nós podemos colocarmo-nos em tocaia e assediar os caminhos que conduzem ao Domínio, através dos quais ela deve ter sido trazida, se ela não tiver sido transportada através do ar. Que dizeis vós, lordes? Verdadeiramente há perigo lá; todavia, parece-me, não mais perigo do que a nossa permanência no Vale Negro durante outra noite.’

Disse Arthur:Nós não prestamos atenção ao perigo, se houver algo a ser realizado; portanto, movamo-no imediatamente.E assim todos eles fizeram. Portanto, eles alcançaram os cavalos, e cavalgaram até a parte mais elevada do vale, e o clima estava agora calmo e brilhante.

Mas o sargento conduziu-os à passagem na qual o cavaleiro desconhecido falara com Birdalone, a qual conduzia para dentro da região do Cavaleiro Vermelho, e, sem mais demora, eles entraram nela quando eram apenas três horas após o meio-dia. Mas o caminho era tanto íngreme quando acidentado, de maneira que eles tiveram muita labuta, e não tinham ido muito longe antes que a noite caísse sobre eles, e a lua ainda não estivesse alta. Assim, quando eles tinham [275]cambaleado por outras duas horas, e os cavalos deles estavam muito cansados, e eles mesmos nem um pouco cansados, eles deitaram-nos para dormir, após terem comido tanta comida quanto tinham com eles, em um lugar onde havia um pouco de grama para os cavalos comerem; pois toda a estrada até lá tinha sido de meras pedras sinistras e grandes rochas, emparedadas de cada lado por seixos pedregosos, acima das quais se erguiam rochedos íngremes e salientes.

Pela aurora eles levantaram-se novamente, e não fizeram alvorço até que estivessem na sela, e eles cavalgaram até que eles chegaram ao cume da passagem, e, após um tempo, saíram d para o flanco dilatado de uma montanha imensa (como poderia ser o lado da montanha de Plinlimmon no País de Gales), a qual era coberta por grama e nada escarpada, mas completamente sem árvores.

Agora o sargento lhes conduziu um tanto obliquamente à dita montanha, até que eles começaram a descer, e viram abaixo deles uma região de pequenas colinas muito coberta por bosques, e, em pouco tempo, e antes que fosse noite, eles estavam entre os ditos bosques, os quais eram crescidos principalmente com grandes árvores, como carvalho aqui e faia ali, e o avanço foi bom para eles.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 271-275. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/271/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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