[268]Agora a proa tocou as pedras da escadaria, e o povo estava ocupado em se apoderar dele, para que os viajantes pudessem desembarcar, mas Sir Baudoin exclamou em uma grande voz: ‘Que ninguém seja tão ousado quanto a tocar nessa balsa, quer agora, quer doravante; pois há perigo ali.’ E com isso ele tomou Aurea pela mão e conduziu-a para fora do bote e escada acima, e ela completamente alegre e maravilhando-se; e depois disso vieram Hugh e sua querida, e, últimos de todos, Arthur e Atra, e apenas elas das três mulheres parecia abatida, e os olhos dela percorriam a multidão que estava ali diante deles, como se ela buscasse alguma coisa, contudo, temesse encontrá-la.
Mas quando todos estavam de pé juntos sobre a campina de desembarque, e o povo estava todo ao redor deles em um círculo, Sir Baudoin falou para o castelão e disse: ‘Sir Aymeris, tu e outras pessoas eu vejo aqui, a visão de quem me causa grande alegria; mas onde, eu suplico-te, está a dama, nossa amiga Birdalone, por quem é que todos nos chegamos alegremente aqui?’ E ele olhou em volta com um rosto ansioso; mas Arthur estava pálido como as cinzas, contudo, ele nada falou, e Atra deixou a mão cair para longe da dele.
Em seguida, o castelão falou e disse: ‘Nenhum mal ocorreu a Senhora Birdalone; apenas enquanto ela esteve um pouco doente ultimamente, e é provável que ela não tenha conhecimento do que está acontecendo, e mantenha-se em sua câmara agora, pois ainda é cedo da manhã.’
[269]Enquanto ele falava, surgiu um homem empurrando através da multidão, impaciente e de rosto pálido; quem senão o capelão; e ele disse: ‘Ele não queria me deixar falar, esse tolo; eu não posso escolher minha ocasião. Lordes, eu porto más notícias e um terrível bem-vindo ao lar. A Senhora Birdalone está em perigo, e ela não está no castelo; eu não tenho conhecimento de onde ela está. Vós tendes de enviar homens armados para a procurar.’
Com isso, caiu o silêncio de angústia sobre a multidão; mas Arthur avançou sobre o sacerdote com espada desembainhada, e clamou: ‘Eu suspeito de que tu sejas um traidor; fala! Ou eu te matarei aqui e agora.’ ‘Se eu for um traidor,’ respondeu Leonard, ‘eu deverei contar-te em pouco tempo o que vós deveis fazer para desfazer a minha traição, se ainda houver tempo para isso; assim, não me mates até que vós tiverdes ouvido e, em seguida, fazei o que vos desejeis comigo.’
Mas Baudoin colocou Arthur de lado e disse: ‘Contém-te um pouco, justo irmão, senão as palavras deverão tombar umas sobre as outras e nós não deveremos conhecer nada claramente. Sir Aymeris, conduzi nossas queridas damas às mais belas câmaras e fazei toda honra e cortesia a elas. E vós, doçuras, vós não nos invejeis que nós vamos procurar a nossa amiga. Tu, sacerdote, separa-te conosco um pouco, e nada temas; nós não somos infames de Deus, como o Cavaleiro Vermelho e os homens dele.’
Viridis chorou e beijou seu amor diante de todo o povo, e ordenou que ele fosse e fizesse o seu melhor para encontrar a amiga dela, ou senão, nunca retornasse para ela. Muito movida com isso, mesmo às lágrimas, estava Aurea, e ela estendeu a mão para Baudoin e disse: ‘Se qualquer homem sobre a terra pode ajudar-nos é tu. Vai tu.’ Mas Atra [270]não chorou, e apenas disse: ‘Vai tu, é adequado.’
Após o que, as damas foram levadas para belas câmaras; mas os três cavaleiros foram com o sacerdote e Sir Aymeris para dentro do sotão, e estabeleceram uma guarda na porta para que a conversa deles devesse ser privada.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 268-270. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/268/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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