[263]Conta o conto que, quando o capelão se afastara de Birdalone no caramanchão no bosquete, ele retornou ao lar no castelo de modo bastante triste, por causa de seu amor e desejo por ela, os quais, ele bem tinha conhecimento, nunca poderiam ser satisfeitos. Além disso, quando ele tinha entrado novamente no castelo, ali caiu receiro sobre ele pelo que poderia ter acontecido a ela, e ele arrependia-se de que ele tinha feito a vontade dela ao tirá-la do castelo; e em vão ele agora colocava diante de si mesmo todas as razões para considerar que, naquele lugar, o perigo para ela era pouco ou nenhum, assim como ele tinha colocado-as diante dela, e nas quais ele então acreditava completamente, ao passo que agora, parecia-lhe, havia uma resposta para cada uma dela. Assim ele respirou pesadamente e entrou na capela, na qual ficava o altar de São Leonard; e nesse lugar ele se ajoelhou, e orou ao santo, como ele outrora libertara pessoas da captura, agora para libertar tanto ele quanto Birdalone do perigo e das amarras; mas, embora ele estivesse orando por muito tempo e elaborado muitas palavras, ele iluminara pouco ou nada o coração; de maneira que, quando ele se levantou novamente, se qualquer coisa de ruim tivesse acontecido àquela pérola de mulher, ele desejava de todo o coração que alguém pudesse tomar a vida ele e ele estaria feito com isso.
[264]Agora a casa estava agitada e o capelão saiu da capela e, pensando sobre todas as coisas, ele considerava se iria diretamente ao Sir Aymeris e seria honesto sobre isso, para que homens armados pudessem ser enviados imediatamente para procurarem Birdalone. E ele disse a si mesmo: ‘Que me importa se ele matar-me ou me jogar dentro de prisão, se Birdalone estiver perdida?’
Assim ele prosseguiu em seus caminhos para a torre mais alta, a qual olhava em direção à terra e para a elevação do Olho Aberto, imaginando encontrar Sir Aymeris; mas, quando tinha chegado ao ponto mais elevado, ele não encontrou nem capitão nem camponês ali: portanto, ele permaneceu um pouco e olhou adiante entre as ameias, se talvez havia uma chance selvagem de ver Birdalone vindo novamente para casa; mas seus olhos agudos não observaram nada mais do que ele olhava para ver, como ovelha e gado, e os camponeses nas imediações. Dessa maneira, ele virou-se e caminhou ao lado da vala na direção da próxima torre mais alta, a qual olhava na direção do lago, e era chamada de Esperança dos Corações; e, conforme caminhava, ele imediatamente começou a organizar na mente as palavras que ele deveria dizer ao castelão.
Assim vinha ele, abatido e infeliz, sobre os prumos da torre, os quais não eram nada pequenos; e ali, reunidos em um grupo, e todos encarando ansionsamente o lago, ele encontrou uma dúzia de homens de armas e o castelão entre ele. Eles não prestaram atenção nele enquanto ele subia, embora ele tropeçasse enquanto cruzava a soleira e atravessasse fazendo barulho sobre o piso de chumbo, e logo ele viu que havia alguma coisa extraordinária acontecendo; mas ele tinha apenas um pensamento na mente, a saber, o resgate de Birdalone.
[265]Agora ele subiu para trás de onde o castelão estava inclinando-se sobre a ameia, e puxou o saio dele, e, quando Sir Aymeris se virou, ele disse: ‘Lorde, eu tenho uma palavra para teu ouvido.’ Mas o velho cavaleiro apenas se virou parcialmente e, em seguida, falou mal-humorado: ‘Bah, homem! Em outra ocasião! Tu não vês que eu não tenho olhos para coisa alguma exceto o que nós vemos sobre o lago?’ ‘Sim, mas que é então?’ Disse o sacerdote. ‘Ali vem um bote,’ disse Aymeris, não olhando de volta para ele, ‘e o nosso pensamento é que ali estão os nossos lordes.’
Quando o sacerdote ouviu essa palavra, foi como se o inferno tivesse se aberto debaixo dos pés dele; e, por um minuto, ele não teve força para falar; em seguida, ele exclamou: ‘Sir Aymeris, ouve com atenção, eu suplico-te.’ Mas o velho cavaleiro apenas o empurrou para trás com a mão e, mesmo com isso, um dos homens de armas exclamou: ‘Eu ouço a voz do chifre deles!’ Então bradou Sir Aymeris: ‘Onde tu estás, Barulho? Sopra, homem, sopra, se alguma vez tu sopraste em toda a tua vida! E com isso, surgiu o estrondo do bronze, e Sir Aymeris acenou com a cabeça para o trombeteiro, quem soprou sopro após sopro com toda a força dele, de modo que o sacerdote tão bem poderia ficar surdo de qualquer audição que ele pudesse obter; e o tempo todo, para Leonard, os minutos pareceram horas, e ele ficou quase distraído.
E então, quando o cavaleiro ergueu a mão para o Barulho, para obstar o seu sopro, e Leonard esforçava-se para falar, o castelão voltou-se para ele e disse: ‘Silêncio, Sir Leonard; tu não sabes que agora nos ouviríamos com nossos ouvidos com atenção se eles respondessem-nos? [266]Nenhuma palavra de qualquer homem de vocês, instruído ou lascivo, ou vós deveis lamentá-la!’
Com isso mesmo surgiu claramente o som do chifre a partir da água, e novamente e ainda de novo; e nenhum homem falou, exceto o capelão, quem exclamou: ‘Ouve com atenção, cavaleiro, é o de Birdalone.’ Mas Sir Aymeris colocou a mão sobre o ombro dele e disse em um sussuro irritado: ‘Tu deverás ser colocado para baixo, sacerdote, se tu não permaneceres em silêncio.’
Leonard retrocedeu carrancudo, e saiu pela porta, e assim ele desceu lentamente a escada, e retirou-se para dentro da cobertura da porta da primeira câmara abaixo a partir do topo da torre, com o ânimo de espiar Sir Aymeris enquanto ele descia; e, entrementes, ele amaldiçoava-o por um tolo e um estúpido, e a ele mesmo ainda mais, como era apenas certo, por um tolo e um traidor lascivo.
Mas ele não tinha se demorado ali mais do que uma vintena de minutos, antes que ele ouvisse uma grande exclamação a partir daqueles acima: ‘Eles chegaram! Eles chegaram!’ E, logo em seguida, desceram a escada passando por ele, todos os homens tagarelando, mal se abstendo eles de empurrar cada vizinho para o próximo; Leonard seguiu-os, e logo surgiu uma grande gritaria e tumulto através de toda a casa, e todo o povo, homens e mulheres, apressaram-se como uma multidão na direção da comporta, e com eles foi Leonard forçosamente; e doente de coração ele estava, refletindo sobre a primeira chegada de Birdalone àquele lugar.
Mas, quando eles chegaram à comporta, ali verdadeiramente estava o Bote de Expedição aproximando-se; [267]e na popa estavam os três cavaleiros juntos, todos envoltos em suas armaduras e, diante deles, sentavam-se três damas amáveis, envoltas uma em ouro, uma em verde e uma em preto; e oh, a Busca retornou ao lar.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 263-267. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/263/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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