[283]Agora eles tinham avançado por umas três horas, cavalgando tristes e quase sem fala, todos eles, antes que começassem a reconhecer a terra na qual estavam, e que estavam chegando ao lugar onde logo poderiam esperar depararem-se com Sir Aymeris e a sua companhia; e assim mesmo o encontro aconteceu, de modo que eles viram homens de pé e caminhando em volta dos seus cavalos ao lado de um pequeno bosque, e logo eles os conheceram por seu povo, quem montaram todos de uma vez e avançaram cavalgando para os encontrar, de lanças altas. Velozmente então foi a alegria daqueles aguardadores tornada em sofrimento, nem pode a tristeza de Sir Aymeris ser contada, tão grande ela era; e Birdalone observou e viu o luto e a lamentação dos guerreiros, e aumentada foi a sua angústia de mente; e ela contemplou Arthur, o Escudeiro Negro, enquanto ele ainda se sentava sobre o cavalo dele com um semblante duro e triste, e observava aqueles pranteadores quase como se ele os desprezasse. Apenas Sir Aymeris veio a Birdalone, e ajoelhou-se diante dela e beijou a mão dela, e disse: ‘Se meu coração pudesse regozijar-se com alguma coisa, como algum dia ele irá, ele se regozijaria em ver-te sã e salva, dama; aqui, pelo menos, ganha-se colocar de lado a perda.’
Ela agradeceu, mas olhou de solaio na direção de Arthur, quem disse: ‘Se isso for ganho, ainda há mais, pois o Cavaleiro Vermelho jaz na campina verde como uma ceia para o lobo e corvo. Vingança houve e, talvez, mais ainda pode haver. Mas [284]agora, se vós tendes lamentado como julgais apropriado para guerreiros, não nos demoremos mais aqui; pois, mesmo que pareça que nós devamos ficar mais seguros atrás de muralhas, agora que nosso chefe e capitão está morto, eu escassamente sei em qual contenda.’
Ninguém contradisse isso, assim todos eles cavalgaram juntos adiante, e o sargento e o escudeiro e Sir Hugh contaram de seu conto o que eles podiam para Sir Aymeries e os outros; mas Arthur manteve-se em silêncio, e cavalgou distante de Birdalone, ao passo que Sir Aymeris e Hugh cavalgaram um de cada lado dela, e não se privaram de a confortar o que ele podiam.
Eles cavalgaram em linha reta, e não pararam com o anoitecer, e, dessa forma, chegaram ao Castelo da Busca antes que o dia estivesse pleno; e dolorosa foi a entrada deles, enquanto eles chegaram, durante o alvorecer, sob o portão do dito castelo, e logo ficou toda a casa agitada e lamentante.
Quanto a Birdalone, quando ela desmontou de seu cavalo no portão, e estava dura e cansada de corpo, e inteiramente atordoada e confusa de mente, havia apenas pouca vida nela; nem pôde ele nem mesmo pensar no novo dia e no despertar de Aurea, apenas esgueirou-se para a sua própria câmara, enquanto ela parecia desde que ela a deixara, embora fosse apenas há pouco tempo; e ela jogou-se sobre a cama e adormeceu, desejasse ela ou não, e, dessa forma, esqueceu-se de muito sofrimento e pouca esperança.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 283-284. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/283/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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