[169]Mas na manhã seguinte, Felix levantou-se imediatamente do seu sono, resolvido a levar a cabo o seu plano. Sem se demorar um momento para pensar, sem exame adicional dos vários lados do problema, ele levantou subitamente no instante que seus olhos estavam abertos, completamente determinado em sua viagem. O hálito da manhã de junho brilhante, enquanto ele abria a persiana, encheu-o com esperança; o coração respondeu a essa influência alegre. A excitação que tinha perturbado a mente tinha tido tempo para diminuir. Na sonolência parada da noite, a forte corrente subterrânea do pensamento dele retomou seu curso, e ele despertou com sua vontade firmemente inclinada em uma direção.
Quando ele tinha se vestido, ele pegou seu arco e o cofre amarrado com tiras de couro, e desceu. Era cedo, mas o Barão já tinha terminado o café da manhã e saído para os seus jardins; a Baronesa ainda não tinho aparecido. Enquanto ele estava tomando um café da manhã apressado (pois [170]agora tendo se decicido, ele estava ansioso para colocar sua resolução em execução), Oliver entrou e, vendo o cofre e arco, entendeu que a hora tinha chegado. Imediatamente, ele disse que ele deveria acompanhá-lo até a Baía da Garça, e auxiliá-lo na partida, e saiu para ordernar os cavalos. Sempre havia muitos cavalos na Casa Antiga (como em qualquer mansão fortificada), e não houve a menor dificuldade em obter outro para Felix no lugar do seu favorito.
Oliver insistiu em levar o cofre de madeira, o qual era bastante pesado, diante dele na sela, de modo que Felix não tivesse nada para carregar exceto o seu arco favorito. Oliver ficou surpreso de que Felix não foi primeiro aos jardins e dissesse adeus ao Barão, ou, pelo menos, batesse à porta da Baronessa e desejasse-a adeus. Mas ele não fez observação, conhecendo o temperamento orgulhoso e ocasionalmente difícil de Felix. Sem uma palavra, Felix deixou o antigo lugar.
Ele cavalgou adiante a partir do Portão Norte, e nem mesmo parou para olhar para trás. Nem ele nem Oliver pensaram nos eventos que pudessem ocorrer antes que eles devessem se encontrar novamente na velha casa familiar! Quando o círculo está uma vez quebrado, frequentemente são anos antes que ele seja reformado. De fato, frequentemente, os membros dele nunca se encontram novamente, pelo menos, não da mesma maneira, a qual, talvez, eles então detestassem, e sempre depois se arrependeram. Sem uma palavra de adeus, sem uma olhadela, Felix cavalgou para dentro da floresta.
Não houve muita conversa na trilha para Baía da Garça. Os servos ainda estavam lá, encarregados da canoa, [171]e ficaram suficientemente felizes de ver a aproximação deles, e, dessa forma, em serem liberados de sua vigilância solitária. Eles lançaram a canoa com facilidade, as provisões foram colocadas a bordo, os cafre amarrado no mastro para que ele não pudesse ser perdido, o arco favorito também foi amarrado na vetical no mastro por segurança, e simplesmente apertando a mão de Oliver, Felix empurrou-a para a angra. Ele remou a canoa até a entrada e, para fora, para dentro do Lago, até que ele chegou onde a brisa sudoeste, vinda através a floresta, tocava e ondulava a água, a qual, próxima à costa, estava perfeitamente calma.
Então, içando a vela, ele colocou para fora o remo maior que correspondia a um leme, tomou seu assento, e, acenando com a mão para Oliver, começou sua viagem. O vento estava bastante leve e quase favorável demais, pois ele determinara-se a navegar para o leste; por nenhuma razão específica, apenas porque ali o sol nascia, e ali era o quartel da luz e esperança. A canoa dele, com uma longa vela de proa a popa, e tão bem-adaptada para funcionar ao vento, não estava bem equipada para deslizar diante de uma brisa, o que era que ele estava fazendo agora. Ele tinha meramente de manter a canoa diante do vento, conduzindo de maneira a desobstruir o promontório íngreme do Cavalo Branco, o qual se erguia azul a partir da borda água longe à frente dele. Embora o vento fosse leve, a canoa, sendo tão afunilada e fina na proa, e a vela tão larga em comparação, deslizava a partir da costa mais rápido do que ele inicialmente imaginou.
Enquanto ele conduzia obliquamente a partir da pequena baía para fora, para dentro do grande Lago, as ondulações rolando diante do vento gradualmente se alargaram em pequenas ondas, essas, novamente, aumentaram, e em meia hora, conforme o vento agora brincava sobre elas através de uma milha da [172]superfície, eles pareciam na canoa dele, com sua borda livre baixa, serem ondas consideráveis. Até agora, propositalmente, ele tinha evitado olhar para trás, com medo de que eles devessem pensar que ele se arrependia da partida, e, em seu coração, desejava retornar. Mas agora, sentido que ele tinha realmente começado, ele deu uma olhada para trás. Ele não conseguiu ver ninguém.
Ele tinha esquecido que o ponto de onde eles lançaram a canoa ficava no fim de uma enseada, e, enquanto ele navegava para longe, a angra era bloqueada da visão pela costa da Lagoa. Incapaz de chegar à boca da baía por causa da vegetação rasteira e do solo pantanoso, Oliver tinha permanecido por um minuto ou dois olhando fixamente na direção que a canoa tinha tomado, absorvido em pensamento (quase o período mais longo que, alguma vez, ele desperdiçara em uma semelhante ocupação) e, em seguida, com um assobio, virou-se para partir. Os servos, entendendo que eles não eram mais requeridos, reuniram suas coisas e, em pouco tempo, seguiram seu caminho para casa. Oliver, segurando o cavalo de Felix pela rédea, já tinha cavalgado daquela forma, mas ele logo parou, esperou até que os três homens o alcançassem. Então, ele entregou o cavalo aos cuidados deles e, virando-se para a direita, ao longo do caminho da floresta que ali se ramificava, foi para o Ponze. Portanto, Felix não pôde ver ninguém quando ele olhou para trás, e, de fato, eles já estavam nos caminhos deles a partir do lugar.
Agora ele sentia que estava sozinho. Ele tinha se separado da costa, e de todas as suas associações antigas; ele estava não apenas avançando rapidamente sobre a água, mas para o futuro desconhecido. Mas o espírito dele não mais vacilava; agora que ele estava realmente no começo de seu empreendimento há muito [173]contemplado, sua natural força de mente retornou. A fraqueza e irresolução, a hesitação, deixaram-lhe. Ele encheu-se de sua aventura e do pensamento de nada mais.
A brisa sudoeste, soprando como um homem respira, com subidas e descidas alternadas, agora o conduzindo rapidamente para frente até que a água borbulhasse sobre a proa, agora afundando, surgiu sobre o seu ombro direito e esfriou a bochecha dele, pois agora era meio-dia, e o sol de junho não estava contido por nuvens. Ele não conseguia mais distinguir a forma das árvores e da costa; todos os galhos estavam misturados juntos em um grande bosque, estendendo-se tão longe quanto ele conseguia ver. Do lado esquerdo dele, ficava uma cadeia de ilhas, algumas cobertas por abetos, e outras apenas com matagal, enquanto outras, ainda, eram tão baixas e chatas que as ondas no clima tempestuosas quase rebentavam sobre elas.
Enquanto ele se aproximava do Cavalo Branco, cinco brancas gaivinas, ou andorinhas, voaram acima; ele não deu boas vindas ao seu aparecimento, visto que, usualmente, elas antecediam tempestades fortes. O promontório, coberto por bosques até sua crista, agora se erguia alto contra o céu; freixo e aveleira e espinheiro tinham ocultado a antiga figura gravada do cavalo sobre o seu lado, mas a tradição não foi esquecida e o lugar retinha o seu nome. Ele tinha estado conduzindo dessa maneira como apenas para clarear o promontório, mas ele lembrou-de de que, quando tinha visitado o topo da colina, ele tinha observado que os bancos de areia e baixio estendiam-se muito longe da costa, e ficavam quase no nível da superfície do Lago. Em uma calma eles eram visíveis, mas as ondas ocultavam-nos, e, a menos que o timoneiro reconhecesse [173]o redemoinho suficientemente cedo para mudar o seu curso, eles eram extremamente perigosos.
Felix suportou mais a partir da terra, e passando completamente de uma milha para o norte, deixou os bancos de areia à direita. Do seu outro lado, havia uma ilha arenosa e desolada, escassamente a uma distância de um quarto de milha, sobre a qual ele pensou ter visto as madeiras de um naufrágio. Era bastante provável, pois a ilha estendia-se na trilha das embarcações costeando ao longo da praia. Além do Cavalo Branco, a terra desaparecia em uma série de indentações curvando-se para dentro na direção sul; uma costa inóspita, pois as colinas desciam à costa terminando abruptamente em penhascos de gesso baixos, mas íngremes. Muitas ilhas de grande tamanho levantavam-se à esquerda, mas Felix, não conhecendo a forma do lago além do Cavalo Branco, considerou melhor seguir a tendência da terra. Dessa forma ele descobriu, após aproximadamente três horas, que ele tinha se afastado muito do seu curso, pois a curva semelhante a um golfo da costa agora começava a retornar na direção norte, e, olhando nessa direção, ele viu uma embarcação mercante sob a sua única vela quadrada de grande tamanho, colocando-se através da baía.
Ela estava aproximadamente a cinco milhas de distância, e, evidentemente, estava conduzindo de modo a manter-se exatamente dentro da linha das ilhas. Com alguma dificuldade, Felix conduziu em uma direção para a interromper. O vento sudeste estando então imediatamente à popa, a vela dele não respondeu bem; logo ele a baixou, e remou até que ele tivesse virado o curso de maneira que o estabilizador estava agora do lado leste. Em seguida, içando a vela novamente, ele sentou-se no que antes tinha sido a proa, e conduziu um ponto ou aproximadamente para mais próximo do vento. Isso [175]melhorou a navegção dele, mas, visto que a embarcação mercante tinha, pelo menos, cinco milhas de dianteira, tomaria algumas horas para a superar. Nem, ao refletir, ele estava de qualquer maneira ansioso para a alcançar, pois marinheiros eram temidos por sua conduta sem lei, estando, quando em uma viagem, além de toda jurisdição.
Por um lado, se eles percebecessem uma oportunidade, eles não hesitavam em aterrisar e pilhar uma casa, ou mesmo uma aldeia. Pelo outro lado, aqueles que habitavam em qualquer ponto perto da costa consideravam bom esporte acender uma fogueira e atrair uma embarcação para a sua destruição, ou se ela estivesse privada de vento, navegar em botes, atacar e, talvez, destruir tanto o navio quando a tripulação. Por isso os muitos naufrágios, e as perdas, e os riscos de navegação, não tanto a partir de obstáculos naturais, uma vez que as inumeráveis ilhas, e as enseadas e as ilhotas da terra firme, quase sempre ofereciam abrigo, não importa de que forma a tempestade soprasse, mas a partir da animosidade do povo da costa. Se houvesse um porto e uma cidade importante onde provisões pudessem ser obtidas, ou reparos efetuados, o direito de entrada era zelosamente guardado, e nenhum navio, por mais que pressionado pela tempestade, era permitido partir, se ele tivesse ancorado, sem o pagamento de uma taxa. De maneira que as embarcações, tanto quanto possível, evitavam portos e cidades, e a terra firme completamente, navegando para frente ao lado das ilhas, as quais eram, pela maior parte, desabitadas, e ancorando sob o abrigo do vento propiciado por elas, à noite.
Felix, lembrando-se do caráter dos marinheiros, resolveu manter-se bem distante deles, mas observar o curso deles como um guia para si mesmo. A terra firme agora se estendia [176]abruptamente para o norte, e a canoa, conforme ele a trazia mais para o vento, saltava adiante em um ritmo rápido. O estabilizador evitava que ela fizesse qualquer declinação, ou de se inclinar para um lado, e a larga expansão da vela forçava-a velozmente através da água. Ele tinha perdido a vista do navio por trás de algumas ilhas, e, enquanto ele se aproximava delas, começou a perguntar a si mesmo se não teria sido melhor puxar para baixo sua vela ali, visto que agora ele deve estar aproximando-se dele, quando, para a surpresa dele, ao aproximar-se, ele viu o grande vela quadrada no meio da terra, por assim dizer. A costa ali era plana, as colinas que, até então, restingiam-na, subitamente desapareceram; ela estava coberta com juncos e espadas e, a aproximadamente duas milhas de distância a vela negra do navio mercante flutuava sobre esses, o casco estando oculto. Imediatamente ele viu que tinha alcançado a boca ocidental dos estreitos que dividiam a terra firme do sul da do norte. Quando ele caminhou para ver o canal a pé através da floresta, ele teve tê-lo atingido a uma milha ou duas mais para o ocidente, onde ele girava sob as colinas.
Em outra hora ele chegou à abertura do estreito; ela era aproximadamente de uma milha de largura, e cada costa era bastante plana, aquela à direita, por um curta distância, a variedade das descidas aproximava-se dentro de duas milhas; aquela à esquerda, ou norte, estava plana tão longe ele conseguia ver. Novamente, agora ele teve de baixar a vela dele, para ter o estabilizador sobre seu sotavento enquanto ele virava para a direita e conduzia na direção leste para dentro do canal. Enquanto a costa esteve plana, ele não teve dificuldade, pois o vento soprava sobre ela, mas, quando as colinas gradualmente se aproximavam, e quase se sobressaiam sobre o canal, elas bloquearam muito da [177]brisa e o progresso dele ficou lento. Quando ele virou e correu estreitando-se a cada momento para o sul, o vento falhou-se completamente.
À costa direita, colinas cobertas por bosques surgiam a partir da água como uma parede; à esquerda, estava um plano perfeito. Ele não conseguiu ver nada do navio mercante, embora ele soubesse que não poderia navegar ali, mas precisava superarar com os movimentos dela. O casco pesado e arco amplo dele devem tornar o ato de remar um processo lento e laborioso; portanto, ele não poderia estar muito a frente, mas estava oculto pela curvatura do estreito. Ele baixou a vela, visto que agora ela era inútil, e começou a remar; em um período muito curto de tempo ele considerou o calor sobre as colinas opressivo quando trabalhando dessa forma. Ele tinha estado à deriva agora entre seis ou sete horas, e deve ter chegado a trinta milhas completas, talvez muito mais do que vinte, em uma linha reta, e ele sentia um pouco cansado e apertado de se sentar por tanto tempo na canoa.
Embora ele remasse duramente, ele não parecia fazer muito progresso, e, à distância, ele reconheceu que havia uma corrente distante, a qual se opunha ao seu avanço, fluindo através do canal, a partir do leste para o oeste. Se ele parasse de remar, ele se descobriria lentamente impelido de volta; as longas ervas-daninhas aquáticas, pelas quais ele passava, também, todas estendiam seus flâmulas flutuantes na direção oeste. Nós não conhecíamos isso até que Felix Aquilo observou e registrou.
Cansado e faminto (pois, cheio de sua viagem, ele não tinha descansado desde que partiu), ele resolveu desembarcar, descansar um pouco, e, em seguida, subir a colina, e ver o que ele podia do canal. Ele logo conseguiu alcançar a costa, o [178]estreito tendo estreitado-se para menos de uma milha de largura, e conduziu a canoa para o solo perto de um arbusto, ao qual, saindo, ele amarrou o proiz. O alívio de esticar os membros foi tão grande que parecia lhe conceder força renovada, e, sem esperar para comer, de uma vez, ele escalou a colina. A partir do topo, o restante do estreito pôde ser facilmente distinguido. Mas, a uma curta distância de onde ele se colocava de pé, ele inclinava-se novamente, e prosseguia na direção leste.
ORIGINAL:
JEFFERIES, R. After London; or, Wild England. London: Duckworth & Co, 1905. p.169-178. Disponível em: <https://archive.org/details/afterlondonorwil00jeffuoft/page/169/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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