Depois de Londres: ou, A Inglaterra Selvagem - Parte II Inglaterra Selvagem - Capítulo IX Superstições

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[136]Agora Felix estava fora da cidade e sozinho na campina que fazia fronteira com o riacho; ele ajoelhou-se e bebeu a partir dele com a reentrância da mão. Ele estava prestes a subir a colina acolá, e já tinha alcançado a barreira naquele lado, quando se lembrou de que a etiqueta exigia a presença dos convidados em horas de refeição, e que agora era hora do chá. Ele apressou-se de volta e descobriu o pátio [137]do castelo estava lotado. No interior, a escadaria conduzindo à câmara da Baronesa (onde o chá era servido) escassamente podia ser subida, como um resultado das damas e dos seus cortesãos, dos longos séquitos de servas, dos pajens serpenteando seus caminhos para dentro e para fora, dos servos esforçando-se para passar, dos esguios galgos de estimação, os inseparáveis companheiros de suas vítimas.

Gradualmente, e exercitando a paciência, ele chegou ao piso superior e entrou na sala de estar. A Baronesa sentava-se sozinha à mesa, os convidados, onde quer que eles escolhessem, ou onde o acaso os levasse; pela maior parte, eles permaneceram, ou se acostaram no recesso da janela aberta. De chá mesmo, não havia nada; não havia chá a ser tido por amor ou dinheiro nesses cinquenta anos passados, e, de fato, o seu uso teria sido esquecido, e apenas o nome sobrevivido, não houvesse algumas pequenas quantidades ainda sido preservadas e exibidas em raras ocasiões em palácios. Em vez dele, houve chicória preparada a partir da raíz da planta, cultivada para o propósito; leite fresco, boa cerveja e hidromel; e vinho de Gloucester. Manteiga, mel e bolo também estavam sobre a mesa.

Os convidados serviram-se, ou esperaram até que os servos viessem até eles com bandejas de madeira entalhada. A característica particular do chá é a liberdade de restrição; não é considerado necessário sentar-se como no jantar ou ceia, nem fazer como os outros fazem; cada um agrada a si mesmo, e não há cerimônia. Contudo, embora Aurora estivesse tão próxima, Felix não teve sucesso em falar com ela; Durand ainda ocupava a atenção dela sempre que outras damas não estivessem conversando com ela. [138]Felix encontrava-se exatamente como na hora do jantar, bastante fora do círculo. Havia um murmúrio de conversação ao redor, mas nenhuma palavra dela era endereçada a ele. Vestidos roçavam nele, mas as belas proprietárias deles não estavam nem mesmo interessadas em reconhecerem a existência dele.

Empurrado para o lado a partir do centro do piso, pela multidão acotovelando-se, Felix logo se sentou, feliz por finalmente descansar, atrás da porta aberta. Esquecido, ele esqueceu; e, por assim dizer, parecendo fora do presente em um devaneio amargo, escassamente ele sabia onde estava, exceto nos momentos quando ele ouvia a bem-conhecida e amada voz de Aurora. Após um tempo, uma serva veio a ele com uma bandeja; ele aceitou um pouco de mel e pão. Em seguida, quase imediatamente, outra serva veio e presenteou-o com um prato, sobre a qual estava um copo de vinho, dizendo, “Com os desejos amados de minha senhora.”

Como em obrigação de dever, ele levantou-se e curvou-se para Baronesa; ela sorriu e acenou com a cabeça; o círculo, o qual olhara para ver quem era honrado dessa maneira, virou-se novamente para o lado, não o reconhecendo. Enviar a um convidado um prato com vinho ou comida é a mais elevada marca de estima, e esse prato, em especial, era de valor quase sem preço, como Felix percebeu quando sua confusão tinha diminuído. Era da China antiga, [e] agora não devia ser encontrado mesmo nas casas dos grandes.

Em todo aquele reino apenas cinco pratos perfeitos eram conhecidos existir, e dois deles estavam no palácio. Eles eram estimados como relíquias de família, e, se alguma vez quebrados, nunca poderiam ser substituídos. Os fragmentos mesmos são raros; frequentemente, eles são colocados em painéis, e altamente apreciados. A Baronesa, dando uma olhadela [139]em torno de sua corte, finalmente notara o jovem homem sentado no canto obscuro atrás da porta; ela lembrava-se, não sem alguma pontada de consciência, que a casa dele era amiga do coração aliada e jurada.

Ela sabia, muito melhor do que o Barão, quão profundamente a filha dela amava-o; talvez, até melhor do que a filha dela. Naturalmente, ela também esperava uma aliança mais elevada para Aurora; contudo, ela era uma verdadeira mulher, e o coração dela era mais forte do que a ambição. É claro, a ninharia do vinho era nada; mas foi um reconhecimento aberto e marcado. Ela esterava que Felix (segundo o seu costume em épocas antigas, antes que amor e casamento fossem considerados para Aurora) tivesse vindo em consequência desse convite distinto, e tomado sua posição diante dela, segundo o costume. Mas, como ele não veio, novos convidados e os deveres da hospitalidade distraíram a atenção dela, e, novamente, ela esqueceu-se dele.

De fato, ele ficou mais magoado do que agradado com o favor que fora mostrado a ele; parecia-lhe (embora realmente induzido pelo sentimento mais gentil) como um osso jogado a um cão. Ele desejava ser tão considerado que nenhuma marca especial de favor deveria ser necessária. Isso simplesmente aumentava o descontentamento dele. A tardinha consumiu-se, a ceia começou; quão exaustivo isso parecia para ele, aquela ceia longa e jovial, com a cerveja que corria em um fluxo contínuo, o vinho que, incessantemente, circulava em volta, a azáfama, e o riso, a acolhida dos convidados que chegavam; as cartas, o xadrex, e os jogos que a sucederam, a bebida, bebida, e bebida, até que as damas novamente saíssem; então, bebida ainda mais livremente.

[140]Ele escapou na primeira oportunidade, e, tendo primeiramente passeado para dentro e para fora do grama aparrada para boliche, molhada com o orvalho, na retaguarda do castelo, perguntou por seu quarto. Passou-se algum tempo antes que ele fosse atendido; ele permaneceu sozinho no pé da escadaria enquanto outros foram primeiro (as pequenas moedas deles compraram-lhes atenção), até que, finalmente, uma lâmpada foi trazida para ele, e o quarto dele designado. Esse quarto, tal como era, foi o único prazer, e esse um melancôlico, que ele tinha tido neste dia.

Embora transbordando com convidados, de maneira que os mais honrados visitantes não puderam ser acomodados no interior do castelo, e apenas as damas poderiam encontrar quarto de dormir ali, contudo, a lei sagrada da honra, o compromisso do amigo do coração passado três gerações, asseguraram-lhe esse privilégio. O amigo do coração deve dormir dentro, [mesmo] se um rei devesse ser enviado para fora. É claro, Oliver ocuparia o mesmo quarto, mas ele estava bebendo e berrando uma canção abaixo, de maneira que, por um tempo, Felix tinha o quarto para ele mesmo.

Isso o agradou, porque era o quarto no qual ele sempre dormira quando ele visitava o lugar desde [que era] um menino, quando, meio assustado e ainda determinado a aventurar-se, ele primeiro atravessara a floresta sozinho. Quão bem ele se lembrava da primeira vez! A luz do sol sobre o restolho na Velha Casa, e as folhas vermelhas e marrons da floresta enquanto ele entrou; como ele entrou a pé, e duas vezes voltou para trás, e duas vezes aventurou-se novamente, até que ele chegou tão dentro da floresta que parecia tão distante para retornar quanto para avançar. Como ele iniciou viagem diante do berro súbito dos dois [141]veados, e o barulho dos seus chifres enquanto eles lutavam no matagal ao lado, e quão belo o castelo pareceu quando, dentre em pouco, ele emergiu a partir dos arbustos e olhou para baixo sobre ele!

Esse era o quarto mesmo no qual ele dormiu; a Baronesa, como uma mãe, veio ver se ele estava confortável. Aqui ele tinha dormido a cada vez desde então; aqui ele tinha ouvido na manhã cedo os passos de Aurora, enquanto ela passava pela porta dele, pois as damas levantavam-se mais cedo do que os homens. Ele agora se sentava perto da janela aberta; era uma brilhante noite de luz da lua, quente e deliciosa, e a nota prolongado do rouxinol vinha através dos jardins, a partir dos arbustos de espinheiros do lado de fora da paliçada interior. À esquerda, ele conseguia ver a linha das colinas, à direita, a floresta; tudo estava quieto ali, mas, de vez em quando, o som de uma balada surgia em torno do castelo, um som sem palavras reconhecíveis, diversão inarticulada.

Se ele desse início à perigosa viagem que ele contemplava, e para a qual ele estivera preparando-se por tanto tempo, deveria ele alguma vez dormir ali novamente, tão próximo daquela que ele amava? Não era melhor ser pobre e desprezado, mas estar perto dela, do que tentar uma expedição tão grande, especialmente visto que as chances (como o seu senso comum dizia-lhe) estavam todas contra ele? Todavia, ele não podia permanecer; ele tem de fazer isso, e ele tentou reprimir a dúvida que insistia em surgiu em sua mente. Em seguida, ele referiu-se a Durand; ele lembrou-se de que nem uma vez naquele dia ele trocara uma única palavra, além da saudação primeira e ordinária, com Aurora.

[142]Não poderia ela, houvesse ela escolhido, ter arranjado um encontro de momento? Não poderia ela ter lhe concedido uma oportunidade? Não estava claro que ela estava envergonhada de sua fantasia própria de menina por um jovem sem dote e desprezado? Se assim, valia a pena partir em um empreendimento tão estranho pelo bem dela? Mas também, se assim, valia a pena viver, e não se poderia também partir e buscar a destruição?

Enquanto esse conflito de sentimento estava procedendo, ele arriscou-se a olhar na direção da mesa na qual, descuidadamente, ele colocou sua lâmpada, e observou o que, em seu estado agitado de mente, ele anteriormente negligenciara, um pequeno rolo de pergaminho amarrado em volta com seda. Curioso por livros, ele desfez a amarração e abriu o volume. Não havia muito escrito, mas muitos diagramas particulares e sinais arranjados em círculos. De fato, era um livro de mágica, escrito no ditado, como o prefácio declarava, de alguém quem tinha sido um escravo entre os romani por anos.

Ele tinha sido capturado, e forçado a trabalhar pela tenda à qual os seus proprietários pertenciam. Ele testemunhara sua adoração e suas feitiçarias; ele vira o sacrifício à lua cheia, a deusa principal deles, e as extravagâncias selvagens pelas quais ele era acompanhado. Ele aprendera alguns poucos dos sinais deles, e, em ao escapar, reproduzira-os a partir da memória. Alguns estavam gravados em pedras engastadas em seus anéis; alguns estavam entalhados em tábuas de madeira, alguns desenhados com tinta em pergaminho; mas, com tudo, o procedimento deles parecia ser a repetição de certos versos e, em seguida, um firme olhar fixo sobre a imagem. Logo eles [143]se tornavam cheios de êxtase, proferiam o que soava como os mais selvagens delírios, e (as mulheres deles especialmente) profetizaram do futuro.

De uns poucos dos sinais ele entendeu o significado, mas dos outros ele reconhecia que eram desconhecidos para ele. No final do livro existiam várias páginas de comentário, descrevendo os demônios acreditados e adorados pelos romani, demônios que assombravam os bosques e as colinas, e contra os quais era melhor estar provido com amuletos abençoados pelos santos padres de Santo Agostinho. Tais demônios roubavam do caçador ao meio-dia, e, alarmado diante de seu súbito aparecimento, ao virar sua cabeça (pois os demônios invariavelmente se aproximam por trás, e a presença deles é indicada por um tremor nas costas), ele caía dentro de buracos ocultos por samambaias e era morto.

Ou, na forma de um cão, eles corriam entre as pernas do viajante; ou como mulheres, com carícia tentadora, atraíam-no para longe do caminho ao anoitecer, para dentro de recessos frondosos e, em seguida, instantanetamente transformando-se em vastas formas semelhantes a morcegos, prendiam-se no pescoço dele e sugavam o sangue ele. Os gritos terríveis de semelhantes vítimas frequentemente tinham sido ouvidos pelos sentinelas nos postos avançados. Alguns eram invisíveis e, contudo, matavam o incauto descendo despercebidos sobre ele e sufocando-o com uma pressão como se o ar subitamente se tivesse tornado pesado.

Mas talvez, nenhum desses devesse ser tão temido quanto as docemente formadas e graciosas senhoras da samambaia. Essas eram criaturas não de carne e sangue e, contudo, não incorpóreas como os demônios, nem eram elas perigosas ao [144]homem físico, não causando nenhuma lesão corporal. O dano que elas causavam era através da fascinação da alma, de maneira que ela se revoltava de toda religião e de todos os ritos da Igreja. Uma vez resignado ao carinho da mulher-samambaia, o infeliz era atraído para cada vez mais longe dos antros dos homens, até que, finalmente, ele perambulava dentro da floresta desconhecida, e nunca mais era visto novamente. Essas criaturas comumente eram encontradas em meio ao matagal de samambaia, nuas, com os membros inferiores e o corpo oculto pelas frondas verdes, apenas seus cabelos brancos e ombros visíveis e seu cabelo dourado brilahntes com a luz do sol do verão.

Também existiam demônios dos riachos, e demônios habitando no meio das colinas; demônios que apenas podiam viajar nos raios lunares, e outros que flutuavam diante de ventos tempestuosos e lançavam o andarilho miserável para a destruição, ou esmagavam-no com árvores derrubadas. Em prova disso, o monge perguntava ao leitor se ele não tinha ouvido falar dos galhos imensos caindo de árvores sem causa vísivel, subitamente e sem aviso, e mesmo de árvores mesmas com folhagem cheia, em clima calmo, caindo com uma trombada, para o perigo iminente ou a morte daqueles que aconteciam de passar. Que todos esses adquiram amuletos de Santo Agostinho, concluía o escritor, quem parecia ser um monge no monastério no qual o prisioneiro escapado refugiara-se, e quem tinha escrito sua relação e copiado seus esboços rudes.

Felix debruçou-se sobre os estanhos diagramas, esforçando-se para entender o significado oculto; alguns deles, ele pensava, eram sinais alquímicos, e relacionados à produção de ouro, especialmente [145]como o prisioneiro declarava que os romani possuíam muito mais desse metal em suas cabanas do que ele tinha visto nos palácios dos nossos reis. Se eles tinham uma mina de ouro a partir da qual eles o extraíam, ou se eles tinham a arte de transmutação, ele não sabia, mas ele ouvia alusões à riqueza na montanha das macieiras, o que ele suponha ser uma frase mágica.

Quando Felix finalmente olhou para cima, a lâmpada estava baixa, e os raios de luz da lua entravam e caíam sobre o piso polido, e, a partir da janela, ele podia ver uma longa linha branca de névoa fantasmagórica onde um pequeno riacho corria na base da encosta perto da floresta. As canções estavam silentes; não havia som, exceto o distante relincho de um cavalo e o pesado ruído de passos de um convidado vindo ao longo da galeria. Quase desorientado por ter se debruçado sobre o pergaminho mágico, cheio de símbolos e demônios, e ainda com uma sensação de injúria e ciúmes corroendo seu coração, Felix retirou-se para a sua cama, e, cansado além de medida, instantaneamente adormeceu.

Nesse estado perturbado de mente, não lhe ocorreu uma vez se perguntar como o manuscrito veio a ficar sobre a mesa dele. Raros como eles eram, os livros usualmente não eram colocados sobre as mesas de hóspedes, e, diante de uma ocasião ordinária, ele certamente teria considerado isso peculiar. O fato era que Aurora, quem durante todo o dia, intimamente, ele tinha acusado de o esquecer, colocara-o ali para ele com as próprias mãos dela. Também ela era curiosa de livros e inclinada ao estudo. Ela muito recentemente adquirira o volume de um mercador quem tinha chegado tão longe e quem o valoriza menos de todos os seus artigos.

[146]Ela sabia que Felix tinha lido e relido todo outro fragmento de escrita que havia no castelo, e pensou que esse estranho livro poderia interessar a ele, concedendo-lhe, como ele o fez, detalhes daqueles poderes do ar nos quais quase todos acreditavam. Inconsciente dessa atenção, Felix adormeceu, irado e amargo contra ela. Quando, uma meia-hora depois, Oliver tropeçou para dentro do quarto, um pouco instável de suas pernas, a despeito de sua poderosa força, ele pegou o rolo, deu uma olhadela, jogou-o para baixo e, sem um minuto de demora, buscou e obteve sono.


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ORIGINAL:

JEFFERIES, R. After London; or, Wild England. London: Duckworth & Co, 1905. p.136-146. Disponível em: <https://archive.org/details/afterlondonorwil00jeffuoft/page/136/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

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A Água das Ilhas Maravilhosas - A Quinta Parte: O Conto do Fim da Busca - Capítulo II Agora Eles perguntam de Birdalone, e Sir Leonard fala

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[268]Agora a proa tocou as pedras da escadaria, e o povo estava ocupado em se apoderar dele, para que os viajantes pudessem desembarcar, mas Sir Baudoin exclamou em uma grande voz: Que ninguém seja tão ousado quanto a tocar nessa balsa, quer agora, quer doravante; pois há perigo ali. E com isso ele tomou Aurea pela mão e conduziu-a para fora do bote e escada acima, e ela completamente alegre e maravilhando-se; e depois disso vieram Hugh e sua querida, e, últimos de todos, Arthur e Atra, e apenas elas das três mulheres parecia abatida, e os olhos dela percorriam a multidão que estava ali diante deles, como se ela buscasse alguma coisa, contudo, temesse encontrá-la.

Mas quando todos estavam de pé juntos sobre a campina de desembarque, e o povo estava todo ao redor deles em um círculo, Sir Baudoin falou para o castelão e disse: Sir Aymeris, tu e outras pessoas eu vejo aqui, a visão de quem me causa grande alegria; mas onde, eu suplico-te, está a dama, nossa amiga Birdalone, por quem é que todos nos chegamos alegremente aqui?E ele olhou em volta com um rosto ansioso; mas Arthur estava pálido como as cinzas, contudo, ele nada falou, e Atra deixou a mão cair para longe da dele.

Em seguida, o castelão falou e disse: Nenhum mal ocorreu a Senhora Birdalone; apenas enquanto ela esteve um pouco doente ultimamente, e é provável que ela não tenha conhecimento do que está acontecendo, e mantenha-se em sua câmara agora, pois ainda é cedo da manhã.

[269]Enquanto ele falava, surgiu um homem empurrando através da multidão, impaciente e de rosto pálido; quem senão o capelão; e ele disse: ‘Ele não queria me deixar falar, esse tolo; eu não posso escolher minha ocasião. Lordes, eu porto más notícias e um terrível bem-vindo ao lar. A Senhora Birdalone está em perigo, e ela não está no castelo; eu não tenho conhecimento de onde ela está. Vós tendes de enviar homens armados para a procurar.’

Com isso, caiu o silêncio de angústia sobre a multidão; mas Arthur avançou sobre o sacerdote com espada desembainhada, e clamou: ‘Eu suspeito de que tu sejas um traidor; fala! Ou eu te matarei aqui e agora.’ ‘Se eu for um traidor,’ respondeu Leonard, ‘eu deverei contar-te em pouco tempo o que vós deveis fazer para desfazer a minha traição, se ainda houver tempo para isso; assim, não me mates até que vós tiverdes ouvido e, em seguida, fazei o que vos desejeis comigo.’

Mas Baudoin colocou Arthur de lado e disse: ‘Contém-te um pouco, justo irmão, senão as palavras deverão tombar umas sobre as outras e nós não deveremos conhecer nada claramente. Sir Aymeris, conduzi nossas queridas damas às mais belas câmaras e fazei toda honra e cortesia a elas. E vós, doçuras, vós não nos invejeis que nós vamos procurar a nossa amiga. Tu, sacerdote, separa-te conosco um pouco, e nada temas; nós não somos infames de Deus, como o Cavaleiro Vermelho e os homens dele.’

Viridis chorou e beijou seu amor diante de todo o povo, e ordenou que ele fosse e fizesse o seu melhor para encontrar a amiga dela, ou senão, nunca retornasse para ela. Muito movida com isso, mesmo às lágrimas, estava Aurea, e ela estendeu a mão para Baudoin e disse: ‘Se qualquer homem sobre a terra pode ajudar-nos é tu. Vai tu.’ Mas Atra [270]não chorou, e apenas disse: ‘Vai tu, é adequado.’

Após o que, as damas foram levadas para belas câmaras; mas os três cavaleiros foram com o sacerdote e Sir Aymeris para dentro do sotão, e estabeleceram uma guarda na porta para que a conversa deles devesse ser privada.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 268-270. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/268/mode/1up


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EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

A Água das Ilhas Maravilhosas - A Quinta Parte: O Conto do Fim da Busca - Capítulo I Do Problema de Sir Leonard e Da Chegada da Busca

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[263]Conta o conto que, quando o capelão se afastara de Birdalone no caramanchão no bosquete, ele retornou ao lar no castelo de modo bastante triste, por causa de seu amor e desejo por ela, os quais, ele bem tinha conhecimento, nunca poderiam ser satisfeitos. Além disso, quando ele tinha entrado novamente no castelo, ali caiu receiro sobre ele pelo que poderia ter acontecido a ela, e ele arrependia-se de que ele tinha feito a vontade dela ao tirá-la do castelo; e em vão ele agora colocava diante de si mesmo todas as razões para considerar que, naquele lugar, o perigo para ela era pouco ou nenhum, assim como ele tinha colocado-as diante dela, e nas quais ele então acreditava completamente, ao passo que agora, parecia-lhe, havia uma resposta para cada uma dela. Assim ele respirou pesadamente e entrou na capela, na qual ficava o altar de São Leonard; e nesse lugar ele se ajoelhou, e orou ao santo, como ele outrora libertara pessoas da captura, agora para libertar tanto ele quanto Birdalone do perigo e das amarras; mas, embora ele estivesse orando por muito tempo e elaborado muitas palavras, ele iluminara pouco ou nada o coração; de maneira que, quando ele se levantou novamente, se qualquer coisa de ruim tivesse acontecido àquela pérola de mulher, ele desejava de todo o coração que alguém pudesse tomar a vida ele e ele estaria feito com isso.

[264]Agora a casa estava agitada e o capelão saiu da capela e, pensando sobre todas as coisas, ele considerava se iria diretamente ao Sir Aymeris e seria honesto sobre isso, para que homens armados pudessem ser enviados imediatamente para procurarem Birdalone. E ele disse a si mesmo: ‘Que me importa se ele matar-me ou me jogar dentro de prisão, se Birdalone estiver perdida?’

Assim ele prosseguiu em seus caminhos para a torre mais alta, a qual olhava em direção à terra e para a elevação do Olho Aberto, imaginando encontrar Sir Aymeris; mas, quando tinha chegado ao ponto mais elevado, ele não encontrou nem capitão nem camponês ali: portanto, ele permaneceu um pouco e olhou adiante entre as ameias, se talvez havia uma chance selvagem de ver Birdalone vindo novamente para casa; mas seus olhos agudos não observaram nada mais do que ele olhava para ver, como ovelha e gado, e os camponeses nas imediações. Dessa maneira, ele virou-se e caminhou ao lado da vala na direção da próxima torre mais alta, a qual olhava na direção do lago, e era chamada de Esperança dos Corações; e, conforme caminhava, ele imediatamente começou a organizar na mente as palavras que ele deveria dizer ao castelão.

Assim vinha ele, abatido e infeliz, sobre os prumos da torre, os quais não eram nada pequenos; e ali, reunidos em um grupo, e todos encarando ansionsamente o lago, ele encontrou uma dúzia de homens de armas e o castelão entre ele. Eles não prestaram atenção nele enquanto ele subia, embora ele tropeçasse enquanto cruzava a soleira e atravessasse fazendo barulho sobre o piso de chumbo, e logo ele viu que havia alguma coisa extraordinária acontecendo; mas ele tinha apenas um pensamento na mente, a saber, o resgate de Birdalone.

[265]Agora ele subiu para trás de onde o castelão estava inclinando-se sobre a ameia, e puxou o saio dele, e, quando Sir Aymeris se virou, ele disse: Lorde, eu tenho uma palavra para teu ouvido.Mas o velho cavaleiro apenas se virou parcialmente e, em seguida, falou mal-humorado: ‘Bah, homem! Em outra ocasião! Tu não vês que eu não tenho olhos para coisa alguma exceto o que nós vemos sobre o lago?’ ‘Sim, mas que é então?’ Disse o sacerdote. ‘Ali vem um bote,’ disse Aymeris, não olhando de volta para ele, ‘e o nosso pensamento é que ali estão os nossos lordes.’

Quando o sacerdote ouviu essa palavra, foi como se o inferno tivesse se aberto debaixo dos pés dele; e, por um minuto, ele não teve força para falar; em seguida, ele exclamou: ‘Sir Aymeris, ouve com atenção, eu suplico-te.’ Mas o velho cavaleiro apenas o empurrou para trás com a mão e, mesmo com isso, um dos homens de armas exclamou: ‘Eu ouço a voz do chifre deles!’ Então bradou Sir Aymeris: ‘Onde tu estás, Barulho? Sopra, homem, sopra, se alguma vez tu sopraste em toda a tua vida! E com isso, surgiu o estrondo do bronze, e Sir Aymeris acenou com a cabeça para o trombeteiro, quem soprou sopro após sopro com toda a força dele, de modo que o sacerdote tão bem poderia ficar surdo de qualquer audição que ele pudesse obter; e o tempo todo, para Leonard, os minutos pareceram horas, e ele ficou quase distraído.

E então, quando o cavaleiro ergueu a mão para o Barulho, para obstar o seu sopro, e Leonard esforçava-se para falar, o castelão voltou-se para ele e disse: Silêncio, Sir Leonard; tu não sabes que agora nos ouviríamos com nossos ouvidos com atenção se eles respondessem-nos? [266]Nenhuma palavra de qualquer homem de vocês, instruído ou lascivo, ou vós deveis lamentá-la!

Com isso mesmo surgiu claramente o som do chifre a partir da água, e novamente e ainda de novo; e nenhum homem falou, exceto o capelão, quem exclamou: Ouve com atenção, cavaleiro, é o de Birdalone.Mas Sir Aymeris colocou a mão sobre o ombro dele e disse em um sussuro irritado: ‘Tu deverás ser colocado para baixo, sacerdote, se tu não permaneceres em silêncio.’

Leonard retrocedeu carrancudo, e saiu pela porta, e assim ele desceu lentamente a escada, e retirou-se para dentro da cobertura da porta da primeira câmara abaixo a partir do topo da torre, com o ânimo de espiar Sir Aymeris enquanto ele descia; e, entrementes, ele amaldiçoava-o por um tolo e um estúpido, e a ele mesmo ainda mais, como era apenas certo, por um tolo e um traidor lascivo.

Mas ele não tinha se demorado ali mais do que uma vintena de minutos, antes que ele ouvisse uma grande exclamação a partir daqueles acima:Eles chegaram! Eles chegaram!E, logo em seguida, desceram a escada passando por ele, todos os homens tagarelando, mal se abstendo eles de empurrar cada vizinho para o próximo; Leonard seguiu-os, e logo surgiu uma grande gritaria e tumulto através de toda a casa, e todo o povo, homens e mulheres, apressaram-se como uma multidão na direção da comporta, e com eles foi Leonard forçosamente; e doente de coração ele estava, refletindo sobre a primeira chegada de Birdalone àquele lugar.

Mas, quando eles chegaram à comporta, ali verdadeiramente estava o Bote de Expedição aproximando-se; [267]e na popa estavam os três cavaleiros juntos, todos envoltos em suas armaduras e, diante deles, sentavam-se três damas amáveis, envoltas uma em ouro, uma em verde e uma em preto; e oh, a Busca retornou ao lar.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 263-267. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/263/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

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O Último Homem - Volume I - Capítulo IV-II

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