A Múmia! Um Conto do Século XXII - Volume I - Capítulo III

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[45]“Meu querido Edric,” exclamou Sir Ambrose, jogando-se nos braços de seu filho, “meu querido, querido Edric! O seu irmão venceu a batalha! Os alemães foram completamente derrubados. Ele tomou o rei deles e vários de seus príncipes prisioneiros; e a bela província da França foi cedida a nós inteiramente.”

Eu alegro-me com isso,” exclamou Edric, retornando com emoção o abraço de seu pai, “e ele, eu espero, está seguro?”

Eu espero que sim, também,” respondeu Sir Ambrose; “embora ele nada falou de si mesmo: mas você conhece Edmund: ‘Nossas tropas venceram isto,’ ‘nosso exército ganhou aquilo!’ ‘Os soldados lutaram bravamente!’ Ele nunca fala de si mesmo. [46]Ao ouvir ele relatar uma batalha, ninguém imaginaria que alguma vez ele teve alguma coisa a ver com ela.”

Está muito escuro para ver mais,” disse o Padre Morris, quem, durante essa conversação, estivera observado o telégrafo, e agora se voltava dele em desespero; “a máquina ainda está em funcionamento, mas está muito escuro para eu decifrar o que isso quer dizer.”

A atenção de todos presentes foi dirigida para o céu enquanto ele falava. De fato, ele tornara-se de uma escuridão pícea, uma escuridão geral parecia pender sobre a face da natureza; os pássaros voavam gorjeando por abrigo, um vento baixo gemia através da árvores, e, em resumo, cada coisa parecia pressagiar uma tempestade.

Não tinha sido melhor retornarmos a casa?” disse o Dr. Entwerfen, olhando em volta com alguma coisa como medo diante dessas indicações alarmantes, pois sua imaginação aquecida ainda não se recuperara bastante do efeito das especulações horríveis nas quais eles estivera satisfazendo-se tão ultimamente. “O que é aquele ponto negro ali? Eu afirmo que ele se move! Deus do céu! O que pode ser?”

Realmente, doutor!” retornou Abelard, “você [47]provocou a ação de minhas faculdades risíveis. Aquele corpo opaco que você percebe a uma pequena distância, e que parece ter ocasionado uma tal excitação terrível de seu sistema nervoso, é apenas um espécime vivo do gênero corvo, quem provavelmente desceu a terra para procurar seu repasto vermicular.

Eu imploro seu perdão, Sr. Abelardo,” respondeu o Sr. Davis, falando com sua usual precisão, “mas, de acordo com minha humilde compreensão, você labora sob um leve engano quanto a esse particular. O bípede emplumado que tão forçosamente atraiu a sua atenção, parece-me, não um dos corvos, mas antes um dos gaios; uma variedade de ocorrência extremamente rara nessa vizinhança, e as quais são às vezes chamadas de aves incendiárias, a partir de sua propensão infeliz para colocar habitações em combustão, ao pegarem pequenos pedaços de carbono flogisticado e, levando-os em seus bicos para a combinação de palha e outros materiais, algumas vezes empilhando-os sobre o cume de uma casa, para defendê-los das incursões de pluviosidade.”

Não adianta,” suspirou Sir Ambrose, ainda [48]esforçando os olhos para tentar decifrar os movimentos do telégrafo, os contornos do qual agora pareciam apenas estampados como se em azeviche, e fortemente atenuados pelo céu cinza escuro além.

Não adianta,” reiterou o Padre Morris, e o grupo todo está se preparando para se retirar quando, subitamente, uma luz cintilou sobre eles a partir da colina, e instantaneamente uma longa linha de tochas parecia fluir através do horizonte. “Ele está vindo para casa, mas escreverá mais amanhã,” exclamou o grupo todo simultaneamente, pois todos bem conheciam por experiência o significado daquele sinal. “Ele está vindo para casa, graças a Deus!” repetiu Sir Ambrose, seus lábios pálidos tremendo, e cada membro tremendo de agitação.

Olhem para meu pai,” exclamou Edric, “ele vai desmaiar.”

Oh não, não!” repetiu Sir Ambrose: “Graças a Deus! Graças a Deus!”

Encoste-se em mim, pelo menos,” disse Edric, carinhosamente.

Sir Ambrose concordou; e, suportado por [49]seu filho, olhou fixa e ansiosamente as tochas, o brilho vermelho das quais, derramando uma luz não natural em volta deles, fez a escuridão em volta parecer mais intensa. O trovão agora rugia à distância, e a chuva começava a cair em grandes pingos; ainda assim, Sir Ambrose permanecia com os olhos fixos sobre as tochas, e nenhuma persuasão pôde induzi-lo a deixar o terraço. Essas luzes selvagens e de aparência assustador brilhavam através da tempestade, pareciam um elo de conexão entre ele e seu filho querido; e não foi até que elas foram obscurecidas pela espessa chuva pesada, e mesmo o contorno do telégrafo desapareceu nas nuvens que se acumulavam ao redor, que ele pôde ser induzido a buscar abrigo.

Sir Ambrose dormiu pouco naquela noite: o sono da idade é facilmente interrompido, e talvez a agitação alegre de seus espíritos produzira um leve acesso de febre. Ele levantou-se com a aurora; e, muito antes que o resto de sua família descesse, convocou Abelard, para que ele pudesse o enviar para informar o Duque de Cornwall das notícias: visto que o Padre Morris, por causa da tempestade, passou a noite na casa de Sir Ambrose.

[50]“Vá,” disse ele, assim que o sonolento mordomo fez sua aparição. “Eu estou certo de que o duque sente um interesse quase tão grande no sucesso de Edmund quanto eu mesmo, e não ficará descontente se ele for perturbado um pouco antes do que o usual diante de uma semelhante ocasião.”

Eu obedeço,” respondeu Abelard. “Eu me livrarei de minhas propensões sonolentas, e apressar-me-ei com a velocidade do fluído elétrico para o castelo do chefe nobre.

Preste atenção para que você não esqueça de sua mensagem pelo caminho,” repetiu Sir Ambrose, sorrindo.

Nem todas as águas do Leteu poderiam lavar semelhantes notícias soníferas da minha memória,” respondeu o mordomo. “As palavras de vossa senhoria estão impressas sobre o órgão mnemônico de meu cérebro; e meu sensório deve ser dividido de meu cerebelo antes que elas possam ser apagadas.

O Duque de Cornwall tinha sido o amigo íntimo de Sir Ambrose quase desde a infância. Eles tinham sido companheiros na escola e na faculdade; além disso, circunstâncias peculiares que aconteceram na juventude deles, [51]vincularam-nos juntos em laços indissolúveis. O que foram essas circunstâncias, contudo, ninguém sabia exatamente, exceto as partes interessadas, e eles sempre evitavam aludir a elas. Tudo que geralmente era entendido sobre o assunto sendo que Sir Ambrose tinha, de alguma maneira, sido instrumental para salvar a vida do duque; mas como, quando, ou onde, nunca foi claramente explicado.

O Duque de Cornwall era da família real da Inglaterra e intimamente aliado ao trono. O pai dele fora irmão daquele príncipe quem recusara tão firmemente a coroa quando ela foi oferecida a ele pelos embaixadores do povo; e como aquele príncipe não deixara descendentes masculinos, o duque poderia ser considerado como legitimamente intitulado para reinar. O pensamento de perturbar, através de suas reivindicações, a dinastia feminina agora estabelecida, contudo, nunca entrara em sua mente, pois, tendo tomado em sua cabeça que ele casaria sua filha Elvira com Edmund Montagu, e sua sobrinha Rosabella com Edric, ele voltava todos os seus pensamentos, [52]planos e desejos para a realização desse objetivo, e não tolerava nenhuma outra ideia interferir com isso.

Como a maioria das pessoas vivendo em afastamento completo, o duque era excessivamente inclinado a mistérios insignificantes e artifícios desnecessários, e ele desperdiçava tanto ingenuidade quanto artifícios sobre esse esquema, que podiam, se diferentemente aplicados, ter sido suficiente para perturbar o reino. Era verdadeiro, o interesse do enredo foi arruinado, de alguma maneira, pelo medo de que, no instante que ele tornasse suas intenções conhecidas, todos ficariam encantados em concordar com elas: ainda assim, enquanto isso foi mantido secreto, era um enredo, e como foi o melhor que o duque pôde reunir, ele resolver tentar fazer o máximo com ele.

Para esse propósito ele fez do Padre Morris o seu confidente, e mantinha longas conferências privadas com ele sobre o assunto. Agora o duque estava completamente feliz: ele não tinha somente alguma coisa para planejar, e alguma coisa sobre o quê pensar, mas ele também tinha alguém a quem se opor, pois a opinião do Padre Morris quanto às disposições dos jovens, era diametralmente oposta [53]a sua própria; ele considerando a mente forte e o espírito altivo de Rosabella mais adequado ao ambicioso Edmundo, enquanto que a disposição suave e dócil e as graças de Elvira pareciam harmonizarem-se exatamente com o gosto do filosófico Edric. Contudo, nenhuma persuasão podia induzir o duque a desviar-se no menor grau de seu desígnio. Como muitos das classes mais elevadas da sociedade naqueles dias de educação universal, ele assumia uma excessiva naturalidade e simplicidade em sua linguagem; a tal ponto que, de fato, como algumas vezes quase a degenerar em rudeza, para que ela pudesse ser claramente distinguida das expressões elaboradas e científicas do vulgo; e quando estimulado por seu confessor sob o assunto desses casamentos desejados, ele diria asperamente, “Não fale comigo; não há nada como um pouco de contradição na vida de casado. Se duas pessoas fossem concordar em viverem juntas, quem sempre fossem da mesma opinião, elas morreriam de tédio em seis meses. Não, não, eu estou certo, e assim eles descobrirão no final.”

Então ele sacudiria sua cabeça, e [54]assumiria uma tal aparência de determinação positiva, que o Padre Francis geralmente se retiraria em silêncio, sentido perfeitamente em vão tentar alterar sua resolução. Quanto a consultar as inclinações dos jovens mesmos, a ideia nunca entrou em sua imaginação. “Os filhos não conhecem o que é bom para elas,” ele responderia rispidamente se um pensamento semelhante fosse sugerido a ele, “e é o dever dos pais e guardiões decidirem em semelhantes assuntos.”

O duque já se levantara, e estava em seu jardim, quando o mensageiro de Sir Ambrose chegou ofegando por fôlego, e bastante exausto pela velocidade, como ele a expressava, a qual ele empregara na tentativa de executar, com diligência máxima, os desejos de seu mestre. O duque ficou supresso de o ver – “O que traz você para fora tão cedo, Abelard?” Ele perguntou.

Oh, vossa graça,” respondeu o mordomo, suspirando pela expressão, a pressa que eu produzi impediu minha respiração; e o sangue, encontrando a artéria pulmonar livre, lançou-se com tanta força ao longo do canal da artéria para a aorta que [55]– que – eu estou em perigo iminente de ser sufocado.

Bah!” disse o duque.

Além disso,” continuou Abelard, “uma secreção salina a partir de cada poro de minha pele, em uma transudação serosa, a partir dos esforços excessivos que eu fiz.

E o que ocasionou esses esforços violentos?”

O desejo diligente experienciado por Sir Ambrose de transmitir, com toda a diligência possível, a vossa graça, a conhecimento que ele há pouco recebeu da aquisição de uma vitória pelo Mestre Edmund, no território hostil da Alemanha.

Vitória!” gritou o duque, “Vitória! - Rosabella! Elvira! Onde estão vocês, garotas? Aqui estão as notícias para despertar vocês de seus sonos. - E como ele está, Abelard? Está o corajoso rapaz mesmo seguro? Deus o abençoe! A vitória não será nada para nós, se nós devemos perdê-lo.”

Isso me ocasiona desgosto excessivo,” respondeu Abelardo, “que eu sou totalmente incapaz de resolver esse interrogatório para a completa satisfação de vossa [56]graça. Contudo, taciturnamente sobre alguns assuntos, eu acredito, geralmente é considerado sinônimo de prosperidade; e, como o Mestre Edmund, para o melhor de minha crença, não transmitiu nenhuma informação relativa a sua sanidade na comunicação feita por ele a seu ancestral parteno, eu humildemente opino que não há fundamentos razoáveis para a suposição de que ele sofreu qualquer deterioração material em consequência do último encontro sanguinário no qual ele esteve engajado.”

O duque não teve paciência para esperar pela conclusão do discurso dele; apenas mancou para longe tão rapidamente quanto enfermidades permitiriam, berrando por Elvira e Rosabella, em uma voz que podeira ter silenciado Estentor; e Abelardo, descobrindo-se sozinho, ficou inclinado a seguir seu exemplo, ponderando como ele acompanharia, diante da impaciência excessiva dos espíritos ardentes da idade, os quais não permitiam às pessoas permanecerem parada, mesmo para ouvir o que ele chamava de uma resposta resumida às questões que elas mesmas propuseram.

Quaisquer que sejam as faltas que possam cair no quinhão do [57]Duque de Cornwall, aquela de um coração gélido não estava em meio ao número, e o deleite que ele sentiu ao ouvir do triunfo de Edmund não podia ter sido maior se o jovem herói tivesse sido seu próprio filho. De fato, os olhos dele absolutamente brilharam com arrebatamento, quando ele comunicou o conhecimento para sua sobrinha e filha; e as notícias dele não foram concedidas a ouvidos insensíveis, pois os seios de ambas as ouvintes palpitaram com o prazer diante das notícias. Elvira fora o ídolo da reverência de Edmund desde a infância; ela imaginava retornar a paixão dele com fervor igual; mas ela enganava-se, e o amor era ainda como um estranho para o coração dela. Dotada de grande beleza e talentos superiores; acostumada desde a infância a ser adorada por todos em volta dela; cercada por aduladores, até que mesmo a bajulação perdeu seu charme, Elvira mesma nunca amara; porque ela nunca amou, nós deixamos aos filósofos para explicarem; nós meramente declaramos os fatos e deixamos para outros extraírem conclusões.

O temperamento de Rosabella era muito mais fácil de decifrar do que aquele do primo dela. A paixão era [58]a essência da existência dela; e seus olhos negros cintilavam um fogo que evidenciava a intensidade dos sentimentos dela. Ela amava Edmund, mas, embora ela o amasse com todo essa violência esmagadora, a qual apenas uma alma como a dela pode sentir, contudo, ela não teria hesitado em sacrificar mesmo ele à vingança dela, se ela tivesse pensado que ele a tratara com negligência ou desdém. Ela desprezava a opinião do mundo, e considerava o gênero humano no geral apenas como escravos, a quem ela deveria honrar ao pisar sob os pés dela. A ambição era sua paixão principal, e mesmo o amor dela por Edmund esforçava-se em vão por controle contra ela. Esse sentimento era agora altamente gratificado pelas notícias da vitória de Edmund. Ela triunfava na glória dele; e uma paixão mais profunda queimava sobre a bochecha dela, a partir da consciência orgulhosa de que ela não tinha colocada as afeições dela sobre um objeto indigno.

Nós não temos tempo a perder, garotas,” disse o duque.Eu não gostaria de deixar de estar com Sir Ambrose quando ele receber a carta dele, por reinos. Aqui, Hyppolite! Augustus! Aprontem um balão, saímos diretamente. Quão tediosos [59]são esses rapazes! Eles podiam ter removido um campanário de igreja no tempo que eles desperdiçaram em volta daquele balão.

Se vossa graça tiver um momento de paciência,” disse Hyppolite, segurando as cordas do balão. Mas sua Graça não teve paciência; era um ingrediente que a Natureza muito esquecera de colocar em sua composição; e, sem esperar que a escada ascendente fosse baixada, ele saltou para dentro do carro em uma tal pressa no momento que o balão foi trazido à porta, que ele ficou no perigo iminente de o sobrecarregar. “Assim! Assim,” disse ele “muito bem, isso servirá, - e agora, garotas, que vocês estão seguramente embarcadas, nós sairemos. Hyppolite! Você conduzir-nos-á: - e, Abelard, entre você na copa e deixe meus rapazes darem a você alguma coisa para comer; você desejará algo depois de suas fadigas. Assim! Assim, servirá; não nos embaracemos por nenhum momento -;e o resto de sua fala foi perdido no ar, conforme o balão flutuava majestaticamente para longe.

Isso sempre pareceu muito surpreendente para mim,” disse Abelard, após observar o balão [60]até que ele ficou fora de vista, “observar quão parciais grandes pessoas geralmente são no modo aéreo de viagem; de minha parte, eu considero a maneira pedestre infinitamente mais agradável.”

De gustibus non est disputandum,” respondeu Augustus, o criado do duque, a quem essa observação estava endereçada: “Mas eu acho que eu vejo alguns sintomas de lassitude à sua volta, Sr. Abelard. Não quer ir ao aposento da Sra. Russel, nossa governanta para reparar, através de algum refresco alimentar, a excessiva exaustão que você suportou no curso de seus esforços matutinos?”

De bom grado, Sr. Augustus. - eu reconheço candidamente, eu sinto a carência de uma pequena nutrição saudável. Além disso, eu deverei ficar extremamente feliz de aproveitar da oportunidade que a fortuna tão benignamente apresenta de prestar meus respeitos à Sra. Russel, a quem eu não vi nesses três dias.

A valorosa governanta igualmente se regozijou com Abelard diante dessa instância de boa fortuna; um tipo de flerte sentimental tendo estado continuando entre eles pelos últimos [61]trinta anos. Ela adequadamente acariciou seu avental branco de neve, reajustou sua touca, e alisou seus cabelos grisalhos, os quais estavam divididos sobre sua testa, com a exatidão mais escrupulosa, antes que ela avançasse para receber os visitantes. “Do que precisará, meu querido Sr. Abelard?” ela disse, tão logo ela estava dentro do alcance da audição; “o que você pode imaginar? Eu tenho um canto delicioso de um pastel frio de veado em minha despensa.”

Palavras são completamente fracas demais para expressarem os êxtases de minha gratitude ao receber um tão gracioso elogio, bela Eloisa,” respondeu o mordomo romântico; pois assim, em alusão ao próprio nome dela, era como ele costumava a chamar. “Mas, embora você tenha apenas os rigores do Paráclito aos quais me convidar, em vez dos confortos de uma despensa bem farta, ainda palavras seriam defeituosas para expressar os sentimentos de meu seio em ver você novamente.”

Poupe meus rubores!” disse a Sra. Russel, lançando os olhos para o chão e brincando com o canto de suas vestes oficiais. “Eu sinto uma sufusão rosácea brilhar sobre minhas bochechas, conforme suas [62]expressões lisonjeiras atingem o tímpano de meus órgãos auriculares.

Oh, Sra. Russel!” suspirou Abelard, encarando-a gentilmente; então, após uma breve pausa, ele continuou: “Quanto aos alimentos com os quais sua gentileza providente aliviaria meu apetite – embora carne de veado seja uma comida saudável, e foi reconhecida pelos antigos como eficaz na prevenção de febres, e embora a menção mesma de pasta salgada faça os eryptae, usualmente empregados na secreção de mucos da minha língua, erguerem-se, portanto ocasionado um transbordamento de saliva, ainda assim eu me negarei a indulgência, e contentar-me-ei simplesmente com um ovo cozido, com sendo mais provável de concordar com o presente estado enfraquecido dos órgãos digestivos de meu estômago.”

Você deverá tê-lo imediatamente,” exclamou a Sr. Russel.

E você terá a gentileza para superintender o arranjo culinário de si mesma?” respondeu Abelard. “Eu não gosto da clara do ovo coagulada demais; e eu prefiro-o [63]sem nenhum óleo butiráceo, simplesmente saborizado por uma pequena quantidade de comum muriato de soda.”

O ovo logo foi preparado e devorado. “Obrigado, obrigado! Querida Sra. Russel,” disse Abelard; “essa refeição leve foi a mais satisfatória. Eu sentira por algum tempo o suco gástrico corroendo as peles de meu estômago; e ainda, embora eu tenha dado a ele alguma substância sólida sobre a qual agir, eu penso que não seria impróprio diluir sua virulência através da adição de um pequeno fluído. Você tem alguma coisa fria e refrescante?”

Eu tenho um pouco de cerveja engarrafada,” respondeu a Sra. Russel; “mas eu tenho medo de que o ácido carbônico não esteja suficientemente desocupado durante o processo da fermentação vínica para o tornar saudável; e escassamente há qualquer álcool na composição inteira -”

Isso é exatamente o que eu desejo,” disse Abelard; “pois meus médicos expressamente proibiram estimulantes. Na condição de que o glúten que forma a gema estivesse propriamente separado na [64]preparação do malte, e a semente suficientemente germinada para converter a fécula em açúcar, eu deverei ficar perfeitamente satisfeito.”

Eu posso garantir o cuidado de sua preparação tanto com respeito ao malte quanto à cerveja,” repetiu a Sra. Russel; e o fluído espumante cintilou dentro de um cálice, para a satisfação infinita do mordomo sedento, quem, após um gole saudável, jurou que o néctar mesmo nunca foi metade tão delicioso; e que todos os deuses do Olimpo invejar-lhe-iam, se apenas eles pudessem provar a comida dele, e ver a Hebe florescente que era sua copeira.


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ORIGINAL:
LONDON, J.C. The Mummy! A Tale of the Twenty-Second Century. London: Henry Colburn,

New Burlington Street, 1828. p.45-64.

Disponível em:<https://archive.org/details/mummyataletwent02jangoog/page/n59/mode/1up>


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EderNB do Blog Eidonet

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A Água das Ilhas Maravilhosas - A Quarta Parte: Dos Dias de Permanência - Capítulo XIV O Cavaleiro Negro conta a Verdade sobre Si mesmo

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[245]Quando a manhã descera na estreiteza da estrada secreta deles, Birdalone abriu os olhos e viu o Cavaleiro Negro ocupado com a preparação dos cavalos deles. Então ela se levantou, empurrou seu pesar para trás de seu coração, e deu ao seu companheiro de viagem a saudação do dia. Ele trouxe mantimentos para ela, eles comeram um bocado e, depois disso, montaram a cavalo e partiram. O caminho tornou-se mais suave, e ficou mais claro acima da cabeça em toda parte agora, e nunca mais as rochas ficaram acima da cabeça atravessadas daquela maneira; e pareceu a Birdalone que agora eles estavam dirigindo-se mais ou menos para baixo.

O cavaleiro foi cortês com Birdalone e não mais, pelo presente, empurrou o amor dele sobre ela, de modo que ela teve algum conforto em sua companhia, embora ele fosse apenas de poucas palavras para ela.

Era cedo quando eles se levantaram e cavalgaram durante toda a manhã até que fosse meio-dia, do que eles bem podiam ter conhecimento, porque o caminho era muito mais amplo, e os paredões da passagem, muito mais baixos, de maneira que o sol brilhava sobre eles e alegrava-os.

Agora o Cavaleiro Negro puxou as rédeas e disse: ‘Lady, devemos descansar e comer? E depois disso, se tu desejares, eu deverei contar-te meu conto. Ou antes, se tu me permitires, eu deverei falar primeiro e depois comer, ou senão o bocado pode enfiar-se em minha garganta.’ ‘Cavaleiro,’ disse Birdalone, sorrindo, ‘eu espero que tu não tenhas mentiras para engolir antes da comida.’ ‘Não, lady,’ disse ele; ‘nenhuma mentira que é do momento, pelo menos.’

[246]Assim eles desmontaram, e Birdalone sentou-se à beira da estrada, sob um arbusto de bétula que se empurrava para fora de uma rocha, e o cavaleiro permaneceu diante dela, balançando a cabeça, como se ele fosse um acusado que pleitearia sua causa; e ele começou:

Lady, eu devo contar-te, em primeiro lugar, que hoje eu fiz como um servo infiel e um traidor de meu senhor.’ Disse Birdalone, simplesmente: ‘Deveria eu contar-te a verdade e dizer que, desde a primeira vez, eu parecia ver em ti que escassamente tu és de confiança?’ Ele disse: ‘Bem, essa intenção eu vejo em ti, e vai a meu coração que tu devas o pensar, e que isso não deva ser menos do que verdadeiro. Mas agora eu devo te contar que foi por tua causa que eu fui desleal com meu senhor.’ ‘Como assim?’ disse ela. Respondeu ele: ‘Tu nunca ouviste falar do Cavaleiro Vermelho?’ ‘Sim,’ disse Birdalone, ‘eu sempre ouvi falar dele como um tirano e opressor.’ Então, ela empalideceu e disse: ‘Tu és ele?’ ‘Não,’ disse o cavaleiro, ‘eu sou apenas um parente dele e homem mais confiável dele; nem nunca eu falhei com ele, até ontem.’

Ele manteve silêncio por um tempo e então disse: ‘Este é o conto verdadeiro: que nós recebemos notícias sobre ti e sobre suas cavalgadas fora de casa com aquele velho tolo, Sir Aymeris, e que tu vieste duas vezes observar o Vale Negro. Isso eu digo que o Vermelho ouviu, o coração dele foi tocado pelo mero rumor de ti; e além disso, é pão abençoado para ele causar qualquer pesar para os cavaleiros do Castelo da Busca; portanto, ele enviou-me para esperar no vale, para colocar minhas mãos em ti, se eu pudesse; pois ele sabia, sendo sábio, que tu ansiaria por isso; e, além disso, [247]ele deixaria uma de suas mulheres sábias inclinarem-se em feitiços sobre ti. Então eu espiei e topei contigo completamente sozinha; e minha missão era esta, uma vez que eu te surpreendesse, atrair-te até que eu te tivesse segura em casa, na Fortaleza Vermelha. Verdadeiramente, eu comecei minha missão devidamente, e imediatamente comecei a enganar-te, de maneira que tu bem podes ter visto o traidor em mim. Mas então, e então meu coração falhou-me, porque eu comecei, não a te desejar como desejo por uma escrava de meu mestre, mas a amar-te e ansiar por ti como minha companheira e amiga de fala. E eu disse a mim mesmo: “Para dentro da Fortaleza Vermelha ela não deverá ir, se eu puder impedir.”’

Birdalone ficou muito pálida, mas ela reprimiu-se de pesar e medo, e disse: ‘Mas aqueles homens a cavalo e armados no vale, quem eram eles?’ Ele disse: ‘Agora eu não mentirei, nem mesmo um pouco; eles entraram no vale através da passagem superior da qual eu te contei; eles eram de nossos homens; eu trouxe-os. Eu nunca estive sozinho no vale, em absoluto; eu devia buscar-te para eles, de maneira que tu não visses uma grande recepção e fugisse; e então todos nós teríamos ido juntos para casa através da passagem superior. Mas nós dois deveríamos ter ido até eles no cume do vale, visto que, por tudo que eu pude dizer, eu não pude lhes trazer para aquele círculo-de-julgamento abaixo onde nós comemos e conversamos ontem. Nós dois temos sido mais valentes do que tu podes ter considerado, ter realizado o feito de ter comido ali; pois todos homens temem-no. Mas quanto a mim, eu estive lá mais do que duas ou três vezes, e, a partir de lá, eu perambulava, e encontrei a passagem na qual nós agora estamos; relativa à qual eu segurei minha língua, considerando que, um dia, ela poderia servir à [248]minha mudança de curso; como abundantemente ela tem feito agora, uma vez que ela tem sido um refúgio para ti.’

Sim, mas para onde nós estamos indo agora?’ disse Birdalone; ‘por acaso, é para a Fortaleza Vermelha?’ ‘Não, nunca,’ disse o cavaleiro, ‘assim, ajudem-me, Deus e todos os santos!’

Para onde, então?’ disse Birdalone; ‘conta-me, para que eu possa pelo menos confiar em ti, apesar de eu dever-te por toda a dor e pesar que tu preparaste para mim.’ Ele ruborizou e disse: ‘Espera um pouco; eu não te conduzo para nenhum lugar maligno, lá nenhum mal deverá te ocorrer.’ E ele afligiu-se e exasperou-se, e ficou confuso de discurso e aparência, em seguida, ele disse: ‘Quando nós chegarmos lá, eu talvez deverei almejar um benefício de ti.’

Oh, mas eu desejo um favor de ti, aqui e agora,’ disse Birdalone. ‘Apaga tua ofensa a mim, e leva-me de volta para meus amigo e para o Castelo da Busca! Dessa foram, tu ainda podes ser querido por mim, embora não completamente como tu desejarias ter sido.’ E ela estendeu as duas mãos na direção dele.

O peito dele elevou-se, e ele parecia perto de chorar; mas ele disse: ‘Não, lady, não me peças aqui e agora, mas lá e amanhã. Mas, novamente, eu juro-te por tuas mãos que para a Fortaleza Vermelha eu não te levarei, nem te permitirei ser levada, se eu puder impedir isso; ou melhor, nem ainda eu dê minha vida por isso.’

Birdalone ficou em silêncio por um tempo; em seguida, ela disse: ‘E o que deve me acontecer, se eu chegar à Fortaleza Vermelha? Quem é o Cavaleiro Vermelho, e o que ele desejaria fazer comigo?’ Disse ele: ‘O Cavaleiro Vermelho é terrível e feroz e sábio; eu temo-o, eu.’ Ele [249]acalmou-se e disse: ‘Eu devo dizer isto que, para ti, teria sido como Morte e o Diabo. Primeiro, ele teria deitado-se contigo.’ Ela interrompeu: ‘Não, nunca!’ e ruborizou intensamente. Mas o cavaleiro prosseguiu: ‘E depois, eu não tenho conhecimento; que fosse de acordo com o humor dele. E quanto ao teu nunca, lady, tu não tens conhecimento de semelhante a ele ou a gente que ele tem em volta dele.’ ‘Tal como tu?’ Ela disse com raiva. ‘Não,’ ele disse, ‘muito piores do que eu; homens que pouco viajam fora de casa; e não estão adoçados pelas aventuras e perigos de guerra; e as mulheres, ainda piores; e muito piores elas são quando lidando com uma mulher.’ Ela ficou em silêncio por um momento, e empalideceu uma vez mais, e ela estendeu a mão para ele e disse gentilmente: ‘Tu sendo quem és, eu agradeço-te por tuas condutas comigo; e agora até amanhã, quando eu deverei perguntar-te sobre isso novamente, eu sou amiga de ti; assim, agora vem, e comamos e bebamos juntos.’

Ele tomou a mão dela e beijou-a, e então veio e se sentou mansamente ao lado dela, e eles comeram e beberam naquele lugar selvagem como se eles tivessem sido amigos de longa familiaridade.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 245-249. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/245/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

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A Água das Ilhas Maravilhosas - A Quarta Parte: Dos Dias de Permanência - Capítulo XIII Agora Eles descansam na Passagem do Estreito durante Noite

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[243]Finalmente, quando eles tinham avançado por um longo tempo, poderiam ser umas seis horas, e há muito tinha sido noite do lado de fora, apenas iluminados pela lua, e eles descansaram apenas raramente. Nessa altura, apenas por curtos intervalos, o cavaleiro puxava as rédeas, falava com Birdalone e perguntava se ela não estava cansada. ‘Oh, sim;’ disse ela; ‘eu estava a ponto de te suplicar para me permitir descer e deitar-me sobre a rocha nua. Para falar verdadeiramente, agora eu estou cansada demais para pensar em qualquer perigo, ou em quem tu és, ou para onde nós estamos indo.’ Ele disse: ‘Por minha estimativa, agora nós estamos a meio caminho através desta estrada montanhosa, e talvez haja pouco perigo em nosso descanso; pois eu não penso que nenhum deles tenha conhecimento desta passagem, ou atrever-se-ia, se ele tivesse; e sem dúvida, ele chegaram ao vale pela passagem superior, a qual é suficientemente estreita, mas iluminada e aberta.’

Enquanto ele falava, Birdalone curvava-se para frente sobre o pescoço do cavalo dela e teria caído, mas nisso ele suportou-a. Então ele retirou-a do cavalo dela, e deitou-a no lugar mais conveniente que ele pôde encontrar; e a passagem ali era muito alargada, e tal luz semelhante à que havia no mundo de cima descia livremente para dentro dela, embora ela fosse apenas da lua e das estrelas; e o chão era antes arenoso que rochoso. Assim, ele arrumou a cama de Birdalone tão bem quanto ele pôde, e tirou seu sobretudo e colocou-o sobre ela; e, em seguida, permaneceu distante e olhou para ela; e ele murmurou: ‘É uma oportunidade maligna; ainda assim, o prazer disso, o [244]prazer disso!’ ‘Sim,’ disse ele novamente, ‘ela bem podia estar cansada; eu mesmo estou prestes a cair, e eu não sou o menos forte do bando.’ E com isso, ele deitou-se no outro lado da passagem e adormeceu imediatamente.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 243-244. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/243/mode/1up


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EderNB do Blog Eidonet

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A Água das Ilhas Maravilhosas - A Quarta Parte: Dos Dias de Permanência - Capítulo XII Como Aqueles Dois saem do Vale Negro das Greywethers

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[235]Quando eles tinham jantado, e sentado-se por um tempo conversando, o cavaleiro disse: ‘Eu te perguntarei uma vez mais, por que tu precisas partir deste vale deixando as Greywethers desacordadas? Contudo, isto eu devo te contar primeiro, que este anel ao final do vale é o único lugar apropriado onde as Greywethers podem ser corretamente despertadas, e que há poucos que têm conhecimento disso. Então, tu não me contarás o que está em tua mente?’

Birdalone olhou fixamente para a terra abaixo por um tempo; em seguida, ela ergueu a cabeça, olhou para o Cavaleiro Negro, e disse: ‘Senhor Cavaleiro, nós fomos trazidos tão perto hoje, e, como me parece, em estou completamente em teu poder, de modo que eu te contarei a verdade mesma como ela é. Minha intenção era despertar o vale esta noite, e receber o que pudesse me acontecer. E bem, de fato, eu podia temer a aventura, a qual poucos, parece-me, não temeriam. Mas tão forte é meu anseio por aquilo que eu imploraria a esses seres, que ele conquistou meu medo, e meu propósito continuava quando eu entrei no vale. Então eu encontrei-te; e aqui novamente está a verdade, recebe-a como tu desejares, que eu logo te temi, e eu ainda te temo; pois eu observei-te de perto durante todo esse tempo, e tenho visto de ti, que tu estás excessivamente atencioso de meu pobre corpo, e desejarias tê-lo para ti mesmo se tu pudesses. E também há isto em ti, como eu considero, embora [236]tu mesmo não o saibas, que tu terias teu prazer de mim, quer isso me agrade quer me aflija; e este teu prazer eu preciso negar; pois, embora tu possas, daqui em diante, tornaste-te meu amigo, ainda assim, há outros amigos meus, quem são tais que minha aflição estragaria qualquer prazer que eles pudessem ter. Tu ouviste e entendeste?

Ela olhou para o rosto dele firmemente enquanto ela falava, e viu que ele ruborizou, escureceu e franziu as sobrancelhas, e que as mãos dele cerraram-se, e seus dentes cerraram-se duramente. E novamente ela falou: ‘Senhor, tu deves saber que, além dessas armas de tiro, eu tenho uma coisa aqui em meu cinto que pode servir ou contra ti ou conta mim, se a necessidade conduzir-me a isso; portanto, eu te suplicarei para se abster. Verdadeiramente, tu logo deves deparar-se com outra mulher, quem deverá ser melhor para ti do que eu posso ser.’

Por então, Birdalone falara a palavra, e o rosto do cavaleiro clareou, e ele riu alto e disse: Quanto a tuas palavras, ali finalmente tu estás, my lady. Mas quanto ao resto, eu vejo que eu devo ser completamente como tu desejares. Ou melhor, se tal for tua vontade, nós logo devemos montar a cavalo e cavalgar vale abaixo novamente e, ao fim dele, eu deverei deixar-te ir para casa sozinha conforme tua vontade. Ela disse: ‘Por isso eu posso agradecer-te com todo o meu coração. Mas por que tu não me perguntaste de onde eu sou, e para onde eu iria para casa?’

Novamente ele riu e disse: Porque eu já sei. Eu tenho recebido mais do que dois ou três contos daqueles quem te viram, ou falaram para outros quem te viram, como os alegres Campeões [237]do Castelo da Busca pescaram uma pérola maravilhosa de valia a partir da Grande Água; e quando eu coloquei olhos em tua beleza, eu sabia que a dita pérola não podia estar em nenhum outro lugar do que sob meus olhos.

Deixe isso passar,ela disse, e não ruborizou; mas agora me conta a verdade como eu te contei, por que tu estás tão urgente comigo para despertar as Greywethers hoje à noite?Ele manteve silêncio por um tempo, e, enquanto ela olhava para ele, ela pensou que viu confusão no rosto dele; mas finalmente ele disse: ‘Tu estás errada em dizer que eu não presto atenção a teu prazer, e conforto e bem-estar. Pareceu-me, e ainda parece, que poderia ser de teu benefício despertar as Greywethers hoje à noite; e nunca novamente tu podes ter uma chance do despertar, como eu outrora disse. Eu digo que desejo que tu tenhas a realização de teu desejo. Nem tu tens nada a temer delas, visto que são apenas covardes e tolos que elas destroem.

Ele interrompeu abruptamente sua fala, e Birdalone, ainda assim, olhou para ele e, após um tempo, ele disse: Tu extraíste a verdade de mim; pois, além disso, eu te teria comigo por mais tempo do que tu desejarias estar se nós apenas cavalgássemos juntos, descendo a água e para fora do vale, e tu viajas sozinha para longe.

Com um tempo, Birdalone falou, e isso enquanto ele a encarava ansiosamente; ela disse: Agora eu deverei te contar que eu deverei aguardar a aventura do despertar hoje à noite, seja o que for que possa acontecer.’ ‘E eu,disse ele, ‘farei assim para que tu possas me temer menos; pois eu me desarmarei quando a noite começar, e tu mesma deves guardar minha cota de malha e espada e adaga.’ [238]Ela disse: ‘Está bem; eu aceitarei isso, para que o desejo não te vença.’

Eles não falaram mais sobre isso naquela ocasião, e agora eram cinco horas depois do meio-dia. Birdalone levantou-se, pois ela achava de difícil sentar-se parada e aguardar o anoitecer: ela foi para fora dos dois primeiros anéis das Greywethers, os quais estavam colocados em ordem mais aberta além dali, e ela olhou tudo em torno dela, para as rochas negras de cada lado, para a grande muralha negra no fim do vale e para as montanhas distantes além dele; em seguida, para baixo, na direção da planície do vale, vieram os olhos dela, e ela olhou através do emaranhado de pedras cinzas. Agora ela parecia olhar mais intencionalmente para uma coisa; com isso ela chamou para si o Cavaleiro Negro, quem estava esperando e observando-a, e ela disse para ele: ‘Bom senhor, és tu de vista clara e longa?’ ‘Eu não me considero ser de vista curta e limitada,’ respondeu ele. Então Birdalone estendeu a mão e o pulso para ele, apontou e disse: ‘Tu podes ver algo que tu não procuras ver, acima do vale, enquanto eu aponto?’ Disse ele: ‘Tudo muito claro, eu vejo a mão e o punho de ti, e isso me cega para qualquer outra coisa.’ ‘Eu suplico-te, brincadeira não,’ disse ela, ‘mas olha atentamente, tu podes ver o que eu vejo, e então, conta-me o que isso significa. Embora, verdadeiramente, eu seja prodigiosa em visão distante.’

Ele olhou sob o pequeno ângulo de sua mão atentamente e, em seguida, virou-se para ela e disse: Por todos os santos! Há em ti toda excelência! Tu estás certa; eu vejo um cavalo baio lá em cima se alimentado de mordidas de grama em meio às Greywethers.’ ‘Olha novamente!disse ela; ‘o que mais tu vês? Há [239]alguma coisa perto do cavalo baio que é semelhante ao brilho e resplendor de Metal.’ ‘Cristo!’ disse ele, ‘uma vez mais tu estás certas. Há homens armados no vale. Não se demores, eu suplico-te, apenas vai para o cavalo diretamente, e eu farei o mesmo.’

Lá se vai o despertar do vale por esta vez,disse Birdalone, rindo.Mas tu não estás com pressa, bom senhor? Não podem ser teus amigos?

O cavaleiro colocou sua mão no ombro dela, empurrou-a na direção do palafrém dela, e falou ferozmente, mas não em voz alta: A ti eu suplico para não brincar agora! Não há um minuto a poupar. Se tu me julgas maligno, como eu penso que tu julgas, há piores do que eu, eu digo-te, há piores. Mas nós falaremos disso quando nós estivermos na sela, e livres desta terra amaldiçoada.

Birdalone não soube o que fazer senão o obedecer, assim ela ligeiramente montou em sua sela e seguiu-lhe, pois ele estava montado em uma piscadela, e cavalgando. Ele conduziu para fora do anel e, imediatamente, começou a esmagar com os pés o labirinto das Greywethers, mantendo-se sempre na direção do lado íngreme do vale, o qual ficava àquela mão que olhava na direção do Castelo da Busca, quer dizer, na curva oriental. Birdalone ponderou sobre essa condução e, quanto ela alcançou o cavaleiro, ela falou para ele em fôlego, e disse: ‘Mas, bom senhor, por que nós não descemos o vale?’ Ele respondeu: ‘Primeiro, lady, porque nós devemos nos esconder deles imediatamente; e em seguida, porque eles são mais do que nós, muito mais, e os cavalos deles estão descansados, enquanto o teu, pelo menos, está um pouco extenuado; e se eles fossem cavalgar velozmente o vale abaixo em perseguição, eles logo [240]estariam sobre nós; pois não penses que eu escaparia e deixar-te-ia para trás.

Disse Birdalone: Mas então, tu conhece-os? Uma vez que tu tens conhecimento dos números e da montaria deles? Escuta com atenção, agora! Sobre tua alma e tua salvação, são eles mais amigos para ti do que para mim?

Ele disse, enquanto ele cavalgava um pouco mais lentamente do que outrora: ‘Sobre minha alma e minha salvação, eu juro que os homens acolá são dos piores inimigos para ti que podem existir no mundo. E agora, lady, eu prometo-te que eu desvendarei o enigma para ti, e contar-te-ei a inteira verdade desses acasos, seja o que for que possa vir de minhas palavras, quando nós estivermos em um lugar mais seguro do que este; e, entrementes, eu suplico-te para confiar em mim até então, como para acreditar que eu estou te conduzindo para fora do pior perigo mesmo que poderia te acontece. Ou melhor, tu precisas confiar em mim; pois eu conto-te que, embora eu agora te ame melhor que todo o mundo e tudo que há nele, eu te matarei aqui neste vale antes de te permitir cair nas mãos desses homens.

Birdalone ouviu-o com um coração doente; mas tal paixão ia com as palavras deles que ela acreditou no que ele disse; e ela falou suavemente: ‘Senhor, eu confiarei em ti até então; mas eu suplico-te para ter pena de uma pobre donzela quem teve muito pouca piedade mostrada a ela até os últimos dias; e então: Oh minha dor, ter caído fora da gentileza e do amor uma vez mais!’

Em pouco tempo, o Cavaleiro Negro falou para ela e disse: Que piedade eu puder para ti, eu terei. [241]Uma vez mais eu te conto, que, se tu apenas soubesses, tu agradecer-me-ias pelo que eu fiz por ti nesta hora; e doravante eu farei e tolerar-te-ei ao máximo que o amor me tolerará. Mas, oh tu! Aqui nós estamos salvos por este presente; mas de jeito nenhum nós devemos demorar.

Birdalone olhou e viu que eles chegaram à muralha do vale, e que ali ela descia perpendicularmente para a planície do mesmo, e que, diante deles, havia uma fenda que se estreitava prontamente, e sobre a qual as rochas quase se encontravam, de maneira que ela era quase uma caverna. Eles cavalgaram para dentro dela imediatamente, e, quando tinham se ido por apenas um pouco, e porque ventara um pouco, eles apenas conseguiam ver o vale principal como uma estrela de luz atrás deles, então ele não mais se estreitava, mas era como uma rua sombria das mais rigorosas, às vezes mais clara, às vezes mais escura, de acordo com que as rochas que o cobriam como um teto sobre as cabeças ou se afastavam dele. Longamente eles cavalgaram, e às vezes chegavam a riachos de água a partir das rochas de um lado ou de outro; e agora e novamente eles encontravam um riacho que cobria todo o terreno da passagem de lado a lado, pela profundidade de um pé ou mais. Grandes rochas também estavam espalhadas através do caminho deles a cada aqui e ali, de maneira que, às vezes, eles precisavam desmontar e labutar a pé através de pedras acidentadas; e, na maioria dos lugares, o caminho era penoso e difícil. O cavaleiro falou pouco com Birdalone, salvo para contar a ela sobre o caminho, e avisá-la de onde ele era perigoso; e ela, pela parte dela, estava silenciosa, parcialmente por medo do homem estranho, ou, podia ser, até por ódio dele, quem dessa maneira a trouxera a um semelhante problema doloroso, [242]e parcialmente por pesar. Pois, com todo o tormento da tristeza, ela continuava ponderando de novo e de novo em sua mente se seus amigos já chegaram em casa no Castelo da Busca, e se eles procurariam por ela para a libertar. E tal vergonha tomou conta dela, quando ela pensou em seu pesar e confusão de alma quando eles devesse chegar em casa e descobri-la ida, que ele colocou sua mente para perguntar se não teria sido melhor se ela nunca tivesse se encontrado com eles. Ainda assim, em boa calma a mente dela não daria forma ao pensamento, por mais que ela o suplicasse.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 235-242. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/235/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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