[190]Quando o sol nascera pela manhã, os três Campeões desceram ao lugar de desembarque, e não havia ninguém com eles; pois eles deram comando para que nenhum homem devesse bisbilhotar em suas ações. A eles naquele lugar, vem Birdalone, não mais vestida em seu traje jubiloso, mas em um casaco preto, liso, e com pés descalços; e ela não parecia mais triste do que ela estava.
Pelo conselho de Birdalone, os Campeões desceram com os mantimentos, armas e armaduras de que eles necessitavam para a viajem em suas próprias mãos; pois ela não sabia se o Bote de Expedição poderia levar a mal que qualquer um devesse tocá-lo senão os expedidores. E, quando eles terminaram descarregando perto da borda da água, Birdalone falou aos seus amigos, e novamente lhes ordenou ter cuidado dos ardis da Ilha do Nada; e novamente ela contou-lhes das imagens lamentáveis da Ilha dos Reis e da Ilha das Rainhas, e do povo estranho da Ilha do Jovem e do Velho. Então ela disse: ‘Agora, quando vós chegardes à Ilha do Aumento Inesperado, o que vós pensais em fazer?’ Disse o Cavaleiro Verde: ‘Se eu pudesse comandar, nós deveríamos ir imediatamente para a bruxa sentada no salão dela, como tu contaste-nos, minha querida, e então arrancar a cabeça dela.’ O olhos dele cintilaram, as sobrancelhas franziram-se, e tão feroz ele pareceu que Birdalone recuou dele; mas o Escudeiro Negro sorriu e disse: ‘Pode-se chegar ao arrancar de cabeça no fim; [191]todavia nós precisamos adaptar nossa talha, para que nos auxilie na libertação de nossas amigas; senão, pode a bruxa morrer e o segredo da casa de prisão morrer com ela. Que dizes tu, querida Birdalone?’
Ela ruborizou diante do carinho da voz dele e respondeu: ‘Por meu conselho, vós deveis procurar e encontrar vossas amigas de fala antes que vós fazerdes guerra aberta contra a bruxa; senão pode a malícia dela destruí-las antes que vós a destruais.’ A face dela ruborizou ainda mais enquanto ela falava novamente: ‘Mas, concernente a todas as coisas, eu considero que Atra pode dar-vos o melhor conselho, quando vós tiverdes encontrado os amores; pois que ela conhece mais da ilha e de suas artimanhas do que as outras.’
Respondeu Baudoin: ‘Aqui há sabedoria, doce donzela, por tão inocente quanto tu possas ser; e assim tão longe quanto nós podemos dever seguir teu conselho; mas tudo jaz no penetrar do tempo vindouro. E agora este momento é o momento de separação e de despedida.’
Então ele veio a Birdalone, levou suas duas mãos em volta da cabeça dela, ergueu a face dela para si, beijou-a gentilmente, como um pai beija uma filha, e disse: ‘Adeus, doce criança, atenta para a palavra que Arthur falou ontem e não caminhes a partir do castelo mesmo uma pequena distância, salvo com boa e certa companhia.’
Então veio Hugh a ela e tomou a mão dela um pouco timidamente; apenas ela levantou a face para ele, de uma maneira simples, beijou cada bochecha dela e não disse nada mais que: ‘Adeus, Birdalone!’
Por último veio Arthur e colocou-se de pé diante dela por um tempo. Em seguida ele ajoelhou-se sobre as pedras diante dela [192]e beijou os pés dela muitas vezes, e ela estremeceu e prendeu a respiração enquanto eles sentiam os beijos dele. Mas nem ele nem ela falaram uma palavra. Ele colocou-se de pé, imediatamente se afastou na direção do Bote de Expedição e foi o primeiro dos três a embarcar nele; e os outros o seguiram imediatamente.
Depois disso cada um dos Campeões despiu um braço, deixaram o sangue fluir dali para dentro de uma vasilha, vermelharam proa e popa de seu barco e, em seguida, todos os três falaram o feitiço juntos dessa maneira, como Birdalone ensinara-lhes:
‘O vermelho vinho de corvo agora
Tu bebeste, popa e proa;
Desperta então, desperta!
E que o caminho do norte toma:
O caminho de Quem se dirige adiante através da enchente,
Pois a vontade dos Expedidores está misturada com o sangue.’
Depois disso, tudo prosseguiu como antes; o Bote de Expedição mexeu-se sob eles, em seguida se virou, apontou seus remos na direção do norte e acelerou rapidamente através das águas. Era um belo dia de sol, sem nuvens, nada salvo a neblina do verão estendendo-se sobre o lago distante. Birdalone permaneceu observando o acelerar do bote, até que ela não pôde mais vê-lo, nem mesmo uma mancha sobre a face das águas. Então ela afastou-se e caminhou na direção de seus aposentos, dizendo para si mesma que a separação era mais fácil de suportar do que ela considerara que seria, e que ela tinha muitas coisas para fazer naquele dia. Mas, quando chegou aos seus aposentos, e fechou a porta, ela [193]olhou de um lado para o outro para as coisas que se tornaram tão familiares para ela nesses poucos últimos dias e permaneceu olhando a brilhante luz do sol que fluía através do piso e deitava-se quente sob os pés dela. Então ela deu três passos em direção à janela e viu o lago estendendo-se todo cintilante sob o sol, com isso o coração falhou-a, e ela não teve tanta força quanto a pensar sobre o sofrimento dela e em acariciá-lo, mas, imediatamente, caiu onde estava, desmaiando de emoção sobre o chão, e jazeu lá, enquanto a casa começou a agitar-se em torno dela.
Aqui termina a Terceira Parte de A Água das Ilhas Maravilhosas, a qual é chamada Do Castelo da Busca, e começa a Quarta Parte do dito conto, a qual é chamada Dos Dias de Permanência.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 190-193. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/190/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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