[53]Não foi por algum tempo, até que, por transes repetidos, se assim eles tem de ser chamados, minha mente tornou-se melhor preparada para trocar ideias com meus animadores e, mais completamente, compreender diferenças de maneiras e costumes; no início [tão] estranhos para minha experiência para serem apreendidos por minha razão, que eu tive de ser capacitado a reunir os detalhes seguintes, concernentes à origem e história desta população subterrânea, como parte de uma grande raça chamada Ana.
De acordo com as tradições mais primitivas, os progenitores distantes da raça uma vez ocuparam um mundo acima da superfície da qual os descendentes deles habitavam. Mitos daquele mundo ainda eram preservados nos arquivos deles, e nesses contos existiam lendas de uma cúpula abobadada na qual as lâmpadas eram acesas por mãos não humanas. Mas semelhantes [54]lendas eram consideradas pela maioria dos comentadores como fábulas alegóricas. De acordo com essas tradições a terra mesma, à data na qual as tradições ascenderam, não estava realmente em sua infância, mas nos sofrimentos e no trabalho de transição de uma forma de desenvolvimento para outra, e sujeita a muitas revoluções violentas da natureza. Através de uma de tais revoluções, aquela porção do mundo superior habitada pelos ancestrais desta raça fora submetida a inundações, não rápidas, mas graduais e incontroláveis, nas quais tudo, salvo um escasso remanescente, foi submerso e perecera. Quer este seja um registro de nosso Dilúvio sagrado e histórico, ou de algum mais primitivo disputado por geologistas, eu não finjo conjecturar; embora, de acordo com a cronologia deste povo como comparada com aquela de Newton, deve ter sido muitos milhares de anos antes do tempo de Noé. Por outro lado, o relato destes escritores não se harmoniza com as opiniões mais em voga entre as autoridades geológicas, na medida em que coloca a existência da raça humana sobre a terra em datas muito anteriores àquelas atribuídas à formação terrestre adaptada à [55]introdução de mamíferos. Um bando da raça malfadada, assim atacado pela Inundação, tomara refúgio, durante a marcha das águas, em cavernas no meio das rochas mais elevadas, e, vagando através desses vazios, eles perderam a visão do mundo superior para sempre. Verdadeiramente, a face inteira da terra mudara através desta grande reviravolta; terra transformara-se em mar – mar em terra. Mesmo agora, nas entranhas da terra interior, eu fui informado como um fato positivo, podem ser descobertos relíquias de habitação humana – habitação não em cabanas e cavernas, mas em vastas cidades cujas ruínas atestam a civilização de raças que floresceram antes da época de Noé, e [que] não podem ser classificadas com aqueles gêneros aos quais a filosofia atribui o uso do sílex e a ignorância do ferro.
Os fugitivos carregaram com eles o conhecimento das artes que ele praticaram acima do solo – arte da cultura e civilização. O primeiro desejo deles deve ter sido o de suprir abaixo da terra com a luz que eles perderam acima dela; e, em nenhum momento, mesmo no período tradicional, as raças, das quais aquela na qual eu resido temporariamente [56]formava uma tribo, parecem ter sido ignorantes da arte de extrair luz de gases, do manganês ou do petróleo. Eles foram acostumados em sua antiga situação a lutar contra as forças brutas da natureza; e realmente a batalha prolongada que eles travaram com o seu Oceano conquistador, o qual levara séculos em sua expansão, estimulara a habilidade deles em conter águas em represas e canais. Eles deveram a preservação deles nesta nova morada a esta habilidade. “Por muitas gerações,” disse meu anfitrião, com um tipo de desdém e horror, “é dito que aqueles antepassados primitivos teriam degradado sua classe e encurtado suas vidas ao comer a carne de animais, muitas variedades dos quais tinham, como eles mesmos, escapados do Dilúvio e buscado abrigo nos vazios da terra; outros animais, supostos desconhecidos do mundo superior, esses vazios mesmos produziram.”
Quando o que nós devemos chamar de era histórica emergiu do crepúsculo da tradição, os Ana já estavam estabelecidos em comunidades diferentes e atingiram um grau de civilização muito análogo àquele que as mais avançadas [57]nações da terra desfrutam agora. Eles estavam familiares com a maioria de nossas invenções mecânicas, incluindo a aplicação do vapor bem como o gás. As comunidades estavam em feroz competição uma com a outra. Elas tiveram seus ricos e seus pobres, tiveram oradores e conquistadores [e] fizeram guerra seja por um domínio ou uma ideia. Embora os vários estados reconhecessem várias formas de governo, instituições livres estavam começando a preponderar: assembleias populares aumentaram em poder; repúblicas logo se tornaram comuns; a democracia pela qual os mais iluminados políticos europeus esperavam ansiosamente como o objetivo extremo do avanço político, e que ainda prevalecia entre outras raças subterrâneas, a quem eles desprezavam como bárbaros, a mais sublime família de Ana, à qual pertencia a tribo que eu estava visitando, olhava para trás como um dos experimentos ignorantes e cruéis que pertencem à infância da ciência política. Era a época da inveja e do ódio, das paixões ferozes, das constantes mudanças sociais mais ou menos violentas, do conflito entre classes, da guerra entre estado e estado. Esta fase da sociedade durou, contudo, por alguns séculos, e foi [58]finalmente encerrada, ao menos entre as populações mais nobres e mais intelectuais, pela descoberta gradual dos poderes latentes armazenados no fluido que a tudo permeia que eles denominam de Vril.
De acordo com o relato que eu recebi de Zee, que, como uma professora erudita do Colégio dos Sábios, estudara esses assuntos mais diligentemente do que qualquer outro membro da família de meu anfitrião, esse fluído é capaz de ser edificado e disciplinado na ação mais poderosa sobre todas as formas de matéria, animada ou inanimada. Pode destruir como o lampejo do relâmpago. Porém, aplicado diferentemente, pode reabastecer ou revigora a vida, curar e preservar, e nele eles fiam-se principalmente para a cura de doença, ou melhor possibilitar ao organismo físico reestabelecer o devido equilíbrio de seus poderes naturais e, desse modo, curar a si mesmo. Por meio de sua ação eles abrem caminho através das substâncias mais sólidas e abrem vales para cultivo através das rochas da vastidão subterrânea deles. Dele eles extraem a luz que abastece suas lâmpadas, achando-o mais estável, mais suave e mais saudável do que os outros materiais inflamáveis que eles antigamente usaram.
[59]Mas os efeitos da alegada descoberta dos meios para direcionar a força mais terrível do vril foram principalmente notáveis na influência deles sobre a organização social. Conforme aqueles efeitos tornaram-se familiarmente conhecidos e habilmente administrados, guerra entre os descobridores de Vril cessou, pois eles trouxeram a arte de destruição a perfeição tal como para anular toda superioridade em números, disciplina e habilidade militar. O fogo alojado no oco de um bastão direcionado pela mão de uma criança podia destruir a fortaleza mais forte, ou abrir seu caminho abrasador da vanguarda à retaguarda de uma tropa em batalha. Se exército encontrasse exército, e ambos tivessem o comando desta operação, podia ser apenas a aniquilação de cada um. Portanto, a era da guerra foi embora; mas, com a cessação da guerra, outros efeitos impactando a situação social logo tornaram-se aparentes. O homem ficou tão completamente à mercê do homem, cada um que ele encontrasse sendo capaz, se assim desejando, de matá-lo em um instante, que todas as noções de governo pela força desapareceram gradualmente dos sistemas políticos e formas de lei. É somente pela força que vastas comunidades, dispersas através de grandes distâncias no espaço, podem ser [60]mantidas juntas. Mas agora não há mais ou a necessidade de autopreservação ou o orgulho de engrandecimento para fazer um estado desejar preponderar em população sobre outro.
Portanto, os descobridores do vril, no curso de umas poucas gerações, pacificamente dividiram-se em comunidades de tamanho moderado. A tribo em meio a qual eu caíra era limitada a 12.000 famílias. Cada tribo ocupava um território suficiente para todas as suas carências e, em períodos estabelecidos, o excedente populacional partia para procurar um reino próprio. Lá não surgia a necessidade para qualquer seleção arbitrária desses emigrantes; havia sempre um número suficiente que se voluntariava para partir.
Esses estados subdivididos, insignificantes se nós considerarmos seja território ou população, - todos pertencem a uma vasta família comum. Eles falam a mesma linguagem, embora os dialetos possam diferir levemente. Eles casavam-se entre si assim como mantinham as mesmas leis e costumes comuns. Uma ligação tão importante entre as várias comunidades era o conhecimento de vril e a prática de suas operações, de modo que a palavra A-Vril era sinônimo de civilização e Vril-ya, [61]significando “As Nações Civilizadas”, era o nome comum pelo qual as comunidades empregando os usos de vril distinguiam a si mesmas daqueles Ana que ainda estavam em um estado de barbarismo.
O governo da tribo da Vril-ya da qual que eu estou tratando era aparentemente muito complicado, [mas era] realmente muito simples. É baseado em um princípio reconhecido em teoria, embora pouco executado na prática acima do solo – a saber, que o objeto de todos os sistemas de pensamento filosófico tende à obtenção da unidade, ou à ascensão através de todos os labirintos intervenientes à simplicidade de uma única primeira causa ou princípio. Assim, em política, até escritores republicanos concordaram que uma autocracia benevolente asseguraria a melhor administração, se houvesse quaisquer garantias para sua continuação, ou contra seu abuso gradual dos poderes outorgados a ela. Esta comunidade singular portanto elege um único magistrado supremo intitulado Tur; ele mantêm seu cargo público nominalmente durante a vida, mas raramente ele poderia ser induzido a mantê-lo após a primeira aproximação da velhice. De fato, nesta sociedade, não há nada para induzir qualquer um de seus membros a cobiçar as solicitudes do cargo. Nem honras, nem insígnia de posição mais elevada [62]eram atribuídas a ele. O magistrado supremo não era distinguido do resto por habitação superior ou renda. Por outro lado, os deveres atribuídos a ele eram maravilhosamente leves e fáceis, não requerendo nenhum grau preponderante de energia ou inteligência. Não havendo receios de guerra, não havia exércitos a manter; não sendo um governo de força, não havia polícia a ordenar e dirigir. O que nós chamamos crime era desconhecido das Vril-ya e não havia tribunais de justiça criminal. As raras instâncias de disputas civis eram encaminhadas para arbitragem de amigos escolhidos por qualquer das partes, ou decididas pelo Conselho dos Sábios, o qual será descrito mais tarde. Não havia advogados profissionais e, de fato, as leis deles eram somente convenções amigáveis, pois não havia poder para fazer cumprir as leis contra um ofensor que carregava em seu bastão o poder para destruir seus juízes. Havia costumes e regulamentos com os quais se conformar e, por vários séculos, as pessoas habituaram a si mesmas tacitamente. Se em qualquer caso um indivíduo sentisse tal conformidade difícil, ele deixaria a comunidade e iria para outro lugar. [63]Havia, de fato, quietamente estabelecido no meio deste estado, quase o mesmo acordo que é encontrado nossas famílias privadas, no qual virtualmente dizemos para qualquer membro adulto independente da família que nós recebemos e acolhemos, “Fique ou vá, conforme nossos hábitos e regulamentos satisfazem-te ou contrariam-te.” Mas, embora não houvessem lei como as que nós chamamos leis, nenhuma raça acima da superfície é tão observadora da lei. Obediência à regra adotada pela comunidade tornou-se tanto quanto um instinto, como se fosse implantado pela natureza. Mesmo em cada família o líder dela faz um regulamento para sua orientação, o qual nunca é resistido nem mesmo cavilado por aqueles que pertencem à família. Eles têm um provérbio, a concisão do qual é muito perdida nesta paráfrase, “Nenhuma felicidade sem ordem, nenhuma ordem sem autoridade, nenhuma autoridade sem unidade.” A suavidade de todo o governo sobre eles, civil ou doméstico, pode ser sinalizada pelas expressões idiomáticas deles para termos tais como ilegal ou proibido – a saber, “não é requisitado para fazer mais ou menos.” Pobreza entre os Ana é tão desconhecida quanto crime; não que propriedade seja mantida em comum, ou que todos sejam iguais [64]na extensão de suas possessões ou no tamanho e luxo de suas habitações. Mas, não havendo diferença de classe ou posição entre os graus de riqueza ou escolha das ocupações, cada um persegue suas próprias inclinações sem criar inveja ou competindo; alguns gostam de um tipo de vida modesto, alguns de um tipo mais esplêndido; cada um faz de si mesmo feliz a seu próprio modo. Devido a esta ausência de competição, bem como ao limite colocado sobre a população, é difícil para uma família cair na dificuldade; não há especulações perigosas, nem emuladores rivalizando por riqueza ou classe superior. Sem dúvida, em cada assentamento, todos originariamente tinha as mesmas proporções de terra repartidas entre eles; mas alguns, mais aventureiros que outros, estenderam suas possessões mais adiante para as selvas limítrofes, ou melhoraram em fertilidade mais abundante a produção dos campos deles, ou entraram em comércio ou intercâmbio. Portanto, necessariamente, alguns se tornaram mais ricos do que outros, mas nenhum se tornou absolutamente pobre, ou sem qualquer coisa que os gostos deles desejassem. Se assim o fizessem, estava sempre em seu poder migrar, ou no pior [dos casos] solicitar, sem vergonha e com [65]certeza da ajuda, ao rico; pois todos os membros da comunidade consideravam a si mesmos como irmãos de uma família unida e afetuosa. Mais sobre este tópico será tratado incidentalmente, conforme minha narrativa prossegue.
A preocupação principal do magistrado supremo era comunicar-se com certos departamentos ativos encarregados da administração de detalhes especiais. O mais importante e essencial de tais detalhes era aquele conectado com a provisão devida de luz. Deste departamento meu anfitrião, Aph-Lin, era o chefe. Outro departamento, que podia ser chamado do estrangeiro, comunicava-se com os fronteiriços estados irmãos, principalmente para o propósito de apuração de todas as novas invenções; e a um terceiro departamento, todas essas invenções e melhorias em maquinaria eram confiadas para julgamento. Conectado a este departamento estava o Colégio dos Sábios – um colégio especialmente favorecido por esses dos Ana que eram viúvos e sem filhos, e por aquelas moças solteiras, dentre as quais Zee era a mais ativa, e, se o que nós pudéssemos chamar de renome ou distinção fosse uma coisa reconhecida por este povo (o que depois eu deverei mostrar [66]que não é), entre as mais renomadas ou distintas. É através das Professoras deste Colégio que esses estudos, que são considerados [como] de mínimo uso na vida prática – como filosofia puramente especulativa, a história de períodos remotos, e ciências tais como entomologia, conchologia, etc. - são cultivadas mais diligentemente. Zee, cuja a mente, ativa como a de Aristóteles, igualmente abraçava os domínios mais amplos e os detalhes minúsculos do pensamento, escrevera dois volumes sobre o inseto parasita que habita em meio aos pelos da pata do tigre1, cujo trabalho era considerado a melhor autoridade neste assunto interessante. Mas as pesquisas das sábias não eram confinadas a esses estudos elegantes ou sutis. Elas compreendem vários outros mais importantes e, especialmente, as propriedades do vril, à [67]percepção do qual a organização mais fina dos nervos delas torna as Professoras eminentemente afiadas. É a partir deste colégio que o Tur, ou magistrado chefe, seleciona Conselheiros, limitados a três, nas raras instâncias nas quais a novidade do evento ou da circunstância confunde seu próprio julgamento.
Há outros departamentos de efeito menor, mas tudo prossegue tão silenciosa e quietamente que a evidência de um governo parece desaparecer completamente e a ordem social ser tão regular e discreta como se fosse uma lei da natureza. Maquinaria é empregada a uma extensão inconcebível em todas as operações de trabalho dentro e fora das portas, e é o objeto incessante do departamento encarregado de sua administração estender sua eficiência. Não há classe de trabalhadores ou servos, mas todos que são necessários para auxiliar ou controlar a maquinaria são encontrados [em meio] às crianças, a partir do momento em que elas deixam o cuidado das mães delas até a idade casável, a qual eles colocam nos dezesseis para as Gy-ei (as mulheres) e vinte para os Ana (os homens). Essas crianças são organizadas em bandos e seções sob seus próprios chefes, cada uma seguindo as atividades nas quais [68]ela esteja mais satisfeita, ou para qual ela sinta a si mesma ajustada. Algumas simpatizam com artesanato, algumas com agricultura, algumas com trabalho doméstico e algumas com os únicos serviços de perigo ao qual a população é exposta. Pois os únicos perigos que ameaçam esta tribo são, primeiro, daquelas convulsões ocasionais no interior da terra, para prever e contra os quais se guardar atarefa-se a máxima ingenuidade deles – irrupções de fogo e água, as tempestades de ventos subterrâneos e gases fugitivos. Nas fronteiras do domínio, bem como em todos os lugares onde tal perigo pode ser percebido, inspetores vigilantes ficam estacionados em comunicação telegráfica com o salão onde sábios escolhidos ocupam-se em turnos para realizar sessões perpétuas. Esses inspetores são sempre selecionados dentre os meninos mais velhos aproximando-se da idade da puberdade, e segundo o princípio de que naquela idade a observação é mais aguda e as forças físicas mais alertas do que em qualquer outra. O segundo serviço de perigo, menos grave, está na destruição de todas as criaturas hostis à vida, ou à cultura, ou mesmo ao conforto dos Ana. Destas as mais formidáveis são os imensos repteis, de alguns dos quais relíquias antediluvianas são preservadas [69]em nossos museus, e certas gigantescas criaturas aladas, meio pássaro, meio reptil. Esses, juntos com animais menos selvagens, correspondem aos nossos tigres e serpentes venenosas, são deixados às crianças mais jovens para caçar e destruir; porque, de acordo com os Ana, aqui crueldade é desejada, e [quanto] mais jovem a criança mais impiedosamente ela destruirá. Há outra classe de animais na destruição da qual discernimento tem de ser usado, e contra a qual crianças de idade intermediária são empregadas – animais que não ameaçam a vida do homem, mas devastam o produto do seu labor; variedades de alce e de corça, e uma criatura menor muito parecida a nosso coelho, embora infinitamente mais destrutiva às colheitas, e muito mais ardilosa em seu modo de depredação. É o primeiro objeto dessas crianças apontadas; domar os mais inteligentes desses animais ao respeito por cercados sinalizados por marcos conspícuos, como cães são ensinados a respeitar uma despensa, ou mesmo a guardar a propriedade do mestre. É somente quando essas criaturas são achadas indomáveis nessa medida que elas são destruídas. A vida nunca é tirada por comida [70]ou por esporte, e nunca poupada quando indomavelmente inimiga aos Ana. Concomitantemente a esses serviços e tarefas físicos, a educação mental continua até que a infância termine. É costume comum, então, passar através de um curso de instrução no Colégio dos Sábios, no qual, além de estudos mais gerais, o pupilo recebe lições especiais em certa vocação ou direção do intelecto que ele mesmo seleciona. Alguns, contudo, preferem passar este período de provação em viajem, ou emigrar, ou estabelecer-se imediatamente em atividades rurais ou comerciais. Nenhuma força é colocada sobre a inclinação individual.
ORIGINAL:
BULWER-LYTTON, E. The Coming Race. Edinburgh and London: William Blackwood and Sons, 1871. pp. 53-70. Disponível: <https://archive.org/details/comingrace00lytt/page/53/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
1O animal aqui referido possui muitas diferenças em relação ao tigre do mundo superior. É maior, e com uma pata mais larga, e ainda mais recuado frontalmente. Ele caça nos lados de lagos e poços, e alimenta-se principalmente de peixes, embora não desaprove qualquer animal terrestre de força inferior que entre em seu caminho. Está tornando-se muito escasso mesmo nas zonas selvagens, onde é devorado pelos repteis gigantescos. Claramente, eu percebo que pertence à espécie do tigre, visto que o parasita animálculo encontrado em sua pata, como aquele encontrado no tigre asiático, é uma imagem miniatura de si mesmo.