A Raça Vindoura - Capítulo VIII

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[51]Quando, uma vez mais, eu acordei, vi, ao lado de minha cama, a criança que trouxera a corda e os ganchos à casa na qual eu fora recebido primeiro, e que, como mais tarde eu aprendi, era a residência do magistrado chefe da tribo. A criança, cujo nome era Taë (pronunciado Tar-ēē), era o filho mais velho do magistrado. Eu descobri que, durante meu último sono ou transe, fizera avanços ainda maiores na linguagem do país e podia conversar com relativa facilidade e fluência.

Esta criança era singularmente bela, mesmo para a bela raça à qual ele pertencia, com um semblante muito valoroso em aspecto para seus anos, bem como com uma expressão mais vivaz e energética do que eu vira até agora nas faces sem paixões e serenas dos homens. Ele trouxe-me [52]o bloco de anotações no qual eu desenhara o modo de minha descida e também esboçara a cabeça do horrível reptil que me espantara do corpo do meu amigo. Apontando para aquela parte do desenho, Taë apresentou-me algumas questões relativas ao tamanho e à forma do monstro, assim como sobre a caverna ou abismo dos quais ele emergira. O interesse dele em minhas respostas pareceu tão grave no momento para distrai-lo por um tempo de qualquer curiosidade quanto a mim mesmo ou meus antecedentes. Mas, para meu grande embaraço, vendo como eu estava comprometido com meu anfitrião, ele estava apenas começando a perguntar-me de onde eu vim, quando Zee afortunadamente entrou, e, ouvindo-o por acaso, disse, “Taë, dê a nosso hóspede qualquer informação que ele possa desejar, mas não pergunte nada dele em retorno. Questionar quem ele é, de onde ele vêm, ou porquê ele está aqui, seria uma quebra da lei que meu pai estabelecera para esta casa.”

Que assim seja,” disse Taë, pressionando a mão contra seu coração e, a partir daquele momento, até aquele em que eu vi-o pela última vez, esta criança, com a qual que me tornei muito íntimo, nunca mais colocou para mim qualquer das questões assim interditas.


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ORIGINAL:

BULWER-LYTTON, E. The Coming Race. Edinburgh and London: William Blackwood and Sons, 1871. pp. 51-52. Disponível: <https://archive.org/details/comingrace00lytt/page/51/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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