[136]Assim andou Hallblithe a passos largos; mas, quando ele fora-se apenas um pouco do caminho, sua cabeça virou e a terra e os céus oscilaram diante dele, de modo que precisou sentar-se em uma pedra à beira da estrada, perguntando-se o que o incomodava. Em seguida ele olhou para as montanhas, as quais agora pareciam bem próximas a ele ao final da planície, e a fraqueza nele aumentou. Oh!, enquanto ele olhava, era para ele como se os penhascos se levantassem no céu para encontrá-lo e pairar sobre ele e como se a terra se erguesse sob ele. Com isso, ele caiu para trás e perdeu completamente o sentido, de modo que não soube o que se tornou da terra e dos céus bem como da passagem dos minutos da vida dele.
Quando ele voltou a si mesmo, não sabia se repousara por muito ou pouco tempo. Ele sentia-se fraco e, por um tempo, deitou-se movendo-se escassamente; nada observando, nem mesmo o céu acima dele. Logo ele virou-se em volta e viu pedra dura em cada lado, assim se ergueu cansadamente, colocou-se [137]de pé e sabia que estava fraco, com fome e sede. Em seguida, ele olhou ao redor e viu que estava em um vale estreito, ou fenda, nas montanhas; em meio às rochas pálidas, nuas e sem água, onde não crescia nenhuma folha verdede grama. Mas ele não podia ver mais além que os lados daquela fenda e ansiava por estar fora dela para que pudesse ver para onde se virar. Então, ele lembrou-se de sua mochila, colocou a mão nela e abriu-a, pensando em arranjar algum alimento daí; mas oh!, estava toda arruinada e gasta. Não obstante, por toda sua fraqueza, ele voltou-se e prosseguiu, movendo-se penosa e lentamente ao longo do que parecia ser um caminho pouco pisado levando acima para fora da fenda. Finalmente ele alcançou o cume dali e sentou-se sobre uma rocha do outro lado. Contudo, por um tempo, ele não se atreveu a erguer os olhos e a observar a terra, com medo que ele visse a morte aparecesse ali. Finalmente ele olhou, e viu que estava alto entre os picos da montanha: diante dele e de cada lado ficava apenas um mundo de pedra inculta subindo cume após cume como as ondas do mais selvagem mar de inverno. O sol não estava muito distante de seu brilho mediano, brilhando para baixo e quente sobre aquele deserto. Até agora não havia sinal de que qualquer homem alguma vez estivera naquele lugar desde o começo do mundo, salvo o caminho supracitado, que parecia levar adiante para baixo no declive pedregoso.
[138]Por aqui e por ali, tudo em volta ele olhou fixamente, esforçando seus olhos se talvez ele pudesse ver alguma diversidade na ruína rochosa. Finalmente, entre dois cumes rochosos à sua mão direita, ele avistou uma faixa de verde misturando-se ao frio azul à distância e pensou em seu coração que isso era o último que ele devia ver da Planície Cintilante. Então ele falou alto naquele deserto e disse, embora naquele lugar não houvesse ninguém para ouvir: “Agora minha hora final chegou; e aqui está Hallblithe do Corvo perecendo, com seus feitos por fazer, seu desejo não satisfeito e sua cama nupcial inerte para sempre. Por longo tempo possa a Casa do Corvo continuar e florescer, com muito homem e donzela, valentes e belos e fecundos! Oh Parentes, lançai vossa benção sobre este homem perto de morrer neste lugar, nada fazendo senão [o que] vós o mandaríeis.”
Ele sentou-se ali um pouco mais e então disse a si mesmo: “A morte demora-se; não estava certo que eu vou encontrar-te, assim como a cabana do camponês obsta o chefe poderoso?” Em seguida, ele ergueu-se e, dolorosamente, desceu a encosta, firmando-se com o fuste de sua lança cintilante. Mas, de repente, ele parou; pois parecia-lhe que ouvia vozes carregadas pelo vento que avultavam no lado da montanha. Mas ele sacudi a cabeça e disse: “Agora verdadeiramente começa o [139]sonho que deverá perdurar para sempre; de maneira alguma sou enganado por ele.” Não obstante, ele lutou o mais ansiosamente com o vento, o caminho e sua fraqueza. Contudo, a fraqueza cresceu nele, de modo que isso foi apenas um pouco antes que ele vacilasse, cambaleasse e caísse uma vez mais em um desmaio.
Quando ele voltou a si mesmo novamente, ele não estava mais sozinho: um homem estava ajoelhando-se próximo a ele e segurando sua cabeça; enquanto outro diante dele, conforme ele abria os olhos, punha uma taça de vinho em seus lábios. Então Hallblithe bebeu e ficou revigorado; logo eles deram-lhe pão e ele comeu; o coração dele foi fortalecido, a alegria da vida retornou a ele e ele deitou-se e dormiu docemente por um tempo.
Quando ele despertou daquele torpor, descobriu que conseguira de volta muito de sua força novamente. Ele sentou-se, olhou ao redor de si e viu três homens sentados próximos, armados e com espadas nos cintos, ainda em vestimenta infeliz, e doloridos e desgastados pela viajem. Um desses era muito velho, com longo cabelo branco pendente; o outro, embora não fosse tão acometido de anos, ainda parecia um velho de mais de sessenta invernos. O terceiro era um homem de aproximadamente quarenta anos de idade, mas triste e desolado e caído de aspecto.
Então quando eles viram-no mexendo-se, todos fixaram [140]os olhos sobre ele e o mais velho disse: “Bem-vindo para ele que outrora não tinha notícias para nós!” E o segundo disse: “Conta-nos agora tuas notícias.” Mas o terceiro, o homem desolados, clamou alto, dizendo: “Onde está a terra? Onde está a terra?”
Disse Hallblithe: “Parece-me que a terra que vós buscais é a terra da qual eu busco fugir. E agora eu não esconderei que me parece que eu vi-vos antes e que foi em Cleveland à Beira-mar, quando os dias eram mais felizes.” Em seguida, os três curvaram as cabeças em concordância e falaram: “Onde está a terra? Onde está a terra?” Então Hallblithe colocou-se de pé e disse: “Vós curaste-me da doença da morte, e eu farei o que posso para curar-vos da doença da tristeza. Vinde à passagem comigo, e eu vos mostrarei a terra [de] longe.”
Então eles ergueram-se como homens alegres e jovens, e ele conduziu-os sobre a borda do cume, para dentro do pequeno vale no qual ele primeiro tinha vindo a si mesmo. Naquele lugar, ele mostrou-lhes aquele vislumbre de terra verde entre os dois picos, o qual ele contemplara ainda agora; e eles ficaram de pé um tempo olhando para ele e chorando de alegria.
Então falou o mais velhos dos buscadores: “Mostra-nos o caminho para a terra.”
“Não,” disse Hallblithe, “eu não posso; pois quando [141]quis partir de lá, não pude ir pela minha própria vontade, mas fui trazido para cá e não tenho conhecimento como. Pois, quando eu cheguei à borda da terra contra a vontade do Rei, ele puniu-me e então me baniu. Portanto, visto que eu não posso ajudar-vos, encontrai vós a terra por vós mesmos; deixai-me ir abençoando-vos e saí vós deste deserto pelo caminho através do qual vós entrastes. Pois eu tenho uma missão no mundo.”
Falou o mais jovem dos buscadores: “Agora tu tornaste-te o consorte do Sofrimento e tu precisas ir, não para onde tu desejavas, mas para onde ela desejas. Ela te mandaria ir para frente, em direção à vida, não para trás, em direção à morte.”
Falou o buscador de idade mediana: “Se nós permitirmos que vás mais além dentro do deserto tu certamente deverás morrer: pois, daqui às partes povoados, bem como à Cidade dos Mercadores, de onde nós viemos, é uma jornada de um mês; e não há nem comida nem bebida, nem fera ou pássaro, nem qualquer coisa verde por todo esse caminho e, visto que nós encontramos-te faminto, podemos bem considerar que tu não tens mantimentos. Quanto a nós, temos apenas um pouco; de modo que se for muito mais do que uma jornada de três dias à Planície Cintilante, nós podemos bem passar forme e morrer à vista do Acre do Imorredouro. Mesmo assim, esse pouco nós compartilharemos contigo, se tu desejares ajudar-nos a encontrar aquela boa terra; de modo que tu ainda podes pôr [142]de lado o Sofrimento e levar Alegria novamente para tua mesa e cama.”
Hallblithe pendeu a cabeça e não respondeu nada; pois ele estava confuso pelas malhas da má sorte e a alma dele adoeceu com a amargura da morte. Mas o homem triste falou novamente e disse: “Tu tens uma missão, dizes tu? Isso é algo que um homem-morto possa fazer?”
Hallblithe ponderou e, em meio à angústia de seu desespero, nasceu-lhe uma visão de ondas do mar envolvendo o lado de uma embarcação negra, bem como de um homem lá: que, apenas ele mesmo, liberta-se para realizar sua missão e disse: “Eu agradeço-te, assim como eu retornarei com vocês, visto que não há estrada para mim, salvo de volta, novamente para dentro da armadilha.”
Os três buscadores pareceram contentes com isso. O segundo disse: “Embora a morte esteja perseguindo, e a vida jaza à frente, contudo nós não nos apressaremos indevidamente. Época houve quando eu fui Capitão da Tropa, e aprendi como batalhas eram perdidas devido à falta descanso. Portanto, tem teu sono agora, para que tu possas crescer em força para nossa ajuda.”
Disse Hallblithe: “Eu não preciso de descanso; eu não posso descansar; eu não descansarei.”
Disse o homem triste: “É legal para ti descansar. Assim digo eu, que uma vez fui um mestre de direito.”
Disse o ancião de longos cabelos grisalhos: “E eu ordeno-te [143]descansar; eu que uma vez fui o rei de um povo poderoso.”
De fato, Hallblithe estava agora excessivamente cansado; então ele deitou-se e dormiu docemente na vastidão rochosa, em meio aqueles três buscadores; o velho, o triste e o muito velho.
Quando ele acordou, sentiu-se bem e forte novamente. Ele saltou para seus pés, olhou ao redor de si, viu os três buscadores em movimento e considerou pelo sol que era de manhã cedo. O homem triste trouxe adiante pão, água e vinho, e eles quebraram o jejum. Quando eles terminaram ele falou e disse: “Continuemo-nos agora com mochila e garrafa; apenas mais uma refeição completa para nós e, então, mais nenhuma, salvo umas poucas migalhas e uma gota ou duas de vinho, se nós o administrarmos bem.”
Disse o segundo ancião: “Cheguemos à estrada e apressemo-nos. Eu estive procurando e, pareceu-me, embora o caminho possa ser longo, não está totalmente sem saída para nós. Ou vê tu, filho do Corvo, se não há outro caminho além, que leve adiante até a borda da ravina novamente? E como eu vi, ele leva novamente para baixo a partir da dita borda.”
Verdadeiramente, havia um caminho que levava através do emaranhado rochoso da região selvagem. Então, eles tomaram a estrada com um bom coração e seguiram por todo o dia; não viram nenhuma coisa viva, nenhuma palheta de grama [144]ou um fio de água: nada salvo as rochas pálidas sob o sol. Embora eles confiassem na estrada deles, que ela os levaria corretamente, não viram nenhum outro vislumbre da Planície Cintilante, porque ali erguia-se uma grande crista, como uma parede, no lado norte. Eles prosseguiram, como se fosse para baixo ao longo de uma trincheira de rochas, embora isso fosse enquanto atravessavam ravinas, pequenos montes de terra e rochedos.
Então, ao pôr do sol, eles descancararam e comeram suas provisões, pois estavam muito cansados; depois disso, deitaram-se e dormiram tão profundamente como se eles estivessem nos melhores salões dos homens. No dia seguinte, cedo eles levantaram-se sobriamente e prosseguiram em seus caminhos com poucas palavras, e, como eles consideraram, o caminho ainda os guiava adiante. Agora o grande cume ao norte erguia-se mais e mais íngreme, e a travessia dele por eles parecia não ser considerada; mas a trilha meio sem saída deles não lhes falhou. Eles descansaram à noite, salvo por um bocado ou dois de vinho e, em seguida, prosseguiram novamente sob a luz da lua, a qual era tão brilhante que eles ainda viam o caminho deles. E ocorreu a Hallblithe, como ocorre principalmente com homens muito desgastados de viajem, que ele continuava e continuava, escassamente se lembrando onde ele estava, ou quem seus companheiros eram, ou se ele tinha quaisquer companheiros. Então, à meia-noite, eles deitaram-se no deserto novamente, famintos e cansados. Eles levantaram-se ao amanhecer e continuaram [145]adiante com esperança minguante: pois agora a crista da montanha estava próxima do caminho deles; erguendo-se ao longo de uma pura parede de pedra pálida sobre a qual nada podia ir salvo o pássaro voando. De modo que, primeiramente naquela manhã, eles procuraram por nada, salvo deitarem seus ossos naquele deserto penoso onde nenhum homem deveria encontrá-los. Mas, como que assediados pela fome, eles desceram pesadamente naquela trilha estreita. Naquele lugar, veio um grito rouco da garganta seca de Hallblithe e foi como se seu grito fosse respondido por outro como o dele. Os buscadores viraram-se e contemplaram-lhe apontando para o lado do penhasco, e oh, a meio caminho, acima no pálido rochedo iluminado pelo sol, ficavam dois corvos em uma fenda de pedra, batendo suas asas e coaxando, com empurrões adiante e torções de suas cabeças; e logo eles vieram voando sobre fino ar puro alto, sobre a cabeça dos viajantes, coaxando pelo prazer do encontro, como eles rissem com isso.
Então, elevou-se o coração de Hallblithe, ele bateu nas palmas das mãos e imediatamente começou a contar uma velha canção de seu povo, em meio às rochas onde poucos homens cantaram outrora.
De onde viestes vós e para onde,
Oh, pássaro de nossos pais?
Que campo contemplastes vós,
que acres não cortados?
[146]Que terra deixastes vós
onde a gente de batalha reúne-se,
E os elmos de guerra são brancos
por cima dos caminhos do milho?
Que histórias carregais vós
do povo sem medo,
Onde, em meio à longa sombra do salão,
brilham as lanças;
Onde, no alto do cume do salão,
agora bate as asas o corvo,
E canta a canção
dos anos de nutrição?
Lá reúnem-se os moços
no início da manhã
Enquanto branco jaz o orvalho
do dia de batalha sobre a relva,
E o amável corcel trota
à voz do chifre de alarme,
E os ventos acordam e gemem
na sombra da passagem.
Oh pássaro de nossos pais,
Por que agora estais descansando?
Vinde sobre as montanhas
e olhai o inimigo.
Inteiro arraial, depois da luta vencida
deverá já ser vosso ninho;
E vossos filhotes
os filhos do corvo deverão conhecer.
[147]Após o que, ele andou a passos largos com sua cabeça erguida e, acima dele, voavam os corvos, coaxando como se eles respondessem à canção dele de um modo amigável.
Foi apenas um pouco depois disso que o caminho virou de lado precisamente em direção aos penhascos, e os buscadores ficaram confundidos disso, até que Hallblithe, correndo para frente, contemplou uma grande caverna na face do penhasco ao final do caminho. Então ele virou-se e gritou para seus companheiros; eles apressaram-se e logo puseram-se de pé diante da entrada da caverna, com dúvida e alegria misturados em suas mentes: pois agora, talvez, eles alcançaram o portão para a Planície Cintilante ou talvez a portão da morte.
O homem triste pendeu a cabeça e falou: “Alguma nova armadilha não nos aguarda? O que nós fazemos aqui? É isto qualquer coisa exceto morte?” Falou o mais velho dos velhos: “Não esteve a morte em cada lado até agora, mesmo que traição assedie ao rei em seu trono?”
E o segundo disse: “Sim, nós estivemos como a tropa que não tem caminho, salvo através de uma multidão de inimigos.”
Mas Hallblithe riu e disse: “Por que vós recuais, então? Quanto a mim, se a morte está aqui, logo é minha missão despachada.” Após o que, ele liderou o caminho para dentro da escuridão da caverna e os corvos penduraram-se sobre o rochedo acima da cabeça, coaxando, [148]enquanto os homens deixavam a luz. Assim foi o caminho deles engolido dentro da caverna e o dia e seu tempo tornaram-se nada para eles. Eles continuaram e continuaram; tornaram-se muito fracos e cansados, mas não descansaram, pois a morte estava atrás deles. Enquanto isso, eles acreditavam que ouviam águas correndo, assim como o canto dos passaros. Para Hallblithe pareceu que ele ouvia seu nome ser chamado, de modo que ele berrou de volta em resposta; mas tudo ficou quieto quando o som de sua voz extinguira-se.
Finalmente, quando eles estavam pressionando novamente depois de um curto período de descanso, Hallblithe gritou que a caverna estava clareando. Então eles apressaram-se adiante; a luz cresceu até que eles podiam ver uns aos outros e, vagamente, eles contemplaram que a caverna era igualmente larga e alta. Mais um pouco além, os rostos deles mostraram-se brancos uns para os outros e eles puderam ver os recantos das rochas, assim os morcegos pendurados como guirlandas a partir do teto. Então eles chegaram aonde o dia fluía para baixo, brilhante, sobre eles a partir da abertura em cima, e oh!, o céu e as folhas verdes acenando diante deles.
Para aqueles homens desgastados pelo caminho parecia difícil escalar daquele modo e, especialmente, para os Mais velhos. Assim, eles prosseguiram um pouco mais para ver se havia algo melhor os aguardando mas, quando descobriram a luz do dia faltando-lhes novamente, [149]retornaram ao lugar da ruptura no teto, para que não desperdiçassem sua força e perecessem nas entranhas da montanha. Então, com muita dificuldade eles ergueram Hallblithe até que ele se colocasse primeiro numa borda da parede rochosa, e assim, quer pela força, quer pela destreza, à luz do dia através da fenda no teto. Assim, quando ele estava fora, fez uma corda de seu cinto e tiras de sua vestimenta, pois sempre foi um hábil artesão, e após o que fez um ardil to levantar o homem triste, que era leve e ágil de corpo e, em seguida, os dois juntos lidaram com os anciões um após os outros, até que todos eles quatro estivessem sobre a face da terra novamente. O lugar aonde eles chegaram era o lado de uma montanha imensa, pedregosa e íngreme, mas adornada em volta com arbustos, os quais pareceram muito belos a estes andarilhos em meio às rochas. Esta encosta da montanha descia em direção a uma bela planície verde, a qual Hallblithe não duvidava ser a sobra mais distante da Planície Cintilante; não, ele julgou que podia ver, a uma grande distância, a Casa Mais Distante. Muito ele contou aos buscadores em poucas palavras e, em seguida, enquanto eles abaixaram-se sobre a terra e choraram de pura alegria, considerando que o sol estava baixo e estava começando a anoitecer, continuou e procurou ao redor para ver se podia encontrar água e qualquer tipo de alimento. Logo um pouco, abaixo [150]da encosta, ele deparou-se com um lugar onde uma nascente vinha jorrando da terra e corria abaixo em direção à planície; ao redor dela ficava uma grama verde crescendo abundantemente e uma pequena mata de amora preta e árvores frutíferas selvagens. Então, ele bebeu da água, colheu umas poucas maçãs selvagens, algo melhor que caranguejos, e, em seguida, subiu a colina novamente e foi buscar os buscadores para aquela hotelaria montanhosa e, enquanto eles bebiam do córrego, colheu para eles maçãs e amoras silvestres. Pois, verdadeiramente, eles eram como homens fora de seus juízos e ficaram atordoados pela extremidade da alegria deles, como homem que ansiavam encerrados na prisão, para quem o mundo da gente dos homens tornara-se estranho. Simples como era o alimento, eles foram um tanto fortalecidos por ele e pela água abundante e, como a noite estava agora sobre eles, não era de nenhum proveito para eles ir mais além: assim, dormiram debaixo dos galhos das espinheiras.
ORIGINAL:
MORRIS, W. Story of the glittering plain, which has also been called the Land of living men, or the Acre of the undying. Boston: Roberts Brothers, 1892. pp.136-150. Disponível em: https://archive.org/details/story00morrofglitterinrich/page/136/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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