Depois de Londres: ou, A Inglaterra Selvagem - Parte I A Recaída no Barbarismo - Capítulo II Animais Selvagens

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[13]Quando os antigos partiram, grandes números de seus rebanhos pereceram. Não foi tanto a falta de comida quanto a incapacidade de suportar a exposição que causou a morte deles; diz-se que uns poucos invernos assim os reduziram, de modo que eles morressem às centenas, muitos destroçados por cães. Os mais robustos que permaneceram tornaram-se perfeitamente selvagens, e o gado de bosque é agora mais difícil de aproximar-se que de veados.

Há dois tipos, o branco e o preto. Acredita-se que os brancos (ocasionalmente pardos) sejam os sobreviventes dos ruões-e-brancos domésticos, pois o gado em nossas cercadas no presente dia é daquela cor. Os negros são menores, e estão indubitavelmente poucos mudados de seu estado em tempos antigos, exceto que ele são selvagens. Esses últimos são tímidos, exceto quando acompanhados por um bezerro, e são raramente conhecidos por viraram-se para cima de seus perseguidores. Mas os brancos são ferozes em todos os momentos; de fato, eles não atacarão o homem, mas dificilmente correrão dele, e não é sempre seguro cruzar com as tocas deles.

Os touros são selvagens além da medida em certas estações do ano. Se eles veem homens à distância, eles afastam-se; se ficam cara a cara inesperadamente, atacam. Essa característica possibilita aqueles que viajam através de zonas conhecidas por serem infestadas por gado branco a proverem-se contra um encontro, pois, ao ocasionalmente soprarem um chifre, a manada que possa estar na vizinhança é dispersa. [14]Frequentemente, não há mais que vinte numa manada. As peles do pardo são altamente estimadas, ambos por seu valor intrínseco e como provas de habilidade e coragem, tanto assim que você dificilmente deve comprar uma pele, por todo o dinheiro que você possa oferecer; e os chifres são troféus do mesmo modo. O touro branco ou pardo é o monarco de nossas florestas.

Quatro tipos de porcos selvagens são encontrados. O mais numeroso, ou ao menos o mais frequentemente visto, como ele repousa em volta de nossas cercas, é o porco de espinheiro comum. Ele é o maior dos porcos selvagens, de corpo longo e de flancos lisos, de cor muito [semelhante] ao tom da lama na qual ele chafurda. Para o agricultor é a maior das pestes, destruindo ou danificando todos os tipos de colheitas, e traçando uma rota pelos jardins. Com dificuldade, é mantido fora com pela paliçada, pois, se houver um lugar fraco na estrutura de madeira, o focinho forte do animal está certo de enfraquecê-lo e cavar uma passagem através.

Como sempre existem muitos destes porcos em torno, ao redor de lugares habitados e campos cultivados, cuidado constante é requerido, pois eles instantaneamente descobrem uma abertura. Do hábito deles de infestarem os matagais e moitas, as quais eles encontram à beira das cercas, eles obtiveram o nome de porco de espinheiro. Alguns alcançam um tamanho imenso bem como são muito férteis, de modo que é impossível destruí-los. Os javalis são ferozes em uma estação particular, mas nunca atacam a menos que provocados a fazê-lo. Mas, quando são impelidos à baía, eles são os mais perigosos dos javalis, por conta de seu vasto tamanho e peso. Eles são de uma disposição preguiçosa, e não surgirão de seus covis a menos que forçados a fazê-lo.

[15]O próximo tipo é porco branco, o qual tem muito dos mesmos hábitos do anterior exceto que é geralmente encontrado em lugares úmidos, próximo a lagos e riso, e é frequentemente chamado de porco de pântano. O terceiro tipo é perfeitamente negro, muito menor em tamanho, bem como muito ativo, proporcionando de longe o melhor divertimento e também a melhor comida, quando morto. Como eles são encontrados nas colinas, onde o terreno é um pouco mais aberto, cavalos podem segui-los livremente e a perseguição torna-se excitante. Por alguns é chamado de porco de colina, conforme o local que frequenta. As pequenas presas do javali negro são usadas para muitos propósitos ornamentais.

Essas três espécies são consideradas descendentes dos vários porcos domésticos dos antigos, mas a quarta, ou cinza, é considerada ser o verdadeiro javali selvagem. É raramente vista, mas é mais comum nas florestas do sudoeste, onde, conforme a quantidade das samambaias, é chamado de porco de samambaia. Acredita-se que este tipo represente o verdadeiro javali selvagem, o qual foi extinto, ou misturado ao porco doméstico entre os antigos, exceto naquela zona onde a descendência permaneceu.

Com tempos selvagens, os hábitos selvagens retornaram, e o javali cinza é de uma vez só o mais difícil de avaliar e o mais propenso a encontrar ou cães ou homens. Embora o primeiro, ou porco de espinheiro, cause mais dano ao agricultor porque seus números, bem como seus hábitos de infestar a vizinhanças das cercas, os outros são igualmente prejudiciais se eles arriscam-se a entrar nos campos cultivados.

Os três tipos principais de ovelhas selvagens são a cornuda, [16]a tomilho e a do prado. A ovelha tomilho é a menor de todas e infesta as colinas mais altas ao sul, onde, alimentado-se das doces ervas dos cumes, diz que a carne delas adquire o sabor do tomilho selvagem. Elas movem-se em pequenos rebanhos, de não mais que trinta, e são as mais difíceis de abordar, sendo muito mais cautelosas que os gamos, tão continuamente elas são caçadas pelos cães do bosque. As cornudas são maiores, e movem-se em números maiores; tantas quanto duzentas são algumas vezes vistas juntas.

Elas são encontrados nos declives mais baixos, planícies e nos bosques. A ovelha de prado tem longa lã desgrenhada, da qual são feitas muitas peças de vestuário, mas elas não são numerosas. Elas infestam os lados dos rios, e as costas de lagos e lagoas. Nenhuma delas é facilmente irritada, por conta do cães do bosque; mas os carneiros do tipo cornudo são renomados por vezes viraram-se contra a matilha perseguidora, e dar-lhes cabeçadas até a morte. Na extremidade de seu terror, rebanhos inteiros de ovelhas selvagens foram impulsionadas sobre precipícios e para dentro de pântanos e torrentes.

Além dessas, há muitas outras espécies cuja a toca é local. Nas ilhas, especialmente, diferentes tipos são encontrados. Os cães de bosque, nadam para uma ilha e matam cada ovelha sobre ela.

Dos cavalos que estiveram em uso entre os antigos, as duas espécies selvagens agora encontradas são conhecidas por terem descendido, um fato confirmado pela evidente semelhança delas aos cavalos que nós ainda mantemos. O maior de todos os cavalos selvagens é quase negro, ou inclinado a uma cor escura, um pouco [17]menor em tamanho que nossos cavalos de carroção atuais, mas da mesma forma pesada. É, contudo, mais veloz, por conta de ter gozado de liberdade por tanto tempo. É chamado de cavalo do mato, sendo geralmente distribuído entre matagais e terrenos semelhantes a prados contíguos à água.

A outra espécie é chamada de pônei de colina, a partir do habitat dele, as colinas, e é um pouco menor em tamanho do que nosso cavalo de equitação. Esse último é baixo e atarracado, tanto que não é facilmente montado por pessoas baixas sem estribos altos. Nenhum desses cavalos selvagens são numerosos, mas nem são incomuns. Eles mantêm-se inteiramente separados uns dos outros. Tantos quanto trinta éguas às vezes são vistas juntas, mas há zonas onde o viajante não notará uma por semanas.

A tradição diz que nos tempos antigos havia cavalos de uma compleição esbelta, cuja a velocidade ultrapassava a do vento, mas da raça destes famosos cavalos de corrida nenhum sobrou. Se eles eram muito delicados para suportar a exposição, ou se os cães selvagens caçaram-nos, é incerto, mas eles foram-se inteiramente. Se apenas um existisse, quão avidamente seria procurado, pois nestes dias valeria seu peso em ouro, a menos que, de fato, como alguns afirmam, tal velocidade somente durasse por uma milha ou dois.

Não é necessário, tendo escrito até agora sobre animais, que alguma coisa deva ser dita sobre os pássaros nos bosques, os quais todos sabem que nem sempre foram selvagens e os quais podem, verdadeiramente, ser comparados com essas aves domésticas que são mantidas em nossas cercadas. Assim são [as galinhas de arbustos], perus do bosque, galinhas, pavões, pato [18]branco e gansos brancos, todos os quais, embora agora selvagens como o falcão, são bem conhecidos por ter sido uma vez domados.

Existiam gamos, vermelhos e incultos, em numerosos parques e caçadas de tempo muito antigo, e esses, tendo ficado livres [bem como] tendo terrenos tão imensos sobre os quais vaguearem em paz, continuaram aumentando até que agora eles estão além de cálculo. Eu mesmo vi mil cabeças juntas. Dentro desses quarenta anos, como eu aprendi, a corça, também, alcançou o extremo norte, de modo que agora há três tipos nos bosques. Antes delas, a marta chegou da mesma direção, e, embora ela ainda não sejam comuns, acredita-se que estejam aumentando. Pois, nos primeiros anos após a mudança ter ocorrido, aquele lugar parecia um perigo, com receio de que as feras selvagens estrangeiras, que haviam sido confinadas em menageries, devessem multiplicar-se e permanecer nos bosques. Mas isso não ocorreu.

Alguns poucos leões e tigres, ursos, bem como outros animais verdadeiramente escaparam, em companhia de muitas criaturas menos furiosas, e é relatado que eles vagaram ao redor dos campos por um longo tempo. Apesar disso, eles eram raramente vistos, tendo uma tão grande extensão do país sobre a qual vaguear e, depois de um tempo, desapareceram completamente. Se qualquer descendência fosse nascida, as geadas do inverno deveriam destruí-la, e o mesmo destino aguardava as serpentes monstruosas que forma coletadas para exibição. Somente um animal agora existe que é sabido dever sua existência àqueles que escaparam das tocas dos antigos. É o castor, cujas barragens são encontradas sobre os córregos por aqueles que atravessam os bosques. Alguns dos pássaros aquáticos, [19]também, que frequentavam os lagos, são considerados terem originariamente derivado daqueles que eram antigamente mantidos como curiosidades.

No pátio do castelo em Longtover, ainda podem ser vistos os ossos de um elefante, que foi encontrado morrendo nos bosques próximo daquele local.


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ORIGINAL:

JEFFERIES, R. After London; or, Wild England. London: Duckworth & Co, 1905. pp.13-19. Disponível em: <https://archive.org/details/afterlondonorwil00jeffuoft/page/13/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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